
No dia 14 de janeiro, o Bom Dia DF e o DFTV publicaram matérias sobre festas e consumo de álcool e drogas na Universidade de Brasília. A reportagem foi bem produzida, mas não ouviu os principais envolvidos: os estudantes. Durante os quase quatro minutos de cada uma das três matérias exibidas naquele dia, não há um depoimento sequer de alunos da UnB.
Matéria Bom Dia DF | Matéria DFTV 1ª edição | Matéria DFTV 2ª edição
Matéria retirada do ARepública.TV
AREPÚBLICA.TV foi ao chamado “Corredor da Morte” para conversar com os estudantes e representantes dos C.As envolvidos. Segundo eles, a reportagem pecou novamente ao alegar que as confraternizações acontecem em horário de aula. Outra crítica feita pelos universitários é a associação e generalização de todos os estudantes à imagem gravada com câmera escondida no Centro Acadêmico de Geofísica (Cageof), que exibe pessoas fumando maconha.
“Eles mostraram uma parcela do curso de dois ou três alunos que estavam aqui à noite, sem a gente saber. Estava acontecendo uma festa que não era no nosso centro acadêmico. Eles utilizaram esta imagem para generalizar todos os alunos”, diz o presidente do Cageof, João Victor Santos.
Devido à repercussão das matérias, a coordenação das faculdades suspendeu temporariamente a autorização de eventos no campus universitário. Um acordo entre a Reitoria, o Diretório Central do Estudantes (DCE) e os C.As permite que festas ocorram em horário posterior ao das aulas, das 23 às 4 horas. Segundo a decisão, desde que a prefeitura seja avisada com antecedência, a administração se compromete em reforçar a segurança e a limpeza no dia seguinte.
Existe de fato, uma resolução de 2003 que proíbe festas, venda de ingressos e bebidas alcoólicas na UnB. O único local em que comemorações do tipo são permitidas é no Centro Comunitário Athos Bulcão. No entanto, a mesma norma considera “adequados” eventos no restante do campus que proporcionem “integração entre os segmentos da universidade” como a recepção de calouros e reuniões culturais espontâneas ou não.
Para o presidente do C.A de Arquitetura e Urbanismo (Cafau), Otávio Souza, as festas promovidas pelos C.As não tem ligação com a venda e o consumo de drogas na UnB. “A droga na universidade vem na maioria das vezes de pessoas que nem são alunos e a gente mesmo não tem nada a ver com isso. As festas são dos centros acadêmicos com objetivo de financiar os movimentos estudantis ou outros projetos”, afirma o estudante que também é um dos diretores de um escritório de arquitetura que promove projetos de habitação social. O dinheiro para a manutenção dos projetos vem justamente das festas do Cafau.
O prefeito da UnB, Paulo César Marques, que participou da reportagem do Bom Dia DF, também afirmou que a matéria dá impressão divergente do que realmente acontece no campus. Segundo ele, os estudantes cometeram uma atitude errada ao fechar a porta com agressividade, mas no momento em que permaneceu dentro do C.A não notou nada de errado. “Tinham apenas estudantes bebendo e escutando música fora do horário de aula, coisa que não é errada”, afirma.
A reitoria abriu sindicância para investigar o uso de drogas no subsolo da UnB. O reitor, José Geraldo de Souza, afirmou que as reportagens não afetam a imagem positiva da Universidade. A administração prometeu que, a partir de março, os centros acadêmicos situados no subsolo serão transferidos para lugares mais adequados.
Notadocomprimido: Sobre esse assunto sugiro também o texto da Mari Fagundes, no àtoanavida. Só discordo de um ponto do ARepublica.tv: Não, a matéria não foi bem produzida. E foi muito mal apurada. É por essas e outras que a globo perdeu quase 1/4 da audiência só no último ano.


Plínio de Arruda, em debate com estudantes da UnB. Foto: Mariana Costa
“Nós vamos inovar nessa campanha. Vamos ser a mocidade dela. Candidato jovem, campanha jovem”, brinca Plínio de Arruda Sampaio, pré-candidato a presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Em encontro com estudantes da Universidade de Brasília (UnB) nesta quarta-feira (25/08), o candidato conversou sobre o uso do twitter e temas gerais como a redução da jornada de trabalho.
A sabatina começou às 18horas, diante de um público de aproximadamente 150 pessoas. Plínio começou destacando que sua candidatura “é um contra-ponto à mesmice”. Para o candidato, o brasileiro estaria “anestesiado” com os avanços sociais do governo Lula, “Esta pessoa, que saiu das classes C e D nos últimos anos e agora, por exemplo, tá levando uma geladeira pra casa, ela não tem muita consciência do que representa a escola absolutamente sucateada do filho dela. No Brasil, metade dos jovens são analfabetos total ou funcional. Ela não percebe que para conseguir um exame médico no SUS ela precisa 4, 6 meses. Que a violência está aumentando. Então o que a gente vive é uma realidade muito enganosa”.
“A nossa candidatura vai fazer uma tarefa dificílima, quase impossível, que é dizer o seguinte: olha pessoal, tá bom desse jeito, ninguém tem nada contra isso, mas tem que ver o outro lado”, completou.


Bentes comemora os resultados da pesquisa. Foto: Guilherme Pera
Pesquisa realizada pelo Instituto de Biologia (IB) da Universidade de Brasília (UnB) está desenvolvendo novos tratamentos para o câncer. O projeto começou em janeiro do ano passado, e os investimentos já superam sete milhões de reais.
Ricardo Bentes, professor do IB e um dos responsáveis pela pesquisa, explica que a meta é criar uma medicação menos invasiva: “Hoje existem três tratamentos para o câncer: quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Apesar da eficiência, os efeitos colaterais são muito grandes”, explica.
O projeto é uma parceria entre a UnB, Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Com participação de 40 pesquisadores de várias universidades federais brasileiras.
Atualmente, um novo tratamento contra o câncer de pele está em teste. Chamado de “Terapia Fotodinâmica”, o medicamente já foi utilizado em pacientes do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e os resultados superaram as expectativas: “Mais de 100 pacientes já foram testados, e a eficiência foi praticamente total. Algumas pessoas precisaram de duas aplicações, mas o câncer foi tratado sem nenhum efeito colateral”, explica o professor.


Maria Eduarda Tannuri, professora da UnB que tocou a pesquisa. Foto: Renata Rusky
O desempenho acadêmico de três mil estudantes foi matéria-prima de pesquisa sobre a política de cotas raciais da Universidade de Brasília, realizada pelo Departamento de Economia da UnB em parceria com a Emory University, dos Estados Unidos. O resultado obtido foi que o rendimento dos cotistas, em uma escalada zero a cinco, é apenas 0,14 pontos menor do que o dos não-cotistas.
A UnB adota o sistema de cotas raciais desde o segudo semestre de 2004, mas o tema ainda divide opiniões entre os estudantes. Para Victor Alexandre, de Ciências Contábeis e cotista, a política de cotas não é uma solução para longo prazo: “Não gosto de políticas imediatistas. Se investíssemos na educação nas periferias, por exemplo, haveria um acréscimo dos negros na universidade da mesma maneira”.
Victor reconhece, entretanto, aspectos positivos no sistema. “A minha opinião se tornou um pouco mais favorável depois que eu fiz um trabalho sobre o assunto. O objetivo, pelo que eu entendi, é incluir os negros na produção intelectual e nos lugares de destaque do país. Se você vai a um hospital, ou mesmo aqui na Universidade, por exemplo, você quase não encontra negros. A partir do momento que os negros passarem a ser referência, isso vai estimular o esforço das pessoas”, afirma.
Já Pedro Henrique Barroso, estudante de Publicidade e cotista, explica que o foco da política é outro: “Acho que o principal não é resolver a questão do negro na universidade, porque a porcentagem de negros no Brasil é muito maior do que a porcentagem de negros no ensino superior. Mas ela cria uma discussão sobre esse tema, antes relegado a segundo plano pela sociedade”.
Sobre os resultados, o estudante de Publicidade avalia que são naturais: “O vestibular não avalia corretamente o estudante, tanto é assim que, dadas as mesmas oportunidades, vimos que os resultados são os mesmos. Como não há diferença entre negros e brancos, todas as suas potencialidades se desenvolvem na Universidade, e o resultado final é praticamente igual”, explica.