
Segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP), em 2010 o consumo de gasolina (com acréscimo de etanol) no Brasil atingiu a marca de 29,8 bilhões de litros, aumento de 17,5% sobre 2009.
Produzimos cerca de 2 milhões de barris de petróleo por dia, e isso é aproximadamente o consumo diário do país. Entretanto, a cada nova safra da cana-de-açúcar, crise no Oriente Médio ou aumento de preços no mercado mundial os preços da gasolina disparam para o consumidor. Porque isso acontece?

Prejuízo até para os bandidos
O Brasil não é auto-suficiente em petróleo. E isso é muito fácil de explicar. O fato é que existem dois tipos de petróleo: leves e pesados. Apenas cerca de 6% da nossa produção se encaixa no grupo dos leves, de onde são produzidos diversos derivados, dentre eles a nossa gasolina. Entretanto, apesar da produção minoritária, a maior parte das nossas refinarias é configurada para processar justamente este petróleo leve. Em outras palavras, a Petrobras tem de importar óleo leve e misturar com o nosso, senão não conseguiria produzir gasolina suficiente para a demanda interna. Em contrapartida, vende grande parte do óleo pesado ainda em estado bruto. Isso obviamente gera um déficit enorme, pois o óleo leve é muito mais caro (por gerar mais derivados nobres e ser e mais fácil de refinar).<strong>O mito da auto-suficiência</strong>
Ao abastecer seu veículo no posto de gasolina,você está comprando a gasolina “C”, uma mistura de gasolina pura com álcool anidro. A gasolina produzida pelas refinarias é pura, sem álcool. As distribuidoras compram esta gasolina das refinarias da Petrobras e o álcool anidro dos usineiros. Misturam esses dois produtos e vendem para o consumidor. Esta foi uma iniciativa governamental para diminuir o consumo de combustíveis fósseis e diminuir o preço final da gasolina. A proporção de álcool anidro nessa mistura pode variar entre 20% e 25%. Misturar álcool na gasolina é uma opção interessante que poucos países possuem oportunidade de dispor, entretanto também há muitas desvantagens neste processo. O preço da cana-de-açúcar influencia diretamente o preço da gasolina – ela é responsável por até 1/4 do preço final. Isso faz com que o preço se torne instável, e, pior, fique sujeito a variações climáticas.<strong><strong>E o que o álcool tem haver com essa história?</strong></strong>
Com a entressafra da cana-de-açúcar, a produção diminuiu, fazendo o preço do álcool subir. A situação chegou a tal ponto que há postos em que a diferença entre álcool e gasolina chega a centavos. Ao mesmo tempo, devido ao aumento de preços do barril de petróleo no mercado internacional, a Petrobras decidiu aumentar em 10% o valor da gasolina pura (aquela que é comprada pelas revendedoras para ser misturada ao álcool). O consumidor, então, não possui muita escolha, ou paga super caro no álcool ou paga caro na gasolina. O problema é que também não há álcool anidro suficiente para misturar à gasolina, o que elevou ainda mais o preço final e levou os produtores a recorrer ao mercado internacional (o Brasil precisou importar 200 milhões de litros de álcool anidro dos Estados Unidos).<strong><strong><strong><strong>Porque o preço da gasolina e do álcool aumentaram tanto no último mês?</strong></strong></strong></strong>
Há vários tipos de solução. A longo prazo, a Petrobras poderia investir mais em usinas para processamento de óleo pesado – deixando de vendê-lo em seu estado bruto. Isso reverteria boa parte do ônus da compra do óleo leve. Isso, inclusive, é algo que a Petrobras já está fazendo. A curto prazo, o governo poderia zerar o CIDE (como fez em 2008), deixando de arrecadar dinheiro em impostos – é verdade – mas protegendo a economia dos efeitos negativos que este aumento na gasolina poderia ocasionar (como aumento na inflação). O governo também poderia pensar em mecanismos mais flexíveis para a adição – ou não – do álcool anidro. Não sei se é o caso neste momento, mas se ela está elevando o preço da gasolina talvez seria o caso de não utilizá-la temporariamente. Importar um produto apenas para encarecer o preço ao consumidor não faz muito sentido (lembrando que eu realmente não sei se é esse o caso). A questão é que são todas “soluções” que não resolvem o problema. O buraco é muito mais embaixo. Porque dependemos tanto da gasolina para o nosso dia-a-dia? Porque não há transporte público barato e de qualidade para a população? Porque temos que gastar, diariamente, uma, duas horas no trânsito? O que é necessário, nesta questão, é uma ampla reforma urbana e do sistema de transportes públicos. O problema está exatamente no nosso modelo de sociedade, e só modificando tudo radicalmente conseguiremos avançar para uma sociedade mais igualitária.<em><strong>Notadocomprimido: O que podemos fazer?</strong></em>
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Principais fontes:
http://www.redebomdia.com.br/Noticias/Economia/51994/Alcool
http://super.abril.com.br/superarquivo/2006/conteudo_452998.shtml
http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2011/03/aumento-do-preco-do-alcool.html
http://www.istoedinheiro.com.br/artigos/2413_A+GASOLINA+SUBIU+E+DAI
http://diariodonordeste.globo.com/noticia.asp?codigo=311942&modulo=968
http://www.folhadovale.com.br/2011/04/05/gasolina-aumenta-quase-10-em-uma-semana/
http://g1.globo.com/Noticias/Carros/0,,MUL918195-9658,00-MISTURAR+ALCOOL+EM+CARRO+A+GASOLINA+AUMENTA+GASTO.html
http://www.petrobras.com.br/pt/produtos/composicao-de-precos/
http://eptv.globo.com/emissoras/NOT,0,0,346341,Aumento+do+etanol+anidro+faz.aspx

Gratuito para quem?
No horário eleitoral o que é gratuito é o acesso de candidatos, partidos e coligações aos meios de comunicação. A veiculação, porém, é cobrada. Em 2010, as empresas de comunicação devem ganhar mais de 851 milhões em compensação fiscal. É como se cada contribuinte pagasse aproximadamente R$4,00 para assistir o programa.
Venício Lima, na Carta Maior
Começa no dia 17 de agosto e se estende até 30 de setembro o horário eleitoral no rádio e na televisão. Durante 45 dias, candidatos aos cargos de presidente, governador, senador, deputado federal e estadual estarão em todos os canais de televisão aberta, além dos canais a cabo utilizados pelo Senado Federal, a Câmara dos Deputados, as Assembléias Legislativas e as Câmaras Municipais e também nas emissoras de rádio. No total serão cerca de 63 horas em cada veículo.
O horário eleitoral, garantido pelo § 3º do artigo 17 da Constituição – “os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e a televisão, na forma da lei” – é o que mais se aproxima, entre nós, de um direito fundamental nas democracias: o “direito de antena”.
O “direito de antena” é praticado em países como Alemanha, França, Espanha, Portugal e Holanda e foi positivado pela primeira vez na Constituição portuguesa de 1976 que reza: