Juan Cole: Um balanço da revolução popular

Os seis principais casos ainda não resolvidos no Oriente Médio.

1. JORDÂNIA. Cerca de 6.000 manifestantes marcharam na 6ª-feira na Jordânia. Querem transformar a monarquia jordaniana em monarquia constitucional ao estilo europeu e a volta, sem as emendas posteriores, da Constituição de 1952.

2. TUNÍSIA. Cerca de 100 mil tunisianos saíram às ruas em Túnis, na 6ª-feira. Querem a renúncia do primeiro-ministro interino Mohamed Ghannouchi. O governo interino marcou eleições para meados de julho, principal demanda dos manifestantes. Também dissolveu o partido Rally for Constitutional Democracy, que estava no poder antes da queda do ditador. Mas os manifestantes não confiam que Ghannouchi – importante quadro do governo deposto de Zine El Abdidin Ben Ali – seja capaz de garantir a lisura das eleições. Ghannouchi está tentando ganhar popularidade, confiscando os bens de personagens do círculo íntimo e corrupto de Ben Ali, mas, até agora, ainda não conseguiu separar-se da reputação de ser, ele também, do mesmo círculo.

ATUALIZAÇÃO: O ministro interino da Tunísia renunciou hoje, domingo, 27/2/2001, conforme notícia da BBC, às 13h28, ao vivo.

Imagens das manifestações no Egito

3. EGITO. Dezenas de milhares de manifestantes voltaram à praça Tahrir no centro do Cairo, na 6ª-feira, exigindo o fim das leis de emergência que suspenderam todas as liberdades civis no Egito há 30 anos. Querem também que o primeiro-ministro Ahmad Shafiq, nomeado pelo presidente deposto Hosni Mubarak, deixe o cargo, sem o que não haverá real ruptura com o velho regime. O exército egípcio impediu que a multidão cercasse a residência do primeiro-ministro para protestar e houve feridos entre os manifestantes.

4. BAHRAIN. Cerca de 200 mil manifestantes marcharam pelo centro de Manama, capital do Bahrain, na 6ª-feira. Querem que a monarquia seja convertida em monarquia constitucional, com liberdades civis plenamente garantidas. Querem também que o primeiro-ministro deixe o cargo. O rei já demitiu três outros ministros do mesmo Gabinete.

5. IÊMEN. Em Aden, os manifestantes exigem a expulsão do ditador Ali Abdullah Saleh. Houve quatro mortos e duas dúzias de feridos, quando as forças de segurança atacaram os manifestantes.

6. LÍBIA. As forças de segurança do ditador retiraram-se do bairro operário de Tajoura no sábado, depois de vários dias de ataques aos manifestantes, tentando dispersar as multidões. Falharam. Se Gaddafi já está perdendo áreas importantes da capital, aquela ditadura pode estar com os dias contados.

Os manifestantes no Egito e na Tunísia, até agora, só alcançaram sucesso parcial: afastaram um ditador, mas ainda sem saber como se farão reformas genuínas.  Os líbios ainda sequer afastaram o ditador Gaddafi. E no Bahrain, Iêmen e Jordânia, todos os clamores populares por reformas econômicas e políticas genuínas continuam a cair em ouvidos surdos.

27/2/2011, Juan Cole, Informed Comment. Via VioMundo.

Firefox supera Internet Explorer na Europa

O browser Firefox superou o Internet Explorer na liderança do mercado europeu de navegadores na primeira vez em que o aplicativo da Microsoft perdeu o topo do setor, afirma uma empresa de pesquisa.

Em dezembro, o browser de código aberto ficou com 38,1% do mercado europeu, enquanto a fatia do IE recuou a 37,5%. O Chrome viu sua participação crescer de 5,1% para 14,6% na comparação anual.

“Isso parece estar acontecendo porque o Chrome está roubando mercado do IE enquanto o Firefox está mantendo sua fatia”, disse Aodhan Cullen, presidente-executivo da StatCounter.

“Estamos provavelmente vendo o impacto do acordo entre as autoridades da Comissão Europeia e a Microsoft, que passou a oferecer aos usuários europeus opção de escolha de browsers a partir de março do ano passado”, disse Cullen.

Em dezembro de 2009, autoridades da União Europeia aceitaram oferta da Microsoft para dar aos usuários melhor acesso a browser rivais do IE, encerrando uma longa batalha em torno de legislação de proteção da concorrência. Desde o início de março, a Microsoft oferece aos europeus a opção de escolha entre 12 browsers em mais de 100 milhões de computadores novos e velhos que operam com o sistema operacional Windows.

Globalmente, a participação do IE caiu para 46,9% em dezembro, enquanto o Firefox ficou com 30,8% e o Google com 14,9%, afirma a StatCounter.

via G1

Flashback: Você conheceu a Jennicam?

Jennicam: porque twitcam é para os fracos

JenniCam (ou JenniCAM) foi um site muito popular de abril 1996 até o fim de 2003. Os usuários pagavam uma quantia para observar a vida de uma mulher, Jennifer Kaye Ringley (criadora do site).

Hoje em dia, com tweetcam e youtube, isso parece bobagem – mas na época não era. A tecnologia para colocar vídeos na internet já existia, mas as pessoas utilizavam câmeras estáticas, apontando através de janelas ou espaços públicos. A inovação de Ringley era simples: permitir que outros vissem suas atividades diárias. E deu muito certo.

Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas

Não pude estar presente no evento, mas fica a homenagem.

Não entendeu? Clique aqui para mais informações sobre o encontro.

Direito autoral em debate

Uso da xerox é uma constante nas universidades brasileiras. Foto: Carícia Temporal

O Ministério da Cultura (MinC) abriu para consulta pública, no começo de junho, o anteprojeto de lei que reforma a Lei de Direitos Autorais (Lei 9.610/98 – LDA). As mudanças têm sido debatidas desde 2007, por meio de fóruns presenciais em várias cidades do Brasil. O texto estará na internet até o dia 28 de julho.

A revisão, de acordo com o próprio Ministério, é necessária, pois a legislação atual, dentre outros motivos, restringe excessivamente os usos privados e educacionais das obras. Ações usuais, como a cópia de músicas de um CD original para um pendrive são vedadas pela lei de 1998. Segundo estudo divulgado no começo do ano pela Consumers International, do total de 34 países, o Brasil ocupa o sétimo lugar na lista dos piores facilitadores de acesso ao conhecimento, atrás de países como Bangladesh, Paquistão, África do Sul, Índia e Argentina.

No site da reforma, há uma página com o conteúdo original da lei e outra com o texto de lei proposto. Qualquer pessoa pode se cadastrar no portal e sugerir alterações. O mesmo sistema colaborativo já foi utilizado para a elaboração do “Marco Civil da Internet”, anteprojeto de lei que pretende regulamentar os direitos e deveres do Estado e do usuário na internet. Mais de 1500 comentários e contribuições foram recebidas pelo Ministério da Justiça e o projeto deve ser enviado para o Congresso nos próximos meses. A expectativa é que o movimento siga o exemplo.

Para Paulo Rená, bacharel em Direito pela UnB e um dos condutores do Marco Civil da Internet, a reforma da LDA está na direção certa: “É interessante que o Brasil está sendo um protagonista mundial nessa Reforma. Nos outros países, a legislação que existe hoje caminha na direção de endurecer os direitos autorais, e o que o Brasil está fazendo é fortalecer a cultura. Há o entendimento de que está desequilibrado, que a cultura perde em relação à propriedade privada”.

Como o tema é interessante, fiz um podcast para a matéria: [audio:http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2010/07/DIREITOAUTORAL-OCOMPRIMIDO.mp3|titles=DIREITOAUTORAL-OCOMPRIMIDO]