Por que a mídia não destaca os hackers de verdade?

Por Jomar Silva, do Trezentos

Há quase dois anos, meus ouvidos se entupiram de ouvir delinquentes digitais sendo chamados de “Hackers” na mídia brasileira, e foi com a paciência bem curta que escrevi um texto que recebe comentários até hoje aqui no Trezentos. É o texto “Sou um hacker e me orgulho muito disso !”.

Estamos novamente em dias complicados, pois novamente vemos delinquentes digitais “aparecendo” na mídia, por terem “tirado do ar” e “atacado” sites de governo como “forma de protesto”… Olha como é difícil (clique aqui para acessar tutorial no youtube) fazer um protesto como o deles (aliás me pergunto aqui quantos deles viram este vídeo e decidiram “virar hackers”).

Foto de um típico hacker em seu habitat natural

Acho engraçado ver alguém usar um ataque DDoS como “forma de protesto”, por dois motivos básicos:

1. Ataque DDoS é uma imensa covardia, possibilitada hoje em dia por redes de bots hospedados em computadores “com aquele” sistema operacional. E você não precisa assim ser um Magaiver para ter acesso a uma botnet dessas.

2. Protesto sem mostrar a cara não é protesto, é molecagem !

É bom deixar claro aqui, que o máximo que um ataque DDoS consegue fazer é tirar um site do ar… no máximo… Isso aliás me lembra aquela “forma de protesto” que faziamos nos anos 80 contra os “nossos opressores”… o bom e velho tocar a campainha e sair correndo… parece que não, mas era um DDoS também.

O que escrevo aliás, é um protesto, e estou mostrando a cara ! Claro que nem todo mundo é homem para fazer isso, mas eu confesso que entendo… já fui adolescente com o rosto cheio de espinhas, sem vida social e com a compreenção política de uma ameba… mas eu cresci, e espero que os “hackers” da moda também cresçam um dia.

Neste vídeo o autor ensina como programar um ataque DDOS e tirar um site do ar.

Falando em crescimento, eu realmente gostaria de ver estes garotos que estão hoje fazendo molecagem em sites do governo usarem seu talento em programação (se é que eles tem talento de verdade), e trabalharem em projetos como o Transparência Hacker.

Ali sim encontramos Hackers de verdade, utilizando seus conhecimentos em TI para fazer um protesto real, construíndo ferramentas para levar transparência às contas públicas. Com o seu talento, estão dando à toda a sociedade a capacidade de entender os relatórios disformes e desconexos publicados pelos mais diversos entes governamentais.

Ao conectar as informações dispersas de forma absolutamente intuitiva, eles de fato protestam contra aqueles que ainda acreditam que conseguem se esconder atrás das estruturas públicas. Para estes garotos e garotas eu realmente tiro o meu chapéu e não canso de elogia-los pelo seu trabalho. São Hackers de verdade, fazendo um protesto de verdade, com consciência política de verdade.

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Fica aqui então o convite duplo:

1. Para a mídia dar mais publicidade aos Hackers de verdade.

2. Para que os “hackers” que andam derrubando sites por aí façam uma reflexão e se por acaso se acharem bons de verdade, para que façam um protesto construtivo e efetivo, trabalhando na Transparência Hacker… Mostrar a cara também seria uma boa, mas entendo que dá medinho…

Deixo um abraço deste Hacker de verdade, velho de guerra e que também já foi incendiário. Hoje não passa de um cansado bombeiro, e não tem medo de mostrar a cara, pois só assim se protesta de verdade!

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Notadocomprimido: a linguagem do texto talvez seja um pouco ‘hacker’ ou ‘nerd’ demais, mas acho que dá para todo mundo entender bem apesar dos pesares.

Discordo do autor quando ele diz que protesto sem mostrar a cara é molecagem. Depende da situação. Depende dos objetivos.

Mas a questão que estamos discutindo aqui é o velho padrão midiático de enxergar as coisas tomando a parte pelo todo e culpando todo um grupo pela ação de alguns elementos. Nem todo hacker é “do mal”. Nem todo jogador de RPG faz rituais ligados ao demônio (isso, na verdade, não tem absolutamente nada haver mesmo). É esse modo de ver o mundo e de encarar os problemas que deve mudar.

Por que a mídia não dá destaque aos hackers de verdade? A mídia tem interesses comerciais. Interesses estes que muitas vezes vão contra a liberdade de informação e a liberdade individual dos cidadões. Em outras palavras, estamos, na maioria das vezes, do outro lado da trincheira. É nosso papel, enquanto hackers e enquanto internautas comuns, continuarmos pressionando a mídia para que ela ofereça informação de qualidade. Como? Oferecendo nós mesmos este tipo de informação.

Portuga Diário #10: Protesto! Geração à rasca!


Olá pessoal!

Eu sei que ainda estou devendo a vocês um relato do Carnaval aqui no Porto, mas essa semana teve uma manifestação gigantesca aqui no país e não poderia deixar de comentar. Para comemorar o décimo #portugadiário nada melhor do que um assunto sério, não acham? =]

Portugal está passando por muitas dificuldades com a crise econômica, principalmente no que diz respeito ao aumento do desemprego de longa duração. O mercado de trabalho está se fechando e, neste momento em que o governo deveria estar investindo mais do que nunca na economia, está fechando os cofres pra ver se consegue atrair investimentos do exterior. Leia-se especuladores, que não trarão riqueza nenhuma a esse povo.

Várias medidas de arroxo econômico, entre elas corte das pensões e diminuição de investimentos (por exemplo, a Universidade do Porto tá tendo que cortar gastos), já foram anunciadas.

O protesto foi organizado como uma maneira da população, principalmente a juventude, mostrar ao país que não aceita esse estado das coisas e que quer mudanças. Nunca na história desse país, para usar uma frase pouco conhecida por nós (hehe), teve tanto jovem formado, com mestrado, doutorado – e desempregado.

Abaixo segue a manifesto retirado do site oficial do movimento:
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Nós, desempregados, “quinhentoseuristas” e outros mal remunerados, escravos disfarçados, subcontratados, contratados a prazo, falsos trabalhadores independentes, trabalhadores intermitentes, estagiários, bolseiros, trabalhadores-estudantes, estudantes, mães, pais e filhos de Portugal.

Nós, que até agora compactuámos com esta condição, estamos aqui, hoje, para dar o nosso contributo no sentido de desencadear uma mudança qualitativa do país. Estamos aqui, hoje, porque não podemos continuar a aceitar a situação precária para a qual fomos arrastados. Estamos aqui, hoje, porque nos esforçamos diariamente para merecer um futuro digno, com estabilidade e segurança em todas as áreas da nossa vida.

Protestamos para que todos os responsáveis pela nossa actual situação de incerteza – políticos, empregadores e nós mesmos – actuem em conjunto para uma alteração rápida desta realidade, que se tornou insustentável.

Caso contrário:

a) Defrauda-se o presente, por não termos a oportunidade de concretizar o nosso potencial, bloqueando a melhoria das condições económicas e sociais do país. Desperdiçam-se as aspirações de toda uma geração, que não pode prosperar.

b) Insulta-se o passado, porque as gerações anteriores trabalharam pelo nosso acesso à educação, pela nossa segurança, pelos nossos direitos laborais e pela nossa liberdade. Desperdiçam-se décadas de esforço, investimento e dedicação.

c) Hipoteca-se o futuro, que se vislumbra sem educação de qualidade para todos e sem reformas justas para aqueles que trabalham toda a vida. Desperdiçam-se os recursos e competências que poderiam levar o país ao sucesso económico.

Somos a geração com o maior nível de formação na história do país. Por isso, não nos deixamos abater pelo cansaço, nem pela frustração, nem pela falta de perspectivas. Acreditamos que temos os recursos e as ferramentas para dar um futuro melhor a nós mesmos e a Portugal.

Não protestamos contra as outras gerações. Apenas não estamos, nem queremos estar à espera que os problemas se resolvam. Protestamos por uma solução e queremos ser parte dela.

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Aqui no Porto cerca de 80.000 pessoas, crianças, jovens, idosos, diferentes gerações se reuniram para protestar. Foi algo bem bonito de se ver. Segue abaixo um vídeo feito por integrantes da passeata. E até a próxima!

 

Um dia sem catracas! Rodoviários do DF fazem um protesto diferente

Greve dos Rodoviários: passe-livre geral e irrestrito
Enquanto nova lei do Passe-livre não é aprovada, estudantes podem aproveitar a greve dos rovodiários para ir à escola/faculdade.

Cerca de 150 mil estudantes utilizam o Passe-livre, que garante o acesso gratuito dos jovens ao transporte público em Brasília. A lei vale para estudantes dos Ensinos Fundamental, Médio e Superior, além dos alunos de cursos técnicos e profissionalizantes. Cada beneficiado tem o direito a até 54 passes mensais para fazer o itinerário casa-escola-casa.

Desde que a Lei foi sancionada (no início do ano), entretanto, usuários do sistema têm encontrado muitos transtornos. Para garantir o seu direito, o estudante deve se cadastrar na Fácil (empresa responsável por operacionalizar o sistema de bilhetagem eletrônica do DF) e comparecer mensalmente em um de seus Postos de Serviço, para recarregar o cartão eletrônico.

Várias crianças e jovens têm perdido aula em função da dificuldade nessa recarga. Além das filas quilométricas, nas últimas semanas o GDF não tem enviado dinheiro suficiente para a Fácil, impedindo os estudantes de recarregar. Inicialmente, a verba destinada para o programa era de R$ 50 milhões para este ano. Apenas de fevereiro a abril, já foram utilizados R$26 milhões. Até o final do ano, se os gastos continuarem dessa forma, o governo terá que desembolsar R$120 milhões, quase 2,5 vezes mais que o previsto.

Mais problemas

Na última terça-feira (08/06), o GDF enviou à Câmara Legislativa um novo Projeto do Passe Livre Estudantil. Na nova lei constam mudanças polêmicas, como a criação de um limitador social para a concessão benefício.

“Queremos a ampliação do direito, e não a exclusão. A nova proposta, do governador Rosso, transforma o direito em Assistencialismo. Se toda pessoa tem o direito de ir e vir, todos devem ter Passe Livre, porque senão o direito vai se transformar em valor de troca nas próximas eleições”, afirma Paique Duques Lima, membro do Movimento Passe Livre (MPL) e ex-estudante da UnB.

Com a nova proposta, os estudantes de escolas particulares com renda familiar superior a quatro salários mínimos – R$ 2.040 – perdem o benefício da passagem gratuita e voltam a pagar um terço do valor integral. Os alunos da rede pública continuam a andar de ônibus ou de metrô sem pagar.