Remoções no Rio são marcadas pela truculência

O engenheiro Eliomar Coelho é vereador pelo PSOL no Rio de Janeiro.

Ele tentou abrir uma CPI para investigar as remoções que precedem as obras da Copa do Mundo de 2014 e das Olimpíadas de 2016.

Fracassou, quando vereadores voltaram atrás e retiraram assinaturas.

Eliomar diz que os moradores não são necessariamente contra os megaeventos, apenas querem ser tratados com respeito e receber o que lhes é devido.

Porém, o orçamento das obras é gordo para os empreiteiros e magro para os removidos.

O vereador denuncia que o Executivo municipal — do prefeito Eduardo Paes, do PMDB –, a mídia e o Judiciário estão atropelando ou se omitindo diante do atropelamento dos direitos dos pobres.

Eliomar Coelho deu a entrevista que segue à repórter Manuela Azenha, do VioMundo.

Viomundo – Vocês tentaram instalar a CPI das Remoções mas não conseguiram. O que houve?

Eliomar Coelho – Para a instalação de fato ocorrer teria que ser deferido um requerimento feito à mesa diretora solicitando a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Para nós fazermos essa solicitação, teríamos que colher a assinatura de 17 vereadores, que é o mínimo exigido. Não conseguimos as assinaturas. Foi um trabalho muito árduo. Inclusive, teve um dia em que a representação dessas comunidades que já passaram ou estão previstas para passar pelo problema da remoção estiveram aqui na Câmara e conversaram com os vereadores. Nós conseguimos 15 assinaturas, faltavam quatro. Conseguimos três, ficou faltando mais uma. Estávamos no caminho de conseguir, aí um dos que tinham assinado retirou a assinatura. Isso aconteceu no Congresso Nacional, em relação à CPI que estavam querendo fazer dos Transportes. Parece que virou moda retirar assinaturas e é claro que isso significa uma pressão muito forte por parte do Executivo. Essa é a verdade.

Viomundo – Quem retirou as assinaturas?

Eliomar Coelho – Inicialmente, dois vereadores, que nós conseguimos repor. Mas aí o vereador retirou mais uma vez e praticamente inviabilizou porque você não consegue assinatura de ninguém para que seja aprovada a CPI.

Viomundo – Por que é praticamente impossível conseguir as assinaturas? O problemas das remoções não é um fato?

Eliomar Coelho – É um fato, mas não um consenso (risos). Se você ouve a representação das comunidades removidas ou previstas para serem removidas, eles entendem que se a implementação de um determinado empreendimento é para o desenvolvimento da cidade e a comunidade está sendo um obstáculo para isso, não são contra o empreendimento. O que eles desejam é ser tratados como deveriam ser. Se você mora num determinado local, que é tranquilo, embora simples, onde você tem a sua vivência há muito tempo, e hoje tem o valor de 50 ou 60 mil reais, você pensa o seguinte: para sair de onde estou vivendo bem, teria que me ser oferecido algo nas mesmas ou melhores condições.

Viomundo – Isso é o que a lei diz, né?

Eliomar Coelho – E é o que os moradores querem. O que está acontecendo é uma ação que eu costumo qualificar como perversa, devido à truculência como ela é desenvolvida. Quem tem comandado este infeliz espetáculo é o Executivo municipal, que teria como obrigação exatamente agir em defesa dessas pessoas. Essa é a realidade. O pessoal do Executivo, os empreendedores imobiliários e as empreiteiras são os atores envolvidos diretamente nessa questão. Nós entendemos completamente diferente. É uma via expressa que se pretende se construir, uma trans desta qualquer, então a primeira coisa que se deve definir é um projeto — qual será exatamente o traçado dessa via. Se você tem o traçado, automaticamente, vamos identificar obstáculos. Identificados os obstáculos, vamos tratar de removê-los mas se contém pessoas, seres humanos, vamos tratá-los de forma adequada. É isso que a gente deseja e é o que não está acontecendo.

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Catalão: um verdadeiro canteiro de obras

Por Thiago Vilela

Um crescimento que superou os 600%. Este foi o aumento registrado no Produto Interno Bruto (PIB) de Catalão entre 1999 e 2006. Os números, fornecidos pela prefeitura da cidade, são o reflexo de um desenvolvimento econômico acima da média do Brasil. No mesmo período, o PIB brasileiro cresceu cerca de 240%, enquanto o de Goiás ficou em torno dos 320%.

Em números absolutos, isso significa dizer que o PIB de Catalão subiu de R$ 408,4 mil para R$ 2,488 milhões. Enquanto o PIB brasileiro pulou de R$ 960,8 milhões para R$ 2,322 trilhões. O resultado é que Catalão hoje, com apenas 81 mil habitantes, tem a sexta maior economia do Centro-Oeste e a terceira de Goiás.