
“Se tivéssemos vencido, seríamos os heróis. Como perdemos, seremos julgados pelos nossos atos”.
A frase pode não ter sida dita por Hitler poucos minutos antes de seu suicídio, mas certamente teria feito todo o sentido. Aliás, se relaciona muito bem com os últimos acontecimentos do III Reich.
Hoje visitei o campo de concentração de Sachsenhausen, nos arredores de Berlim. Criado ilegalmente ainda pelas forças secretas do Partido Nacional-socialista, depois da tomada do poder ele rapidamente se converteu num dos campos mais importantes do regime, servindo de modelo e base de comando para todos os demais.
Uma coisa que percebi aqui na Europa, apesar de já ter estudado isso na escola, é quanto o povo judeu foi perseguido. Por toda a Europa e durante todos os séculos os judeus foram tratados de maneira, digamos, desrespeitosa por praticamente todos os povos. Você visita uma cidade que nem tem nada haver com o nazismo e eles te falam que tal bairro é judeu e que os católicos viviam lá atazanando a vida deles. E por atazanando eu digo perseguição, preconceito e assassinatos mesmo.
Porra, como é que os católicos ainda tem a cara de pau de negarem que apoiaram o holocausto? Omissão também é crime.
Participação velada ainda mais.
A diferença da perseguição nazista para todas as experiências anteriores são principalmente duas:
1. Uma coisa é preconceito contra negros. Outra é escravidão. Quando o Estado assume expressamente que um tipo de pessoa é inferior a outra, promove perseguição, exploração e extermínio direto daquele povo a situação tá feia.
Ok, mas até aí está exatamente igual ao caso dos negros e da escravidão. Só não tinha extermínio direto porque escravo custava dinheiro, e ninguém queima dinheiro.
2. A diferença é que judeus ricos que haviam fugido do III Reich ou ainda de outras partes do mundo agora possuíam dinheiro. E dinheiro é poder.
Uma coisa é colocar o negão na jaula e chamar de macaco. Outra completamente diferente é queimar o judeu e depois ir pedir dinheiro pro banqueiro – judeu.
Não estou falando que este foi o único motivo. Só pensem sobre isso.
Depois das tropas soviéticas libertarem todos os prisioneiros, chegando em casa eles perguntaram aos vizinhos, aos amigos, “porque vocês não fizeram nada?”
“Não havia alternativa”.
Amigos, sempre há opção. Lembra do “Você tem opção. Você tem o PSOL?”
O que falta é coragem (ok, a propaganda do PSOL tem haver mas foi só pra ficar engraçado haha).
É que nem quando eu escuto alguém dizendo que adora o vegetarianismo, mas não consegue deixar de comer aquela picanha no final de semana. E agora falando sério. Pra mim esse é o pior tipo de pessoa. Se você acha que está fazendo algo correto, que te faz bem, se tem os argumentos para continuar fazendo: ok. Posso não concordar, posso tentar te convencer do contrário, posso tentar te mandar pra cadeia (-QQ), mas respeito a sua posição.
Agora, como é que a pessoa julga estar fazendo uma coisa errada e, só porque é socialmente aceito, continua fazendo? É no mínimo de um sadismo impressionante! Ou uma falta de vontade e de personalidade espetacular, não sei o que seria pior.
Foi exatamente esta a base da escravidão, do holocausto, de todo tipo de preconceito e de qualquer praga que tenha sido produzida pela nossa sociedade.
Coloquei como foto da matéria trecho do filme “A Lista de Schindler” não por coincidência. Para quem não conhece, sugiro que o assista.
No início, as mortes nos campos de concentração, além das ‘naturais’ (fome, frio, cansaço etc) eram feitas individualmente. Os campos de concentração, como o próprio nome diz, não tinham como objetivo principal matar os seus integrantes. Eles eram usada como mão de obra escrava. Mas acabava, digamos assim, acontecendo.
A questão é que as pessoas eram mortas e mortas e isso chegou a tal ponto que os soldados começaram a ser afetados por aquilo. Ninguém mata dezenas de vidas sem nenhum motivo e vai pra casa dormir tranquilamente. Isso não é natural para nenhum ser vivo.
A solução, óbvia, era acabar com as mortes. Ou, é claro, dar um jeito de matar as pessoas sem envolver diretamente os soldados.
Olhos vendados? Fuzilamento? Guilhotina? (ah não, muito demodê).
Nascem os campos de extermínio.
Assim, além de roubar seus principais pertences, fazê-los trabalhar em fábricas, plantações e todos os tipos de serviços, os judeus/homossexuais/comunistas/ciganos e todos os perseguidos ainda eram mortos no final das contas.
Tá certo que o próprio Hitler dizia que os campos de extermínio eram a ‘solução final’.
Mas apenas por um motivo: Afinal de contas, morto não dá lucro.
Notadocomprimido: Também fiz um vlogzinho sobre a cidade. Não tem nada haver com o texto acima, mas como faz parte do mesmo episódio, segue aí embaixo hehe. Prometo que está muito mais divertido do que essas coisas que eu escrevi aí em cima (claro né qq coisa é mais divertida que as reflexões que eu fiz haha). Se divirtam aí e até a próxima!
Por Faith Thomas, do site de-world.de
Celebrar o nascimento de um menino judeu, na Alemanha nazista, era impensável: a saída dos nacional-socialistas foi instrumentalizar o Natal, descristianizando-o. Certas mudanças perduram até hoje. Exposição em Colônia esclarece.
O Natal é o ponto alto no calendário religioso da Alemanha. Muitas das tradições, imagens e melodias cultivadas ao redor do mundo têm sua origem nos países de língua germânica. Estrelas cintilantes decorando a árvore, um angélico bebê de cabelos claros, presentes embalados com esmero, canções entoadas por coros de igreja – na Alemanha, tudo isso faz parte das festividades em torno do nascimento de Jesus Cristo.
Entre 1933 e 1945, sob o Terceiro Reich, o Natal era exatamente tão popular quanto hoje. Só que a homenagem ao nascimento de um menino semita – ainda que celebrado como o Redentor cristão – era coisa difícil de conciliar com as máximas e metas dos nazistas no poder. Em consequência, os ideólogos de Adolf Hitler decidiram extirpar o simbolismo cristão da festa.