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	<title>OCOMPRIMIDO.COM &#187; investigação</title>
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	<description>Sua dose diária de contra-informação</description>
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		<title>Khrushchev mentiu sobre Stálin?</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Nov 2011 13:32:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dose diária]]></category>
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		<description><![CDATA[Aproveitando que estou aqui em Moscou (leia+), nada melhor do que dedicar alguns dos posts à história da ex-União Soviética. E, mais do que isso, temos que rever algumas coisas importantes. Aqui na Rússia, ao contrário do resto do mundo, Stálin não é visto como um demônio. Com o passar da viagem terei uma opinião [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;"><img src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2010/08/CHAMADA-contraindicacoes.jpg" alt="" /></p>
<div id="attachment_2721" class="wp-caption aligncenter" style="width: 410px"><img class="size-full wp-image-2721" title="stalin" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2011/11/stalin.gif" alt="" width="400" height="284" /><p class="wp-caption-text">Vilão ou mocinho? (ou nenhum dos dois?)</p></div>
<p style="text-align: justify;">Aproveitando que estou aqui em Moscou (<a title="portugadiario" href="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/2011/11/road-trip/" target="_blank">leia+</a>), nada melhor do que dedicar alguns dos posts à história da ex-União Soviética. E, mais do que isso, temos que rever algumas coisas importantes.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqui na Rússia, ao contrário do resto do mundo, Stálin não é visto como um demônio. Com o passar da viagem terei uma opinião formada sobre isso, mas o que eu vejo, por enquanto, é que o povo russo no geral o respeita como um grande líder. Não como um assassino. É totalmente diferente da visão que os alemães possuem do Hitler, com quem nossos livros ocidentais nos ensinam a traçar um paralelo.</p>
<p style="text-align: justify;">Mas não quero afirmar nada, só quero despertar a pulguinha atrás da orelha de vocês. E, para isso, quero que vocês recorram à memória. Alguém lembra o que fez no último dia 25 de fevereiro?</p>
<p style="text-align: justify;">Talvez você não se recorde (eu lembro que estava em Portugal), mas o dia 25 de fevereiro de 1956 é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes da história do século 20. Nesta data houve uma mudança radical na política da União Soviética &#8211; que era, então, uma das duas superpotências do mundo.</p>
<p style="text-align: justify;">Nesse fatídico dia, o então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), Nikita Sergeevich Khrushchev, proferiu seu famoso &#8220;Discurso Secreto&#8221; sobre o suposto culto à personalidade e suas consequências, em uma sessão fechada do 20º Congresso do PCUS. O conteúdo exposto visava minar a imagem de Josef Stálin, principal dirigente internacional comunista por mais de três décadas, secretário-geral do PCUS até sua morte, em 1953, e apresentá-lo como um monstro sanguinário e tirânico. Para tanto, foi relatada uma série de acusações, vilanias que Stálin teria cometido contra a &#8220;legalidade socialista&#8221;.</p>
<p style="text-align: justify;">O discurso de Khrushchev teve um efeito devastador no movimento comunista internacional, desintegrando a unidade que fora conseguida com enorme esforço ao longo de décadas de luta. Muitos militantes se revoltaram contra o legado revolucionário de Stálin, que, há poucos anos, era símbolo de esperança por um novo mundo, e aderiram às posições khrushchevistas. Outros se mantiveram fiéis e passaram a criticar a nova liderança soviética, e houve também aqueles que simplesmente abandonaram suas lutas e perderam a esperança. E, não só isso, o discurso deu munição para a propaganda ocidental anticomunista, tornando-se um dos pilares do paradigma totalitário que até hoje domina a produção acadêmica de História acerca da União Soviética.</p>
<p style="text-align: justify;"><a title="leiamais" href="http://wp.me/pX3cP-HR">Clique aqui para continuar lendo»<span id="more-2719"></span></a></p>
<p style="text-align: justify;">Muito já se escreveu sobre este acontecimento e vários pesquisadores chegaram à conclusão de que alguns dos pontos levantados por Khrushchev eram falsos, como, por exemplo, a esdrúxula afirmação de que Stálin conduzia as operações militares da Grande Guerra Patriótica (como os russos chamavam a Segunda Guerra Mundial), utilizando um simples globo terrestre. No entanto, ninguém havia analisado profundamente o &#8220;Discurso Secreto&#8221; com o intuito de verificar todas as outras afirmações presentes nele, até o historiador americano Grover Furr encarar tal tarefa (veja em <a title="averdade" href="http://www.averdade.org.br " target="_blank">averdade.org.br</a> entrevista com o professor Grover Furr).</p>
<p style="text-align: justify;">O resultado foi um primoroso trabalho de investigação histórica, lançado em inglês sob o nome &#8220;Khrushchev lied&#8221;, que em português significa &#8220;Khrushchev mentiu&#8221;. O professor Furr chegou à conclusão de que todas as afirmações do líder soviético eram falsas. Apresentou, para tanto, as devidas fontes documentais para cada uma das afirmações, com metade do livro dedicada a transcrições de documentos ou outras fontes utilizadas, além dos vários links para páginas na internet com documentação hospedada.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>O julgamento de Zinoviev e Kamenev</strong><br />
Não é possível abordar neste pequeno artigo cada um dos vários tópicos investigados por Furr, porém, apenas para dar uma ideia do impacto desta obra, apresentarei um ponto que julguei interessante, relacionado ao famoso julgamento de Zinoviev e Kamenev, em 1936.</p>
<p style="text-align: justify;">Este julgamento é largamente apresentado como uma farsa planejada por Stálin para eliminar seus opositores políticos, assim como os outros dois juízos que compõem os chamados Processos de Moscou. No entanto, Furr transcreve um trecho de uma carta privada de Stálin para Kaganovich, que claramente demonstra um Stálin muito diferente.</p>
<p style="text-align: justify;">Ele não aparece como um forjador, como a mente por trás dos resultados das investigações policiais, mas sim como alguém que tenta compreender o que está ocorrendo através do material investigativo enviado a ele. Seria Stálin tão hipócrita a ponto de enviar uma carta a um camarada do Politburo (a direção do PCUS), fingindo que não sabia o que estava ocorrendo? Ou ele simplesmente não mandara fuzilar seus opositores?</p>
<p style="text-align: justify;">E é aí que reside um dos pontos fortes da obra: a riqueza documental à disposição do leitor nos faz pensar e repensar cada frase do autor, cada acontecimento relatado, sempre trazendo à tona dúvidas que nos fazem avançar rapidamente na leitura em busca de respostas.</p>
<p style="text-align: justify;">À parte tal riqueza de fontes na contra-argumentação ao &#8220;Discurso Secreto&#8221; de Khrushchev, a obra de Furr contém uma seção que apresenta sua interpretação histórica do processo político soviético. Baseado em sua extensa pesquisa e na do historiador russo Iúri Zhukov, Furr argumenta que o 20º Congresso do PCUS foi reflexo da própria dinâmica interna do socialismo soviético, do conflito entre os primeiros-secretários regionais do Partido e o Politburo, encabeçado por Stálin. O próprio Khrushchev foi, durante muito tempo, primeiro-secretário do Partido em Kiev (capital da Ucrânia, uma das principais repúblicas soviéticas) e também de Moscou, capital da URSS.</p>
<p style="text-align: justify;">Este conflito tem raízes na própria estrutura de poder da União Soviética, que dava brechas para a acumulação de poder e de privilégios por parte dos primeiros-secretários. Stálin percebeu este problema e, além de criticar duramente os burocratas carreiristas, tentou minar o poder deles. Sua principal arma foi a Constituição de 1936 e o novo Código Eleitoral, criado pelo próprio Stálin em conjunto com Iakovlev.</p>
<p style="text-align: justify;">De acordo com Furr e Zhukov, este novo código eleitoral &#8211; que previa eleições secretas, diretas e competitivas &#8211; batia de frente com as pretensões dos primeiros-secretários do Partido que, até então, mantinham-se em seus cargos por indicação.</p>
<p style="text-align: justify;">Este quadro pintado pelo historiador Grover Furr nos permite compreender melhor o conteúdo do &#8220;Discurso Secreto&#8221; de Khrushchev, que se converte de uma denúncia dos crimes de um tirano sanguinário em um poderoso golpe político.</p>
<p style="text-align: justify;">O 20º Congresso do PCUS surge então não como uma autocrítica da liderança soviética, mas como o símbolo da consolidação do poder de uma elite privilegiada do Partido, que nada queria com o socialismo. E para conseguir desarticular os que ainda afirmavam a linha revolucionária do Partido, nada mais sábio do que destruir a imagem de seu mais respeitado líder, Josef Stálin.</p>
<p style="text-align: justify;">Por Paulo Gabriel, estudante de História da UnB. Retirado do parceiro blog <a title="historiacritica" href="http://bloghistoriacritica.blogspot.com/" target="_blank">História Crítica</a>. Fiz algumas alterações no começo do texto.</p>
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		<title>Afinal, o que está acontecendo no Suriname?</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Jan 2010 17:57:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Thiago Dutra Vilela G1: &#8220;No dia 24, o acampamento em que brasileiros e chineses viviam em Albina foi invadido por descendentes de quilombolas após o assassinato de um surinamês por um brasileiro. &#8221; Eles acham que são donos daqui e que podem humilhar os brasileiros&#8221;, afirma brasileira (&#8230;) FolhaOnline: &#8220;Ataque deixou pelo menos 4 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="tarja-preta" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/themes/retromania/retromania/images/CHAMADA-tarjapreta.jpg" alt="" /></p>
<p>Por Thiago Dutra Vilela</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>G1: &#8220;No dia 24, o acampamento em         que brasileiros e chineses viviam em Albina foi invadido por         descendentes de quilombolas após o assassinato de um surinamês         por um brasileiro.  &#8221; Eles acham que são donos daqui e que         podem humilhar os brasileiros&#8221;, afirma brasileira (&#8230;)</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>FolhaOnline: &#8220;Ataque deixou pelo menos 4 mortos no Suriname, diz brasileiro (&#8230;)&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>R7: &#8220;Ataque mata ao menos sete no Suriname; três das vítimas são brasileiras, diz padre&#8221;</em></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Abril.com: &#8220;De acordo com a Embaixada do Brasil no Suriname, a situação na Região de Albina está retornando à normalidade&#8221;</em></p>
</blockquote>
<p style="text-align: justify;">Ok, houve um ataque, no Suriname, contra um grupo de trabalhadores brasileiros. Mas peraí, por que isso aconteceu? Qual foi a motivação dos surinameses? O que os brasileiros fizeram? Eles foram o alvo ou só estavam no lugar errado na hora errada?</p>
<p style="text-align: justify;"><a href="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2010/01/bandeira-suriname.gif"><img class="size-full wp-image-982 alignright" style="border: 1px solid black; margin: 0px 10px;" title="bandeira-suriname" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2010/01/bandeira-suriname.gif" alt="" width="137" height="91" /></a>A cobertura de notícias na América Latina, pela imprensa brasileira, é tão ruim que qualquer pessoa que procure estar minimamente informada dos acontecimentos encontrará uma dificuldade enorme. Numa pesquisa rápida que fiz pelos grandes portais na internet, além de informações contraditórias e antigas, não encontrei absolutamente nada sobre a conjuntura do Suriname, a situação política, econômica, etc.</p>
<p style="text-align: justify;">O país, assim como a maioria dos nossos vizinhos, são simplesmente ignorados pela cobertura internacional.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-981"></span>Felizmente, graças ao trabalho do professor <a href="http://igorreno.wordpress.com/2010/01/01/suriname-e-maroons-outras-informacoes/" target="_blank">Igor José</a>, e de outros especialistas no assunto, <em>ocomprimido</em> conseguiu material suficiente para se aprofundar no assunto &#8211; e entender que esse conflito, na verdade, é apenas uma parte pequena de um problema muito maior.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Ruim com eles, pior sem eles</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Bom, para começar, vamos voltar um pouco no tempo e relembrar um pouco da História do nosso continente. Com a descoberta do Brasil e a intenção portuguesa de colonizá-lo, os holandeses se ofereceram para emprestar o capital que iria ser destinado à criação dos engenhos de cana no Nordeste &#8211; exigindo em troca os direitos de refinação e distribuição no mercado europeu. Na prática, os holandeses ficavam com todo o lucro da operação &#8211; e os latifundiários só conseguiam aumentar suas dívidas.</p>
<p style="text-align: justify;">Dessa maneira, o desenrolar da história foi tal que os holandeses foram expulsos do nordeste &#8211; mas, ao contrário do que os brasileiros imaginaram, foi a partir daí que o negócio do açucar declinou de vez. Sem a tecnologia necessária e enfrentando a concorrência holandesa (agora ocupando as ilhas do Caribe), os agricultores brasileiros não tinham como competir.</p>
<p style="text-align: justify;">Foi assim, dentre diversos outros motivos, que surgiu uma colônia holandesa no que hoje é o Suriname. Como em todo local onde foi introduzido o sistema de plantation, sua população acabou dividida entre os de “cor clara” e “escura” &#8211; os primeiros, descendentes  dos colonizadores &#8211; pertencentes em sua maioria à elite; e os segundos, descendentes de indianos, javaneses e escravos africanos &#8211; levados ao país como força de trabalho.</p>
<p style="text-align: justify;">Entre os “escuros”, os descendentes dos escravos (maroons) são os que mais sofreram as agruras da colonização.</p>
<p><strong>Albina</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="size-full wp-image-986 alignleft" style="border: 1px solid black; margin: 5px 10px;" title="suriname1" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2010/01/suriname1.gif" alt="" width="295" height="318" />Albina, cidade situada no extremo leste do Suriname, próximo ao mar do Caribe, faz fronteira com a Guiana Francesa. Fica no distrito de Moroowijne, do qual é capital.  Do outro lado da fronteira a cidade mais próxima é Saint-Laurent-du-Maroni, capital do Distrito de mesmo nome na Guiana e cuja população é em grande parte maroon emigrada do Suriname.</p>
<p style="text-align: justify;">Apesar do que afirma a imprensa, a população de Maroons no Suriname não é comparável ao que conhecemos como “Quilombolas”. A diferença básica é que lá os quilombos não foram  derrotados nos séculos 17 e 18.</p>
<p style="text-align: justify;">Em 1762, o governo branco reconheceu os quilombolas Saramaka (um dos grupos de maroons) como negros livres: podiam viver livres no interior e recebiam dinheiro de “proteção”, para não atacar as plantações dos grandes fazendeiros (muitos deles eram Judeus Portugueses, que fugiram do Brasil). Também o grupo chamado de Ndyuka (1756) assinou acordo com os plantadores (leste do Suriname). Em 1767, o grupo Matawai também fez acordos com os platandores. É como se o quilombo de Palmares não tivesse sido derrotado e os plantadores de cana começassem a pagar tributos a Zumbi.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-988" style="border: 1px solid black; margin: 5px 10px;" title="suriname2" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2010/01/suriname2.jpg" alt="" width="263" height="360" /></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Maroons: Histórias diferentes</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Os outros dois grandes grupos então existentes continuaram a ser perseguidos (Boni/Aluku e Kwinti). Percebe-se, portanto, a diversidade que o nome “maroons” esconde. Há vários grupos diferentes e com status políticos totalmente diferenciados.</p>
<p style="text-align: justify;">Aqueles que atacaram os brasileiros são, provavelmente, os Ndyuka, Matawai e Paramaka. Os autores costumam fazer uma divisão entre maroons do oeste (Saramaka, Matawai e Kwindi) e leste (Ndyuka, Boni, Paramaka, Broos-Maroons). Havia os que recebiam impostos e os que continuavam sendo caçados.</p>
<p style="text-align: justify;">A questão é que o desenvolvimento histórico desses grupos é diferente. Os maroons do oeste ficaram mais livres, enquanto os do leste continuaram perseguidos (Albina é no extremo leste). Muitos destes maroons do leste acabaram migrando para a Guiana Francesa, onde formam um grupo considerável que prospera sob a cidadania francesa concedida para alguns (apesar de migrantes maroons não documentados continuarem chegando).</p>
<p style="text-align: justify;">Depois da independência (1975), a situação social dos maroons tem piorado. Desde lá, dois golpes militares e uma guerra civil (1986-1992, onde principalmente os Ndyuka combateram o governo central) comprometeram muito a vida dessas populações. O interior do Suriname é praticamente autônomo e o governo central tem pouca ingerência.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Faroeste Latino-americano</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft size-full wp-image-997" style="border: 1px solid black; margin: 5px 10px;" title="faroeste02" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2010/01/faroeste02.gif" alt="" width="239" height="237" />Principal atividade econômica, desde o final da guerra civil os garimpos de ouro têm se desenvolvido num cenário de faroeste. Localizados principalmente em terras maroons, esses garimpos levaram milhares de brasileiros ao Suriname, e é nessas minas que os conflitos com grupos de estrangeiros têm se desenvolvido: com brasileiros, garimpeiros, chineses, comerciantes, etc. O esquema de exploração do garimpo conhecemos de longa data: exploração intensa, sem nenhum cuidado com o meio-ambiente e de caráter absolutamente predatório. O cenário de encontro dos brasileiros e maroons é um cenário sem estado, onde quase todos andam armados.</p>
<p style="text-align: justify;">Veja a situação: uma região habitada por maroons, que foram perseguidos até meados do século XX, e profundamente pauperizados; pouca presença do Estado; um dos grupos de maroons foi o principal ator na guerra civil; desenvolvimento selvagem de minas de ouro e outros negócios de caráter ilegal (drogas, contrabando).</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>E agora?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Depois de apresentados estes fatos, é fácil chegar à conclusão de que o &#8220;ataque&#8221;, longe de ser uma retalhação por um suposto crime cometido por um brasileiro, é, antes de tudo (e além de tudo), uma insatisfação secular do povo do Suriname. Não, não estamos, de maneira alguma, defendendo a violência daquela população. Também não estamos culpando os brasileiros &#8211; eles apenas pagaram o pato. O que estamos sugerindo é uma pausa para reflexão.</p>
<p style="text-align: justify;">Acho que o texto que melhor exemplifica o que eu quero transmitir, neste momento, é um relato escrito pelo Eduardo Guimarães, em seu <a href="http://edu.guim.blog.uol.com.br/" target="_blank">blog</a>:</p>
<blockquote>
<p style="text-align: justify;"><em>A América Latina é isso, de ponta a ponta. Gente anomalamente pobre cometendo atos de horror inimagináveis em profusão todos os dias, não devido aos maníacos serem o que são por padecerem de maluquice pura e simples, mas porque são literalmente empurrados para a irracionalidade e para a selvageria.</em></p>
<p><em>Eu tinha que dizer às pessoas para notarem que a pobreza e a desigualdade potencializam nossos demônios interiores, mas que sinto que a desigualdade é pior. Ela açula instintos mais perversos, transtorna mais mentes que poderiam se satisfazer com o mínimo de dignidade.</em></p>
<p><em>A violência injustificada decorre de um fomento a ela através de um sistema vigente nesta parte do mundo que esbofeteia os prejudicados pela desigualdade com o desfile incessante – hoje potencializado pelas mídias – do sucesso dos privilegiados.</em></p></blockquote>
<p style="text-align: justify;">Sim, essa violência contra os brasileiros foi resultado da Guerra civil; da pobreza; da desigualdade; da ausência do Estado; do tráfico de drogas &#8211; e as causas não terminam nunca! São tantos problemas entrelaçados que, sem um estudo e uma pesquisa realmente séria e profunda, não temos como imaginar o que a população pode fazer para superar essa situação.</p>
<p style="text-align: justify;">Organizar militarmente a população e enfrentar os grupos revoltosos? Foi exatamente isso que aconteceu na Guerra Civil e de nada adiantou. Tirar os brasileiros do Suriname? É o que o governo brasileiro está fazendo, mas isso não resolve o problema dos surinamenses, uma vez que os imigrantes continuarão chegando, nem dos brasileiros, que agora não tem onde morar. Ocupar o Suriname, como o Brasil e a ONU fazem no Haiti? Trocar uma dominação por outra não ajudou em nada a ilha, que continua em situação ruim &#8211; e continuamos desinformados como nunca sobre o que acontece lá, diga-se de passagem.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Nota docomprimido: Uma coisa é certa, a situação como está não pode continuar. Esse caos não interessa a ninguém, o conflito de forças é tão grande que mesmo quem está no poder não está seguro. A única saída para acabar com esse Velho Oeste caboclo é uma ação conjunta dos países vizinhos para ajudar a região. Como? Ainda não está claro&#8230;</em></p>
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		<title>Fatos, não palavras: direitos humanos em Cuba</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 23:54:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[homeopatia]]></category>
		<category><![CDATA[bloqueio comercial]]></category>
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		<category><![CDATA[documentário]]></category>
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		<description><![CDATA[Falar sobre Cuba é sempre complicado, as versões são tão diferentes que nem as pessoas mais bem informadas conseguem distinguir com quem está a razão. De um lado a grande mídia &#8211; para quem Cuba é o inferno; do outro lado a maioria da imprensa de esquerda &#8211; para quem Cuba é o paraíso. É [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignnone" title="chamada" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/themes/retromania/retromania/images/CHAMADA-homeopatia.jpg" alt="" width="569" height="161" /></p>
<p style="text-align: justify;">Falar sobre Cuba é sempre complicado, as versões são tão diferentes que nem as pessoas mais bem informadas conseguem distinguir com quem está a razão. De um lado a grande mídia &#8211; para quem Cuba é o inferno; do outro lado a maioria da imprensa de esquerda &#8211; para quem Cuba é o paraíso.</p>
<p style="text-align: justify;">É difícil achar informação realmente crítica &#8211; sem preconceito mas também sem endeusamento. Essa é exatamente a idéia de &#8220;<strong>Hechos, No palabras &#8211; Los Derechos humanos em Cuba</strong>&#8220;, a dose homeopática dessa semana!</p>
<p style="text-align: center;"><img class="size-full wp-image-955 aligncenter" title="derechos-humanos" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2009/12/derechos-humanos.jpg" alt="" width="300" height="261" /></p>
<p><span id="more-954"></span></p>
<p style="text-align: justify;">Dirigido por Carolina Silvestre, em 2007, a idéia do documentário é mostrar como as coisas acontecem no país. Como são as eleições em Cuba? Como são tratados os prisioneiros? O que acontece com os imigrantes cubanos que chegam nos Estados Unidos?</p>
<p style="text-align: justify;">Essas e outras questões, há muito tempo conhecidas pela <a href="http://www.pnud.org.br/odm/reportagens/index.php?id01=1664&amp;lay=odm" target="_blank">ONU</a> e diversas entidades internacionais, são reveladas para derrubar de vez os mitos que cercam as informações sobre a ilha. A Revolução Cubana não trouxe apenas educação e saúde de qualidade &#8211; fatos reconhecidos até pela grande mídia &#8211; mas trouxe, que é o principal, espírito crítico e poder de participação da população.</p>
<p style="text-align: justify;"><strong>Não deixem de assistí-lo!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Download<strong> </strong>(legendas em português &#8211; via torrent): <a href="http://u.nu/7gu93" target="_blank">clique aqui</a><strong><br />
</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Assitir online (espanhol &#8211; necessária a instalação de um plugin): <a href="http://tinyurl.com/yf9w2q7&amp;214217503" target="_blank">clique aqui</a></p>
<p style="text-align: justify;">Download do filme (espanhol &#8211; dividido em 8 partes &#8211; megaupload): <a href="http://www.megaupload.com/?d=O0BWM2YR">1</a> &#8211; <a href="http://www.megaupload.com/?d=5O8YT8T5">2</a> &#8211; <a href="http://www.megaupload.com/?d=F68P0IFS">3</a>- <a href="http://www.megaupload.com/?d=H1EA954U">4</a> &#8211; <a href="http://www.megaupload.com/?d=ZI0ZPA1E">5</a> &#8211; <a href="http://www.megaupload.com/?d=M8ZCA5CU">6</a> &#8211; <a href="http://www.megaupload.com/?d=ABE0NL1W">7</a> &#8211; <a href="http://www.megaupload.com/?d=XIKE2CF2">8</a></p>
<p style="text-align: justify;">Assistir no youtube (legendas em português):</p>
<p style="text-align: justify;">Parte1: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=JdQU0mXrUXo" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=JdQU0mXrUXo</a><br />
Parte2: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=fReNR2GbscQ" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=fReNR2GbscQ</a><br />
Parte3: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=jsN2k7cXiUk" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=jsN2k7cXiUk</a><br />
Parte4: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=lykk3a2_a6w" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=lykk3a2_a6w</a><br />
Parte5: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=mcMtE_haWxU" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=mcMtE_haWxU</a><br />
Parte6: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=0NL0WASaq90" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=0NL0WASaq90</a><br />
Parte7: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=_1sxzprsCOQ" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=_1sxzprsCOQ</a><br />
Parte8: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=JoPSnD2y9PQ" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=JoPSnD2y9PQ</a><br />
Parte9: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=QrAzce36FGY" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=QrAzce36FGY</a><br />
Parte10: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=F2l_T4Nh6Dc" target="_blank">http://www.youtube.com/watch?v=F2l_T4Nh6Dc</a></p>
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