
A escola de Saúde Publica de Harvard publicou recentemente uma nova versão de seu “Healthy Eating Plate” (algo como “Prato Saudável”), que é uma versão moderna da pirâmide alimentar.
Segundo os especialistas que participaram do desenvolvimento do novo guia prático da universidade, a conclusão sobre os laticínios do “Healthy Eating Plate” baseou-se em afirmações de Harvard tais como: “ …o cálcio é importante mas o leite não é a única, nem sequer a melhor fonte”. A renomada instituição norte-americana indica a redução de laticínios em uma alimentação saudável.
Eles também garantem que o estudo não sofreu loby da indústria. Na verdade, nem haveria como, com resultados como esses.
A publicação alerta também que nenhuma quantidade de carne processada como bacon, salsichas e similares é segura.
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Researchers say that when you compare the Harvard Healthy Eating Plate with the USDA’s MyPlate, the shortcomings in the government’s guide are evident. (Harvard)
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Referências (em inglês):
http://news.harvard.edu/gazette/story/2011/09/harvard-serves-up-its-own-plate/
http://www.care2.com/greenliving/harvard-declares-dairy-not-part-of-healthy-diet.html
Fonte: Vegass
Notadocomprimido: Isso já era conhecido dos estudiosos há muito tempo, e quem me conhece sabe que já venho tentando alertar as pessoas. Estava preparando um texto sobre o assunto, mas pelo visto não será mais necessário
Utilize com moderação.
Nova Pobreza:
os desafios dos migrantes brasileiros na cidade do Porto
Neste trabalho pretende-se um breve levantamento sobre a situação de brasileiros que vêm para Porto em busca de condições melhores de vida, e muitas vezes acabam se enquadrando na situação de novos pobres ou ainda de trabalhadores pobres.
Título: Nova Pobreza: os desafios dos migrantes brasileiros na cidade do Porto
Autor: Thiago Dutra Vilela e Gabriela Guimarães Landim
Trabalho de final de período para a Universidade do Porto
Download: clique aqui
PS: Caso utilize esta pesquisa como referência em algum trabalho, por favor deixe um comentário. Obrigado!
Atualmente vivem em Portugal aproximadamente 500.000 trabalhadores que podem ser classificados na situação de “working poor” (Observatório das Desigualdades). São pessoas que, apesar de estarem trabalhando, sua fonte de renda é tão baixa que elas não conseguem manter um estilo de vida digno, não lhes restando tempo nem dinheiro senão para lutar pela própria sobrevivência. O principal componente para classificarmos um indivíduo como “trabalhador pobre” é sua fonte de renda. Ainda que receba mais do que um salário mínimo, quando analisamos a renda per capita da unidade familiar notamos que estes sobrevivem com uma quantia que classificamos como “abaixo da linha da pobreza”.
Sendo a chamada “linha da pobreza” um conceito arbitrário e com valor inconstante, criado apenas para fins estatísticos, o presente trabalho pretende ir além deste conceitos e compreender como as novas dinâmicas sociais estão criando o que pode ser chamado de “nova pobreza”.
Dois milhões e trezentos mil portugueses não têm dinheiro para pagar a renda da casa ou para fazer uma refeição de carne duas vezes por semana. Em outras palavras, quase um quarto dos portugueses vive sem capacidade para comprar uma televisão, um telemóvel ou para pagar uma semana de férias (dados do Inquérito às Condições de Vida, realizado em 2009 com base em rendimentos de 2008).
O problema não é só uma situação salarial degradada. Este novo grupo social pode ter uma renda per capita elevada – muito acima do que poderia ser considerado “linha de pobreza”, entretanto uma ampla gama de fatores levam-os a viver um estilo de vida decadente. Gastos com aluguel, dívidas contraídas anteriormente em um período de desemprego, queda no nível salarial e a manutenção de gastos para preservar as aparêcias, são dezenas de fatores que levam este extrato social a viver um estilo de vida idêntico ao de um “working poor”, não lhes restando tempo nem recursos senão para a própria subsistência.
Foram entrevistados 11 emigrantes brasileiros no período de fevereiro a junho de 2011, todos trabalhadores ativos e residentes na cidade do Porto, Portugal. Os indivíduos dissertaram sobre questões relativas a seus padrões de vida em Portugal em relação ao Brasil. Como eles descreveriam sua rotina, se estão satisfeitos com a vida que levam aqui e se o salário é suficiente para terem uma vida de qualidade.
Trabalharemos com a categoria de estigma de Erving Goffman para analisarmos a situação de muitos emigrantes na situação precária de novos pobres em um país que não é o seu, ainda por cima, tendo de recorrer a políticas de assistencialismo do Estado português. Estas políticas por sua vez, da forma como estão sendo implantadas, não colaboram de forma positiva com as auto-estimas destes emigrantes. Segundo Goffman, “O termo estigma, portanto, será usado em referência a um atributo profundamente depreciativo, mas o que é preciso, na realidade, é uma linguagem de relações e não de atributos.”(1988; 6).
E ainda, em Goffman,
“A característica central da situação de vida, do indivíduo estigmatizado pode, agora, ser explicada. É uma questão do que é com freqüência, embora vagamente, chamado de ‘aceitação’. Aqueles que têm relações com ele não conseguem lhe dar o respeito e a consideração que os aspectos não contaminados de sua identidade social os haviam levado a prever e que ele havia previsto receber; ele faz eco a essa negativa descobrindo que alguns de seus atributos a garantem.” (1988; 11).
No presente trabalho pretende-se um breve levantamento sobre a situação de brasileiros que vêm para Porto em busca de condições melhores de vida, e muitas vezes acabam se enquadrando na situação de novos pobres ou ainda de trabalhadores pobres. Iremos nos nos aprofundar também sobre a problemática de sua auto-estima.
Tendo em vista a pequena dimensão do trabalho e o pouco tempo disponível para coleta de dados, este pode ser considerado um estudo de caso.
Quando questionados sobre a situação atual e a vida que levam no Porto, se mostraram não muito satisfeitos com a realidade em que vivem. Todos os entrevistados demonstraram desejo em voltar para o Brasil.
O relato mais frequente é o de que a vida em Portugal, desde a emergência da crise econômica, está muito difícil. De fato a europa está enfrentando uma crise de cunho econômico e social, enquanto o Brasil se encontra entre os cinco países emergentes que mais têm crescido nos últimos anos. Ainda que esta realidade não garanta que ao voltarem para a América a vida destas pessoas melhorará, o fato é que no Porto eles não estão ganhando o suficiente para levarem uma vida de qualidade. Faltam fatores essenciais para uma vida digna, em que o indivíduo tenha tempo para si e para aprimorar seu capital humano – e não apenas viver para o trabalho e pagar as contas ao final do mês.
De acordo com dados de 2008 do Observatório do Algarve, hoje os brasileiros em Portugal são na maioria jovens (têm entre 24 e 34 anos), emigram sozinhos e, principalmente, por motivos económicos, como os baixos salários recebidos no Brasil (54,5 por cento) e por estarem desempregados (25 por cento).
A conclusão a que chegamos, entretanto, é que quando estes indivíduos chegam em Portugal encontram um realidade igual ou na maioria dos casos pior e se vêem aprisionados, sem ter como voltar para o Brasil. Estes emigrantes são reféns da falta de integração na estrutura social tanto de seu país de origem como no país de destino. Porém, no Brasil ainda havia o conforto da família e dos amigos. O lazer e a distração, neste caso, poderiam ser consideradas enquanto fatores de fuga da sua situação de agregado.
Neste estudo de caso percebemos que o perfil majoritário dos emigrantes brasileiros é composto por indivíduos com baixa qualificação, como empregadas domésticas, trabalhadores da noite (dançarinas, garotas de programa, músicos, etc), empregados do ramo da hotelaria.
Alguns dos entrevistados, por outro lado, tinham uma vida confortável no Brasil. Ainda que estes casos sejam menos frequentes, eram servidores públicos, comerciantes ou estudantes do ensino superior que por terem se casado com cônjuges portugueses, ou simplesmente para tentar uma vida melhor, vieram e residem em Portugal.
Segundo Patrícia, 30 anos (e residente em Porto há 7 anos), na primeira vez que procurou emprego demorou três meses. Patrícia veio para Porto para estudar, porém não conseguiu se manter e foi em busca de trabalho. Quando finalmente conseguiu sentiu muita dificuldade na sua integração devido ao preconceito e à falta de tolerância dos nativos. Muitos chegaram a perguntar “Por que ela não voltava para o Brasil”.
Quando questionados sobre seus cotidianos na cidade, os entrevistados revelaram falta de tempo e de recursos financeiros para lazer. O dia-a-dia se resume ao emprego e à casa. Vivem para o trabalho e ao final do mês não sobra dinheiro. Em muitos casos, além de se pagarem as próprias contas costumam sustentar a família no Brasil, o que dificulta ainda mais o investimento em fontes de capital humano. Lembram de que no Brasil a vida era difícil, porém possuíam seus momentos de distração entre a família e os amigos.
Cleonice é dançarina, trabalha na noite do Porto e mora em Portugal há 13 anos. Passou por muita dificuldade e afirma que ninguém deveria vir, “porque acho que isso aqui é uma fantasia, não é uma realidade, é só um sonho. Você dorme e não consegue acordar. [...] Eu estou na pior fase da minha vida, já tive empresa mas hoje moro num quarto, perdi tudo. Aqui é muito complicado”.
Odila, 45 anos, vive há 12 anos em Porto. Também não aconselha a vinda daqueles que estão almejando a emigração para Portugal em busca de emprego. “Trabalhei dia e noite, com filho pequeno […] hoje se eu retornar para o Brasil eu não levo dinheiro, levo uma bagagem de experiências.[...] Mas vir para cá trabalhar sem estudar não aconselho.”
Portugal, assim como outros países da europa, a exemplo da Grécia, Irlanda e Espanha, passa por problemas econômicos. Essas dificuldades são traduzidas socialmente em estigmatização e pauperização dos emigrantes, não só brasileiros, mas de todas as nacionalidades. A grande maioria vem em busca de um sonho e se desiludem com a situação precária em que se deparam.
Rosânia e Warley são casados e eram funcionários públicos no Brasil. Tinham um bom nível de rendimentos, mas quando vieram perderam qualidade de vida. Hoje trabalham o dia inteiro, quase não se vêem nem têm tempo para sair. Ela trabalha cuidando de idosos e ele na área da restauração. Eles trabalham basicamente para conseguir pagar as contas, e ainda assim acabam o mês “apertados”. Têm um filho de 10 anos e estão em Porto há 9. Rosânia reclama da falta de integração na sociedade portense, da rotina cansativa e da saudade do Brasil. Já seu marido, apesar de também sentir falta da terra natal, gosta de Porto e espera um dia conseguir um emprego melhor que devolva a qualidade de vida que tinham no Brasil.
Segundo Antônio Teixeira Fernandes, em seu artigo Formas e mecanismos de exclusão social, “há emigrantes que conseguem amealhar, no exterior, algum pecúlio, sem melhorarem em nada suas condições de vida” (1991; 56).
A partir deste pequeno estudo de caso, é possível direcionar o pensamento no sentido de que a vida dos emigrantes brasileiros que chegam a Portugal não é nada fácil. Muitos têm de recorrer às políticas assistencialistas do governo na esperança de receberem um rendimento mínimo, o que geralmente não ocorria no Brasil.
Outros que encontram emprego não recorrem (ou não podem recorrer) às políticas sociais, mas o dinheiro não é o suficiente para ter qualidade de vida. Vivem para o trabalho e nem sequer têm tempo para o lazer. Sem tempo para conhecer e partilhar do convívio social, fica bem mais difícil a integração na sociedade portense, criando-se assim no cotidiano destes emigrantes uma realidade particular, isolada do restante dos cidadãos.
Geralmente procuram não se endividar por estarem em um país estrangeiro, por isso mesmo não sobra dinheiro para aprimorarem-se e especializarem-se em alguma área que permita sua ascensão na estrutura social. Desta forma o ciclo de exclusão social perpetua-se. Além de conseguirem se manter em Portugal, muitos têm de sustentar a família no Brasil. Não é uma situação tranquila, mas ainda assim tentam administrar suas vidas de forma digna.
Bibliografia resumida:
FERNANDES, Antônio Teixeira (1991). “Formas e mecanismos de exclusão social”. In Sociologia n. 1, Porto, FLUP.
GOFFMAN, E. (1988). Estigma: Notas Sobre a Manipulação da Identidade Deteriorada. Rio de Janeiro: Editora Guanabara.
RODRIGUES, Eduardo (2006), Escassos caminhos. Os processos de imobilização social dos beneficiários do R.M.G. em Vila Nova de Gaia, Dissertação de Douturamento, Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
MARX, K. e ENGELS, F. A ideologia alemã. Portugal: Martins Fontes s/d.
http://www.observatoriodoalgarve.com/cna/noticias_ver.asp?noticia=21221
http://www.presseurop.eu/en/content/news-brief-cover/413631-half-million-working-poor
http://www.agenciafinanceira.iol.pt/artigo.html?id=1177904&div_id=1730
http://observatorio-das-desigualdades.cies.iscte.pt/index.jsp?page=projects&id=106
http://www.por7ugal.net/economia.html


Câncer. Com gelo e limão?
Pesquisa realizada pela Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor) com 24 refrigerantes apontou a presença de benzeno, substância cancerígena, em 7 das marcas. O estudo também revelou que as bebidas têm pouquíssimo valor nutricional e muito sódio, o que favorece a ocorrência de hipertensão.
Foram detectados níveis de benzeno acima do recomendável para consumo humano nas marcas Fanta Laranja Light e Sukita Zero. Além disso, Fanta Laranja, Sukita e Grapette em todas as versões apresentaram o corante amarelo crepúsculo, que, segundo especialistas, pode contribuir para o desenvolvimento da hiperatividade em crianças. As amostras destas bebidas continham ainda amarelo tartrazina, com alto potencial alergênico.
Atualmente não há testes oficiais para detectar o benzeno nas bebidas, tampouco limites estabelecidos na legislação – uma resolução da Agência Nacional de Vigilância Sanitária de 2007 normatiza apenas os níveis de ácido benzoico (que, junto com o ácido ascórbico, se transforma em benzeno).
Caso na Justiça Brasileira
Fernando de Almeida Martins, procurador da República em Minas Gerais, enviará ofício a Brasília para a realização do novo teste, cujo resultado será anexado a inquérito civil público aberto em agosto. O procedimento laboratorial deve ser solicitado a uma universidade ou órgão competente.
“Queremos confirmar os indícios trazidos pela PRO TESTE”, afirmou o procurador. Se isso ocorrer, o MPF poderá ingressar na Justiça com uma ação civil pública ou tentar um acordo com os fabricantes para ajustes e substituições nos processos de fabricação. “Vamos agir pelo princípio da prevenção. Atuaremos para que refrigerantes com níveis altos de benzeno não estejam mais no mercado. Não aguardaremos a Anvisa ou o Ministério da Agricultura, que poderão ter iniciativas paralelas.”
Além da Sukita Zero e da Fanta Laranja Light, apresentaram benzeno as bebidas Fanta Laranja, Sprite Zero, Sukita, Dolly Guaraná e Dolly Guaraná Diet.
A Anvisa – cuja resolução de 2007 libera o uso de ácido benzoico em até 0,05 g por 100 ml- e o ministério, que registra e fiscaliza os alimentos no país, além das empresas Coca-Cola, Ambev e Dolly, foram notificados para prestar esclarecimentos sobre o benzeno e também sobre os corantes artificiais. Ambos são permitidos no Brasil em pequenas quantidades, mas já foram proibidos em outros países.
A Coca-Cola, detentora da Fanta, defendeu-se dizendo que cumpre a lei e que a quantidade de corantes está especificada na embalagem. O Grapette (Aquarius) informou que todos os ingredientes usados são permitidos. Da mesma maneira, a AmBev, fabricante da Pepsi, Sukita e Soda, disse que segue os padrões da legislação brasileira.


Bentes comemora os resultados da pesquisa. Foto: Guilherme Pera
Pesquisa realizada pelo Instituto de Biologia (IB) da Universidade de Brasília (UnB) está desenvolvendo novos tratamentos para o câncer. O projeto começou em janeiro do ano passado, e os investimentos já superam sete milhões de reais.
Ricardo Bentes, professor do IB e um dos responsáveis pela pesquisa, explica que a meta é criar uma medicação menos invasiva: “Hoje existem três tratamentos para o câncer: quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Apesar da eficiência, os efeitos colaterais são muito grandes”, explica.
O projeto é uma parceria entre a UnB, Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Com participação de 40 pesquisadores de várias universidades federais brasileiras.
Atualmente, um novo tratamento contra o câncer de pele está em teste. Chamado de “Terapia Fotodinâmica”, o medicamente já foi utilizado em pacientes do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e os resultados superaram as expectativas: “Mais de 100 pacientes já foram testados, e a eficiência foi praticamente total. Algumas pessoas precisaram de duas aplicações, mas o câncer foi tratado sem nenhum efeito colateral”, explica o professor.


Gordura, gordura, gordura!
Uma pesquisa feita pelo Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição (Opsan) da Universidade de Brasília (UnB) revela que as propagandas sobre alimentos no Brasil sugerem opções que fazem mal à saúde dos consumidores. Os dados preliminares do estudo foram divulgados no dia 26 de junho. O levantamento, intitulado Pesquisa de monitoração de propaganda de alimentos visando à prática da alimentação saudável, foi feito entre 2006 e 2007 com recursos do Ministério da Saúde/CNPq.
Para fazer análise das peças publicitárias, professores, alunos e recém-formados do Departamento de Nutrição gravaram durante 52 semanas 20 horas diárias da programação de canais televisivos abertos e fechados.
Também foram arquivados nesse período revistas voltadas tanto para o público adulto em geral, feminino e infantil. Os resultados constados pelos pesquisadores assustam. 72% do total das peças publicitárias de alimentos, veiculam mensagens para o consumo de alimentos com altos teores de gorduras, açúcares e sal.
Este valor é alcançado com a publicidade de apenas cinco categorias de alimentos: na ordem, os campeões são fast food; guloseimas (balas, chicletes) e sorvetes; refrigerantes e sucos artificiais; salgadinhos de
pacote, e biscoitos (doces e recheados) e bolo.
“Isso contribui para o aumento crescente e assustador da prevalência das doenças crônicas não transmissíveis como obesidade, hipertensão e diabetes”, declara a professora Elisabetta Recine, uma das coordenadoras da pesquisa. “E subsidia a discussão sobre a urgência de se regulamentar a publicidade de alimentos.”.
Público infantil
Nos canais de TV a cabo destinados preferencialmente ao público infantil a pesquisa chegou a verificar que 50% das peças publicitárias nessas redes são de alimentos. “Isso mostra nitidamente o direcionamento da publicidade para esse público, no sentido de estimular consumo e formar hábitos alimentares não saudáveis”, analisa a professora. Reunindo canais abertos e fechados, 44% do total desse tipo de propaganda é direcionada às crianças. “O dado é incontestável, porque praticamente metade da publicidade de alimentos na mídia televisiva e dirigida ao público infantil. Por isso identificamos atualmente casos de obesidade, hipertensão e colesterol alto em crianças e com prevalência cada vez mais altas”, avalia.
Quando se trata da análise do conteúdo publicitário destinado à criança, é alta a ocorrência de peças publicitárias com promoções de estímulo à compra, como, por exemplo, a inclusão de bonecos e figurinhas nas embalagens. “Em torno de 20% das propagandas contêm algum tipo de promoção”, afirma Elisabetta.
Mídia impressa
A realidade da publicidade alimentícia em revistas não é diferente. Cerca de 15% do total de peças nesses veículos relacionam-se a produtos alimentícios. Em revistas infantis, como as de história em quadrinhos, esse número é um pouco maior, fica em torno de 18%.
Esses são apenas alguns dos dados preliminares da pesquisa, que tem a intenção de entrar a fundo no mundo publicitário para desvendar elementos persuasivos não tão perceptíveis à primeira vista. “Vamos analisar o tipo de mensagem que é enviada a cada público, os recursos para chamar a atenção, os valores estimulados”, explica Elisabetta. “A meta é entrar nessas estruturas para detalhar quais são os mecanismos utilizados para conquistar o consumidor”, afirma.
Financiada pelo Ministério da Saúde/CNPq, a pesquisa tem o objetivo de contribuir para a discussão sobre a regulamentação da publicidade de alimentos e apontar estratégias para produção de uma futura regulamentação. “Muitos países controlam e até mesmo proibiram a publicidade de alimentos na TV. Há outros que controlam essas propagandas em determinados horários, como o de programação infantil”, afirma a pesquisadora.
Quadro
- 20% da programação das TVs são ocupadas por publicidade. Desse total, 10% é sobre alimentos;
- Foram analisados quatro canais de TV, sendo dois abertos e dois fechados;
- Nos canais fechados, 50% da publicidade é voltada para o público infantil;
- A gravação foi feita durante 20 horas durante sete dias de 52 semanas (entre agosto de 2006 e agosto de 2007), totalizando 4.160 horas de material coletado;
- Neste mesmo período foram analisadas 18 revistas, sendo 3 destinadas ao público adulto, 8 para o feminino, duas para adolescentes e seis para crianças;
- Cinco categorias de produtos (fast food; guloseimas e sorvetes; refrigerantes e sucos artificiais; salgadinhos de pacote, e biscoitos e bolo) são responsáveis por 72% das propagandas de alimentos;
- Reunindo canais abertos e fechados, 44% do total de propagandas de alimentos é direcionado às crianças;
- Na mídia impressa, cerca de 15% do total de peças publicitárias são de alimentos;
- Em revistas infantis, esse número é um pouco maior, fica em torno de 18%;
Integram a equipe de coordenação da pesquisa, Elisabetta Recine, Janine Coutinho e Renata Monteiro, do Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição, da Universidade de Brasília.
Fonte: Observatório de Políticas de Segurança Alimentar e Nutrição / UNB