
por Paulo Nogueira Batista Jr., em O Globo , via Projeto Nacional
Escrevo, leitor, sem ter conseguido digerir todos os aspectos da mais recente cúpula europeia. O assunto é extraordinariamente complexo, como se sabe.
Não há dúvida de que a dimensão da crise na área do euro está forçando as lideranças europeias a tomar decisões duras. Resta saber, entretanto, se elas serão suficientes.
Preocupa a possibilidade de que esteja faltando foco às iniciativas europeias. Não estaria havendo ênfase excessiva na dimensão fiscal da crise? Prevalece a visão alemã de que a raiz da crise está na falta de disciplina fiscal no Sul da Europa. A palavra de ordem passou as ser: regras fiscais mais rígidas, com sanções quase automáticas e cessão de soberania fiscal. Grande parte das decisões ontem anunciadas consiste de medidas nessa área. Consolidação fiscal e reformas estruturais constituiriam a chave para superar a crise.
Duvidoso. Não parece claro que a irresponsabilidade fiscal tenha sido a principal causa da crise atual na área do euro. Essa tese só é claramente verdadeira no caso da Grécia, que antes de 2008 teve déficits públicos muitos elevados. Na maioria dos países vulneráveis, o aumento do déficit e da dívida do setor público foi, em boa medida, efeito e não causa da crise financeira iniciada em 2007-2008.
A fragilização das finanças públicas na área do euro, desde 2008, reflete três fatores principais, cuja importância relativa varia de país para país: a) os efeitos da recessão sobre as contas públicas; b) as medidas de estímulo fiscal; e c) o custo do socorro às instituições financeiras.
Em outras palavras, a crise financeira metamorfoseou-se em crise fiscal. Sistemas financeiros superdimensionados, operando com grande liberdade, sem estar submetidos a adequada regulação e supervisão, são causas tão ou mais importantes da crise do que a falta de rigor fiscal no Sul da Europa.
A livre circulação de capitais, intermediados por sistemas financeiros inchados, gerou um ciclo de forte expansão do crédito na periferia europeia. O crédito externo estimulou um boom especulativo, financiou elevados déficits em conta corrente e mascarou os problemas de competitividade.
E, no entanto, essa dimensão da crise não parece atrair suficiente atenção. Pede-se com frequência reformas estruturais – dos mercados de trabalho e dos mercados de produtos – mas raramente se menciona a necessidade de reformas estruturais do sistema financeiro – o setor da economia que parece estar na origem da crise atual. As reformas financeiras propostas desde 2008-2009, embora insuficientes, enfrentam a resistência feroz dos poderosos lobbies financeiros (a turma da bufunfa não brinca em serviço).
Seja como for, reformas – financeiras, fiscais, trabalhistas – não apagam incêndio. E aqui surge outra dúvida cruel: onde está o Banco Central Europeu? Nas duas semanas que antecederam a cúpula europeia, os mercados estavam embalados pela perspectiva de que o BCE entraria maciçamente nos mercados de títulos secundários – se houvesse aceitação pelos outros europeus das regras fiscais teutônicas.
Na quinta-feira, logo antes da reunião dos líderes europeus, o presidente do BCE, Mario Draghi, jogou água na fervura. Perguntado se o BCE responderia com aumentos expressivos das suas compras de títulos públicos em resposta a um acordo fiscal entre os líderes europeus, Draghi respondeu “não”. Diante da insistência da imprensa, acrescentou: “Eu desejo tudo o de melhor aos nossos líderes, e o BCE está aqui. Isso não significa que o BCE responderá, aliás.”
Em matéria de dinheiro novo, a grande novidade da cúpula foi o anúncio, ainda sem detalhes, de que os membros da área do euro e outros países da União Europeia irão considerar, e confirmar dentro de pouco mais de uma semana, contribuições adicionais ao FMI no montante de até 200 bilhões de euros (US$270 bilhões). Os líderes europeus declararam também que esperam “contribuições paralelas da comunidade internacional”.
A discussão se desloca agora para o FMI.
Paulo Nogueira Batista Jr. é economista e diretor-executivo representando o Brasil e mais oito países no Fundo Monetário Internacional (FMI). O economista expressou opiniões pessoais, que não devem ser atribuídas ao FMI ou aos países que representa na diretoria da instituição.

Os cidadãos e cidadãs dos Estados Unidos têm o mau hábito de referir-se a seu país como a “América” e a si mesmos como “americanos”. Simplesmente desprezam o fato elementar de que o continente americano é formado por três porções – a América do Norte, a América Central e a América do Sul – e é integrado por numerosos países e não apenas pelos Estados Unidos. Todos os povos desses países são tão americanos quanto o dos Estados Unidos.
Há quem imagine que, referindo-se a “norte-americanos” em vez de “americanos”, resolve a designação equivocada e arrogante. Quem pensa assim negligencia outro fato elementar: o de que a América do Norte não é integrada somente pelos Estados Unidos, mas também pelo Canadá e pelo México. Os povos desses países são tão norte-americanos quanto o dos Estados Unidos.
A designação adequada para referir-se ao território dos Estados Unidos, ou a seus cidadãos, cidadãs e habitantes, ou a suas instituições, criações e história, é a de estadunidenses. É um adjetivo mais longo e menos eufônico, poderão objetar alguns acomodados à referência tradicional e arraigada, mas é o adjetivo correto. Quem reduziria a “Europa” à França, por exemplo, e chamaria os franceses simplesmente de “europeus”?
As designações dos Estados Unidos como “América” e dos estadunidenses como “americanos” ou “norte-americanos” são tão reiteradas que até estadunidenses críticos e progressistas acabam escorregando inadvertidamente nessas referências presunçosas e imperiais. Mais lamentavelmente ainda, elas têm sido tão repetidas que acabaram sendo copiadas pelos demais povos americanos numa introjeção passiva e irrefletida.
A crítica a esse hábito secular pode parecer uma picuinha desimportante. Mas ele reforça, mesmo que inadvertidamente, nos estadunidenses, sua conhecida prepotência, e nos demais povos americanos uma acomodação subserviente e perigosa. Não há motivos que justifiquem a aceitação dessa tentativa de usurpação, mesmo que simbólica, de nossos direitos comuns sobre o território, a história e as criações das Américas. Todos nós somos americanos e ao mesmo tempo argentinos, brasileiros, cubanos, mexicanos e estadunidenses. A disparidade atual de riqueza e de força entre nossos países não legitima essa apropriação cultural.
As expressões idiomáticas não são inocentes nem inócuas, como parecem. Considere-se, por exemplo, o uso indiscriminado que se passou a fazer do termo “terrorismo” para desqualificar qualquer ato ou movimento armado de resistência às tiranias violentas e às diversas formas, também armadas, de opressão nacional e social.
Por mais difícil que seja, comecemos a praticar um pequeno ato quotidiano de resistência cultural, recusando-nos a identificar os Estados Unidos com as Américas e a tratar os estadunidenses como os únicos americanos ou norte-americanos, chamados a modelar os demais países e povos de nosso continente segundo seus interesses, escolhas e tradições.
Habituemo-nos a chamar os Estados Unidos de Estados Unidos e seus cidadãos, habitantes e instituições de estadunidenses, como são. Recuperemos nossa estima e nossa autonomia.
Duarte Pereira, 72 anos, é jornalista e escritor. Via Correio da Cidadania.

O Dia Internacional da Mulher foi estabelecido pela ONU no dia 8 de março graças à grande e trágica mobilização de trabalhadoras norte-americanas, nesse dia, em 1857, operárias têxteis de uma fábrica de Nova York entraram em greve, ocupando a fábrica, reivindicando a diminuição da jornada de trabalho de até mais de 16 para 10 horas. Elas, que recebiam menos de um terço dos homens, foram fechadas na fábrica, onde ocorreu um incêndio e 130 delas morreram queimadas.
Desde então, é inegável que, vindo de uma situação tão degradante, a mulher conquistou direitos, espaços, voz. O século XX foi praticamente o primeiro em que ela passou a ser protagonista da história, obtendo certos espaços institucionais, mas principalmente se firmando na produção artística e cultural.
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Texto escrito por Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo. Este texto foi editado. Para ler a versão completa por favor visite Viomundo.
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Notadocomprimido: Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, estou postando aqui no blog uma matéria inédita que produzi para o Jornal Laboratório Campus da Universidade de Brasília. Trata-se de um texto sobre o aborto. Por se tratar de um meio de comunicação público, escrevi com a intenção não de promover a minha opinião sobre o assunto, mas sim de levar aos leitores um pouco de reflexão sobre o tema. Sugiro também a leitura completa do texto do prof. Emir Sader (acima). Boa leitura!
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Elas decidem
Três histórias sobre aborto
Por Thiago Vilela
“Ter um filho nunca me passou pela cabeça”, afirma Sara. A jovem brasileira mora na Europa. Sempre disse que morreria sem ter um filho “e separaria se meu marido quisesse um”. Soninha é estudante da Universidade de Brasília (UnB). Nunca soube se queria ter filhos no futuro: “Como eu criaria meus filhos nesse mundo terrível?”. Thaís tem um filho, trabalha como funcionária pública e não pretende engravidar novamente.
Segundo pesquisa realizada em 2010 por pesquisadores da UnB e do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis), a frase de Sara é repetida centenas de vezes diariamente. No Brasil, uma em cada cinco mulheres já realizou um aborto.
Soninha sente enjoo pela manhã, durante a aula e à noite. E também no dia seguinte. Receosa, compra o teste de farmácia. Temerosa, vai ao ginecologista. Incrédula, pega o resultado do ultrassom. Está grávida.
Sara sabe que sua menstruação está atrasada. Não vem há quase dois meses. Falta coragem para enfrentar a realidade. Após exatas oito semanas, compra o teste de gravidez. Positivo.
Thaís conhece os sintomas. E já havia abortado uma vez. Mãe católica e pai militar, ela prefere guardar segredo da família. Na Ceilândia, compra os remédios.
Pelo Código Penal Brasileiro de 1940, provocar aborto pode resultar em pena de um a três anos de detenção. É uma das leis mais restritivas do planeta. No mundo, o aborto é permitido** em 56 países, que juntos representam 40% da população mundial.
“Eu não queria preocupá-los.” Soninha guarda segredo dos pais. “Eu fiquei com medo deles não me apoiarem, quererem que eu tivesse o filho. Eu não estou preparada para isso.” Apenas o namorado e duas amigas sabem. Sozinha, encontra um site na internet que importa remédios de outros países. Cruza os dedos para que dê certo.
Sara conta para os pais. “Minha mãe estava desconfiada, por causa da tontura e dos enjoos. E eu precisava da ajuda deles. Eles levaram numa boa. Meu pai me levou ao ginecologista e me acompanhou durante todo o procedimento.” De férias na Inglaterra, o aborto acontece lá mesmo, onde é legalizado desde 1967.
O sentimento é de medo. “Acho que o mais difícil é conseguir ajuda. Me senti muito sozinha. Parecia que ninguém nunca fez aborto, e eu senti medo de dar errado.” Mas Soninha está segura de sua decisão. Depois de duas semanas, o remédio chega pelo correio. O procedimento irá durar 48 horas.
Chegando ao hospital, Sara se depara com dezenas de jovens esperando atendimento. “Conheci meninas da minha idade que já haviam abortado, lá isso não é tabu. O aborto é legal e o procedimento é bem comum, inglesas também ficam grávidas cedo.” Sara está com mais de oito semanas de gravidez, impossibilitando o uso de medicamentos abortivos. Decide pela cirurgia. Irá durar no máximo uma hora.
De posse dos remédios, Thaís repete o procedimento. Na manhã seguinte, os enjoos continuam. O teste confirma: continua grávida. Ela aumenta a dose do medicamento. Funciona.
Depois de semanas grávida, Soninha finalmente acorda de uma noite sofrível: “As cólicas eram muito fortes”. O primeiro comprimido foi tomado à noite, quando começaram as dores e o sangramento. Com analgésicos e compressas quentes, o namorado e a amiga tentavam diminuir o sofrimento. Conforme orientação recebida via email, 24 horas depois ela toma o medicamento que faltava. Os sintomas se intensificam ainda mais.
“O aborto é uma experiência muito forte. Em relação ao meu corpo, foi um alívio. Grávida, eu me sentia muito mal, parecia outra pessoa. Gritava com meu namorado, sentia enjoo o tempo todo. Foi muito bom voltar a me sentir eu mesma.”
Sara entra na sala de operações. “Deitei numa cama e me deram anestesia geral. Acordei meia hora depois, ainda um pouco tonta.” É levada de maca para uma sala de repouso. “Depois de 20 minutos descansando, ganhei um sanduíche e fui para casa normalmente.”
Thaís não está mais grávida, mas o feto continua em seu corpo. Decide ir ao hospital fazer uma curetagem. O procedimento é simples, porém arriscado e doloroso. “O médico raspa o útero da mulher com a cureta, uma ferramenta que parece uma colher de pedreiro”, revela uma amiga.
Depois de dois dias, ela começa a ter febre. Descobre que está com uma infecção generalizada. Depois de passar por três hospitais diferentes, ela é internada no dia do aniversário de seu filho. A mesma amiga recorda: “Poucas pessoas sabiam e não se podia falar sobre isso. Ficou um clima muito estranho. As pessoas começaram a levantar hipóteses e a criar histórias”.
Passada a cirurgia, Sara se sentia bem. “Voltei a uma vida normal rapidamente e na minha casa nunca mais se falou no assunto.” Soninha conseguiu tirar um significado positivo de tudo que aconteceu. “Eu parei para pensar muito mais no que eu queria para a minha vida.” Depois de uma semana sentindo muita dor, Thaís faleceu***.
Importante: Todos os nomes citados neste texto são fictícios. As histórias são absolutamente reais. Acompanhei pessoalmente o aborto de Soninha e conversei diretamente com Sara. Para contar a história de Thaís entrevistei duas de suas amigas mais próximas.
** Nesses países, o aborto é permitido sem nenhuma restrição até a 12ª semana gestacional. O Brasil está incluído em um grupo de 68 países que reúnem 26% da população mundial, nos quais a prática só é admitida em circunstâncias específicas. Os dados são do Center for Reproductive Rights, organização norte-americana voltada para o tema (http://reproductiverights.org/).
*** Thaís morreu após cinco dias de internação (sete dias depois de ter ingerido os medicamentos abortivos). Como a família não fez uma autópsia, não há meios para comprovar se há ligação entre os eventos. Segundo médico consultado pelos amigos mais próximos, é bastante provável que tenha havido contaminação no procedimento de curetagem. No Brasil os médicos não respeitam a lei e tratam mal mulheres que chegam ao hospital por terem realizado aborto (ou, o que é ainda pior, que tenham os sintomas parecidos). Para mais informações sobre este assunto leia o texto da Conceição Lemos.

Você conhece a legislação brasileira?

Qual sua opinião sobre o filme?
Texto enviado via #SEJAMÍDIA
Oi gente,
Me chamo Raquel, tenho 17 anos e sou aluna do último ano do Ensino Médio. Escrevo pra vocês porque gostaria de publicar minha opinião sobre o filme recém lançado Tropa de Elite 2. Acho que em meio a toda essa crise que acontece agora no Rio de Janeiro, o tema dos dois filmes da série ficou bem mais evidente.
Na verdade, eu escrevi o texto quando havia voltado da escola e dabatido o filme com alguns colegas. Fiquei muito revoltada quando descobri que NINGUÉM compartilhava da mesma opinião que a minha. Decidi liberar toda a minha frustração nesse texto e agora gostaria que ALGUÉM o lesse HAHAHAHA. Eu tinha escrito o texto e publicado no meu blog, mas tinha escrito algo antes. Vou tentar alterar o começo pra não parecer que começei do nada.
Eis aqui a polêmica: (perdão pelos palavrões, é licença poética! haha)
Uma coisa que eu gostaria de comentar faz um tempinho até, diz respeito ao filme Tropa de Elite. Assisti o 2 no cinema duas vezes e ele me fez pensar muito. E essa é outra coisa que me deixa puta HAHAHAHA. Vamos começar pelo primeiro. Acho que todos concordamos que o primeiro é um puta de um filme, certo? Não só pelo retrato da realidade das favelas e do tráfico, como do Bope. Achei ótimo que esse filme, com a dimensão que assumiu, tirou um pouco do preconceito que a população tinha a respeito dos filmes brasileiros. Galera que acha que só porque é brasileiro é uma merda e prefere ficar assistindo American Pie.
Mas o que me preocupou foi na verdade o que ficou desse filme pras pessoas.
Via Cidadania.com, o blog do Movimento dos Sem Mídia.
Prezados amigos,
O Movimento dos Sem Mídia, que presido, representou à Procuradoria-Geral Eleitoral contra os quatro grandes institutos de pesquisa para que as sondagens que fizeram em 2010 e que farão sobre a sucessão presidencial deste ano seja auditadas, de forma que se tenha garantias de que não influirão no processo eleitoral de forma fraudulenta.
Venho pedir vosso apoio em seus veículos de comunicação para que o maior número possível de internautas deixem comentário de apoio à representação no Blog Cidadania. Esses comentários serão compilados e juntados à representação à Justiça Eleitoral. Desta maneira, sugiro um preâmbulo em cada veículo que remeta ao blog do MSM, onde os comentários serão apostos.
Creio firmemente que, por sua consistência jurídica, a Representação em tela se constituirá em uma espécie de “vacina” contra possíveis fraudes daqueles institutos sobre os quais pesam acusações, e poderão provocar punições aos que eventualmente tiveram praticado algum tipo de malfeito no que tange ao processo eleitoral democrático do país.
Peço que utilizem a versão da Representação do MSM publicada no Blog Cidadania (http://edu.guim.blog.uol.com.br), a qual adaptei para ser publicada na internet.
Saúdo a todos e agradeço a eventual colaboração de cada um com esta causa cidadã.
Eduardo Guimarães