
Olá amigos e amigas!
Bem, dentro de poucos dias começam as inscrições para intercâmbio pela Universidade de Brasília. Tenho recebido perguntas de várias pessoas sobre como é o Porto, como é o intercâmbio, se vale a pena, se é caro etc.
O #PortugaDiario foi idealizado exatamente para servir de ponte com vocês, que ainda não participaram de uma experiência como essa e podem, ou não, ter interesse nisso. É difícil atender a todo mundo que vem me perguntar, então essa semana farei este post especial, com as principais informações que vocês devem saber para me encontrar pela Europa no segundo semestre =]
Não tava sabendo dessa oportunidade? O que é INT mesmo? Clique aqui
Bom, imagino que a essa altura do campeonato todos vocês já tenham lido o edital de intercâmbio. Se vocês ficaram desesperados, não se preocupem, essa é realmente a pior parte: inscrição no INT.
Comprovante disso, papelada daquilo, matrícula, histórico escolar, ufa!
Olha, isso é realmente trabalhoso e chato. O segredo é se organizar. Pegue uma folha em branco e vá escrevendo cada item exigido pelo edital. No caso dos comprovantes, faça também uma lista, mas dessa vez com os eventos em que você participou, os estágios já realizados, enfim, tudo que é exigido. Na dúvida, coloque a mais.
Depois de tudo organizado e listado, vá colocando num envelope, na ordem da lista, todos os documentos e riscando o seu nome na folha. Simples e prático, não?
Tio, eu fui pro ENECOM e até hoje não recebi meu comprovante, o que eu faço? Estou desesperado! Me ajude!!
Em primeiro lugar, acalme-se. É muito comum participar de eventos, principalmente estudantis, e não conseguir ou simplesmente perder o certificado. No caso de eventos como o ENECOM, faça um documento simples :
Eu, xxxxxx, comprovo que o estudante fulano de tal, matrícula tal, participou do encontro estudantil em tal data.
Pronto. Peça para alguém da secretária ou algum professor da sua Faculdade assinar e carimbar. O INT reconhece esses documentos (tem que ter o carimbo). No caso de outros eventos, procure a organização ou faça o mesmo documento simples e peça para algum professor (que na época sabia que você estava participando deste evento) assinar.
Thííí, eu já trabalhei como garçonete, porque eles não me deram pontuação por isso? Isso é preconceito!
O edital é bem claro, eles só aceitam estágios, eventos e tudo mais relacionado ao seu curso. Trabalhar como garçonete pode ter contribuído muito individualmente para a sua vida, mas se você faz engenharia megatrônica eles não vão aceitar esse trabalho como válido. Na dúvida, coloque tudo que você tiver feito, mas tenha o mínimo de bom senso =]
Ahh thigo, meu sonho sempre foi ir para a Espanha, ver os quadros de picasso, tirar a siesta à tarde, comer guacamole todo dia…
Olha, sinto informar que guacamole é um prato tipicamente mexicano xD mas tudo bem, entendi onde você quer chegar (que piadinha infame >.<).
No edital você não escolhe um país, e sim uma língua. Se você escolhe inglês, por exemplo, pode ir tanto para o Canadá quanto para França ou Alemanha. Vai depender da sua classificação. Então você deve escolher bem, dê uma olhada em todas as alternativas.
No caso de inglês, francês e/ou espanhol, cada universidade decide se exige nível intermediário ou avançado de conhecimento sobre a língua daquele país. No geral é necessário somente conhecimento intermediário, mas na dúvida entre em contato com a universidade e se informe melhor no INT. Como vim para Portugal não tive esse problema hehe
Se você mora sozinho em Brasília, não se preocupe, você vai economizar dinheiro aqui na Europa. SÉRIO.
França é o país mais caro, principalmente em Paris e no que diz respeito a aluguel (mais de 300 euros).
Portugal, especificamente Porto, é uma cidade com custo de vida razoável. Tenho amigos que pagam de 80 euros (dividindo o quarto) a 230 (que é o meu caso, já com água, luz, internet, condomínio e roupa lavada).
Vou colocar aqui os meus gastos no primeiro mês de intercâmbio:
Esse primeiro mês eu gastei mais do que neste, em vários itens. Em alimentação, por exemplo, gastei apenas 86 euros (contra 140 em fevereiro).
O Restaurante Universitário é excelente, mas custa 2,15 euros, o que acaba custando um pouco caro no final do mês. Você aprende essas coisas com o tempo. Eu parei de ir lá um pouco e cozinhei mais em casa, fez diferença. E também tem algumas coisas que eu não comprei mais, como azeite, sal, açucar, etc.
Em diversão eu incluí tudo, desde as saídas para o bar ao show do Buena Vista Social Club.
Em viagens está parte dos meus gastos em Barcelona (avião + hospedagem).
Em Gastos Gerais tem roupa, presentes, jogos pro Nintendo DS, enfim.
Em transporte estão alguns livros que eu comprei por conta própria (não eram obrigatórios e não tinham nada haver com o curso). No geral você não gasta nada com os estudos, xerox são baratas e a biblioteca tem muita coisa.
Ou seja, no final das contas o gasto total (alimentação + transporte + gastos gerais) foi de 225 euros. Mais o aluguel (no meu caso, 230 euros).
AMIIIIGAAA CONTA MAIS! Como estão sendo as suas experiências?!?! Tá gostando?? **Que liinduuu!!**
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AMIGA É A ***
Bem, sobre a experiência. Quem tá acompanhando o #PortugaDiário sabe que eu to gostando muito! =]
Intercâmbio é uma experiência fantástica na vida de uma pessoa. Não só para aprender a se virar sozinho, porque isso quem mora sozinho já sabe, mas de viver numa realidade totalmente diferente da sua. Mesmo estando em Portugal eu já fiz amigos da croácia, da bélgica, da espanha, frança, rússia e itália (‘só’ esses, eu acho). E você acaba aprendendo muito sobre o país que está residindo, não só dos problemas mas também dos aspectos positivos. Com certeza irei voltar ao Brasil com a cabeça muito mais aberta e com os olhos mais afiados.
Principalmente aqui em Portugal eu vejo muitos problemas parecidos com o Brasil. E como os políticos e autoridades fazem as mesmas barbaridades, corrupção etc. Em alguns países mais ao Norte da Europa isso já não acontece.
Outra dica importante: faça matérias em outros cursos. É extremamente fácil, eles aceitam qualquer matéria que você quiser cursar. Sociologia, filosofia, design, alguma na área de exatas, porque não? A matéria que eu mais gostei nesse semestre é de Sociologia. Por mais que a UnB já ofereça essa oportunidade, aproveite. Você está num país diferente, a visão do mundo e as discussões são completamente diversas.
Sobre visto de residência, passaporte e essas coisas, deixo para outro post, porque senão você vai ficar se preocupando com uma coisa que não é prioridade agora. Escolha o país que você deseja ir, consiga os documentos e faça a inscrição. Nem preciso falar que você tem que ser o primeiro da fila, certo? Não deixe para se inscrever na última hora. E, na dúvida, vá até o INT e pergunte.
Você vai esperar, vai ficar na fila, mas faz parte.
É isso aí. Qualquer outra pergunta podem mandar pelos comentários que terei o prazer de responder.
Já estou esperando vocês para viajarmos pela Europa. Até logo!

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Dormimos até tarde, finalmente. Arrumar a papelada, organizar os documentos, lá se foi a manhã.
Na hora de comprar o cupom para almoçar Não há troco disponível. Descobrimos que a máquina devolve no máximo cinco euros. Ok, a gente troca com alguém da fila. Sem problema, vou até o Bar e compro uma bala. Tudo bem, vou até o banco e saco dinheiro. Nada.
Há males que vem para o bem, é verdade, e foi o caso. Depois de passar algum tempo mexendo na máquina do refeitório a Gaby descobre que dá para comprar cupons não só para o mesmo dia, mas para o mês todo! Sim, calouro é assim mesmo. Agora as coisas fazem mais sentido…
De tarde voltei à Faculdade, dessa vez com todos os documentos para dar entrada na minha matrícula. Estou sentado, esperando ser atendido, quando escuto vozes numa língua esquisita. Duas garotas conversam sobre as matérias que pretendem pegar na faculdade. Duas loiras.
…
…
SÃO RUSSAS!
Ok, uma hora eu encontraria pessoas da ex-União Soviética, mas não contive o sorriso! Depois de uma semana vendo portuguesas de um lado para o outro aquelas russas com certeza despertaram a minha atenção. Não só pela beleza (se bem que competir com as portuguesas não é lá muito difícil, na minha opinião), mas é porque é emocionante encontrar pessoas de culturas tão diferentes, ainda mais lá do Leste Europeu. Tudo bem, quando encontrei o japa ontem não fiquei tão emocionado… mas fala sério haha.
Respira fundo. Depois disso eu refleti um pouco. Os brasileiros intercambistas são legais, já até marcamos de sair essa semana e tal, mas decidi que preciso conhecer pessoas de outras realidades. Italianos, gregos, portugueses, franceses etc… Essa é a magia do intercâmbio e não posso deixar isso passar.
Continuando a história, de tarde resolvemos ir até o Centro de Imigrantes resolver de ver todas essas pendências com reitoria/imigração/sei lá, qualquer burocracia, porque já está cansando essa brincadeira. Foi uma boa ideia. Foi.
Teoricamente o CNAI é bem próximo, é só ir até a Faculdade de Direito, andar mais uma ou duas ruas e voilá!
Saímos da Faculdade de Letras pela saída lateral, viramos na rua acima e seguimos até uma praça. De lá avistamos a placa Faculdade de Direito. Estamos no caminho certo!
O que não levamos em conta é que estas placas foram feitas para guiar os carros. Nós havíamos visto na internet o caminho de pedestre. Seguir um pouco de cada caminho, definitivamente, não foi uma boa ideia.
Onde fica a faculdade de Letras? E o Centro de Iimigrante? A rua Pinheiro? Ah sim, segue reto aqui até o viaduto e depois pega a direita. Centro de Imigrante? Desce aqui até o final e vira no semáforo. Pois bem, pegue o 457, solte dali a dois semáforos e estará logo a sua direita.
Pra complicar mais ainda há vários Centros de Imigrantes pela cidade, mas precisamos deste específico na Rua dos Pinheiros (na verdade isso é bem simples de entender, só não para algumas pessoas que tentaram nos ajudar).
Nota mental: nunca esqueça o mapa de bolso em casa.
Depois de algum tempo finalmente encontramos a Faculdade de Direito. Isso já eram quase quatro horas da tarde (saímos três horas da faculdade de letras). Entramos para pedir informação e vemos várias pessoas de jaleco. Olhamos para a frente e vemos um vitral enorme Faculdade de Farmárcia. Err..

Você é o que consome? Reflexão nas paredes do Porto
Voltar para casa era fácil. Estávamos calmos em relação a isso. Morar ao lado da Casa da Música e da Rotunda da Boa Vista tem lá suas vantagens, e o jeito calmo meu e da Gaby facilita as coisas. Mas chegar naquele lugar estava começando a ficar realmente complicado.
Na maior parte do tempo estávamos andando pela Trindade, que é como o subúrbio da cidade (sinceramente não entendi se é um bairro, distrito, sei lá). Tem algumas (muitas) casas e construções abandonadas, reflexos talvez da economia em decadência. É uma região que parece ter tido um passado muito bonito.
Estávamos quase desistindo quando a Gaby pediu informação a um senhor. Rua dos Pinheiros? Ora pois é muito simples, desce direto aqui nesta rua, logo em seguida você verá uma escada a sua direita. Suba e estará no Serviço de Imigrantes (para uma compreensão mais realista tente ler mentalmente esta frase com um sotaque português haha fica idêntico!). Pode ter parecido apenas mais uma ajuda qualquer, mas não. O senhor enfatizou cada sílaba com tanta certeza que eu acreditaria em qualquer coisa que ele disesse. Seguimos o seu caminho e PRONTO!
Chegamos no CNAI às quatro e vinte e nove minutos. Pensamos que ele fechasse às quatro e meia. Fechou quatro horas.
Um pouco abatidos e cansados da aventura fracassada, resolvemos procurar um lugar para descansar. Nossa primeira escolha acertada do dia =)

Sabia que o metrô um dia iria atravessar a Ponte Guanabara!
O legal de Porto é exatamente isso. Quando menos se espera, no meio do nada, você encontra uma lojinha de antiguidades, um café antigo ou qualquer coisa do tipo. O Metro da Trindade, situado a menos de 200m da estação de Metro real, é um desses achados. Chá de limão a cinquenta cents e rocambole sem leite tornaram a tarde doce e tranquila.
A música ambiente era outro achado. Enquanto víamos as pessoas passarem pela janela e tomávamos nosso chá das cinco escutávamos grandes sucessos atuais e antigos. De repente começa When you’re gonna stop breaking my heart…
PIRIPUB!
Essa é a música (Stereo Love) que tocou na boate em Pirenópolis na primeira vez que eu, Mari e Elis saímos juntos. É uma coisa tão distante que aconteceu há tanto tempo e derepente ali, no interior de Portugal, senti como se tudo tivesse acontecido ontem. Peguei o Bumba no meu bolso e me senti feliz. Extremamente feliz por ter a sorte de ter tantas pessoas que me amam e saber que poderei sempre contar com elas. E vice-versa.
Na volta para casa fizemos o cartão do transporte público. Por apenas catorze euros mensais posso andar ilimitadamente de ônibus e metro pelas principais regiões da cidade. Para sair do distrito, como farei amanhã, custará no máximo 1 euro e oitenta cents. A facilidade de pegar transporte público é tanta que os portugueses não tem o hábito de andar. Quando pedíamos informação e o local se encontrava a mais do que duas quadras Ah você pega o ônibus tal e solta ali depois do segundo semáforo. O transporte público no Brasil é tão ruim que o pobre-coitado tem que andar debaixo do sol quente às vezes por quilômetros para economizar uma passagem. Não seria tudo mais fácil com uma simples mensalidade?
PS: por mais que as russas tenham me chamado a atenção, trocaria as duas por um sorriso da lis e da mari, vocês são lindas, eu amo muito vocês e estou morrendo de saudade =) ah sim, um abraço do henrique também seria uma troca bem justa ^^ hehe
E até o…
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A viagem até a nossa nova casa foi rápida. Dona Carmem, dona da casa, se mostrou muito simpática e prestativa, nos ajudou em tudo e explicou todas as regras de convivência. Moraremos ela, seu filho Gustavo, Gaby e eu (cada qual no seu quarto,e eu numa cama de casal =D).
A casa é muito bonita e o apartamento mais ainda. Espaçoso, com varanda, mesa para o computador, aquecedor, armários. Arrumado tudo, saímos para passear.

Meu quarto!
Aqui preciso fazer um pequeno parênteses. Vai ser muito difícil fazer um relato preciso do ponto de vista temporal, então desde já aviso que irei narrando os acontecimentos sem nenhuma preocupação neste sentido. Daqui para frente continuarei falando sobre tudo de mais importante/interessante que aconteceu, mas agora sem necessariamente essa preocupação com horário ou dia.
A primeira coisa que fizemos foi ligar para casa. Falei com a Lis e com a minha mãe, morrendo de saudade. Ainda não tinha aprendido a utilizar o cartão telefônico, então foi via celular mesmo. Logo em seguida eu e a Gaby fomos fazer compras para conseguir sobreviver durante os próximos dias. Ambos gostamos de cozinhar, uma coincidência divertida!
Tudo é próximo da casa. Shopping, supermercado, ponto final dos ônibus, metrô, faculdade etc. Fomos ao FROIZ e abastecemos os armários com comida e produtos de limpeza. É um supermercado comum, pequeno até, e pude comprar leite de soja, pasta de tofu, iogurte sem lactose… e a preços excelentes. Já estou gostando daqui!
Fizemos uma macarronada de brócolis rápida, mas com a fome que estávamos foi a melhor refeição que comi na Europa! (tá, foi a primeira haha) e já fomos conhecer a cidade. A Gaby estava louca para comprar um laptop, e eu para ver o preço dos equipamentos eletrônicos. Depois de pegar o metrô perto de Trindade, fomos ao Norte Shopping (algum nome familiar aqui cariocas? hehehe).
No caminho ao metrô vimos algumas placas engraçadas que já não me lembro agora. Os portugueses possuem a mania de colocar certos complementos meio que desnecessários nos anúncios. Ok, nem todos são tão desnecessários assim, mas em alguns casos fica muito engraçado.

Ok, eu já tinha entendido isso...
O metrô é um caso à parte. Paga-se conforme a distância que você vai utilizar, no meu caso foi 1,50 euros. Os moradores ainda possuem a opção de pagar uma mensalidade, que varia entre 12 a 40 euros, e podem utilizar o serviço à vontade a qualquer hora do dia.
Mas o que mais me chamou a atenção foi a ausência de catracas e de cobradores. Nada. Eu entrei e fiquei totalmente perdido Ué, pra quem eu pago? A figura do cobrador, aliás, existe em raros casos, de máquinas de xerox self-service a máquinas de comida, muita coisa por aqui é automatizada.
Nesse caso fui até uma máquina, inseri uma nota de 10 euros, recebi o troco e a passagem. Isso tem suas vantagens e desvantagens, é claro, mas não vou entrar nessa discussão aqui. O que me impressionou foi como as pessoas, tendo a opção de simplesmente ignorar os aparelhinhos amarelos que debitam a passagem, vão lá e pagam. Óbvio que tem câmeras e tal, mas isso também temos no Brasil, além de segurança, polícia… mas a catraca está lá. As pessoas se machucam, se acotovelam para passar, os gordinhos tem dificuldade para passar, e pra quê tudo isso? Portugal está passando por uma crise econômica, mas nem por isso deixou de confiar em seus cidadãos. Precisamos avançar muito nesse sentido.
Voltando, chegamos ao Shopping. No caminho conhecemos um brasileiro que está fazendo mestrado em Sociologia na Universidade do Porto. Ele nos deu várias dicas sobre a cidade e ainda nos ensinou a utilizar o cartão telefônico internacional. Aproveitei para ligar para a Elis, que já não falava desde ontem. Ainda encontraremos ele mais vezes, aguardem!
Chegando nas lojas de eletrônicos parecia um paraíso. Nintendo DS, tablets, Macs, notebooks, netbooks, máquinas fotográficas… ok, vamos parar um pouco com tanto capitalismo, mas acho que vocês sentiram o que eu senti. Algumas lojas brasileiras são parecidas, mas com aqueles preços não dá para competir. A Gaby comprou um notebook Core i3, 500GB de Disco, 4GB de Ram, Plava de vídeo integrada, 2 anos de garantia… 450 euros. Algo como 1000 reais. Esse netbook em que vos escrevo foi 1200, isso diretamente num dos revendedores mais baratos que conheço, nem foi em loja. Os tablets também me chamaram muito a atenção, mas consegui resistir. Vamos ver se eu vou realmente precisar durante as aulas.
Voltamos para casa cedo, pois o dia seguinte começa quase na madrugada e vai ter muita história pra contar. Até lá!

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Eram uns 10 tipos diferentes de M&Ms, com bonecos gigantes completando a publicidade oficial. Essa fixação por M&Ms é uma longa história e que daria outro texto, mas adianto que bateu uma saudade muito grande. E tem haver com o que aconteceu a seguir.
Me pego lendo LIS em algumas placas. Olho ao redor e, na verdade, leio LIS em quase todas elas. Vou até o banheiro, lavo o rosto e pego uma toalha de papel. Está escrito ELIS nela!! Mas o que está acontecendo comigo?! Ahhh!!
Não, calma, eu (ainda) não estava tendo um ataque de saudade (e ainda assim isso seria tipo uma crise, e não algo do tipo ‘Charmander, eu escolho você. Ataque de saudade!’). Bom, voltando ao assunto, respiro um pouco e leio devagar.
ELIS Desodorante. ELIS Toalhas. ELIS Escova de dente. Tinha até Elis Preservativos tinha naquele lugar.

Taí uma das provas do crime
Olha Lis, não precisa escrever seu nome em todos os lugares, não irei me esquecer de você nem por um segundo enquanto estiver longe, ok? Hehehe. Quanto aos LIS escritos nas placas, é que eu estava em Lisboa, percebi então que a contração LIS se refere a, digamos, outra coisa… Bem, o fato é que não estranhe se você encontrar THIs escritos por aí…
Entro no ônibus que levará até o avião e uma senhora simpática que estava sentada ao meu lado puxa assunto. Em qual sítio você morava no Brasil? Me pego imaginando o Rio de Janeiro como uma fazenda enorme, e me lembro de que sítio em Portugal é cidade. Nascida no Porto, a senhora havia passeado por Lisboa e estava voltando para casa. Tenho alguma dificuldade, é verdade, mas nos comunicamos bem. Não já falei que os portugueses são simpáticos? E eles continuarão demonstrando isso adiante.
Quinze minutos para todos embarcarem, mais quinze minutos para liberar o tráfego aéreo, trinta minutos de vôo e mais trinta para pegar a bagagem. Foram os trezentos quilômetros de avião menos eficientes que já vi, mais ainda assim compensou mais do que se tivesse ido de ônibus (daí seriam umas quatro horas).
O filme de instrução do vôo é uma comédia, prestem atenção na musiquinha de fundo do começo. O vídeo abaixo só pega parte dela, mas dá para entender mais ou menos o que eu senti xD
E finalmente chego na cidade do Porto. O aeroporto é bonito, mas não há nada que chame atenção em relação aos aeroportos brasileiros. Ou melhor, não havia nada até o aviso do sistema de áudio Fulano de tal, procure a sessão de Perdidos e Achados. Foi o suficiente para rir esquecer um pouco do nervosismo.
Esperando pela bagagem encontro a Gaby, minha companheira de apartamento aqui no Porto. Seu vôo chegou uma hora antes do meu, mas ela ainda estava na Alfândega (opa! dei sorte nessa). Saímos para procurar Dona Carmem, dona do apartamento onde ficaríamos. Depois de comprar um cartão telefônico internacional e perder alguns minutos aprendendo como usá-lo, conseguimos falar com ela via celular. E é agora que nossa história começa de verdade.
PS: Nas próximas postagens prometo que irei tirar mais fotos. Ainda estou sem câmera, meu único companheiro aqui é meu celular =) hehe. Ah sim, para quem ficou curioso, a foto da página inicial é do meu apartamento aqui em Portugal. Abraços!
Despedidas. Saudade. Lágrimas. Acho que só quem já passou por esta experiência consegue chegar perto de imaginar o que senti. Por mais que o Adeus seja um simples Até logo, pouco importa o tempo que ficaremos longe das pessoas que amamos – é sempre tempo demais.
Nesta nova sessão aqui do site irei contar mais detalhes do meu intercâmbio a Porto, uma charmosa cidade aqui da nossa antiga metrópole Portugal. Aventuras, desventuras e tudo mais que vier na telha.
Para começar irei contar um pouco do começo da viagem, as despedidas e as lembranças, e tudo que me aconteceu. Pode ser que este episódio acabe um pouco mais triste do que os demais, mas acho que preciso falar sobre isso. Tentarei ser breve dessa vez. Lá vai!

Sábado, cinco de fevereiro, dia da viagem. Por volta das 10horas da manhã cheguei em casa. Foi com certeza o melhor Happy Hour que eu já participei, a música, a iluminação, a… – bem, isso é assunto pra outro texto. Matheus estava saindo pra um churrasco e quase não me despeço dele antes de viajar. Não temos tido muito tempo para convivermos durante os últimos meses, principalmente pelas diferenças em nossa rotina. Eu estudo e trabalho o tempo todo. Ele estuda longe pra caramba. Agora essa distância vai aumentar ainda mais. Senti meu coração apertar, mas sei que continuaremos bem. Fui para o meu quarto e cochilei por meia hora. Pronto.
Quase tudo pronto, foi só colocar os equipamentos na mochila. Mas essa, realmente, era a parte fácil.
Mari é a irmãzinha que eu sempre quis. Arroz, feijão, hamburguer de forno e minha receita surpresa de soja. Preparei o melhor prato que pude para presentaear ela e Elis. Me despedir dela não foi nada fácil. Acho que se elas fossem até o aeroporto eu não ia conseguir. Na saída ela ficou com meu chapéu galanteador (esse maior da foto) e minha garrafa de licor. Na verdade o chapéu era para a Lis, mas ela preferiu fazer uma pequena doação.
Um dia nunca é igual ao outro quando você está do lado de alguém que diz “Partiu!” para ir a festas furadas, passear pelo parque, viajar para passar o carnaval no sul, dirigir meu carro… te amo muito maninha!
Eu e o Murilo já viajamos bastante juntos. ENECOM, Fórum Social Mundial, Rio de Janeiro… Mas, infelizmente ou não, sempre chega uma hora em que os caminhos temporariamente se descruzam. Ele viajou aos EUA com alguns de nossos amigos para trabalhar. Agora é a minha vez de viver algumas aventuras à distância. Mas a amizade é tão forte que pouco importa onde estejamos, sei que sempre posso contar com ele. Até breve!
Henriquezinho passou as últimas três semanas mais carinhoso do que o de costume. Grudento, pra falar a verdade. Eu também. Ele é muito inteligente e entendeu perfeitamente que eu estava prestes a viajar e que ficaríamos muito tempo sem nos vermos. Na hora da despedida recebi um abraço mais do que apertado, e não resisti a algumas lágrimas.
Eu e a Lis quase enlouquecemos neste mês. Passamos por muita coisa durante o ano passado. Aprendemos muito um com o outro e superamos muitas dificuldades. Mas o amor é muito complicado, não dá para ficar longe de quem a gente gosta. Mas também não dá para continuar em certas circunstâncias. Às vezes o melhor é dar um tempo. Outras é melhor terminar. Algumas o certo é continuar tentando. Voltarei a falar dela nos próximos capítulos. Já sinto a sua falta formiguinha! =)
Minha família. Não liguei para meus parentes do Rio, despedidas por telefone são ainda muito difíceis, ainda mais com meus avós, tios e primos. Já estou morrendo de saudade deles há tempos! Meus pais me levaram ao aeroporto. Meu pai preocupado, mas feliz. Minha mãe feliz, mas com o coração na mão. Eles sempre me deram muito amor e carinho e confiam em mim. Quando dei o último adeus e olhei para trás antes de embarcar, senti que estava pronto.
Bom, passou a parte complicada. E agora começa a parte divertida da história. Vamos deixar esse papo melancólico antes que comecemos a chorar não é mesmo?
Vôo cento e alguma coisa, Brasília-Porto com escala em Lisboa. A primeira coisa que se vê, assim que se passa pela Alfândega, é o FREESHOP. Não lembro o nome exato, mas é a lojinha que vende produtos sem impostos. Os brasileiros em geral estavam em polvorosa com ela, como se fosse mais barato do que comprar diretamente no país para onde eles estavam indo (como deveria ser o caso da maioria). Dei uma olhada e ainda descobri que a loja de brasília é péssima, basicamente são doces, perfumes, nem equipamentos eletrônicos havia lá. As duas horas que ainda faltavam até o embarque se arrastariam se dependesse daquelas prateleiras.
Mas dali para frente não estava mais no Brasil (ok, literalmente eu estava sim, mas ignorem isso). Estava em área internacional. Os sotaques se confundiam, era português de portugal, espanhol, francês. O tempo passou depressa até.
Sentei ao lado de uma francesa que conversava no telefone, para tentar escutar a conversa. Merci, Oui, entendi tudo tão bem quanto se fosse russo. Liiiiis, cadê você?!
Os portugueses definitivamente falam embolado e rápido demais. É como se fosse um carioquês levado ao extremo, mas com um ovo na boca pra dificultar mais um pouco. Mas são muito simpáticos (ou pelo menos até onde eu entendi…). Os funcionários da TAP distribuíam sorrisos e boa noite a todos que passavam. Chega a hora do embarque.
O avião é quase três vezes maior do que qualquer outro que eu já havia visto. Dez ou doze fileiras, não me lembro exatamente, mas ainda assim parecia apertado. Diretamente ao meu lado um casal de idosos e um senhor, todos portugueses. Pela primeira vez assisti ao filme “MegaMind”. Sim, eles não costumam traduzir algumas palavras em inglês, principalmente nomes de filmes. No Brasil qualquer criança diria que assistiu “MegaMente”. Em Portugal você assistiu “MegaMind”, pouco importa se o sotaque é português ou britânico.
Na hora do jantar descubro que há opção vegetariana. Mas não vegana. Escolho a opção com carne e jogo fora o dito cujo. O que me deixou indignado não foi nem a opção vegetariana conter queijo. Nem mesmo o fato de não poder pedir para retirá-lo, afinal de contas a comida chega pronta ao avião. O pior de tudo é a comida vir separada em caixinhas diferentes, lacradas, e você não poder montar seu prato. O senhor do meu lado não comeu a sobremesa. Eu não comi a carne nem a sobremesa. A senhora do meu lado deixou o arroz. Toda essa comida estava lacrada. Toda essa comida foi para o lixo. A aeromoça disse que são normas da empresa. Jogar dinheiro fora?
Continuando, cheguei a Lisboa. Ou melhor, fui acordada pela mesma aeromoça (essa aí de cima, que arrumei confusão por causa da comida xD) e percebi que todos já estavam de pé – menos eu. Ok, eles estavam todos de pé mas as portas ainda não haviam sido abertas, pior pra eles, eu estava sentado hehe. Esperei um pouco e prossegui.
E finalmente pisei em Portugal. Depois de suportar o dia mais quente do ano em Brasília, ver aquela fumacinha saindo da boca foi uma sensação incrível. Seis graus, nunca havia estado numa temperatura tão baixa. E estava brincando de fumar caneta quando chega o ônibus que nos levaria até a conexão com o Porto.
Novamente o FREESHOP. Este tinha dezenas de equipamentos eletrônicos, o que me deixou mais feliz do que no anterior =) Mas o que mais me chamou a atenção, ironicamente, foi a sessão de doces.
No próximo capítulo continuo falando sobre isso. Até lá!