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Parece que muitas pessoas seguiram a última contra-indicação (aqui) e os protestos nos EUA estão começando a se espalhar. Só neste sábado foram detidos mais de 700 manifestantes em manifestação na ponte do Brooklyn, em Nova York. Houve manifestações também em Washington, São Francisco e Chicago. Já há um novo acampamento, desta vez em Boston, no Parque Dewey.
Os “indignados” norte-americanos denunciam a injeção de dinheiro público para salvar os bancos e a corrupção do sistema financeiro. A cada dia cresce o apoio público de intelectuais, como Noam Chomsky e o documentarista Michael Moore. O movimento está ganhando cada vez mais força política.
Mas… e daí?
Ok, talvez ainda seja cedo para cobrar uma plataforma política e um plano de ação de um movimento independente que acaba de se organizar. Um passo de cada vez. O importante é que a Esquerda norte-americana fique atenta à essa movimentação e que os movimentos sociais se articulem em conjunto. Os próximos passos são decisivos. Estaremos acompanhando.
Segue notícia editada do Esquerda.NET, retirado do VioMundo.

Armadilha em Brooklyn?
Mais de 700 manifestantes foram detidos neste sábado nos Estados Unidos, durante um protesto que bloqueou a ponte do Brooklyn, em Nova York, na 15ª jornada promovida pelo movimento Ocupar Wall Street, que mantém um acampamento no Zucotti Park, no centro de Manhattan.
A polícia alegou que não prendeu ninguém que se manteve no passeio, mas que os manifestantes foram para a estrada e assim bloquearam a ponte, o que é proibido. Mas os jovens dizem que foi a própria polícia que os conduziu e escoltou para a travessia rodoviária da ponte. Acusam, assim, a polícia de Nova York de tê-los conduzido a uma armadilha.
Os manifestantes levavam à frente um cartaz onde se podia ler “We the People” (Nós, o Povo), as primeiras palavras do preâmbulo da Constituição dos EUA. Quando começaram as prisões, os manifestantes reagiram gritando “O mundo inteiro está a ver”, em alusão ao live streaming pela Internet que estava a decorrer no momento.
Em seguida, sentaram-se no chão e gritaram “Let them go!” diante de todos os jovens, alguns visivelmente menores, que estavam sendo detidos. O protesto foi totalmente pacífico.
Segundo testemunhos citados pelo The New York Times, os detidos foram levados em dez veículos e libertados em seguida. Há denúncias que alguns deles foram agredidos. Todos foram algemados. Cerca de 3 mil pessoas terão participado na manifestação.

por Slavoj Zižek, London Review of Books, vol. 33, n, 16. Via Viomundo.
A repetição, segundo Hegel, tem papel crucial na história: se alguma coisa acontece uma única vez, pode ser descartada como acidente, algo que poderia ter sido evitado se a situação tivesse sido conduzida de modo diferente; mas quando um mesmo evento repete-se, é sinal de que está em curso um processo histórico mais profundo. Quando Napoleão foi derrotado em Leipzig em 1813, pareceu má sorte; quando foi derrotado outra vez em Waterloo, ficou claro que seu tempo acabara. Vale o mesmo para a continuada crise financeira. Setembro de 2008 foi apresentado como anomalia que podia ser corrigida com melhores regulações e controles; hoje se acumulam sinais de quebradeira nas finanças e já é evidente que estamos lidando com fenômeno estrutural.

Dizem e repetem e repetem que atravessamos uma crise da dívida e que todos temos de partilhar a carga e apertar os cintos. Todos, exceto os (muito) ricos. Aumentar impostos sobre muito ricos é tabu: se se fizer isso, diz o mesmo argumento, os ricos não terão incentivo para investir, haverá menos empregos e todos sofreremos mais. A única salvação, nesses tempos duros, é os pobres ficarem cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. O que devem fazer os pobres? O que podem fazer?
Embora os tumultos de rua na Grã-Bretanha tenham sido desencadeados pela morte de Mark Duggan, todos concordam que manifestam mal-estar mais profundo – mas que tipo de mal-estar? Como quando se queimaram carros nos subúrbios de Paris em 2005, os agitadores de rua na Grã-Bretanha não tinham mensagem alguma a comunicar. (Há aí claro contraste com as manifestações massivas de estudantes em novembro de 2010, que também geraram violência. Os estudantes deixaram bem claro que rejeitavam as propostas de reformas na educação superior.) Por isso é difícil pensar sobre os agitadores de rua britânicos em termos marxistas, como uma instância da emergência do sujeito revolucionário; encaixam-se muito mais facilmente na noção hegeliana de “ralé”, “escória” [orig. ‘rabble’], espaços marginais organizados, que manifestam o próprio descontentamento mediante explosões ‘irracionais’ de violência destrutiva – que Hegel chamava de “negatividade abstrata”.
Há uma velha história sobre um operário suspeito de roubo: todas as tardes, ao sair da fábrica, o carrinho-de-mão que ele empurra é cuidadosamente revistado. Os guardas nada encontram; o carrinho está sempre limpo. Até que a ficha cai: o operário roubava um carrinho-de-mão por dia. Os guardas não viam a mais visível verdade, exatamente como os jornalistas e especialistas e autoridades que comentaram os tumultos de rua. Dizem-nos que a desintegração dos regimes comunistas no início dos anos 1990s marcaram o fim da ideologia: o tempo dos projetos ideológicos em grande escala que culminaram em catástrofe totalitária está acabado; teríamos entrado numa nova era de política racional, pragmática. Se o lugar-comum de que vivemos numa era pós-ideológica é correto em algum sentido, pode-se ver nas recentes explosões de violência. Foi protesto de grau-zero, ação violenta sem demandas. Em sua tentativa desesperada para encontrar algum sentido nos tumultos, sociólogos e jornalistas deixaram passar sem qualquer registro o enigma que os tumultos nos impuseram.
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Talvez por uma dessas surpresas da história o grande levantamento popular que hoje comove a Espanha (e que começa a reverberar no resto da Europa) estala na coincidência com o 140° aniversário da Comuna de Paris, um gesto heróico na qual a demanda fundamental também era a democracia. Mas uma democracia concebida como governo do povo, pelo povo e para o povo, e não como um regime a serviço do patronato e no qual a vontade e os interesses populares estão inexoravelmente subordinados ao imperativo da ganância empresarial.
Precisamente por isso as demandas dos “indignados” tem ressonâncias que evocam imediatamente aquelas que, com as armas em mãos, saíram para defender as parisienses e os parisienses nas heroicas jornadas de 1871 e que culminaram com a constituição do primeiro governo da classe trabalhadora, claro que restrita à cidade de Paris. Um governo que durou pouco mais que dois meses e que logo foi aplastado pelo exército francês com a aberta cumplicidade e cooperação das tropas de Bismarck, que pouco antes lhe havia infligido uma humilhante derrota aos herdeiros dos exércitos napoleônicos.
A crueldade contra os parisienses que tiveram a ousadia de querer tomar o céu por assalto e fundar uma democracia verdadeira foi terrível: calcula-se que mais de trinta mil comuneiros foram esmagados pelas armas, em execuções sumárias sem juízo prévio. A Comuna foi afogada em um rio de sangue e, para indenizar seus “crimes”, a Assembleia Nacional decidiu erigir, na coluna mais elevada de Paris, em Montmartre, a Basílica de Sacré Coeur, construída com os fundos recolhidos por uma subscrição popular em toda França que, para honra dos parisienses, só uma ínfima parte do arrecadado proveio da cidade martirizada pela reação.
Paris foi derrotada, mas as parisienses e os parisienses não foram postos de joelhos. A Comuna desacreditava a institucionalidade burguesa, insanavelmente corrupta porque sabia que a este aparatoso emaranhado de leis, normas e agências governamentais só lhe preocupava consolidar a riqueza e os privilégios das classes dominantes e manter submetido ao povo; exigia uma democracia direta e participativa e a derrogação do parlamentarismo, essa viciosa deformação da política convertida em oca charlatanice e âmbito de todo tipo de transações e negociações alheias por completo ao bem-estar das maiorias; demandava a criação de uma nova ordem política, executiva e legislativa, desta vez, baseada no sufrágio universal (homens e mulheres igualmente, não como ocorreria depois nos capitalismos democráticos nos quais o “universal” se referiria exclusivamente aos machões) e com representantes revogáveis e diretamente responsáveis ante seus mandantes.

Manifestação em Madrid
Os comuneiros queriam uma democracia genuína, não fictícia, na qual tanto os representantes do povo como a burocracia estatal não gozaria de privilégios algum e terão uma remuneração equivalente à do salário médio de um operário, entre outras madidas tais como a consumação da separação entre a Igreja e o Estado e a universalização da educação laica, livre e obrigatória para homens e mulheres igualmente.
Basta olhar os documentos dos “indignados” de hoje para comprovar a assombrosa atualidade das demandas dos comuneiros e o pouco, muito pouco, que mudou na política do capitalismo. Os jovens e não tão jovens que reinventam cerca de 150 praças da Espanha não são “apolíticos”, ou “antipolíticos”, como certa imprensa nos que fazer acreditar, mas pessoas profundamente politizadas que levam a sério a promessa de democracia e que, por isso mesmo, rebelam-se contra a falsa democracia, oriunda das entranhas do franquismo e consagrada no tão aplaudido Pacto de la Moncloa, exibido como um ato exemplar de engenharia política democrática ante os povos latino-americanos.
Uma democracia que os acampados denunciam como um engano, um simulacro que sob suas roupas engomadas oculta a persistência de uma cruel ditadura que descarrega o peso da crise desatada pelos capitalistas sobre os ombros dos trabalhadores.
O que a “exemplar” democracia da Moncloa propõe para enfrentá-la é o despotismo do mercado, inimigo irreconciliável de qualquer projeto democrático: facilitar as demissões dos trabalhadores, reduzir seus salários, cortar os direitos trabalhistas, congelar as pensões e aumentar a idade necessária para aposentar-se, diminuir o emprego público, cortar os orçamentos de saúde e educação, privatizar empresas e programas governamentais e, coroando tudo isto, reduzir ainda mais os impostos às grandes fortunas e às empresas para que com o dinheiro excedente invistam em novos empreendimentos.
A famosa e mil vezes refutada “teoria do derrame”, uma vez mais, supõe que o povo é idiota e que não se dá conta que se os ricos tem mais dinheiro é requerido um milagre para que não sucumbam ante a tentação do cassino financeiro global para investir na criação de empresas criadoras de novas fontes de trabalho. A experiência indica que a tentação é muito grande.
A resposta da falsa democracia espanhola – na realidade, uma sórdida plutocracia que os jovens querem destronar e substituir por uma democracia digna desse nome – ante a crise provocada pela insaciável voracidade da burguesia é aprofundar o capitalismo, aplicando as receitas do FMI até que a sociedade se sangre e afunde no desânimo e a miséria aceite uma “solução neofascista” que recomponha a ordem perdida.
Não há transformação possível dentro da trama pseudodemocrática espanhola porque seu famoso bipartidarismo demonstrou não ser outra coisa que as duas caras de um só partido: o do capital. Mas agora a conspiração entre o PSOE e o PP encontrou-se com um obstáculo inesperado: alentado pelos ventos que desde o norte da África cruzam o Mediterrâneo, os jovens, vítimas principais do saque, “disseram basta e começaram a andar”, como uma vez o expressou o Comandante Ernesto “Che” Guevara em seu célebre discurso de 1964 ante a Assembleia Geral das Nações Unidas.
Nada voltará a ser como antes na Espanha. O desprestígio de sua classe política parece ter ultrapassado o ponto de não retorno e a crise de legitimidade da pseudo democracia chega a profundidades insondáveis; se egípcios e tunesinos puderam desfazerem-se das corruptas camarilhas governantes, por que também não poderiam fazer os “indignados”? As obscenas incoerências éticas do verdadeiro reitor da economia espanhola, o FMI, não pode mais que irritar e mobilizar as camadas cada vez mais amplas de cidadãs e cidadãos: enquanto estes padecem todo tipo de corte em suas rendas e seus direitos trabalhistas, os bandidos do FMI decidem premiar Dominique Strauss-Kahn com uma indenização de 250 mil dólares por ter renunciado antecipadamente ao seu cargo … e por ter incorrido em um gravíssimo delito como o assalto sexual a uma trabalhadora africana em um hotel de Nova York!
Afora isso, desfrutará de uma suculenta aposentadoria que é negada a milhões de espanhóis e europeus em Portugal, Grécia, Irlanda, Islândia … E essa são as pessoas que dizem saber como se sai da situação que estão afundando o mundo na pior crise econômica da história! Sem haver lido os clássicos do marxismo a vida ensinou aos “indignados” que não há democracia possível sob o capitalismo, que, como dizia Rosa Luxemburgo, sem socialismo não há nem haverá democracia, e que o capitalismo é insanavelmente antagônico à democracia. A história deu um veredito inapelável: mais capitalismo, menos democracia, no Norte opulento e industrializado igualmente ao Sul global.
A vida lhes ensinou também que quando juntam suas vontades, organizam-se e se educam no debate de ideias para superar a estupidificação de massas programada pela indústria cultural do capitalismo, sua força é capaz de paralisar a partidocracia e colocar em crise a pseudo democracia com que os enganava. Se persistem em sua luta poderão também derrotar a prepotência do capital e, eventualmente, iniciar uma nova etapa na história não somente da Espanha, mas também da Europa. Os povos do mundo inteiro apontam hoje seus olhos às ruas e praças da Espanha, onde está sendo realizado um combate decisivo
Traduzido para Diário Liberdade por Lucas Morais.

Por Eduardo Guimarães, do Cidadania.com
Não, a foto acima não é do Haiti. O que você vê é a população de uma das cidades mais ricas do mundo revoltada com uma tragédia humanitária que emula em vários aspectos a do país caribenho.
Dá medo viver hoje em São Paulo. A cidade mais rica do país é, também, a que se tornou uma selva desconhecida onde tudo pode acontecer. Até você morrer afogado, ser soterrado, ter seus bens destruídos em questão de minutos, adoecer por contaminação de enxurradas de água infectada com excrementos e todo tipo de material infeccioso…

Por Davi Carvalho de Mello
A HP, gigante do ramo de computadores e tecnologia, foi presenteada nesse mês de dezembro com um vídeo gravado por um consumidor insatisfeito. O americano afro-descendente Desi Cryer, ao testar a nova câmera HP, possuidora de um sistema de reconhecimento de faces, reparou que o dispositivo não o identificou. Situação diferente ocorreu com sua amiga Wanda, que é branca, na qual a o aparelho acompanhou corretamente cada movimento da moça.
Desi, para expressar sua indignação e a falha da empresa, publicou um vídeo no Youtube dizendo que “os computadores HP são racistas”. O vídeo demonstra, com tom de ironia, toda a situação ocorrida.
Em resposta, a HP publicou em seu blog oficial o funcionamento do sistema.