
Para o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a taxação dos mais ricos não é luta de classes. É matemática. A proposta de eliminação de isenções fiscais para pessoas e empresas com patrimônio elevado, defendida por Obama e por alguns bilionários como Warren Buffett, encontra forte resistência nos Estados Unidos, mas já foi anunciada em outros países. Os governos da França e da Espanha informaram que vão passar a cobrar mais impostos das grandes fortunas. No Brasil, o tema aparece esporadicamente no noticiário, mas sem o apoio daqueles que têm bilhões em cofre. O Observatório da Imprensa exibido ao vivo na terça-feira (27/09) pela TV Brasil discutiu a cobertura da imprensa brasileira sobre a taxação dos mais ricos.
Alberto Dines recebeu no estúdio de Brasília o economista Raul Velloso e o jornalista João Villaverde. Velloso é consultor de empresas privadas e entidades públicas, colunista dos jornais O Estado de São Pauloe O Globo. É professor e trabalhou no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). João Villaverde, repórter do jornal Valor Econômico, cobriu o setor de macroeconomia em São Paulo. No Rio de Janeiro, participou o sociólogo Carlos Costa Ribeiro, professor e pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP-UERJ). Ribeiro foi também pesquisador convidado do Center for Advanced Studies in the Behavioral Sciences da Stanford University e estudou temas como mobilidade social, desigualdade de oportunidades e efeitos da riqueza na mobilidade.
Em editorial, Dines comentou que a revolta da população contra a cobrança de impostos surgiu com a organização dos Estados. A forte crise financeira que abala os Estados Unidos desde 2008, na opinião do jornalista, colocou a tributação no centro dos debates porque os contribuintes estão atentos aos “desmandos” dos mercados financeiros e ao desperdício de recursos públicos. “A grande mídia brasileira aparentemente não se entusiasmou com a ideia porque parte da premissa simplista de que o estado não sabe gastar e, portanto, não merece o sacrifício dos afortunados. É uma posição duplamente reacionária porque descarta uma bela oportunidade para discutir questões relevantes”, criticou.
Pouca informação
A reportagem exibida antes do debate no estúdio mostrou a opinião de jornalistas e especialistas em impostos. Pedro Ferreira de Souza, técnico de Planejamento e Pesquisa do IPEA, criticou a falta de informações sobre a classe alta no Brasil. Por motivos burocráticos e de confidencialidade, a Receita Federal não disponibiliza estes dados. Já as pesquisas existentes, feitas por amostragem, não são suficientes para traçar um perfil dos milionários:
“Existem várias pesquisas que tentam falar dos mais ricos, mas sempre com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), no Censo, que são pesquisas domiciliares do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que quase nunca chegam à casa dos que são os mais ricos entre os mais ricos”. De acordo com Ferreira, nestas pesquisas, pessoas com renda familiar per capta em torno de R$ 5 mil já seriam consideradas ricas.
Em todos os países em que esta discussão aparece, de acordo com o jornalista Carlos Sardenberg, há um grave problema de ajuste das contas públicas. Geralmente, os governos têm um déficit muito elevado e estão implementando programas de redução de gastos públicos, que, em geral, atingem as classes mais baixas. “Como uma espécie de compensação política, se coloca do outro lado da balança o aumento dos impostos. E, como não se pode aumentar o imposto de todo o mundo, você tem o aumento do imposto para os mais ricos”, explicou o jornalista. Para Sardenberg, em geral, os brasileiros já pagam muitos impostos. “O problema é que o Estado arrecada muito e gasta mal”, avaliou.
Imprensa passiva
Suely Caldas, colunista do jornal O Estado de S.Paulo, explicou que a discussão em torno dos impostos na Europa e nos Estados Unidos veio à tona na imprensa internacional porque houve uma provocação: a crise econômica aliada à percepção de que os mais ricos têm mais a contribuir do que os mais pobres. “A imprensa refletiu essa discussão, discutiu. Aqui no Brasil, volta e meia a imprensa fala nesse assunto sempre que há uma pesquisa”, afirmou. Suely Caldas comentou que, recentemente, o IPEA divulgou um estudo mostrando o quanto a taxação dos impostos no Brasil é injusta socialmente. De acordo com o levantamento, 32% da renda dos mais pobres é convertida em imposto.
Para Evilásio Salvador, professor da Universidade de Brasília (UnB), a proposta de taxação dos mais ricos é uma forma de política “redistributiva” pela arrecadação do governo que dificilmente sairá do papel no Brasil. O professor explicou que desde 1995 vigora no país uma legislação que isenta de Imposto de Renda os lucros e dividendos recebidos pelas pessoas físicas. Na avaliação de Evilásio Salvador, esta legislação deveria ser revogada. “Todo sócio capitalista, todo empresário brasileiro dono de uma empresa, não paga nada de Imposto de Renda sobre o lucro ou dividendo recebido da sua empresa, enquanto um trabalhador assalariado, um servidor público, chega a ser taxado em 27%”, disse.
No debate ao vivo, o economista Raul Velloso comentou que os Estados Unidos estão passando por um momento difícil porque lá se procura repartir os custos da crise financeira entre os diversos setores da sociedade. “Há uma transferência de prejuízos e problemas que ocorrem no setor privado para o setor público e, obviamente, como isto levou a um endividamento muito grande, existe agora a questão de saber como se vai administrar esta dívida”, disse o economista. Como o governo norte-americano procura “socializar” o prejuízo, os segmentos que se sentem prejudicados protestam: “É uma discussão de quem paga a conta e de como os partidos estão se posicionando em relação a isto diante da insatisfação de muito do que aconteceu até agora em matéria de divisão desta grande confusão”.
Arrecadação em alta
De acordo com a avaliação de Velloso, no Brasil, é preciso situar a discussão no panorama do grande esforço feito pelos brasileiros nas últimas décadas para ajustar as contas públicas e reduzir o crescimento da dívida. “Os governos que se seguiram iniciaram um processo de ajuste que se concentrou fundamentalmente no aumento da arrecadação e também no corte dos investimentos. Neste contexto – sem importar muito como as pessoas ficam ricas por aqui – o objetivo era arrecadar a qualquer custo. E aí foram adotadas as medidas capazes de produzir fortes aumentos da arrecadação”, disse o economista.
Para ele, a sociedade brasileira é bastante pacífica em relação à cobrança de impostos. Apenas recentemente começaram as manifestações contra o aumento da tributação. Velloso ponderou que é necessário levar em consideração que o Brasil tem um sistema de transferência de dinheiro que, em termos relativos, pode ser um dos maiores do mundo. Uma parcela significativa da população recebe um benefício do orçamento da União. “Tudo isso está misturado e ninguém sabe direito quem é quem, o que é Estado, quem recebe favores e benefícios”, sublinhou o economista. Por isto, o sistema brasileiro, em sua opinião, é muito complexo.
Dines comentou que os brasileiros têm “ojeriza” a pagar impostos e o sociólogo Carlos Costa Ribeiro explicou que esta questão sempre foi polêmica. “Quando você cobra impostos é para fazer o Estado funcionar e redistribuir de alguma maneira os recursos. É necessário que você tenha impostos para investir, por exemplo, em educação”, ponderou. Costa Ribeiro explicou que os investimentos em educação são essenciais para diminuir a desigualdade de oportunidades no país. No Brasil, de acordo com o sociólogo, há uma maior carga de impostos sobre a renda e não sobre a riqueza. “A riqueza é transmitida de pais para filhos gerando desigualdades futuras. A renda, em última instância, seria o produto do trabalho das pessoas”, detalhou.
Competição vs. Proteção
Costa Ribeiro comentou que, nos Estados Unidos, há a cultura da valorização do sucesso. A competição em busca da riqueza não é vista como um traço negativo pela sociedade norte-americana. Por outro lado, também é valorizada a idéia de que é preciso partir de um patamar comum. “Essa ideologia, lá, tem conseqüências em relação aos impostos. Por exemplo, os impostos sobre herança são muito altos a partir de um determinado valor”, disse. Esta situação fez com que se criasse um sistema onde os impostos são passados para a sociedade através de outros mecanismos que não são do próprio Estado, como filantropia, doação de verbas para universidades, pesquisas na área de saúde. Por isto, o sociólogo considera a sociedade norte-americana paradoxal.
“No Brasil, você tem uma certa idéia de que tem que proteger um pouco todos. Nos Estados Unidos, todos estão em competição, mas tem que ser uma competição mais ou menos igual. Não é, obviamente, mas este valor é levado adiante. Eu acho que é isso que leva uma pessoa como Warren Buffett a dizer: ‘olha, eu tenho que pagar mais imposto porque eu tenho que devolver à sociedade o que eu ganhei da sociedade com o meu esforço”, afirmou Costa Ribeiro.
Dines perguntou a opinião do jornalista João Villaverde sobre o fato de um assunto interessante do ponto de vista jornalístico, como a disposição dos milionários norte-americanos “botarem a mão no bolso”, não ter destaque na imprensa brasileira. Villaverde comentou que Brasil e Estados Unidos têm características diferentes sobre os impostos. “Enquanto nos Estados Unidos a carga tributária do Estado é relativamente pequena pelos problemas que eles enfrentam, 21% do Produto Interno Bruto (PIB), no Brasil é 34% . Então, forma-se um consenso que atinge a mídia e também é formado pela mídia de que a carga tributária no Brasil é muito alta pelos serviços públicos que ela presta”, avaliou o jornalista. Outro ponto levantado por Villaverde é a dificuldade de discutir aumento de impostos diante do crescimento do país.
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Alberto Dines # editorial do Observatório da Imprensa na TV nº 612, exibido em 27/09/2011
A cobrança de tributos é tão antiga quanto a própria organização dos estados, também as revoltas populares contra os rigores do fisco. Os fundadores da república americana estabeleceram um marco democrático ao determinar que o contribuinte deve ser simultaneamente um eleitor de modo a torná-lo um fiscal do uso que os governantes fazem do seu suado dinheirinho.
A debacle econômica iniciada em 2008 trouxe novamente para a ordem do dia mundial a questão dos impostos, já que os contribuintes estão sendo chamados outra vez para reparar os desmandos ocorridos nos mercados financeiros e o desperdício de recursos públicos por governos perdulários e/ou corruptos.
A atual revolta contra os impostos é mais aguda nos Estados Unidos e reacendeu a velha questão de taxar mais os mais ricos. Supreendentemente, quem saiu em defesa de uma distribuição mais justa de responsabilidades foi o trilionário Warren Buffet, o terceiro mais rico do mundo de acordo com a revistaForbes.
Buffet não ficou sozinho no ranking dos generosos. Recebeu apoios dos dois lados do Atlântico de celebridades endinheiradas como a dona do L’oreal, Liliane Bettencourt, e alguns ricaços espanhóis, todos unânimes em dizer que o imposto sobre as grandes fortunas não é uma solução em si mas parte de um esforço global de reformas estruturais.
A grande mídia brasileira aparentemente não se entusiasmou com a ideia porque parte da premissa simplista de que o estado não sabe gastar e portanto não merece o sacrifício dos afortunados. É uma posição duplamente reacionária porque descarta uma bela oportunidade para discutir questões relevantes, como a função social do capital, e estreita ainda mais o leque de opções para novas receitas em programas de emergência, como o da saúde.
Por Lilia Diniz no ObservatóriodaImprensa.

Pat, engenheira de 34 anos, separada, chegou ao meu consultório e foi logo dizendo:
Não tenho dúvidas de que os contos de fadas são prejudiciais às crianças. Mas será que pais e professores se dão conta disso?
Será que percebem quais tipos de ideias estão passando para as crianças, subliminarmente, por meio desses contos? Cinderela, Branca de Neve, Bela Adormecida. Modelos de heroínas românticas, que, ao contrário do que se poderia imaginar, no que diz respeito ao amor, ainda são parecidas com muitas mulheres de hoje. Mas isso não é à toa.

Mulheres: frágeis e submissas?
Desde a Antiguidade as mulheres detinham um saber próprio, transmitido de geração em geração: faziam partos, cultivavam ervas medicinais, curavam doentes. Na Idade Média seus conhecimentos se aprofundaram e elas se tornaram uma ameaça. Não só ao poder médico que surgia, como também do ponto de vista político, por participar das revoltas camponesas.
Na “caça às bruxas”, do século XVI, 85% dos acusados de feitiçaria eram mulheres. Milhares delas foram executadas, na maior parte das vezes queimadas vivas.
Segundo os manuais usados pelos inquisidores, seria pela sexualidade que o demônio se apropriava do corpo e da alma dos homens, dominando-os através do controle e da manipulação dos atos sexuais. Não foi assim que Adão pecou? Como as mulheres estão essencialmente ligadas à sexualidade, elas (as “feiticeiras”) se tornaram agentes do demônio.
Rose Marie Muraro, na introdução do livro “O martelo das feiticeiras”, escrito por dois inquisidores em 1484, chama a atenção para um detalhe importante: “eram consideradas feiticeiras as mulheres orgásticas e ambiciosas, as que ainda não tinham a sexualidade normatizada e procuravam se impor no domínio público exclusivo aos homens.”
A partir daí podemos entender melhor como as mulheres e as personagens femininas das histórias infantis foram se tornando passivas, submissas, dóceis e assexuadas. Em “Cinderela”, “Branca de Neve” e “A Bela Adormecida” existem algumas mulheres que até fazem mágicas, mas a mensagem central não é a do poder feminino, e sim da impotência da mulher. O homem, ao contrário, é poderoso. Não só dirige todo o reino, como também tem o poder mágico de despertar a heroína do sono profundo com um simples beijo. Além da incompetência de lutar por si própria, comum às principais heroínas, Cinderela é enaltecida por ser explorada dia e noite, trabalhando sem reclamar e sem se rebelar contra as injustiças. Padece e chora em silêncio. Seu comportamento sofrido, parte do treinamento para se tornar a esposa submissa ideal, é recompensado: seu pé cabe direitinho no sapato e ela se casa com o príncipe.
No entanto, o mais grave nos contos de fadas é a ideia de que as mulheres só podem ser salvas da miséria ou melhorar de vida por meio da relação com um homem. As meninas vão aprendendo, então, a ter fantasias de salvamento, em vez de desenvolver suas próprias capacidades e talentos.
As heroínas das histórias estão sempre ansiosas em fazer o máximo para agradar ao homem, ser como ele deseja, e acreditam que adequar seu corpo à expectativa dele é fundamental. Não se esqueça de que Cinderela e todas as moças do reino tentam se ajustar ao sapatinho encontrado pelo príncipe — a madrasta orienta as filhas a cortar um pedaço do pé para corresponder ao que o homem espera delas.
A historiadora americana Riane Eisler afirma que “essas histórias incutem nas mentes das meninas um roteiro feminino no qual lhes ensinam a ver seus corpos como bens de comércio para conseguirem pegar não um sujeito comum, mas um príncipe, status e riqueza. Em última análise a mensagem dos ‘inocentes’ contos de fadas, como Cinderela, é que não somente as prostitutas, mas todas as mulheres devem negociar seu corpo com homens de muitos recursos.”
Em vez de desenvolver suas próprias potencialidades e buscar relações onde haja uma troca afetiva e sexual, em nível de igualdade com o parceiro, muitas mulheres se limitam a continuar fazendo tudo para encontrar o príncipe encantado.
Por Regina Navarro Lins, via Rede Relações Livres
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Notadocomprimido:
Talvez pelo público-alvo da autora (essencialmente feminino) ela tenha se esquecido de tocar num aspecto muito importante: a influência que estas histórias exercem também sobre os homens. E não só sobre os homens, mas em toda a sociedade e na forma como as pessoas se relacionam umas com as outras.
Uma relação, como o próprio nome diz, é um processo de troca. De nada adiantaria a mulher esperar passivamente pelo homem caso ele também não se sentisse obrigado a agradá-la.
Na verdade, é exatamente isso que acontece. A mulher espera um “homem perfeito” que no final das contas não existe. O homem espera uma “princesa romântica” que não passa de uma mulher independente, com seus desejos e vontades. E todos saem perdendo nessa história.
Como explicar uma notícia como essa? O que fazer diante dela?
Após divórcio ou separação, taxa de suicídio entre homens é 4 VEZES MAIOR do que entre as mulheres.
(clique aqui para ver a notícia).
O homem sente-se obrigado a ser o ” Príncipe Encantado”. O chefe de família. Se o casamento acabou, se a mulher o abandonou, “a culpa é dele”.
Não querendo entrar em dualismos, o que eu quero dizer é que a situação em nossa sociedade é insuportável para ambos os sexos. Mais do que isso, para todo mundo. Existe uma pressão enorme para enquadrar as pessoas em papéis sociais que simplesmente não existem na vida real – ou pelo menos não para grande parte dos relacionamentos.
Poligamia. Homossexualidade. Sexo casual. Masturbação (tá, esse não tem nada haver com relacionamentos haha mas é tabu também).
Não existem limites. Não existe o certo ou o errado. A “cultura” e o que os outros pensam (a partir de seus preconceitos) não pode ser fator de impedimento da felicidade alheia.
Se três pessoas estão apaixonadas, e daí? Se um homem está apaixonado por um homem, ou simplesmente sente atração pelo outro, e daí? É errado gostar de alguém?
Se você é contra o casamento gay, case-se com alguém do sexo oposto. Se você é contra a poligamia, encontre alguém para se casar e viver o resto da vida.
O problema é que as pessoas são infelizes e querem descontar isso na felicidade dos outros.
- Ah eu odeio a minha esposa.
- E porque você não se separa?
- Não, acho que isso é errado. Falando nisso, já soube de fulano? Se separou da esposa e tá com um cara agora. Absurdo isso!
O que é absurdo cara pálida!?
O ser humano é movido pelo medo. Medo da mudança. É mais fácil falar mal de quem contrariou ‘a ordem’ do que efetivamente tomar uma atitude para mudar a sua própria vida. É nesse momento que nasce a fofoca. O preconceito. A opressão.
Na hora de se relacionar com alguém, de amar alguém ou de simplesmente ficar com aquela pessoa, o mais importante é ser você mesmo e ser sincero.
Se não der certo, ficam as boas lembranças. Se der certo, provavelmente sua vida mudará bastante.
Bom, pelo menos é nisso em que eu acredito.
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E você, o que pensa a respeito dos contos de fadas? E sobre relacionamentos? Deixe seu comentário!

Artigo Científico
Título: Mercenários Modernos. Terceirizações nas Missões de Paz
Autor: Bárbara Menezes de Miranda, Estudante de Relações Internacionais da Universidade de Brasília
A noção de soberania tem sofrido mudanças para quem segue as tendências da sociedade internacional.
Preocupada cada vez mais com novas questões, uma delas diz respeito à transição do entendimento de soberania pautada no poder para uma compreensão pautada na responsabilidade. Segundo a Convenção Internacional de Intervenção e Soberania Nacional feita em 2001, a soberania dos Estados baseia-se na responsabilidade deste de prover aos seus cidadãos todas as garantias contidas nos Direitos Humanos.
Partindo-se deste pressuposto, conclui-se que se o estado não faz o que constitui seu dever, a sociedade internacional deve agir para garantir os direitos da população que está sendo lesada. Uma das maneiras da fazê-lo é através da manutenção da paz, que se dá através de missões de paz levadas a cabo pelas Nações Unidas. Tais missões têm como objetivo desarmar guerras em curso, trazer ordem e segurança em lugares públicos, proteger os Direitos Humanos, permitir que refugiados voltem para casa, organizar eleições e estabelecer uma política nacional baseada na obediência às regras e na segurança.
No entanto, as Nações Unidas, com seu orçamento de 2 bilhões de dólares ao ano é incapaz de promover missões de paz sem a ajuda dos Estados membros. E estes, por desinteresse (não querem gastar dinheiro, não querem arriscar as vidas de seus cidadãos, não querem se envolver) ou por inabilidade de ajudar as Nações Unidas, cooperam para a não satisfação dos pré-requisitos necessários para as missões acontecerem.
Para Arnaud Blin e Gustavo Marin, isso se deve à lógica controversa da formação das Nações Unidas por ela ser composta por Estados, que têm como princípio zelar pelos interesses nacionais, que teriam de resolver problemas partilhados entre eles buscando um interesse coletivo. Mas os Estados, em sua formação soberana e legítima, sempre vão colocar os interesses internacionais em segundo plano, aceitando-os quando estes não vão de encontro aos próprios. Como esperar cooperação deles em um tema diretamente ligando aos interesses nacionais, a segurança?
James Pattison pincela uma solução: Terceirizar os recursos humanos, físicos, logísticos, de saúde utilizados nas missões de paz através da contratação de Companhias Privadas Militares e de Segurança (CPMS). Essa seria a solução por que assim os Estados não estariam arriscando diretamente nenhuma vida do próprio país, poderiam só dar quantias de dinheiro que seriam investidas da melhor maneira possível para entregar as operações e isso permitiria uma maior ação conjunta, já que por essas facilidades, mais governos se interessariam.
O mesmo autor desenvolveu um quadro teórico que batizou de Abordagem Instrumentalista Moderada segundo a qual explica que independente da aparente imoralidade do intesse financeiro que permeia as ações das CPMS, a falta de regulamentação de suas ações, a imoralidade do desrespeito aos direitos humanos é maior do que todos os problemas que a terceirização traz consigo. Se a missão é efetivada através das CPMS e várias pessoas deixam de ter seus direitos desobedecidos, isso ultrapassa todas as aparentes imoralidades ou deslegitimações que decorreram do uso delas, pois o sofrimento, a morte, a tortura, o estupro, a fome, são as maiores imoralidades de todas.
Por isso devemos pôr em discussão o peso das perdas e dos ganhos. E pelo exposto, o ganho é muito maior se utilizarmos as CPMS se a outra saída é a missão não acontecer ou acontecer ineficientemente, sem recursos físicos ou humanos capazes de retiraro maior número de pessoas de tais situações imorais.


Você concorda com o latifúndio e a desigualdade social?
“Poucos no Brasil tem muita terra. E muitos, milhares de pessoas, tem muito pouco”. É o que afirma Ariovaldo Umbelino, professor da Universidade de São Paulo. Transformar essa realidade é um dos objetivos do Plebiscito Nacional pelo limite da propriedade da terra, que vai até o dia 7 de setembro em todo o país.
A votação é parte da Campanha Nacional pelo limite da propriedade da terra, promovida pelo Fórum Nacional de Reforma Agrária, que conta com o apoio de movimentos sociais, entidades religiosas, sindicatos e outras organizações.
Para o Padre Nelito Dornelles, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “o plebiscito é uma ferramenta de diálogo com a sociedade. É uma parte importante da campanha, uma maneira didática de conscientizar a população”.
Desigualdade evidente
Willian Clementino, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, defende a agricultura familiar, “Agronegócio não gera emprego. Se você pegar o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), agricultura familiar tem muito mais capacidade de gerar emprego”. “Nosso principal programa de FOME ZERO é a Reforma Agrária”, afirma.
Estudos desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em parceria com outros ministérios, revela que enquanto na agricultura empresarial, em média, emprega-se 1 trabalhador para cada 100 hectares cultivados, na familiar a relação é de apenas 10 hectares por trabalhador.
“Se tomarmos um indicador clássico, o índice de GINI, sabemos que em 1972 o Brasil possuía 0,854. O índice vai de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1 maior a concentração de terra e de renda. Em 2006, último ano em que houve a pesquisa, o índice do GINI brasileiro continuava 0,854. 30 anos se passaram e a estrutura agrária continua absolutamenta mesma”, afirmou o professor Ariovaldo.

Existem cada vez mais comunidades na Internet: mães que querem saber como cuidar de seus bebês, mochileiros buscando um sofá para dormir em outro continente, etc. Não importa o tema, aqui as pessoas tem a possibilidade de se ajudar, mesmo que nunca tenham se visto pessoalmente.

Na dose homeopática de hoje, trazemos até vocês informações sobre as mais interessantes iniciativas que tem dado certo no mundo. Pessoas emprestando dinheiro sem intermédio de bancos; produzindo álbuns musicais sem intermédio de gravadoras; dirigindo um pequeno – mas bem sucedido – time de futebol, através de seus 30 mil donos on-line.