O que é um vegano?


Marciano? Vegetariano? Não não, nada disso.
Ser vegan, ou vegano, é ter uma opção de vida que, por razões éticas, prescinde do uso de qualquer produto de origem animal.

Simples, não? O texto poderia terminar por aqui, mas vamos descobrir um pouco mais sobre este estilo de vida.
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O que um vegano NÃO faz:

  • Um vegano não come nenhum produto de origem animal. Sim, isso inclui frango, peixe, leite, ovos, gelatina, cochonilha (você sabia que usam esses insetos na sua comida?);
  • Um vegano não usa roupas feitas com couro, peles, lã e seda. Um vegano busca boicotar empresas que façam testes com animais;
  • Um vegano não vai a circos, zoológico, touradas, rodeios ou qualquer forma de entretenimento que utilize animais. Um vegano não compra animais de estimação, afinal, amigos não se compram.

O que um vegano NÃO é:

  • Como os direitos animais são uma evolução dos direitos humanos, um vegano não é racista, machista, xenófobo ou homofóbico;
  • Um vegano não é um hippie natureba;
  • Um vegano não é um neurótico por saúde que fica contando calorias. Veganos não estão “de dieta”;
  • Um vegano não é uma pessoa desequilibrada que busca utlizar os animais por ter péssimas relações com outros humanos.

A decisão de se tornar vegano não acontece automaticamente depois de ver um documentário na internet ou conversar com alguém. Ela começa com uma possibilidade, vai amadurecendo e enfim se concretiza. Conhecimento é a palavra-chave.

A decisão de se tornar vegano começa com uma tomada de consciência: é moralmente errado explorar os animais? (Independentemente de ser com ou sem dor). Tornamo-nos veganos quando nos damos conta de que é errado pensar e agir como se os animais fossem nossa propriedade. Onde se legitima, afinal, esse pressuposto de que animais são produtos a nosso dispor?
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Mas afinal o que os veganos SÃO?

  • Os veganos são advogados, médicos, filósofos, antropólogos, biólogos, físicos, engenheiros, designers, estudantes, desempregados, empresários;
  • Os veganos podem ter qualquer religião, qualquer credo, qualquer opção sexual, qualquer estilo;
  • Os veganos, assim como você, são pessoas muito preocupadas com o aquecimento global, com a violência, com a pobreza, com a falta de empregos e com as crianças de rua.

E o que eles podem fazer?

  • Veganos podem comer todos os alimentos de origem vegetal – grãos, cereais, frutas, legumes, verduras – cogumelos e algas.
  • Veganos podem comer fast-food, tomar refrí, comprar alimentos industrializados ou mesmo transgênicos. Mas, é claro, veganos adoram discutir essas questões e geralmente possuem uma opinião formada;
  • Veganos podem beber! Ah, a não ser aquela tequila com vermes ou coquetel com leite de vaca hehe;
  • Veganos podem fazer sexo (e por levar uma vida mais saudável há inúmeras vantagens…);
  • Veganos podem ir ao teatro, parques, museus etc;
  • Veganos podem adotar animais, devem esterilizá-los e dar a eles muito amor e proteção.

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Receitas Veganas #2: tarte Tatin de microondas

Olá pessoal!

Pensei em postar essa receita apenas no Veganosemapuros, mas a história foi tão inusitada que decidi mostrá-la também a vocês. Apresento-lhes a tarte Tatin de microondas.

tarte Tatin (lê-se “tatan”) é uma torta de frutas típica francesa, inventada por acidente pelas irmãs Stéphanie e Caroline Tatin.

Consiste em uma torta normal de fruta, com a especial particularidade de ser confeccionada ao contrário, ou seja: na forma colocam-se as frutas e por cima, derrama-se até cobrir, a massa. Ao desenformar a torta após cozedura no forno, esta fica com as frutas no topo (via wikipedia). Bem, diz a lenda que a torta foi inventada por acidente, por isso ela tem essa peculiaridade de ser confeccionada ao contrário.

Segue mais informações aqui: http://andressasandri.blogspot.com/2011/01/tarte-tatin-conta-lenda-que-famosa.html

Lenda ou não, o fato é que a minha tarte Tatin de microondas foi, de fato, inventada por acidente.

Estava seguindo a receita original normalmente (ou pelo menos até certo ponto original, já que sempre faço algumas alterações). Bom, enquanto a massa estava no forno e eu estava terminando de cortar as maçãs, percebi que o forno havia apagado. Tentei e  tentei acendê-lo de novo. Nada.

É isso mesmo, o gás havia acabado (aqui ainda usa-se botijão).

Depois de ficar triste e emburrado por alguns momentos, decidi aceitar o desafio. Não havia gás, é verdade, mas sempre existe o bom e velho microondas, não é verdade?

Segue então para vocês a receita original de tarte Tatin de microondas. Não só a foto (acima) como o gosto ficaram sensacionais. Aproveitem!

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Receitas Veganas #1: Bolo de baunilha com morango

Bom pessoal, não é meu costume colocar receitas aqui no blog, mas hoje fiz um bolo de baunilha com morango delicioso para o aniversário da minha senhoria. Segue a dica! =]

Bolo 100% vegano

Bolo de Baunilha com cobertura e recheio de morango
Tempo para preparar: 30-40 minutos

Ingredientes para a massa:

2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento
1/2 xícara de açúcar mascavo
1/2 xícara de açúcar refinado
1/3 xícara de óleo vegetal
1 1/2 xícara de leite de soja com sabor a baunilha (ou o que desejar)
1 colher de café de essência sabor baunilha (para reforçar o gosto)

Ingredientes para o recheio/cobertura:

1 lata ou caixinha de creme vegetal (creme de leite de soja ou de arroz)
3 colheres de açucar
100 g de morangos frescos

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Preparando a massa:

1 – Ligue o forno e pré-aqueça em 190 graus durante 10 minutos (enquanto aquece você vai seguindo os outros passos).

2 – Pegue uma tigela grande e adicione todos os ingredientes secos: farinha, fermento e o açúcar.

3 – Misture bem. Adicione todos os demais ingredientes.

4 – Mexa até a massa ficar homogênea.

5 – Deixe descansar por no mínimo 5 minutos ou até que o forno esteja pré-aquecido.

6 – O tempo para cozinhar depende muito do forno. Depois de 15-20 minutos espete um garfo ou palito. Se a massa não grudar é porque já está no ponto ideal. Se grudar vá conferindo de 5 em 5 minutos até achar que está no ponto.

Preparando o receio/cobertura:

1 – Enquanto o bolo está no forno, coloque o creme de leite e o açucar numa batedeira (ou na mão) e bata até obter a consistência de chantilly. Isso vai demorar entre 10-15 minutos, depende da sua habilidade.

2 – Não se preocupe, nunca ficará um chantilly perfeito, é apenas uma referência. Se preferir compre logo pronto hehe.

3 – A esta altura o bolo deve estar pronto. Retire-o do forno com cuidado e deixe esfriar um pouco. Se ainda não estiver bom apenas lembre-se de conferir de vez em quando.

4 – Lave os morangos e pique em cubinhos. Misture ao “chantilly”.

5 – Corte o bolo ao meio e distribua parte do recheio. Sempre espere o bolo esfriar para rechear ou cubrir, para que a massa não perca a textura. Dica: se possível, utilize uma faca bem grande. Coloque o bolo na vertical, peça ajuda para alguém e corte-o (o bolo, não a pessoa haha).

6 -  Depois de “fechar” o bolo distribua o restante do creme, agora chamado de cobertura, na parte de cima do bolo.

 

Bom, esta é apenas uma sugestão galera, incremente a receita colocando outras frutas, cobertura de chocolate, fio dental, o que você quiser.

 

Para quem seguiu a receita, deixe seu comentário! Para quem ainda não tentou, tá esperando o quê?

Até a próxima.

SuperInteressante: Animais também pensam

Classificados. Estadão, 13 de março de 1880

Como vocês podem ver na imagem acima, era normal, até a abolição da escravidão, encontrar um anúncio da venda de escravos ao lado de um anúncio de venda de animais.

Por que isso acontecia? É muito simples de entender. Escravos eram considerados animais “não-humanos”, sendo assim, pouco importava que os africanos pudessem aprender a nossa língua e se comunicar conosco. Menos ainda se eles tinham ou não sentimentos ou se sentiam dor. Eram escravos. Não faziam parte da categoria “humana”.
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Representações sociais

É nesse momento que vem à tona o conceito de representações sociais. A partir do momento que começamos a viver em grupo, o modo como entendemos e nos relacionamos com o mundo em nossa volta são construções ou representações. Para o bem ou para o mal, elas têm como sua principal finalidade tornar familiar algo não-familiar.

Para alguém que nasceu e cresceu numa tribo no meio da floresta, um avião que passa no céu à noite pode ser considerado um pássaro gigante (exemplo). Essa ideia provavelmente foi formulada pelo pajé e difundida de tal forma pela tribo que passou a ser considerada verdade pela comunidade.

Para alguém que nasceu em qualquer cidade grande, provavelmente seus pais lhe explicaram ainda quando era criança que o avião é um meio de transporte. Com certeza esta pessoa iria rir se ouvisse a versão do pajé, ainda que ela não faça ideia de como aquele monte de metal consegue voar.

Foi assim que a sociedade passou a considerar a escravidão como algo normal.

Ainda que algumas pessoas, ou até grupos de pessoas pensassem de maneira diferente, os meios de comunicação, o poder dominante e a população da época consideravam o escravo (e os negros em geral) seres não-humanos – e, portanto, não-detentores de nenhum tipo de direitos. Suas vidas estavam condicionadas a servir ao seu senhor.

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Se vocês entenderam o raciocínio até aqui, parem e reflitam um pouco.

Porque achamos normal votarmos, de quatro em quatro anos, num político de determinado partido para nos representar no Congresso? Porque seus pais são… seus pais? Porque você tem que trabalhar? Porque você tem que ir para a escola?

Pensamos assim simplesmente porque fomos convencidos disso desde que nascemos.

- Pai, porque o céu é azul?
- Ah filhão é porque Deus quis assim.

Perguntas, quando são um meio e não um fim em si mesmas, são muito perigosas. E foi por meio delas que eu cheguei na questão que me motivou a criar este post.
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Porque tratamos os animais como… animais?

Da mesma maneira que um abolicionista defendendo o direito dos escravos era considerado um lunático há pouco mais de um século atrás, atrevo-me a parecer louco perante vocês mas não deixo de me perguntar: Porque tratamos os animais como uma espécie sub-humana?

Ok, não estou dizendo que animais e humanos não são diferentes. Diferentemente dos negros eles não fazem parte da família homo sapiens sapiens (ainda que isto também seja uma representação). Mas sim, somos todos animais.

Porque existem “Direitos Fundamentais do Homem”, que a princípio deveriam ser garantidos para todo e qualquer ser humano, e os animais são considerados simplesmente nossos servos?

Poderíamos entrar no debate religioso (animais possuem alma?). No debate ético (é correto tratar um ser vivo como mercadoria?). Ou até mesmo na questão da saúde humana (benefícios versus malefícios do consumo de carne). Mas não é disso que eu quero tratar aqui.

Apenas reflitam sobre isso. E, para complementar o debate, segue abaixo matéria da SuperInteressante sobre “Como pensam os animais”.

Isso mesmo – ao contrário do que pensávamos, animais não-humanos fazem planos para o futuro, se apaixonam, são fofoqueiros, se preocupam com os membros de sua espécie (ou seja, compreendem não só a si mesmos quanto o mundo à sua volta) e conseguem criar ferramentas simples para lhes auxiliar na execução de tarefas. Não é intuição ou instinto. É um cérebro pensando.

Leiam a matéria e comentem abaixo. O que acham do modo como tratamos os animais agora?

Até lá!

 

Veganismo, vegetarianismo e protovegetarianismo: definições e concepções


Introdução

Uma pequena frase chamou a atenção de algumas pessoas no meu último texto. Ela remete, de fato, a um problema prático e conceitual com o qual se defronta qualquer um que deseje refletir sobre a questão animal: a disparidade de pensamento e prática que cerca o movimento dito de “defesa” animal e que, consequentemente, põe em questão a própria definição do que é um defensor dos animais. Dizia ela: “Um ‘defensor’ dos animais que não é vegano não só faz mal a si mesmo, mas igualmente aos animais e à causa”.

O debate acerca do vegetarianismo e do veganismo está paralisado por más concepções e más definições. O progresso da causa em defesa dos animais está refém dessas limitações, pois elas colocam em xeque a própria noção da existência de um “movimento” e de quem o integra. A mais grave definição é aquela que classifica como vegetariana a dieta que inclui alimentos derivados de animais. A mais grave concepção é aquela que vê o veganismo como um fim em si mesmo.

Nesse texto pretendo abordar esses dois problemas. Com ele, pretendo defender basicamente duas hipóteses: primeiro, que não há como separar o vegetarianismo da objeção moral que o motiva, sendo a limitação do vegetarianismo a uma corrente dietética uma invenção contemporânea; segundo, que essa mesma objeção moral é limitada e foi, no presente, escondida por aqueles mesmos que se propunham a difundir o vegetarianismo. A partir dela, chego a duas conclusões: primeiro, que tanto do ponto de vista ético quanto dos pontos de vista lógico e etimológico, portanto, o vegetarianismo não pode ser entendido senão como uma dieta que exclui totalmente os “alimentos” de origem animal; segundo, assim sendo, a dieta vegetariana assim definida não é simplesmente uma “meta”, mas a dimensão dietética do veganismo, que é o único caminho coerente com a objeção moral que dá origem ao vegetarianismo e o ponto de partida para qualquer defensor dos animais.