Governador não tem que cumprir a lei? 712 reais e o servente de pedreiro.

Professor protestando contra piso salarial*

Há mais de 100 dias em greve, os professores de Minas Gerais estavam acampados na Assembleia Legisativa de Minas Gerais (ALMG) na última quarta-feira (21) exigindo que o governo cumprisse a lei.

“Nós queremos simplesmente que o governo cumpra a lei. Não precisava de mais nada. Nós não estamos pedindo aumento. Nós não estamos pedindo nada. Só respeito aos alunos e profissionais da educação. A lei só existe para o trabalhador? Governador não tem que cumprir a lei?” – pergunta a professora Marilda Cesário.

Explico: O atual piso salarial dos professores de Minas é de 369 reais. O valor correto, estabelecido pelo MEC, é de 1187.

O governo, generoso como ele só, propôs um acordo de 712 reais. Tal valor, entretanto, incluiria as qualificações. Dessa forma, não importa se o profissional fez mestrado, doutorado ou qualquer curso profissionalizante: seu salário seria 712 reais.

Diante de tal proposta, os cidadãos não tiveram outra saída senão manter a occupação e rezar pelo menos pior.
Entre tantos absurdos acontecendo simultaneamente, eis que um dos professores, desiludido, pensa:

- Será que dá para ficar pior?

Sempre dá.

Impedido de entrar na Assembléia, o jornalista Flávio Castro, assessor do deputado estadual Luis Humberto Carneiro (PSDB), provocou os professores:  “Se eu ganhasse 712 [reais], ia ser servente de pedreiro”.

Veja no vídeo aos 04:40:

[youtube:http://www.youtube.com/watch?v=bFB51ESJ39M 350 350]

Com uma só tacada, conseguiu faltar com o respeito com os professores, que estavam senão exigindo o mínimo necessário para exercerem o seu trabalho, e com os serventes de pedreiro, uma profissão tão ou mais digna do que a do nobre acessor.

Para continuar vendo a reportagem da Record, clique aqui.

Notadocomprimido: tentei pensar em alguma coisa para escrever aqui, mas é um absurdo tão grande que nem tem o que comentar. TREZENTOS E SESSENTA E NOVE REAIS? WTF? Próxima vez que algum gringo me perguntar sobre um filme de terror irei sugerir que estude a educação brasileira. Aterrorizante. * PS: a foto da matéria é pra provocar mesmo, obviamente não é de um dos professores.

MST: As respostas que o Globo preferiu não aproveitar


Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?

Da Página do MST

O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.

Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.

A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.

A repórter até então interessada não entrou mais em contato. E a reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.

Por que será?

Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST que não saíram em O Globo.

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?

Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações — privataria — e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos — tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.

Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.

Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal — ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato — também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?

O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Por que não vemos indignação contra a corrupção?

Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.

Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.

As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay…e por que não contra a corrupção?

Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.

Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes — como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul — mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.

A sensação é de impunidade?

Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve com a devolução do dinheiro roubado…

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(…) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”

Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.

São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF –- por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF — que acabam naturalizando a impunidade junto a população.

Google: O amor é importante, porra!

Vá ao google imagens e busque por “o amor é importante” (ou, se tiver com preguiça, clique aqui).

 

Muro da Consolação, São Paulo. Foto: Fábio Candeias

Sofrimento. Tortura. Tragédias. Desilusão.

Chega uma hora que é preciso gritar. Se manifestar. Rebelar-se.

Aquele momento em que você pega o jornal, lê aquele monte de excrementos entre dezenas de anúncios bonitos e pensa:

O amor é importante, porra!

Quase como um viral, essa frase começou a se espalhar pelos muros da cidade de São Paulo há algum tempo e agora vem ganhando força também na internet.

Segue matéria do internet cidade:

Essa foto (acima) está pixada no cemitério da rua da Consolação, vista no sentido Centro-Rebouças. Há notícias também do mesmo “grito” em Pinheiros-Vila Madalena. Tem ainda um cartaz na rua Augusta. E deve estar circulando loucamente na “twittesfera”.

Logo pela manhã, na última quarta-feira, subindo para uma reunião (aquelas famosas…), o impacto foi grande e ressoou na cabeça ao longo do dia. Simples, mas direto, com um “punch” nocauteante. Acordei. Nestes tempos, um tanto sórdidos, quem têm falado do amor? Nos noticiários, nas manchetes, em toda essa confusão (que não é minha, não é nossa)…em meio a essa busca insana de mercados, de superávits, de poder, dos bônus (sem os ônus), em meio a todo o “meltdown”, de tudo o que é sólido e se desmancha no ar, o que é importante? “Meu amigo…o amor é importante…”. Sim, como numa música do Roberto, todos estão surdos. Daí, o grito, o furor!???

A pixação lembra uma outra, também marcante, talvez de uns 30 anos atrás. A célebre “Sem tesão não há solução” – eternizada pelo escritor e terapeuta Roberto Freire – foi pixada no mesmo muro do cemitério da Consolação. Dela, surgiu todo um conceito e um livro, que movimentou e ainda movimenta gerações. Juntando esse desespero anônimo em 2009, e aquela frase clássica da década de 1980, quem sabe também anônima mas registrada pelo Roberto, arrisco a dizer:

“Sem amor, não há tesão nem solução, porra!”

 

Notadocomprimido: o blog ocomprimido, como é explicado no “Sobre Nós“, nasceu justamente para mostrar o outro lado da notícia. O lado do oprimido. O lado mais poético. O lado mais humano.

Talvez tenhamos perdido um pouco deste ideal ao longo do tempo. O amor é importante, porra! Sem amor, não há tesão nem solução. Sem amor, como disse uma vez um músico, nada seríamos. Irei me esforçar para não esquecer disto novamente. Conto com a participação de vocês. Até lá!

Espanha: Os ”indignados” e a Comuna de Paris

Talvez por uma dessas surpresas da história o grande levantamento popular que hoje comove a Espanha (e que começa a reverberar no resto da Europa) estala na coincidência com o 140° aniversário da Comuna de Paris, um gesto heróico na qual a demanda fundamental também era a democracia. Mas uma democracia concebida como governo do povo, pelo povo e para o povo, e não como um regime a serviço do patronato e no qual a vontade e os interesses populares estão inexoravelmente subordinados ao imperativo da ganância empresarial.

Precisamente por isso as demandas dos “indignados” tem ressonâncias que evocam imediatamente aquelas que, com as armas em mãos, saíram para defender as parisienses e os parisienses nas heroicas jornadas de 1871 e que culminaram com a constituição do primeiro governo da classe trabalhadora, claro que restrita à cidade de Paris. Um governo que durou pouco mais que dois meses e que logo foi aplastado pelo exército francês com a aberta cumplicidade e cooperação das tropas de Bismarck, que pouco antes lhe havia infligido uma humilhante derrota aos herdeiros dos exércitos napoleônicos.

A crueldade contra os parisienses que tiveram a ousadia de querer tomar o céu por assalto e fundar uma democracia verdadeira foi terrível: calcula-se que mais de trinta mil comuneiros foram esmagados pelas armas, em execuções sumárias sem juízo prévio. A Comuna foi afogada em um rio de sangue e, para indenizar seus “crimes”, a Assembleia Nacional decidiu erigir, na coluna mais elevada de Paris, em Montmartre, a Basílica de Sacré Coeur, construída com os fundos recolhidos por uma subscrição popular em toda França que, para honra dos parisienses, só uma ínfima parte do arrecadado proveio da cidade martirizada pela reação.

Paris foi derrotada, mas as parisienses e os parisienses não foram postos de joelhos. A Comuna desacreditava a institucionalidade burguesa, insanavelmente corrupta porque sabia que a este aparatoso emaranhado de leis, normas e agências governamentais só lhe preocupava consolidar a riqueza e os privilégios das classes dominantes e manter submetido ao povo; exigia uma democracia direta e participativa e a derrogação do parlamentarismo, essa viciosa deformação da política convertida em oca charlatanice e âmbito de todo tipo de transações e negociações alheias por completo ao bem-estar das maiorias; demandava a criação de uma nova ordem política, executiva e legislativa, desta vez, baseada no sufrágio universal (homens e mulheres igualmente, não como ocorreria depois nos capitalismos democráticos nos quais o “universal” se referiria exclusivamente aos machões) e com representantes revogáveis e diretamente responsáveis ante seus mandantes.

 

Manifestação em Madrid

Os comuneiros queriam uma democracia genuína, não fictícia, na qual tanto os representantes do povo como a burocracia estatal não gozaria de privilégios algum e terão uma remuneração equivalente à do salário médio de um operário, entre outras madidas tais como a consumação da separação entre a Igreja e o Estado e a universalização da educação laica, livre e obrigatória para homens e mulheres igualmente.

Basta olhar os documentos dos “indignados” de hoje para comprovar a assombrosa atualidade das demandas dos comuneiros e o pouco, muito pouco, que mudou na política do capitalismo. Os jovens e não tão jovens que reinventam cerca de 150 praças da Espanha não são “apolíticos”, ou “antipolíticos”, como certa imprensa nos que fazer acreditar, mas pessoas profundamente politizadas que levam a sério a promessa de democracia e que, por isso mesmo, rebelam-se contra a falsa democracia, oriunda das entranhas do franquismo e consagrada no tão aplaudido Pacto de la Moncloa, exibido como um ato exemplar de engenharia política democrática ante os povos latino-americanos.

Uma democracia que os acampados denunciam como um engano, um simulacro que sob suas roupas engomadas oculta a persistência de uma cruel ditadura que descarrega o peso da crise desatada pelos capitalistas sobre os ombros dos trabalhadores.

O que a “exemplar” democracia da Moncloa propõe para enfrentá-la é o despotismo do mercado, inimigo irreconciliável de qualquer projeto democrático: facilitar as demissões dos trabalhadores, reduzir seus salários, cortar os direitos trabalhistas, congelar as pensões e aumentar a idade necessária para aposentar-se, diminuir o emprego público, cortar os orçamentos de saúde e educação, privatizar empresas e programas governamentais e, coroando tudo isto, reduzir ainda mais os impostos às grandes fortunas e às empresas para que com o dinheiro excedente invistam em novos empreendimentos.

A famosa e mil vezes refutada “teoria do derrame”, uma vez mais, supõe que o povo é idiota e que não se dá conta que se os ricos tem mais dinheiro é requerido um milagre para que não sucumbam ante a tentação do cassino financeiro global para investir na criação de empresas criadoras de novas fontes de trabalho. A experiência indica que a tentação é muito grande.

A resposta da falsa democracia espanhola – na realidade, uma sórdida plutocracia que os jovens querem destronar e substituir por uma democracia digna desse nome – ante a crise provocada pela insaciável voracidade da burguesia é aprofundar o capitalismo, aplicando as receitas do FMI até que a sociedade se sangre e afunde no desânimo e a miséria aceite uma “solução neofascista” que recomponha a ordem perdida.

Não há transformação possível dentro da trama pseudodemocrática espanhola porque seu famoso bipartidarismo demonstrou não ser outra coisa que as duas caras de um só partido: o do capital. Mas agora a conspiração entre o PSOE e o PP encontrou-se com um obstáculo inesperado: alentado pelos ventos que desde o norte da África cruzam o Mediterrâneo, os jovens, vítimas principais do saque, “disseram basta e começaram a andar”, como uma vez o expressou o Comandante Ernesto “Che” Guevara em seu célebre discurso de 1964 ante a Assembleia Geral das Nações Unidas.

Nada voltará a ser como antes na Espanha. O desprestígio de sua classe política parece ter ultrapassado o ponto de não retorno e a crise de legitimidade da pseudo democracia chega a profundidades insondáveis; se egípcios e tunesinos puderam desfazerem-se das corruptas camarilhas governantes, por que também não poderiam fazer os “indignados”? As obscenas incoerências éticas do verdadeiro reitor da economia espanhola, o FMI, não pode mais que irritar e mobilizar as camadas cada vez mais amplas de cidadãs e cidadãos: enquanto estes padecem todo tipo de corte em suas rendas e seus direitos trabalhistas, os bandidos do FMI decidem premiar Dominique Strauss-Kahn com uma indenização de 250 mil dólares por ter renunciado antecipadamente ao seu cargo … e por ter incorrido em um gravíssimo delito como o assalto sexual a uma trabalhadora africana em um hotel de Nova York!

Afora isso, desfrutará de uma suculenta aposentadoria que é negada a milhões de espanhóis e europeus em Portugal, Grécia, Irlanda, Islândia … E essa são as pessoas que dizem saber como se sai da situação que estão afundando o mundo na pior crise econômica da história! Sem haver lido os clássicos do marxismo a vida ensinou aos “indignados” que não há democracia possível sob o capitalismo, que, como dizia Rosa Luxemburgo, sem socialismo não há nem haverá democracia, e que o capitalismo é insanavelmente antagônico à democracia. A história deu um veredito inapelável: mais capitalismo, menos democracia, no Norte opulento e industrializado igualmente ao Sul global.

A vida lhes ensinou também que quando juntam suas vontades, organizam-se e se educam no debate de ideias para superar a estupidificação de massas programada pela indústria cultural do capitalismo, sua força é capaz de paralisar a partidocracia e colocar em crise a pseudo democracia com que os enganava. Se persistem em sua luta poderão também derrotar a prepotência do capital e, eventualmente, iniciar uma nova etapa na história não somente da Espanha, mas também da Europa. Os povos do mundo inteiro apontam hoje seus olhos às ruas e praças da Espanha, onde está sendo realizado um combate decisivo

Traduzido para Diário Liberdade por Lucas Morais.

Antes do Rock in Rio, vem aí Obama in Rio!!

Elogie a visita de Obama e ganhe um espelhinho (via @viomundo)

Via Vermelho

Os movimentos sociais brasileiros consideram o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, persona non grata no Brasil e repudiam a sua presença no país. Durante sua primeira visita ao Brasil, Obama fará um discurso na Cinelândia, no centro do Rio de Janeiro, no próximo domingo (20). O evento terá início a partir das 11h30. O discurso do presidente americano será traduzido.

Obama chegou à presidência dos Estados Unidos em 2008 depois de uma propaganda eleitoral que pregava “mudanças”, em oposição ao belicismo e à desastrosa administração na economia realizada por seu antecessor, George W. Bush.

De acordo com o consulado americano, durante sua visita, Obama passeará pelo Cristo Redentor e na favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Obama deve se reunir, em Brasília, com a presidente Dilma Rousseff, participará de um almoço no Itamaraty e de um jantar no Palácio do Planalto, acompanhado da mulher, Michelle, e das filhas Malia e Sasha.

O voo que traz Obama ao Brasil está programado para aterrissar na Base Aérea de Brasília às 8h de sábado (19). Após desembarcar, o primeiro compromisso de Obama será um encontro com a presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, às 10h.

Em entrevista ao Portal Vermelho, a ativista Socorro Gomes, presidente do Conselho Mundial da Paz e do Centro Brasileiro de Solidariedade e Luta pela Paz (Cebrapaz), disse que a visita será marcada pelo enérgico repúdio que os movimentos sociais manifestarão à presença de Obama no Brasil.

Segundo ela, “os movimentos sociais como o Cebrapaz e as entidades que integram a Coordenação dos Movimentos Sociais [CMS) devem manifestar o repúdio à visita de Obama ao Brasil. A nossa mídia diz que Obama vai fazer e acontecer no Brasil, mas na realidade ele vem para cá para impor a agenda do imperialismo na região”.

Leia a seguir a íntegra da entrevista:

Portal Vermelho: O que o Cebrapaz pretende fazer durante a visita de Obama ao Brasil?

Socorro Gomes: Os movimentos sociais, como o Cebrapaz e as entidades que integram a Coordenação dos Movimentos Sociais [CMS) devem manifestar o repúdio à visita de Obama ao Brasil. O que os Estados Unidos têm feito na América Latina é um mau exemplo. A nossa experiência mostra que os EUA não nos veem como amigos, mas como terra para explorar, dominar e saquear. Querem saquear recursos naturais, controlar os nossos mercados e dominar nossos povos [da América Latina].
Por isso os povos latino-americanos buscaram outro caminho de independência e soberania. Nossa história foi escrita com muito sangue e sofrimento, com ditaduras, invasões militares, complôs patrocinados pela CIA, assassinatos de presidentes. Nossa história testemunha a truculência e a força bruta do imperialismo americano em nosso território.

Portal Vermelho: Quais são os verdadeiros motivos da viagem?

Socorro Gomes: Obama fala em paz, em Direitos Humanos. Mas sua administração não cumpriu com as promessas feitas em sua campanha eleitoral, que dizia serem “sagradas”. O desmantelamento da prisão de Guantânamo é promessa não cumprida e que não vai se cumprir em seu mandato. Ele tem total descompromisso com a paz. Não se discute sequer a situação de Guantânamo, uma área militar ocupada contra a vontade do povo cubano.

Obama vem ao Brasil para falar de Direitos Humanos e Paz, mas ao mesmo tempo dá total apoio ao regime israelense quando invade, ocupa e promove a colonização de territórios palestinos.

Hoje, os Estados Unidos articulam uma intervenção militar contra a Líbia, demonstrando completo desrespeito à soberania dos povos.

Na América Latina, aprofundou a ingerência militar. Honduras, Panamá e Colômbia são exemplos gritantes disso. A manutenção da Quarta Frota da Marinha de Guerra americana, criada por Bush em junho de 2008, também desmente Obama e configura-se numa grande ameaça à soberania e à paz no continente latino-americano.

O que Obama vem fazer aqui é discurso retórico, descompromissado com suas atitudes, que têm ido no rumo contrário à paz e ao Direito Internacional. O regime americano mantém 50 mil soldados na ocupação do Iraque, além da ocupação do Afeganistão, que Obama declarou ser a “sua guerra”. O Nobel da Paz caminha no sentido contrário ao da paz e da amizade entre os povos.

Portal Vermelho: Entre outros assuntos, Obama deve abordar as relações que o Brasil tem com Venezuela e Cuba de forma a pressionar por outro caminho…

Socorro Gomes: As nossas relações com outros povos são relações de países soberanos, que prezamos muito, e não aceitamos ingerências sobre elas. Com a Venezuela temos interesses comuns, como o Mercosul, como a Unasul. Participamos de uma serie de foros conjuntos e procuramos construir um caminho comum soberano, sob um novo paradigma. De respeito e de complementaridade, diferente das relações de força dos EUA com as nações do nosso continente.

Portal Vermelho: Um fato curioso e que desperta o interesse da nossa mídia, desviando a atenção dos assuntos importantes, é que a embaixada dos Estados Unidos vai dar gadgets eletrônicos àqueles que fizerem as melhores frases de boas vindas ao presidente Obama. Você vê nisso alguma semelhança com o que os colonizadores fizeram no descobrimento do Brasil?

Socorro Gomes: Esse é o tipo de relação que o imperialismo tem com os nossos povos, é uma tentativa de humilhar o nosso povo, repete a estratégia dos colonizadores, que davam miçangas, vidros coloridos e espelhos, ao mesmo tempo em que levavam em troca as nossas riquezas, como o ouro, o diamante e o pau-brasil.