

Vilão ou mocinho? (ou nenhum dos dois?)
Aproveitando que estou aqui em Moscou (leia+), nada melhor do que dedicar alguns dos posts à história da ex-União Soviética. E, mais do que isso, temos que rever algumas coisas importantes.
Aqui na Rússia, ao contrário do resto do mundo, Stálin não é visto como um demônio. Com o passar da viagem terei uma opinião formada sobre isso, mas o que eu vejo, por enquanto, é que o povo russo no geral o respeita como um grande líder. Não como um assassino. É totalmente diferente da visão que os alemães possuem do Hitler, com quem nossos livros ocidentais nos ensinam a traçar um paralelo.
Mas não quero afirmar nada, só quero despertar a pulguinha atrás da orelha de vocês. E, para isso, quero que vocês recorram à memória. Alguém lembra o que fez no último dia 25 de fevereiro?
Talvez você não se recorde (eu lembro que estava em Portugal), mas o dia 25 de fevereiro de 1956 é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes da história do século 20. Nesta data houve uma mudança radical na política da União Soviética – que era, então, uma das duas superpotências do mundo.
Nesse fatídico dia, o então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), Nikita Sergeevich Khrushchev, proferiu seu famoso “Discurso Secreto” sobre o suposto culto à personalidade e suas consequências, em uma sessão fechada do 20º Congresso do PCUS. O conteúdo exposto visava minar a imagem de Josef Stálin, principal dirigente internacional comunista por mais de três décadas, secretário-geral do PCUS até sua morte, em 1953, e apresentá-lo como um monstro sanguinário e tirânico. Para tanto, foi relatada uma série de acusações, vilanias que Stálin teria cometido contra a “legalidade socialista”.
O discurso de Khrushchev teve um efeito devastador no movimento comunista internacional, desintegrando a unidade que fora conseguida com enorme esforço ao longo de décadas de luta. Muitos militantes se revoltaram contra o legado revolucionário de Stálin, que, há poucos anos, era símbolo de esperança por um novo mundo, e aderiram às posições khrushchevistas. Outros se mantiveram fiéis e passaram a criticar a nova liderança soviética, e houve também aqueles que simplesmente abandonaram suas lutas e perderam a esperança. E, não só isso, o discurso deu munição para a propaganda ocidental anticomunista, tornando-se um dos pilares do paradigma totalitário que até hoje domina a produção acadêmica de História acerca da União Soviética.

Por Thiago Dutra Vilela
G1: “No dia 24, o acampamento em que brasileiros e chineses viviam em Albina foi invadido por descendentes de quilombolas após o assassinato de um surinamês por um brasileiro. ” Eles acham que são donos daqui e que podem humilhar os brasileiros”, afirma brasileira (…)
FolhaOnline: “Ataque deixou pelo menos 4 mortos no Suriname, diz brasileiro (…)”
R7: “Ataque mata ao menos sete no Suriname; três das vítimas são brasileiras, diz padre”
Abril.com: “De acordo com a Embaixada do Brasil no Suriname, a situação na Região de Albina está retornando à normalidade”
Ok, houve um ataque, no Suriname, contra um grupo de trabalhadores brasileiros. Mas peraí, por que isso aconteceu? Qual foi a motivação dos surinameses? O que os brasileiros fizeram? Eles foram o alvo ou só estavam no lugar errado na hora errada?
A cobertura de notícias na América Latina, pela imprensa brasileira, é tão ruim que qualquer pessoa que procure estar minimamente informada dos acontecimentos encontrará uma dificuldade enorme. Numa pesquisa rápida que fiz pelos grandes portais na internet, além de informações contraditórias e antigas, não encontrei absolutamente nada sobre a conjuntura do Suriname, a situação política, econômica, etc.
O país, assim como a maioria dos nossos vizinhos, são simplesmente ignorados pela cobertura internacional.

Falar sobre Cuba é sempre complicado, as versões são tão diferentes que nem as pessoas mais bem informadas conseguem distinguir com quem está a razão. De um lado a grande mídia – para quem Cuba é o inferno; do outro lado a maioria da imprensa de esquerda – para quem Cuba é o paraíso.
É difícil achar informação realmente crítica – sem preconceito mas também sem endeusamento. Essa é exatamente a idéia de “Hechos, No palabras – Los Derechos humanos em Cuba“, a dose homeopática dessa semana!


Se você ainda acredita nas imagens das belas fazendas estampadas nas embalagens da comida que você compra nos supermercados, assista a esse filme.
A dose homeopática dessa semana é realmente difícil de diluir em água – mais difícil ainda tentar resumir num único post: seu nome é FOOD, INC.
