Cidade oferece passe vitalício de transporte em troca de carros

A cidade de Murcia, na Espanha, lançou a campanha “Mejor en Tranvía” em que oferece passe gratuito e vitalício para transporte público do sistema VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) aos cidadãos que estiverem dispostos a abandonar seus carros.

Além de promover o sistema VLT, a campanha, que funciona desde maio, visa a redução dos congestionamentos e a poluição do ar na cidade. A população atual é de 440 mil pessoas, sendo que a maior parte delas depende exclusivamente de veículos particulares. O passe é só o primeiro passo para reduzir o número de motoristas. A cidade já recolheu alguns veículos livres de dívidas e em funcionamento e agora irá desmontá-los.

Notícia retirada da EXAME.

E na dose homeopática dessa semana gostaria que vocês fizessem uma pequena, digamos, comparação. Enquanto sociedades em diferentes partes do mundo estão procurando diminuir o uso de carros, para melhorar a livre circulação de pessoas pela cidade, diminuir o uso de recursos naturais e aumentar a qualidade de vida… o que nós estamos fazendo no nosso país?

Pobres têm que comer comida com agrotóxicos, sim!

Veneno à mesa, de Silvio Tendler. Via Viomundo.

Na homeopatia dessa semana apresento à vocês um documentário de embrulhar o estômago. Que a agricultura é altamente predatória ao meio ambiente e que a terra é altamente concentrada no Brasil… hmm tudo bem, né? Capitalismo e tal, problema do MST…

Agora, e quando você descobra que está intoxicando os seus filhos sem saber?
Acho que o buraco é mais embaixo, não é?




Tivemos opção. Acho que esse vídeo mais do que nunca faz sentido. Se você ainda não entendeu, clique aqui.

Juan Cole: Um balanço da revolução popular

Os seis principais casos ainda não resolvidos no Oriente Médio.

1. JORDÂNIA. Cerca de 6.000 manifestantes marcharam na 6ª-feira na Jordânia. Querem transformar a monarquia jordaniana em monarquia constitucional ao estilo europeu e a volta, sem as emendas posteriores, da Constituição de 1952.

2. TUNÍSIA. Cerca de 100 mil tunisianos saíram às ruas em Túnis, na 6ª-feira. Querem a renúncia do primeiro-ministro interino Mohamed Ghannouchi. O governo interino marcou eleições para meados de julho, principal demanda dos manifestantes. Também dissolveu o partido Rally for Constitutional Democracy, que estava no poder antes da queda do ditador. Mas os manifestantes não confiam que Ghannouchi – importante quadro do governo deposto de Zine El Abdidin Ben Ali – seja capaz de garantir a lisura das eleições. Ghannouchi está tentando ganhar popularidade, confiscando os bens de personagens do círculo íntimo e corrupto de Ben Ali, mas, até agora, ainda não conseguiu separar-se da reputação de ser, ele também, do mesmo círculo.

ATUALIZAÇÃO: O ministro interino da Tunísia renunciou hoje, domingo, 27/2/2001, conforme notícia da BBC, às 13h28, ao vivo.

Imagens das manifestações no Egito

3. EGITO. Dezenas de milhares de manifestantes voltaram à praça Tahrir no centro do Cairo, na 6ª-feira, exigindo o fim das leis de emergência que suspenderam todas as liberdades civis no Egito há 30 anos. Querem também que o primeiro-ministro Ahmad Shafiq, nomeado pelo presidente deposto Hosni Mubarak, deixe o cargo, sem o que não haverá real ruptura com o velho regime. O exército egípcio impediu que a multidão cercasse a residência do primeiro-ministro para protestar e houve feridos entre os manifestantes.

4. BAHRAIN. Cerca de 200 mil manifestantes marcharam pelo centro de Manama, capital do Bahrain, na 6ª-feira. Querem que a monarquia seja convertida em monarquia constitucional, com liberdades civis plenamente garantidas. Querem também que o primeiro-ministro deixe o cargo. O rei já demitiu três outros ministros do mesmo Gabinete.

5. IÊMEN. Em Aden, os manifestantes exigem a expulsão do ditador Ali Abdullah Saleh. Houve quatro mortos e duas dúzias de feridos, quando as forças de segurança atacaram os manifestantes.

6. LÍBIA. As forças de segurança do ditador retiraram-se do bairro operário de Tajoura no sábado, depois de vários dias de ataques aos manifestantes, tentando dispersar as multidões. Falharam. Se Gaddafi já está perdendo áreas importantes da capital, aquela ditadura pode estar com os dias contados.

Os manifestantes no Egito e na Tunísia, até agora, só alcançaram sucesso parcial: afastaram um ditador, mas ainda sem saber como se farão reformas genuínas.  Os líbios ainda sequer afastaram o ditador Gaddafi. E no Bahrain, Iêmen e Jordânia, todos os clamores populares por reformas econômicas e políticas genuínas continuam a cair em ouvidos surdos.

27/2/2011, Juan Cole, Informed Comment. Via VioMundo.

Em defesa da reforma agrária

Você concorda com o latifúndio e a desigualdade social?

“Poucos no Brasil tem muita terra. E muitos, milhares de pessoas, tem muito pouco”. É o que afirma Ariovaldo Umbelino, professor da Universidade de São Paulo. Transformar essa realidade é um dos objetivos do Plebiscito Nacional pelo limite da propriedade da terra, que vai até o dia 7 de setembro em todo o país.

A votação é parte da Campanha Nacional pelo limite da propriedade da terra, promovida pelo Fórum Nacional de Reforma Agrária, que conta com o apoio de movimentos sociais, entidades religiosas, sindicatos e outras organizações.

Para o Padre Nelito Dornelles, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “o plebiscito é uma ferramenta de diálogo com a sociedade. É uma parte importante da campanha, uma maneira didática de conscientizar a população”.

Desigualdade evidente

Willian Clementino, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, defende a agricultura familiar, “Agronegócio não gera emprego. Se você pegar o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), agricultura familiar tem muito mais capacidade de gerar emprego”. “Nosso principal programa de FOME ZERO é a Reforma Agrária”, afirma.

Estudos desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em parceria com outros ministérios, revela que enquanto na agricultura empresarial, em média, emprega-se 1 trabalhador para cada 100 hectares cultivados, na familiar a relação é de apenas 10 hectares por trabalhador.

“Se tomarmos um indicador clássico, o índice de GINI, sabemos que em 1972 o Brasil possuía 0,854. O índice vai de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1 maior a concentração de terra e de renda. Em 2006, último ano em que houve a pesquisa, o índice do GINI brasileiro continuava 0,854. 30 anos se passaram e a estrutura agrária continua absolutamenta mesma”, afirmou o professor Ariovaldo.

Direito autoral em debate

Uso da xerox é uma constante nas universidades brasileiras. Foto: Carícia Temporal

O Ministério da Cultura (MinC) abriu para consulta pública, no começo de junho, o anteprojeto de lei que reforma a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98 – LDA). As mudanças têm sido debatidas desde 2007, por meio de fóruns presenciais em várias cidades do Brasil. O texto estará na internet até o dia 28 de julho.

A revisão, de acordo com o próprio Ministério, é necessária, pois a legislação atual, dentre outros motivos, restringe excessivamente os usos privados e educacionais das obras. Ações usuais, como a cópia de músicas de um CD original para um pendrive são vedadas pela lei de 1998. Segundo estudo divulgado no começo do ano pela Consumers International, do total de 34 países, o Brasil ocupa o sétimo lugar na lista dos piores facilitadores de acesso ao conhecimento, atrás de países como Bangladesh, Paquistão, África do Sul, Índia e Argentina.

No site da reforma, há uma página com o conteúdo original da lei e outra com o texto de lei proposto. Qualquer pessoa pode se cadastrar no portal e sugerir alterações. O mesmo sistema colaborativo já foi utilizado para a elaboração do “Marco Civil da Internet”, anteprojeto de lei que pretende regulamentar os direitos e deveres do Estado e do usuário na internet. Mais de 1500 comentários e contribuições foram recebidas pelo Ministério da Justiça e o projeto deve ser enviado para o Congresso nos próximos meses. A expectativa é que o movimento siga o exemplo.

Para Paulo Rená, bacharel em Direito pela UnB e um dos condutores do Marco Civil da Internet, a reforma da LDA está na direção certa: “É interessante que o Brasil está sendo um protagonista mundial nessa Reforma. Nos outros países, a legislação que existe hoje caminha na direção de endurecer os direitos autorais, e o que o Brasil está fazendo é fortalecer a cultura. Há o entendimento de que está desequilibrado, que a cultura perde em relação à propriedade privada”.

Como o tema é interessante, fiz um podcast para a matéria: