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	<title>OCOMPRIMIDO.COM &#187; revolta</title>
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	<description>Sua dose diária de contra-informação</description>
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		<title>Capas sinceras</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Dec 2011 11:38:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Contra-indicações]]></category>
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		<description><![CDATA[Como seriam as capas das principais revistas brasileiras se elas, bem, err, fossem 100% sinceras com o leitor? Como todo produto, a intenção de uma revista é que alguém a compre. Ou pelo menos essa é a realidade para a assim chamada grande mídia brasileira. E aí vale apelar para estratégias de marketing, oferecer prêmios, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2010/08/CHAMADA-contraindicacoes.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Como seriam as capas das principais revistas brasileiras se elas, bem, err, fossem 100% sinceras com o leitor?</p>
<p style="text-align: justify;">Como todo produto, a intenção de uma revista é que alguém a compre. Ou pelo menos essa é a realidade para a assim chamada grande mídia brasileira. E aí vale apelar para estratégias de marketing, oferecer prêmios, inventar notícias ou deixar claro toda semana que sua editora não gosta do Lula.</p>
<p style="text-align: justify;">Será que alguma das revistas abaixo seriam lidas sem esse tipo de apelo?</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter  wp-image-2870" title="epoca_sincera" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2011/12/epoca_sincera.jpg" alt="" width="472" height="587" /></p>
<p style="text-align: center;">Continue vendo as capas de revista no blog original: <a title="capas-de-revista" href="http://puxacachorra.blogspot.com/2011/12/10-capas-de-revista-versao-sincera.html" target="_blank">clique aqui</a>.</p>
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		<title>A questão-chave sobre a guerra na Líbia</title>
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		<pubDate>Thu, 08 Dec 2011 06:49:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[por DIANA JOHNSTONE, no Counterpunch. Via VioMundo. Nos dias de hoje os guerreiros humanitários estão se gabando, graças à proclamada vitória na Líbia. A única superpotência do mundo, com o apoio moral, militar e mercenário dos amantes da democracia do emirado do Qatar e com os poderes imperialistas históricos da Grã Bretanha e da França, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/themes/retromania/retromania/images/CHAMADA-tarjapreta.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>por DIANA JOHNSTONE, no <a href="http://www.counterpunch.org/2011/12/01/here%E2%80%99s-the-key-question-in-the-libyan-war/">Counterpunch</a>. </strong>Via <a title="viomundo" href="http://www.viomundo.com.br/politica/libia-depois-do-bombardeio-que-a-al-jazeera-inventou.html" target="_blank">VioMundo</a>.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos dias de hoje os guerreiros humanitários estão se gabando, graças à proclamada vitória na Líbia. A única superpotência do mundo, com o apoio moral, militar e mercenário dos amantes da democracia do emirado do Qatar e com os poderes imperialistas históricos da Grã Bretanha e da França, foi capaz de esmagar sem surpresa o governo estabelecido de um estado esparsamente habitado do norte da África em apenas sete meses. O país foi violentamente ‘liberado’ e deixado para quem quiser pegar. Quem vai ficar com qual pedaço, entre as milícias armadas, as tribos e os islamistas da jihad, não é do interesse da mídia ocidental ou dos humanitários mais do que era a Líbia antes da TV do Qatar, a Al Jazeera, despertar o zelo cruzadista em fevereiro, com reportagens não-documentadas sobre atrocidades iminentes*.</p>
<p style="text-align: justify;">A Líbia pode mergulhar de volta na obscuridade enquanto os campeões ocidentais de sua destruição brilham sob os refletores. Para apimentar a auto-congratulação, eles dedicam alguma atenção aos pobres palhaços que se negaram a embarcar na mesma canoa.</p>
<p style="text-align: justify;">Nos Estados Unidos, mas ainda mais na França, os que se opuseram ao partido da guerra foram poucos em número e foram ignorados. Mas não deixa de ser uma oportunidade para isolá-los ainda mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Em seu artigo, “Líbia e a esquerda: Benghazi e depois”, Michael Bérubé usa a ocasião para juntar os críticos da guerra sob o rótulo de “maniqueístas da esquerda” que, segundo ele, simplesmente respondem com oposição automática ao que fizerem os Estados Unidos. Ele e os de sua turma, por contraste, refletem profundamente e apresentam razões para bombardear a Líbia.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele começa dizendo:</p>
<p style="text-align: justify;">“No fim de março de 2011, um massacre foi evitado — não qualquer tipo de massacre. Pois se Kadafi e suas forças conseguissem esmagar a rebelião líbia em seu quartel-general de Benghazi, os choques resultantes teriam reverberado muito além do leste da Líbia. Como Tom Malinowski da Human Rights Watch escreveu, ‘a vitória de Kadafi — junto com a queda de Mubarak no Egito — teria sinalizado para os governos autoritários da Síria à Arábia Saudita à China que se você negociar com manifestantes você perde, mas se você matá-los você ganha…’”.</p>
<p style="text-align: justify;">“Os ataques liderados pela OTAN contra as forças de Kadafi, na verdade, fizeram mais que prevenir uma catástrofe humanitária na Líbia — embora deve-se reconhecer que apenas isso seria justificativa suficiente. Ajudaram a manter viva a Primavera Árabe…”</p>
<p style="text-align: justify;">Mas tudo isso é perfeitamente hipotético.</p>
<p style="text-align: justify;">Qualquer massacre que tenha sido evitado em março, outros massacres aconteceram em vez daquele, mais tarde.</p>
<p style="text-align: justify;">Ou seja, se esmagar uma rebelião armada é massacre, uma rebelião armada vitoriosa também implica em massacre, e assim temos uma escolha entre massacres.</p>
<p style="text-align: justify;">E, se as propostas de mediação da América Latina e da África tivessem sido consideradas, o massacre hipotético poderia ter sido evitado por outros meios, mesmo que a rebelião armada tivesse sido derrotada — uma hipótese que o partido pró-guerra se negou a considerar desde o início.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas ainda mais hipotética é a noção de que o fracasso da rebelião líbia teria danificado fatalmente a “Primavera Árabe”. Isso é especulação pura, sem qualquer fiapo de prova.</p>
<p style="text-align: justify;">Os governos autoritários certamente não precisavam de uma lição para ensiná-los a lidar com manifestantes, o que em último caso depende dos meios políticos e militares à disposição deles. Mubarak perdeu não por ter negociado com os manifestantes, mas porque o Exército financiado pelos Estados Unidos decidiu abandoná-lo. Em Bahrain, a Arábia Saudita ajudou a matar manifestantes. De qualquer forma, os governantes autoritários árabes, inclusive o emir do Qatar, odiavam Kadafi, que tinha a mania de denunciar a hipocrisia deles em encontros internacionais. Eles ficaram felizes com a queda de Kadafi.</p>
<p style="text-align: justify;">Esses argumentos pró-guerra estão na mesma classe das “armas de destruição em massa” do Iraque ou da ameaça de “genocídio” em Kosovo — perigos hipotéticos usados para justificar a guerra preventiva. “Guerra preventiva” é o que permite a um superpoder militar, tão poderoso que nunca precisou se defender de ataque estrangeiro, atacar outros países. Caso contrário, qual é a justificativa para se ter um exército se não podemos usá-lo?, como perguntou certa vez [a ex-secretária de Estado] Madeleine Albright.</p>
<p style="text-align: justify;">Mais adiante em seu artigo, Bérubé cita seu colega guerreiro humanitário Ian Williams, que argumentou que a série de objeções à intervenção na Líbia “foge da questão crucial: o mundo deveria deixar civis líbios morrer nas mãos de um tirano?”. Ou, em outras palavras, a “pergunta-chave” é: “Quando um grupo de pessoas que está prestes a ser massacrado pede ajuda, o que você faz?”.</p>
<p style="text-align: justify;">Com esta seleção de perguntas “cruciais” e “chaves”, explorando o sentimento de culpa, Bérubé e Williams varrem de lado todas as objeções legais, éticas e políticas ao ataque da OTAN na Líbia.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas nada autorizava estes senhores a decidir qual é a “questão-chave”. Na realidade, a “questão-chave” deles levantava uma série de outras questões.</p>
<p style="text-align: justify;">Primeira delas: Qual grupo de pessoas? Elas estão mesmo perto de ser massacradas? Qual é a fonte desta informação? Teria havido exagero? Ou teria havido invenção pura e simples, com o objetivo de forçar poderes estrangeiros a intervir?</p>
<p style="text-align: justify;">Um jovem cineasta francês, Julien Teil, fez uma entrevista marcante com o secretário-geral da Liga de Direitos Humanos da Líbia, Slimane Bouchuiguir, na qual ele admite candidamente que “não tinha provas” das alegações feitas perante a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, que levaram à expulsão imediata do representante oficial da Líbia e, a partir disso, às resoluções da ONU autorizando o que viria a ser a troca de regime feita pela OTAN. Na verdade, nenhuma prova foi produzida do “bombardeio a civis líbios” denunciado pela Al Jazerra, o canal de TV financiado pelo emir do Qatar, que emergiu com uma grande fatia dos negócios de petróleo líbios depois da “guerra de libertação” da qual o Qatar participou.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="continue" href="http://wp.me/pX3cP-JG" target="_blank">Continue lendo »</a></p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-2832"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Imagine agora quantos grupos minoritários existem em países de todo o mundo que adorariam ter a OTAN bombardeando o caminho para que eles chegassem ao poder. Se tudo o que tiverem de fazer for encontrar um canal de TV que noticie suas alegações de que estão prestes “a ser massacrados”, a OTAN vai ficar ocupada pelas próximas décadas, para alegria dos intervencionistas humanitários.</p>
<p style="text-align: justify;">Um traço saliente deste grupo é sua seletividade. De um lado, eles automaticamente descartam todas as declarações oficiais vindas de governos “autoritários” como propaganda falsa. De outra parte, eles parecem nunca notar que as minorias têm interesse em mentir sobre sua condição com o objetivo de obter apoio externo. Eu observei isso em Kosovo. Para a maioria dos albaneses, era uma questão de dever  com seu grupo nacional dizer o que quer que fosse necessário para conquistar o apoio de estrangeiros para sua causa. A verdade não era um critério importante. Não é necessário culpá-los por isso, mas também não é obrigatório acreditar neles. A maioria dos repórteres que esteve em Kosovo, sabendo que isso agradaria aos editores, baseou seus despachos em quaisquer que fossem as lendas contadas a eles por albaneses que queriam que a OTAN separasse Kosovo da Sérvia. Foi o que aconteceu.</p>
<p style="text-align: justify;">Na verdade, é sábio ter cautela sobre o que todos os lados dizem em conflitos étnicos ou religiosos, especialmente em países com os quais não se tem intimidade familiar. Talvez as pessoas não mintam na homogênea Islândia, mas na maior parte do mundo a mentira é uma forma normal de promover os interesses de grupo.</p>
<p style="text-align: justify;">A importante “questão-chave” sobre como responder “a um grupo de pessoas prestes a ser massacrado” é um golpe retórico destinado a tirar o problema do campo da realidade contraditória para levá-lo à esfera de ficção puramente moralista. Sugere que “nós” no Ocidente, inclusive o mais passivo dos telespectadores, temos o conhecimento e a autoridade moral para julgar e agir sobre qualquer evento em qualquer parte do mundo. Não é o caso.</p>
<p style="text-align: justify;">E o problema é que as instituições intermediárias, que possuem o conhecimento que se requer e a autoridade moral, foram ou tem sido enfraquecidas ou subvertidas pelos Estados Unidos em sua insaciável busca por mais do que consegue mastigar. Como os Estados Unidos têm poderio militar, promovem o poder militar como solução para todos os problemas. A diplomacia e a mediação estão sendo crescentemente negligenciadas e desprezadas. Isso não é deliberado, nem resultado de um política pensada, mas resultado automático de 60 anos de crescimento da máquina militar.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>A verdadeira questão crucial</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Na França, onde o presidente Nicolas Sarkozy lançou a cruzada anti-Kadafi, a unanimidade pró-guerra foi maior que nos Estados Unidos. Uma das poucas personalidades proeminentes da França que falaram contra a guerra foi Rony Brauman, um ex-presidente do Médicos Sem Fronteiras, e um crítico da ideologia da “intervenção humanitária” promovida por outro ex-líder do MSF,  Bernard Kouchner. A edição de 24 de novembro do <strong>Le Monde </strong>trouxe um debate entre Brauman e o maior promotor da guerra, Bernard-Henry Lévy, que trouxe à tona a verdadeira questão crucial.</p>
<p style="text-align: justify;">O debate começou com algumas disputas sobre fatos. Brauman, que inicialmente apoiou a noção de intervenção limitada para proteger Benghazi, disse que rapidamente mudou de ideia depois de se dar conta de que as ameaças envolvidas eram uma questão de propaganda, não de realidade observável. Os ataques aéreos contra as manifestações em Trípoli foram “uma invenção da Al Jazeera”, ele observou.</p>
<p style="text-align: justify;">Ao que Bernard-Henri Lévy respondeu, no estilo marca-registrada dele de mentira indignada. “O que? Uma invenção da Al Jazeera? Como você, Rony Brauman, pode negar a realidade daqueles jatos que mergulhavam para metralhar manifestantes em Tripoli que todo o mundo viu?” Pouco importa que o mundo nunca tenha visto isso. Bernard-Henri Lévy sabe que o que quer que ele diga será ouvido na TV e lido em jornais, sem necessidade de provas. “De um lado, você tinha um exército super equipado por décadas e preparado contra um levante popular. De outro você tinha civis desarmados”.</p>
<p style="text-align: justify;">Quase nada disso foi verdadeiro. Kadafi, temendo um golpe militar, manteve seu exército relativamente fraco. O muito denunciado equipamento militar ocidental nunca foi usado e as compras de Kadafi, como as feitas por estados ricos em petróleo, foram mais um favor aos fornecedores ocidentais que uma contribuição eficaz para a defesa. Além disso, o levante na Líbia, em contraste com protestos em países da região, era claramente um levante armado.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas além da questão factual, a questão crucial no debate entre os dois franceses era de princípio: a guerra é ou não boa?</p>
<p style="text-align: justify;">Perguntado se a guerra na Líbia marca a vitória do direito à intervenção, Brauman respondeu:</p>
<p style="text-align: justify;">“Sim, sem dúvida… Alguns festejam a vitória. De minha parte, deploro, porque vejo que houve a reabilitação da guerra como forma de resolver conflitos”.</p>
<p style="text-align: justify;">Brauman concluiu: “Além da frivolidade com a qual o Conselho Nacional de Transição, cujos membros eram desconhecidos, foi imediatamente apresentado por Bernard-Henri Lévy como um movimento democrata secular, existe uma certa ingenuidade em querer ignorar o fato de que a guerra cria dinâmicas que favorecem os radicais, em detrimento dos moderados. Essa guerra não acabou. Ao fazer a escolha de militarizar a revolta, o CNT deu aos mais violentos sua oportunidade. Ao apoiar a opção em nome da democracia, a OTAN assumiu uma responsabilidade pesada, além de seus meios. É porque a guerra é uma coisa ruim em si que não devemos promovê-la…”</p>
<p style="text-align: justify;">Bernard-Henri Lévy ficou com a última palavra: “A guerra em si não é uma coisa ruim! Se torna possível evitar violência pior, é um mal necessário — essa é a teoria completa da guerra justa”.</p>
<p style="text-align: justify;">A ideia de que este princípio existe é “como uma espada de Damocles sobre as cabeças de tiranos que se consideram os donos de seus povos, o que já é um progresso formidável”. Bernard-Henri Lévy está feliz com a ideia de que  desde o fim da guerra na Líbia, Bashir Al Assad e Mahmoud Ahmadinejad dormem pior. Em resumo, ele celebra a perspectiva de novas guerras.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, esta é a pergunta-chave crucial: a guerra é ruim em si? Bauman diz que sim e a estrela da mídia conhecida como BHL diz que não, “se torna possível evitar violência maior”. Mas qual violência é pior que a própria guerra? Quando a maior parte da Europa ainda estava em ruínas, depois da Segunda Guerra Mundial, o tribunal de Nuremberg proclamou seu julgamento final:</p>
<p style="text-align: justify;">“A guerra é em si uma coisa diabólica. Suas consequências não ficam apenas nos estados beligerantes, mas afetam todo o mundo. Iniciar uma guerra de agressão, portanto, não é apenas um crime internacional; é o supremo crime internacional, diferente de outros crimes de guerra porque contém em si a maldade acumulada do todo”.</p>
<p style="text-align: justify;">De fato, a Segunda Guerra Mundial continha em si “a maldade acumulada do todo”: as mortes de 20 milhões de cidadãos soviéticos, Auschwitz, o bombardeio de Dresden, Hiroshima e Nagasaki e muito, muito, muito mais.</p>
<p style="text-align: justify;">Sessenta anos depois, é fácil para norte-americanos e europeus ocidentais, com suas vidas ainda relativamente confortáveis e seu narcissismo incentivado pela ideologia dos “direitos humanos”, contemplar o início de guerras “humanitárias” para “salvar vítimas” — guerras nas quais eles não correm maior risco do que quando jogam videogame.</p>
<p style="text-align: justify;">Kosovo e Líbia são as guerras humanitárias perfeitas: nenhum ferido, nem mesmo um arranhão nos bombardeiros da OTAN e nem mesmo a necessidade de ver derramamento de sangue no solo. Com o desenvolvimento da guerra por aviões não tripulados, tais guerras seguras, à distância, abrem a perspectiva de “intervenção humanitária” sem riscos, o que pode permitir a celebridades ocidentais como Bernard-Henri Lévy posar como campeões hipotéticos em defesa de vítimas de hipotéticos massacres hipoteticamente evitados por guerras reais.</p>
<p style="text-align: justify;">A “pergunta-chave”? Há muitas questões importantes resultantes da guerra na Líbia e muitas razões importantes e válidas para se opor a ela e continuar se opondo. Como na guerra em Kosovo, deixou um legado de ódio no país-alvo, cujas consequências envenenam a vida das pessoas que vivem nestes países por gerações. Isso, naturalmente, não é de interesse particular das pessoas no Ocidente, que não prestam atenção nos danos humanos causados por sua matança humanitária. É apenas o resultado menos visível de tais guerras.</p>
<p style="text-align: justify;">De minha parte a questão chave, que motiva minha oposição à guerra da Líbia, é o que ela significa para os Estados Unidos e o mundo. Por mais de meio século, os Estados Unidos tem sido canibalizados pelo complexo industrial-militar, que infantilizou a moral do país, desperdiçou sua riqueza e solapou sua integridade política. Nossos líderes políticos não são genuínos, mas foram reduzidos ao papel de apologistas deste monstro, que tem seu próprio moto burocrático — bases que proliferam no mundo, buscando e criando estados clientes servis, provocando desnecessariamente poderes como a Rússia e a China. O dever político primário de norte-americanos e seus aliados europeus deveria ser o de reduzir e desmantelar esta máquina militar gigantesca, antes que nos leve a todos, inadvertidamente, ao “supremo crime internacional” sem retorno.</p>
<p style="text-align: justify;">Assim, minha principal oposição a esta recente guerra é que, precisamente num momento em que alguns em Washington estavam hesitantes, “intervencionistas humanitários” como Bernard-Henri Lévy, com sua pretensão sofista de “R2P”, “proteger civis inocentes”, alimentaram e encorajaram o monstro, ao oferecer a ele “as frutas fáceis de colher” de uma vitória na Líbia. Isso tornou a luta para trazer paz e sanidade ao mundo ainda mais difícil do que já era.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>DIANA JOHNSTONE</strong> é autora de <strong>Fools Crusade: Yugoslavia, NATO and Western Delusions</strong>. Ela responde e-mails no <strong>diana.josto@yahoo.fr</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>*****<br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>*</strong>Em ‘<a href="http://www.lrb.co.uk/v33/n22/hugh-roberts/who-said-gaddafi-had-to-go"><strong>Who Said Gadafi had to Go’</strong></a>, no <strong>London Review of Books</strong>, Hugh Roberts também sustenta que os ataques aéreos por parte de aviões militares de Kadafi contra manifestantes, denunciados pela Al Jazeera, não aconteceram:</p>
<p style="text-align: justify;">“Em 21 de fevereiro o mundo ficou chocado com as notícias de que o regime de Kadafi estava usando a força aérea para massacrar manifestantes pacíficos em Tripoli e outras cidades. A principal divulgadora dessa notícia foi a al-Jazeera mas o assunto foi rapidamente replicado pela rede Sky, pela CNN, BBC, ITN e outros. Antes do dia acabar a ideia de impor uma zona de exclusão aérea na Líbia era amplamente aceita, assim como a ideia do Conselho de Segurança impor sanções e um embargo de armas, congelar os bens da Líbia e indicar Kadafi e aliados ao Tribunal Penal Internacional, sob a acusação de cometer crimes contra a humanidade. A resolução 1970 foi aprovada cinco dias depois e a proposta de uma zona de exclusão aérea monopolizou as discussões internacionais sobre a crise na Líbia dali por diante.</p>
<p style="text-align: justify;">[...]</p>
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		<title>Heloisa Villela: Polícia de NY tentou impedir mídia de registrar destruição</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2011 14:51:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Eram cinco mil livros. Uma biblioteca montada de forma espontânea e informal, ao longo dos últimos dois meses, que ocupava um dos cantos da Praça Zuccotti. A Polícia de Nova York juntou todos os volumes, misturou os títulos aos utensílios da cozinha comunitária, aos tambores, sacos de dormir e barracas. Com o apoio logístico dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/themes/retromania/retromania/images/CHAMADA-dosediaria.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">Eram cinco mil livros. Uma biblioteca montada de forma espontânea e informal, ao longo dos últimos dois meses, que ocupava um dos cantos da Praça Zuccotti. A Polícia de Nova York juntou todos os volumes, misturou os títulos aos utensílios da cozinha comunitária, aos tambores, sacos de dormir e barracas. Com o apoio logístico dos garis municipais jogou tudo em grandes sacos de plástico e de lá, para os caminhões de lixo.</p>
<div id="attachment_2757" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-2757" title="Praça-Zuccotti" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2011/11/Praça-Zuccotti-300x228.jpg" alt="" width="300" height="228" /><p class="wp-caption-text">Voltamos à Idade Média?</p></div>
<p style="text-align: justify;">A resposta do movimento pacífico, que quer muito mais do que apenas uma praça da cidade, foi bem articulada por Gabriel Johnson, em entrevista ao programa de rádio <strong>DemocracyNow!</strong>:</p>
<p style="text-align: justify;">“Um dos grandes erros de avaliação deles é achar que o movimento se limita ao parque. O movimento está em nossas mentes: é uma ideia. É estar aqui, as conversas que temos e que levamos conosco para qualquer lugar. Os grupos de trabalho continuam funcionando 100% e temos esta coisa maravilhosa chamada internet. Não sei se os policiais já ouviram falar disso, mas eles não podem fechar a internet. Eles podem até tentar, mas ainda assim teremos acesso às nossas ideias e ainda temos a habilidade e a oportunidade de dividir nossas ideias”.</p>
<p style="text-align: justify;">A cozinha pública e comunitária foi proibida. Mas a criatividade deu conta do problema. A comida agora é feita há uma quadra do parque e vai, de mão em mão, sustentar quem está ali, sem cadeira, barraca ou qualquer outro aparato. Vídeos e mensagens continuam circulando na internet.</p>
<p style="text-align: justify;">A operação para desmontar o acampamento e tentar calar o chamado Ocuppy Wall Street, deflagrada na calada da noite, foi muito bem pensada, apesar de ter fracassado em boa medida. As ruas de acesso à praça foram fechadas. Várias estações de metrô das redondezas também. A quadra escolhida como área física para dar voz ao que pensa boa parte da população americana se transformou em zona militar. É quase sempre assim: governos que se sentem ameaçados por ideias e questionamentos tentam barrar o fluxo com escudos e cassetetes.  Uma atitude que só confirmou o que vêm dizendo muitos dos envolvidos nesse movimento: não é apenas a economia americana que está falida. A democracia do país também foi pro brejo. Faz tempo.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="continuelendo" href="http://wp.me/pX3cP-Ir">Clique aqui para continuar lendo »</a><span id="more-2755"></span></p>
<p style="text-align: justify;">No mesmo programa de rádio citado acima, o depoimento do policial aposentado do Departamento de Polícia da Filadélfia, Ray Lewis:</p>
<p style="text-align: justify;">“Estou aqui porque estou cansado de ver o sofrimento de tantas pessoas enquanto 1% da população está acumulando toda a riqueza nas costas dos trabalhadores. A polícia faz parte dos 99%. Infelizmente, não se deram conta ainda. Mas o que eles estão fazendo é impor a lei dos ditadores, que são 1%. E eles também estão sofrendo cortes em suas pensões, tem seus salários reduzidos e nem se dão conta”.</p>
<p style="text-align: justify;">O que surpreendeu foi a tenacidade dos que foram empurrados dali para fora. Dos que não são ouvidos e não se sentem representados pelo sistema-teatro bipartidário americano.  Mais de 200 manifestantes foram presos. A polícia prometeu devolver os pertences coletados durante a noite. Eles seriam depositados no Departamento de Saneamento Básico. Mentira pura. Conversando com os motoristas das caçambas, manifestantes descobriram que a ordem era clara: levar tudo para o lixão.</p>
<p style="text-align: justify;">O que se deu em Nova York não foi uma ação isolada da Prefeitura. Em entrevista a BBC, Jean Quan,  prefeita de Oakland, na Califórnia, deixou escapar: “Acabo de participar de uma conferência telefônica com outros 18 líderes de cidades do país que estão enfrentando a mesma situação”. Outra não-coincidência foi a operação policial casada com a viagem do Presidente Barack Obama. Ele estava bem longe, na Austrália, quando tudo aconteceu.</p>
<p style="text-align: justify;">A jornalista Amy Goodman, que apresenta o programa<strong> DemocracyNow!</strong> correu para o parque assim que soube da movimentação da polícia:</p>
<p style="text-align: justify;">“Os poucos de nós da imprensa que conseguimos furar o bloqueio da polícia fomos limitados a uma área que fica do outro lado da rua, diante da praça Zuccotti. Assim que nossas câmeras foram ligadas, estacionaram dois ônibus diante de nós para bloquear a visão. Eu e meus colegas conseguimos nos meter no parque e subimos nos montes de barracas e sacos de dormir empilhados. A polícia tinha conseguido impor um bloqueio quase completo da mídia para evitar o registro da destruição”.</p>
<p style="text-align: justify;">Não houve meio de evitar o registro.</p>
<p style="text-align: justify;">Por Heloisa Villela, de Washington. Via <a title="viomundo" href="http://www.viomundo.com.br/politica/heloisa-villela-policia-de-ny-tentou-impedir-a-midia-de-registrar-a-destruicao-de-acampamento.html" target="_blank">VioMundo</a>.</p>
<div id="attachment_2756" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2011/11/biblioteca.jpg"><img class="size-medium wp-image-2756" title="biblioteca" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2011/11/biblioteca-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">A biblioteca, antes da destruição. Foto por Luiz Carlos Azenha.</p></div>
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