André Siqueira: Imposto pago não é dinheiro roubado

O Brasil é mesmo um país de contradições. Na manhã da terça-feira 13, um grupo de pessoas acompanhou a contagem do Impostômetro, o marcador gigante instalado pela Associação Comercial de São Paulo no centro da cidade para medir a arrecadação do governo. Neste ano, diz a entidade, atingimos a marca de 1 trilhão de reais 35 dias mais cedo do que em 2010. A cifra foi acompanhada por vaias do grupo de pessoas aglomerado diante do display. Não as culpo. Vende-se, por estas bandas, a ideia de que dinheiro de imposto é dinheiro subtraído da sociedade. Um argumento tão repetido pela mídia (e pela oposição ao governo) que, para muitos, se tornou uma verdade.

Virou quase lugar-comum dizer que o Brasil é um dos campeões mundiais em impostos, e comparar nosso pacote de serviços públicos com os oferecidos por países com carga tributária igual ou maior.

Esses argumentos deixam de lado dois detalhes importantes: somos também destaque mundial em desigualdade social, e temos uma massa de desassistidos comparável apenas a países como China e Índia. Ou seja, sai caro, muito caro, para uma nação com tal perfil, oferecer, mesmo precariamente, uma estrutura de amparo universal.

Logo, uma alta arrecadação é algo a ser comemorado, e não lamentado. É sinal de que o governo eleito democraticamente dispõe de mais recursos para atender às necessidades da população que o elegeu. Como alguém em sã consciência pode reclamar da saúde e da educação públicas e querer ir às ruas protestar por menos impostos? Exigir das autoridades o melhor uso possível dos recursos do orçamento é um dever cívico em qualquer país, assim como cobrar o combate permanente à corrupção. Mas imaginar que um governo será capaz de, com menos dinheiro, sustentar a máquina estatal, fazer os investimentos necessários (para ontem) em infraestrutura e melhorar o pacote de serviços à população é simplesmente absurdo!

Em um brilhante artigo publicado recentemente no Valor Econômico, o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, mostrou que a desigualdade social, medida pelo índice Gini, caiu 9,5% entre 2003 e 2009. Sem os gastos em programas de transferência de renda realizados na última década, a melhora teria sido de apenas 1,5%. No mesmo texto, Pochmann levanta uma questão que tem méritos de sobra para tirar o sono dos brasileiros: por que os ricos pagam, proporcionalmente, tão menos impostos?

A reforma tributária pela qual nossos formadores de opinião deveriam se empenhar passa, necessariamente, pela troca de impostos que recaem sobre o consumo – e penalizam os consumidores indistintamente – por uma estrutura mais progressiva. É possível, sim, criar novas (e mais altas) alíquotas de IR para faixas de rendimento mais elevadas, elevar os encargos sobre itens supérfluos e de luxo, taxar grandes fortunas (a exemplo do que faz a Inglaterra e outros países desenvolvidos) e aparelhar melhor a equipe da Receita Federal até que ninguém consiga passar um fim de semana tranquilo em sua mansão no Guarujá sem a certeza de estar em dia com o Leão.

A estrutura social brasileira é perversa sobretudo porque dá àqueles que deixam a base da pirâmide a sensação de estar muito acima da maioria. Ainda que continue a anos-luz de distância do topo, parte da classe média é mortalmente tentada a comprar um discurso que interessa apenas a quem está lá em cima.

Não se iludam: um cofre público mais gordo revela que a economia está em crescimento, e que a inclusão social trouxe mais gente para dividir o fardo de sustentar o País. A alta na arrecadação também pode indicar avanços do Fisco no combate à sonegação – um mal tão danoso à sociedade quanto a corrupção. O combate à evasão tributária deveria ser festejado sobretudo por quem tem sua fatia descontada diretamente no salário, e não conta com recursos de “engenharia financeira” para pagar fugir às obrigações, nem remete recursos a paraísos fiscais.

Por André Siqueira – Subeditor de Economia de CartaCapital. Via Viomundo.

Notadocomprimido: A criação de imposto progressivo, onde os mais ricos paguem, no MÍNIMO, o mesmo porcentual de impostos que as classes menos favorecidas, é não só importantíssimo como fundamental para o país dar uma guinada rumo a um futuro menos desigual. E há ainda a questão da impunidade, punir as empresas e grandes fortunas com multas pesadas e aumentar a fiscalização é o único modo de diminuir a sonegação fiscal. O texto toca exatamente na ferida da situação e apresenta soluções. Isto é jornalismo.

Pulseira do equilíbrio é farsa, diz a própria empresa

A empresa australiana responsável pelas pulseiras Power Balance, conhecidas como “pulseiras do equilíbrio”, divulgou nota em seu site afirmando que “não existem evidências científicas” que garantam a eficiência do produto. O pronunciamento veio em resposta a reclamações feitas a um órgão australiano de controle de produtos. O material, feito de silicone, é usado por atletas como Shaquille O’Neill, da liga norte-americana de basquete, e a publicidade afirma que as pulseiras dão mais força, equilíbrio e flexibilidade ao usuário.

A nota no site australiano da empresa (em inglês) reconhece a falha, pede desculpas a qualquer consumidor que se sentiu enganado e oferece reembolso total para os produtos. A oferta estará disponível aos interessados na Austrália até o dia 30 de junho de 2011. Para garantir o dinheiro de volta, é preciso apresentar o produto e o comprovante de compra.

A Power Balance já havia sido multada em 350 mil euros por propaganda enganosa no mercado italiano. Na Espanha, outra penalização, no valor de 15 mil euros, foi aplicada em 2010.

No Brasil

De acordo com a Power Balance brasileira, a publicidade veiculada no país segue as orientações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “Não há falsa promessa aqui, nós adaptamos o material de divulgação ao que a Anvisa orienta”, afirmou a assessoria de imprensa da empresa. Não há promoção de reembolso para os produtos da empresa no país.

via eBand

Notadocomprimido: A publicidade brasileira segue as orientações da Anvisa? Que orientações seriam essas, mentir e enganar o consumidor?

Não, isto não é uma publicidade (do site oficial).

O método que a empresa encontrou para vender essas pulseiras (de maneira legal) no Brasil foi se utilizar da capacidade de mobilização de famosos e da mídia. Afinal de contas, uma coisa é propaganda na televisão. Outra coisa é o Neymar falando que usa a pulseira e que fez mais gols por causa dela. Outra mais impactante ainda é ver jornalistas fazendo reportagens para confirmar a história! Se os atletas usam e o jornal tá dizendo, quem sou eu pra desmentir não é?

No site oficial brasileiro, em textos produzidos pela empresa, realmente não encontrei nenhuma referência aos “poderes mágicos” do bracelete. Apenas textos como “A aprovação de ídolos do esporte como: Shaquille O’Neal, Andy Irons e posteriormente, Rubens Barrichello, transformaram a pulseira Power Balance no acessório esportivo mais cobiçado do planeta.”

Sinceramente, eu não sei se é pura ingenuidade ou se eles estão ganhando dinheiro com isso (na verdade acho que fico com a segunda opção =P). Segue um programa da Blobo sobre as pulseirinhas, onde só faltou a apresentadora encomendar o brinquedo para os filhos:

Flashback

Quem aí assistia TV Manchete quando era criança? Façam um esforço, com certeza vocês conheceram a pulseira magnética:

PowerBalance vovô

Ela prometia, err, advinhem… as mesmas “vantagens” da nossa atual pulseira. É, vivendo e (não) aprendendo.

— Atualizado

Sugestão de vídeo para esta notícia, via CaixaPretta:

Como são feitos os lanches dos anúncios?

Por Lucas de Oliveira, em seu blog.

Você com certeza já deve ter ficado um bom tempo olhando aquele lanche bagunçado e com a cara totalmente diferente do que você viu no anúncio. E a pergunta que veio em sua mente foi a única: “Como eles fizeram aquele lanche bonito dos comerciais?”

Suas dúvidas acabaram!!! Veja no vídeo abaixo o procedimento para deixar o lanche pronto para ser fotografado (e não devorado).

“Noite sagrada uma ova!”: o Natal dos nazistas em exposição

Por Faith Thomas, do site de-world.de

Celebrar o nascimento de um menino judeu, na Alemanha nazista, era impensável: a saída dos nacional-socialistas foi instrumentalizar o Natal, descristianizando-o. Certas mudanças perduram até hoje. Exposição em Colônia esclarece.

O Natal é o ponto alto no calendário religioso da Alemanha. Muitas das tradições, imagens e melodias cultivadas ao redor do mundo têm sua origem nos países de língua germânica. Estrelas cintilantes decorando a árvore, um angélico bebê de cabelos claros, presentes embalados com esmero, canções entoadas por coros de igreja – na Alemanha, tudo isso faz parte das festividades em torno do nascimento de Jesus Cristo.

Entre 1933 e 1945, sob o Terceiro Reich, o Natal era exatamente tão popular quanto hoje. Só que a homenagem ao nascimento de um menino semita – ainda que celebrado como o Redentor cristão – era coisa difícil de conciliar com as máximas e metas dos nazistas no poder. Em consequência, os ideólogos de Adolf Hitler decidiram extirpar o simbolismo cristão da festa.

HP ganha um presente de Natal inusitado

Por Davi Carvalho de Mello

A HP, gigante do ramo de computadores e tecnologia, foi presenteada nesse mês de dezembro com um vídeo gravado por um consumidor insatisfeito. O americano afro-descendente Desi Cryer, ao testar a nova câmera HP, possuidora de um sistema de reconhecimento de faces, reparou que o dispositivo não o identificou. Situação diferente ocorreu com sua amiga Wanda, que é branca, na qual a o aparelho acompanhou corretamente cada movimento da moça.

Desi, para expressar sua indignação e a falha da empresa, publicou um vídeo no Youtube dizendo que “os computadores HP são racistas”. O vídeo demonstra, com tom de ironia, toda a situação ocorrida.

Em resposta, a HP publicou em seu blog oficial o funcionamento do sistema.