

Se você ainda não conheceu, pode ter certeza de que nos próximos dias você conhecerá Movimento Gota d’ Agua, seja através do twitter, facebook ou até pelas famosas correntes de email. O Movimento é uma iniciativa de alguns indivíduos em prol, dentre outras coisas, da defesa ambiental, e sua primeira ação é discutir a construção da Usina de Belo Monte pelo Governo Federal.
Até aí, qualquer grupo de indivíduos é livre para montar uma ONG, ou simplesmente organizar um grupo de pessoas, e promover ações para informar e tentar convencer as pessoas de sua opinião. Este próprio site, por exemplo, se encaixa nesta categoria.
Todo o problema surgiu pela participação de atores famosos, como Maitê Proença e Marcos Palmeira, no vídeo da campanha. Basicamente, são apresentados, de maneira simples e didática (por vezes até caricaturais e superficiais demais), argumentos contrários à obra.
Para mais informações sobre a campanha, assista ao vídeo no vimeo: clique aqui.
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E daí?
E daí que parte da esquerda está acusando os famosos de serem hipócritas, e sugerem que eles estão defendendo os interesses da Rede Globo. Invocam, por exemplo, que eles deveriam também estar denunciando outros problemas, como o vazamento de óleo da Chevron na bacia de Campos (leia+), notícia que está sendo mal divulgada pela mídia.
E daí, agora digo eu, que são coisas TOTALMENTE diferentes.
Matheus Pichonelli, da Carta Capital, tirou as palavras da minha boca na sua última publicação. Sugiro fortemente que dêem uma passada lá: clique aqui.
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A questão é: Não dá para partir do pressuposto de que, uma vez “atores globais”, estas pessoas estão defendendo os interesses de sua emissora. Será que ninguém lembra do vídeo “Lula Lá”, gravado por atores globais para fortalecer a campanha do Lula à presidência em 1989? Eles estavam defendendo os interesses de qual emissora mesmo? Quem a Globo estava apoiando? Ninguém se lembra?
http://www.youtube.com/watch?v=kZF1f4eH3eA
Sim, devemos ter um olhar crítico, mas isso é tudo que não está acontecendo no momento. Essa história de que “se a Globo defende eu sou contra, e vice-versa” é não entender a realidade como ela é.
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Como funciona uma emissora privada
Qualquer emissora privada de televisão, em qualquer lugar do mundo, defende os interesses das empresas que a sustentam. Senão, até aí é simples entender, acaba o financiamento.
Mas defender os interesses empresariais não é, nem pode ser, um fim em si mesmo. Se todos aqueles que defendem indubitavelmente “Globo NÃO” derem uma lida no livro Padrões de Manipulação na grande imprensa, do grande jornalista e petista Perseu Abramo, irão entender a que me refiro.
Pensemos juntos. Uma emissora pode trabalhar com jornalismo sujo o tempo todo? E que tal se a programação da Globo fosse formada apenas de VideoShow, filmes hollywoodianos e novelas?
Ah sim, eles não fazem isso porque a Constituição não permite. Será?
Quem acreditaria numa emissora que mente 100% do tempo e omite todas as informações que são contrárias aos seus interesses? Quem confiaria numa emissora que passa programação de baixo nível (pegadinhas, pornografia ou qualquer entretenimento alienante) durante todo o dia?
Ficaria demasiado fácil para a população criar uma repulsa à emissora, porque eles veriam com os próprios olhos como a realidade está sendo mascarada, e ficaria fácil demais relacionar quais empresas eles estão defendendo.
Como bem disse o prof. Perseu, as emissoras aprenderam que elas precisam oferecer jornalismo de qualidade durante grande parte do tempo e, claro, programas de entretenimento, mas de baixo e de alto nível (não vou entrar aqui numa discussão profunda sobre o queé entretenimento de baixo ou alto nível porque não é esta a questão). Logo na primeira página, senão me engano (li esse livro há uns 3 anos), ele ressalta algo como: “a publicidade brasileira é a mais competente do mundo. Azar o nosso”.
Quando acontecem manifestações em locais isolados ou acidentes que não interessariam divulgar, como o tal vazamento da Chevron, ela pode simplesmente ignorar. Sim, porque isto não retira dela toda a credibilidade que já foi conquistada.
Casos como a Folha, que estampou a primeira página com uma notícia falsa sobre a presidente (leia mais), para depois publicar uma notinha de rodapé informando os leitores sobre o erro, são perfeitos para se entender este sistema. Casos como esses diminuem a credibilidade destas emissoras, mas sempre haverá aquela pessoa que argumentará: “Ah ela errou essa vez, mas você não lembra daquele outro caso, daquela denúncia? E aquele programa? Adoro Profissão Repórter e o Programa do Jô. A tv aberta ainda tem salvação…”.
É o que está fazendo a grande mídia norte-americana sobre o Movimento #OCCUPY. É o que faz a mídia brasileira em relação aos professores que estão há mais de 100 dias em greve.
É assim que a mídia trabalha.
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Outro lado
Agora voltando ao assunto do tópico. Os atores que trabalham nas emissoras de televisão são meros empregados, peças de um sistema onde, muitas vezes por disposição do contrato de trabalho, são impedidos de manifestar suas próprias opiniões.
Não estou dizendo que todos que trabalham na Globo são revolucionários comunistas aguardando o momento certo para executar a revolução. Estou dizendo que são pessoas como todas nós, que vivem num sistema em contradição e fazem, ou não, o que podem para levar a vida e defender o que acreditam.
Como bem disse Pichonelli lá na Carta Capital, o principal eles conseguiram, colocaram a cara à tapa e vão disseminar a discussão sobre a construção da usina por todo o Brasil.
Se você quiser se aprofundar ainda mais sobre o assunto, não se informe na grande imprensa, procure a mídia independente e os lados envolvidos na história. O documentário À Margem do Xingu, por exemplo, é fantástico e mostra um outro lado da história.
Notadocomprimido: Sou contrário à construção da usina. Achei o vídeo fraco, mas é exatamente o que, na minha opinião, ele se propôs: despertar a curiosidade dos brasileiros sobre a questão. Pesquisem, comentem, discutam, não só sobre Belo Monte mas sobre todos os assuntos de interesse nacional. Para isso conquistamos a democracia: participar – ainda que dentro do possível.

Continuando a série de denúncias ao consumidor, iremos tratar hoje de um assunto muito sério: alimentos transgênicos.

Nada como um frankstein no café-da-manhã
Antes de começarmos a falar sobre o assunto, vamos definir o que são transgênicos:
Alimentos transgênicos são aqueles cujas sementes foram alteradas com o DNA de outro ser vivo (como uma bactéria ou fungo) para funcionarem como inseticidas naturais ou resistirem a um determinado tipo de herbicida. O mesmo vale para animais. Há um salmão, por exemplo, que recebeu genes de porco para engordar mais rápido.
Onde mora o problema
A definição é simples. O objetivo, nem tanto. A grande questão é que, ao contrário do que é propagandeado, a maioria dos alimentos geneticamente modificados são alterados para serem resistentes a um determinado herbicida, da marca X. A intenção não é nem nunca foi parar de usar herbicida. O objetivo é que as grandes empresas do setor controlem ainda mais o mercado.
Se antes o agricultor poderia comprar o grão de dezenas de empresas e o herbicida de outras centenas, hoje ele compra a semente Monsanto, que só se desenvolve com o herbicida Monsanto e fertilizante Monsanto. Legal não?
Esse herbicida modificado, “mais potente”, nada mais é do que altas doses de veneno. Numa situação normal, isso mataria qualquer vida que houvesse ali. Como a planta é transgênica, apenas ela sobrevive. Essa é a “eficiência” desse tipo de produto.

Uma mudança global para uma dieta vegana é vital para salvar o mundo da fome, pobreza de combustíveis e os piores impactos da mudança climática, diz um novo relatório da ONU. A previsão é de que a população mundial chegue a 9.1 bilhões de pessoas em 2050, e o apetite por carne e laticínios é insustentável – diz o relatório do programa ambiental da ONU (UNEP).
A agricultura, particularmente produtos de carne e laticínios, é responsável pelo consumo de cerca de 70% da água doce do mundo, 38% do uso de terra e 19% das emissões de gases estufa, diz o relatório que foi lançado semana passada para coincidir com o dia do meio ambiente.
Diz o relatório: “Espera-se que os impactos da agricultura cresçam sustancialmente devido ao crescimento da população e o crescimento do consumo de produtos animais. Ao contrário dos combustíveis fósseis, é difícil producar alternativas: as pessoas têm que comer. Uma redução substancial de impactos somente seria possível com uma mudança de dieta, eliminando produtos animais.”
O painel de especialistas categorizou produtos, recursos e atividades econômicas e de transporte de acordo com seus impactos ambientais. A agricultura se equiparou com o consumo de combustível fóssil porque ambos crescem rapidamente com o mais crescimento econômico, eles disseram.
Professor Edgar Hertwich, o principal autor do relatório, alertou: “Produtos animais causam mais dano que produzir minerais de construção como areia e cimento, plásticos e metais. Biomassa e plantações para animais causam tanto dano quanto queimar combustíveis fóssil.”
Notadocomprimido: o site apóia o vegetarianismo e o veganismo, estaremos sempre discutindo essa questão e promovendo informações acerca do tema. Em breve, teremos algumas novidades nessa área.