8 de março: não há igualdade de gênero sem o aborto

O Dia Internacional da Mulher foi estabelecido pela ONU no dia 8 de março graças à grande e trágica mobilização de trabalhadoras norte-americanas, nesse dia, em 1857, operárias têxteis de uma fábrica de Nova York entraram em greve, ocupando a fábrica, reivindicando a diminuição da jornada de trabalho de até mais de 16 para 10 horas. Elas, que recebiam menos de um terço dos homens, foram fechadas na fábrica, onde ocorreu um incêndio e 130 delas morreram queimadas.

Desde então, é inegável que, vindo de uma situação tão degradante, a mulher conquistou direitos, espaços, voz. O século XX foi praticamente o primeiro em que ela passou a ser protagonista da história, obtendo certos espaços institucionais, mas principalmente se firmando na produção artística e cultural.

(…)

Texto escrito por Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo. Este texto foi editado. Para ler a versão completa por favor visite Viomundo.

.

Notadocomprimido: Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, estou postando aqui no blog uma matéria inédita que produzi para o Jornal Laboratório Campus da Universidade de Brasília. Trata-se de um texto sobre o aborto. Por se tratar de um meio de comunicação público, escrevi com a intenção não de promover a minha opinião sobre o assunto, mas sim de levar aos leitores um pouco de reflexão sobre o tema. Sugiro também a leitura completa do texto do prof. Emir Sader (acima). Boa leitura!

.

Elas decidem

Três histórias sobre aborto

 

Por Thiago Vilela

 

“Ter um filho nunca me passou pela cabeça”, afirma Sara. A jovem brasileira mora na Europa. Sempre disse que morreria sem ter um filho “e separaria se meu marido quisesse um”. Soninha é estudante da Universidade de Brasília (UnB). Nunca soube se queria ter filhos no futuro: “Como eu criaria meus filhos nesse mundo terrível?”. Thaís tem um filho, trabalha como funcionária pública e não pretende engravidar novamente.

 

Segundo pesquisa realizada em 2010 por pesquisadores da UnB e do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis), a frase de Sara é repetida centenas de vezes diariamente. No Brasil, uma em cada cinco mulheres já realizou um aborto.

Soninha sente enjoo pela manhã, durante a aula e à noite. E também no dia seguinte. Receosa, compra o teste de farmácia. Temerosa, vai ao ginecologista. Incrédula, pega o resultado do ultrassom. Está grávida.

Sara sabe que sua menstruação está atrasada. Não vem há quase dois meses. Falta coragem para enfrentar a realidade. Após exatas oito semanas, compra o teste de gravidez. Positivo.

Thaís conhece os sintomas. E já havia abortado uma vez. Mãe católica e pai militar, ela prefere guardar segredo da família. Na Ceilândia, compra os remédios.

 

Pelo Código Penal Brasileiro de 1940, provocar aborto pode resultar em pena de um a três anos de detenção. É uma das leis mais restritivas do planeta. No mundo, o aborto é permitido** em 56 países, que juntos representam 40% da população mundial.

 

“Eu não queria preocupá-los.” Soninha guarda segredo dos pais. “Eu fiquei com medo deles não me apoiarem, quererem que eu tivesse o filho. Eu não estou preparada para isso.” Apenas o namorado e duas amigas sabem. Sozinha, encontra um site na internet que importa remédios de outros países. Cruza os dedos para que dê certo.

Sara conta para os pais. “Minha mãe estava desconfiada, por causa da tontura e dos enjoos. E eu precisava da ajuda deles. Eles levaram numa boa. Meu pai me levou ao ginecologista e me acompanhou durante todo o procedimento.” De férias na Inglaterra, o aborto acontece lá mesmo, onde é legalizado desde 1967.

O sentimento é de medo. “Acho que o mais difícil é conseguir ajuda. Me senti muito sozinha. Parecia que ninguém nunca fez aborto, e eu senti medo de dar errado.” Mas Soninha está segura de sua decisão. Depois de duas semanas, o remédio chega pelo correio. O procedimento irá durar 48 horas.

 

Chegando ao hospital, Sara se depara com dezenas de jovens esperando atendimento. “Conheci meninas da minha idade que já haviam abortado, lá isso não é tabu. O aborto é legal e o procedimento é bem comum, inglesas também ficam grávidas cedo.” Sara está com mais de oito semanas de gravidez, impossibilitando o uso de medicamentos abortivos. Decide pela cirurgia. Irá durar no máximo uma hora.

De posse dos remédios, Thaís repete o procedimento. Na manhã seguinte, os enjoos continuam. O teste confirma: continua grávida. Ela aumenta a dose do medicamento. Funciona.

Depois de semanas grávida, Soninha finalmente acorda de uma noite sofrível: “As cólicas eram muito fortes”. O primeiro comprimido foi tomado à noite, quando começaram as dores e o sangramento. Com analgésicos e compressas quentes, o namorado e a amiga tentavam diminuir o sofrimento. Conforme orientação recebida via email, 24 horas depois ela toma o medicamento que faltava. Os sintomas se intensificam ainda mais.

 

“O aborto é uma experiência muito forte. Em relação ao meu corpo, foi um alívio. Grávida, eu me sentia muito mal, parecia outra pessoa. Gritava com meu namorado, sentia enjoo o tempo todo. Foi muito bom voltar a me sentir eu mesma.”

 

Sara entra na sala de operações. “Deitei numa cama e me deram anestesia geral. Acordei meia hora depois, ainda um pouco tonta.” É levada de maca para uma sala de repouso. “Depois de 20 minutos descansando, ganhei um sanduíche e fui para casa normalmente.”

Thaís não está mais grávida, mas o feto continua em seu corpo. Decide ir ao hospital fazer uma curetagem. O procedimento é simples, porém arriscado e doloroso. “O médico raspa o útero da mulher com a cureta, uma ferramenta que parece uma colher de pedreiro”, revela uma amiga.

Depois de dois dias, ela começa a ter febre. Descobre que está com uma infecção generalizada. Depois de passar por três hospitais diferentes, ela é internada no dia do aniversário de seu filho. A mesma amiga recorda: “Poucas pessoas sabiam e não se podia falar sobre isso. Ficou um clima muito estranho. As pessoas começaram a levantar hipóteses e a criar histórias”.

 

Passada a cirurgia, Sara se sentia bem. “Voltei a uma vida normal rapidamente e na minha casa nunca mais se falou no assunto.” Soninha conseguiu tirar um significado positivo de tudo que aconteceu. “Eu parei para pensar muito mais no que eu queria para a minha vida.” Depois de uma semana sentindo muita dor, Thaís faleceu***.

 

Importante: Todos os nomes citados neste texto são fictícios. As histórias são absolutamente reais. Acompanhei pessoalmente o aborto de Soninha e conversei diretamente com Sara. Para contar a história de Thaís entrevistei duas de suas amigas mais próximas.

** Nesses países, o aborto é permitido sem nenhuma restrição até a 12ª semana gestacional. O Brasil está incluído em um grupo de 68 países que reúnem 26% da população mundial, nos quais a prática só é admitida em circunstâncias específicas. Os dados são do Center for Reproductive Rights, organização norte-americana voltada para o tema (http://reproductiverights.org/).

*** Thaís morreu após cinco dias de internação (sete dias depois de ter ingerido os medicamentos abortivos). Como a família não fez uma autópsia, não há meios para comprovar se há ligação entre os eventos. Segundo médico consultado pelos amigos mais próximos, é bastante provável que tenha havido contaminação no procedimento de curetagem. No Brasil os médicos não respeitam a lei e tratam mal mulheres que chegam ao hospital por terem realizado aborto (ou, o que é ainda pior, que tenham os sintomas parecidos). Para mais informações sobre este assunto leia o texto da Conceição Lemos.

Você conhece a legislação brasileira?

Parada do Orgulho Laico

Em quem você votará para presidente: Dilma, Serra ou Bento XVI?

A Parada do Orgulho Laico é um dia de manifestações dos cidadãos que prezam pela separação entre o Estado e a Religião.

Diante das recentes campanhas dos candidatos à presidência da república nas Eleições 2010, com discursos que apenas contemplam os princípios religiosos na sociedade, um movimento espontâneo de reafirmação do  Estado Laico surgiu no Twitter.

A Parada do Orgulho Laico acontecerá no mesmo dia de votação do 2º turno para presidente do Brasil (dia 31 de Outubro). Para participar basta votar com uma camiseta preta ou branca estampada com a palavra #OrgulhoLaico.

Divulgue a Parada do #OrgulhoLaico nas suas redes!

Folheto Eletrônico: http://twitpic.com/2xkxr7

Manifesto Colaborativo: http://piratepad.net/vGcCfsdHZY

Em defesa da reforma agrária

Você concorda com o latifúndio e a desigualdade social?

“Poucos no Brasil tem muita terra. E muitos, milhares de pessoas, tem muito pouco”. É o que afirma Ariovaldo Umbelino, professor da Universidade de São Paulo. Transformar essa realidade é um dos objetivos do Plebiscito Nacional pelo limite da propriedade da terra, que vai até o dia 7 de setembro em todo o país.

A votação é parte da Campanha Nacional pelo limite da propriedade da terra, promovida pelo Fórum Nacional de Reforma Agrária, que conta com o apoio de movimentos sociais, entidades religiosas, sindicatos e outras organizações.

Para o Padre Nelito Dornelles, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “o plebiscito é uma ferramenta de diálogo com a sociedade. É uma parte importante da campanha, uma maneira didática de conscientizar a população”.

Desigualdade evidente

Willian Clementino, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, defende a agricultura familiar, “Agronegócio não gera emprego. Se você pegar o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), agricultura familiar tem muito mais capacidade de gerar emprego”. “Nosso principal programa de FOME ZERO é a Reforma Agrária”, afirma.

Estudos desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em parceria com outros ministérios, revela que enquanto na agricultura empresarial, em média, emprega-se 1 trabalhador para cada 100 hectares cultivados, na familiar a relação é de apenas 10 hectares por trabalhador.

“Se tomarmos um indicador clássico, o índice de GINI, sabemos que em 1972 o Brasil possuía 0,854. O índice vai de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1 maior a concentração de terra e de renda. Em 2006, último ano em que houve a pesquisa, o índice do GINI brasileiro continuava 0,854. 30 anos se passaram e a estrutura agrária continua absolutamenta mesma”, afirmou o professor Ariovaldo.

O novo Robin Hood é católico!

Notícia retirada da BBC Brasil

Padre britânico causa polêmica ao sugerir que pobres furtem

Foto: BBC BrasilUm padre anglicano britânico aconselhou a seus fiéis que roubem em lojas se tiverem passando necessidade.

O padre Tim Jones, da paróquia de São Lourenço e Santa Hilda, no condado de York, no norte da Inglaterra, disse no sermão de domingo que as pessoas deveriam furtar de grandes cadeias de lojas e não de estabelecimentos pequenos.

Segundo ele, a atitude da sociedade para com os necessitados “deixa algumas pessoas sem outra opção a não ser o crime”.

“Meu conselho, como padre cristão, é furtar em lojas”, disse.