Supervia lança campanha sobre uso do fone de ouvido

"Use fones de ouvido para escutar música"

A grande maioria dos passageiros de transporte público sempre foi incomodada pela falta de educação de poucos. Desde casos de assédio sexual a desrespeito com idosos, lidar diariamente com um transporte público de massa não é fácil.

Mas será culpa unicamente do usuário ou, por exemplo, da SuperVia, que trabalha com vagões lotados para maximizar o lucro e cria condições para que aumente a frequência destas barbaridades?

Não que seja intenção dela que estas atrocidades aconteçam. Seu objetivo é unicamente diminuir os custos para maximizar, bem, você sabe.

Será que, por exemplo, em países onde o transporte público é mais avançado e os usuários não tem que passar por tantas dificuldades (longo tempo de espera e veículos lotados, só para citar duas) há tantos abusos por parte da população contra si própria?

E agora eu vou um pouco mais longe… e quanto aos abusos da própria Concessionária?

Eu sei que eu a isentei de culpa há dois parágrafos atrás, mas a mesma SuperVia que agora cobra “Educação” de seus passageiros, há menos de 3 anos atrás, devido à superlotação dos trens, utilizava CHICOTES para que fossem fechadas as portas dos vagões.

Não, não é um filme do Eisenstein. E não é denúncia de site de esquerda. Saiu no globo (SuperVia é multada por chicotadas nos passageiros).

Gado?

Desculpe-me se pareço insensível à causa dos fones de ouvido. Sim, uma pessoa que escuta música no último volume num transporte público lotado não está nem aí para o restante dos passageiros e deveria ser chamada a atenção. Assim como um fumante ou qualquer outra atividade que pertube o bom convívio do restante do vagão.

O meu ponto é: e a concessionária que chicoteia seus passageiros e permite trens lotados acima da capacidade dos próprios vagões, não merece nem uma chamadinha de atenção?

PS: É muito mais “cool” fazer um cartazinho promovendo o uso de fones de ouvido e bombar nas redes sociais do que realmente oferecer um serviço público de qualidade. Sim, isso é um engodo para tirar de você a atenção sobre outros problemas. Continue cobrando mais e mais qualidade. É possível.

Pedagiômetro

Em São Paulo, pedágio de caminhões chega a ser quase três vezes mais caro do que na Europa. Foto: Márcio Amêndola *

O pedágio cobrado nas rodovias paulistas é o mais caro do Brasil e, quando comparado com as tarifas pagas nas rodovias dos Estados Unidos ou da Itália, fica evidente que está entre os mais caros do mundo também.

Na rodovia Florida’s Turnpike, nos Estados Unidos, o preço por quilômetro rodado é de R$ 0,076, enquanto a média nas rodovias paulistas é de R$ 0,111, ou 46% superior ao da rodovia americana.

Além disso, na Florida’s Turnpike há o SunPass que é um dispositivo colocado no automóvel que garante a passagem direta pelo pedágio. É como o Sem Parar que existe em São Paulo. Diferentemente do Sem Parar, o SunPass garante desconto médio de 20% para o usuário. O pedágio fica bem mais barato para quem o utiliza.

No caso das rodovias italianas (R $0,134), elas são mais baratas do que as rodovias Anchieta (R$,0159), Imigrantes (R$ 0,152) e Castello Branco (R$ 0, 145), enquanto a Bandeirantes (R$ 0,135) e a Anhanguera (R$ 0,132) têm valores próximos aos da Itália.

Mas vale ressaltar que a concessionária italiana construiu com recursos próprios a sua rede de rodovias, diferentemente do que ocorre em São Paulo. No caso paulista, paga-se duas vezes: para construir e usar a rodovia.

E paga-se também ao consumir qualquer produto transportado por essas rodovias. Comparando novamente com as estradas italianas, o pedágio que incide sobre veículos de carga em São Paulo é até 149% mais caro do que na Itália.

Nota de esclarecimento dos moradores de favela de Niterói

Nós, moradores de favelas de Niterói, fomos duramente atingidos por uma tragédia de grandes dimensões. Essa tragédia, mais do que resultado das chuvas, foi causada pela omissão do poder público.  A prefeitura de Niterói investe em obras milionárias para enfeitar a cidade e não faz as obras de infra-estrutura que poderiam salvar vidas.  As comunidades de Niterói estão abandonadas à sua própria sorte.

Enquanto isso, com a conivência do poder público, a especulação imobiliária depreda o meio ambiente, ocupa o solo urbano de modo desordenado e submete toda a população à sua ganância.

Quando ainda escavamos a terra com nossas mãos para retirarmos os corpos das dezenas de mortos nos deslizamentos, ouvimos o prefeito Jorge Roberto Silveira, o secretário de obras Mocarzel, o governador Sérgio Cabral e o presidente Lula colocarem em nossas costas a culpa pela tragédia. Estamos indignados, revoltados e recusamos essa culpa. Nossa dor está sendo usada para legitimar os projetos de remoção e retirar o nosso direito à cidade.