Capas sinceras

Como seriam as capas das principais revistas brasileiras se elas, bem, err, fossem 100% sinceras com o leitor?

Como todo produto, a intenção de uma revista é que alguém a compre. Ou pelo menos essa é a realidade para a assim chamada grande mídia brasileira. E aí vale apelar para estratégias de marketing, oferecer prêmios, inventar notícias ou deixar claro toda semana que sua editora não gosta do Lula.

Será que alguma das revistas abaixo seriam lidas sem esse tipo de apelo?

Continue vendo as capas de revista no blog original: clique aqui.

Gota d’ Água?

Se você ainda não conheceu, pode ter certeza de que nos próximos dias você conhecerá Movimento Gota d’ Agua, seja através do twitter, facebook ou até pelas famosas correntes de email. O Movimento é uma iniciativa de alguns indivíduos em prol, dentre outras coisas, da defesa ambiental, e sua primeira ação é discutir a construção da Usina de Belo Monte pelo Governo Federal.

Até aí, qualquer grupo de indivíduos é livre para montar uma ONG, ou simplesmente organizar um grupo de pessoas, e promover ações para informar e tentar convencer as pessoas de sua opinião. Este próprio site, por exemplo, se encaixa nesta categoria.

Todo o problema surgiu pela participação de atores famosos, como Maitê Proença e Marcos Palmeira, no vídeo da campanha. Basicamente, são apresentados, de maneira simples e didática (por vezes até caricaturais e superficiais demais), argumentos contrários à obra.

Para mais informações sobre a campanha, assista ao vídeo no vimeo: clique aqui.

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E daí?

E daí que parte da esquerda está acusando os famosos de serem hipócritas, e sugerem que eles estão defendendo os interesses da Rede Globo. Invocam, por exemplo, que eles deveriam também estar denunciando outros problemas, como o vazamento de óleo da Chevron na bacia de Campos (leia+), notícia que está sendo mal divulgada pela mídia.

E daí, agora digo eu, que são coisas TOTALMENTE diferentes.

Matheus Pichonelli, da Carta Capital, tirou as palavras da minha boca na sua última publicação. Sugiro fortemente que dêem uma passada lá: clique aqui.

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A questão é: Não dá para partir do pressuposto de que, uma vez “atores globais”, estas pessoas estão defendendo os interesses de sua emissora. Será que ninguém lembra do vídeo “Lula Lá”, gravado por atores globais para fortalecer a campanha do Lula à presidência em 1989? Eles estavam defendendo os interesses de qual emissora mesmo? Quem a Globo estava apoiando? Ninguém se lembra?

http://www.youtube.com/watch?v=kZF1f4eH3eA

Sim, devemos ter um olhar crítico, mas isso é tudo que não está acontecendo no momento. Essa história de que “se a Globo defende eu sou contra, e vice-versa” é não entender a realidade como ela é.

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Como funciona uma emissora privada

Qualquer emissora privada de televisão, em qualquer lugar do mundo, defende os interesses das empresas que a sustentam. Senão, até aí é simples entender, acaba o financiamento.

Mas defender os interesses empresariais não é, nem pode ser, um fim em si mesmo. Se todos aqueles que defendem indubitavelmente “Globo NÃO” derem uma lida no livro Padrões de Manipulação na grande imprensa, do grande jornalista e petista Perseu Abramo, irão entender a que me refiro.

Pensemos juntos. Uma emissora pode trabalhar com jornalismo sujo o tempo todo? E que tal se a programação da Globo fosse formada apenas de VideoShow, filmes hollywoodianos e novelas?

Ah sim, eles não fazem isso porque a Constituição não permite. Será?

Quem acreditaria numa emissora que mente 100% do tempo e omite todas as informações que são contrárias aos seus interesses? Quem confiaria numa emissora que passa programação de baixo nível (pegadinhas, pornografia ou qualquer entretenimento alienante) durante todo o dia?

Ficaria demasiado fácil para a população criar uma repulsa à emissora, porque eles veriam com os próprios olhos como a realidade está sendo mascarada, e ficaria fácil demais relacionar quais empresas eles estão defendendo.

Como bem disse o prof. Perseu, as emissoras aprenderam que elas precisam oferecer jornalismo de qualidade durante grande parte do tempo e, claro, programas de entretenimento, mas de baixo e de alto nível (não vou entrar aqui numa discussão profunda sobre o queé entretenimento de baixo ou alto nível porque não é esta a questão). Logo na primeira página, senão me engano (li esse livro há uns 3 anos), ele ressalta algo como: “a publicidade brasileira é a mais competente do mundo. Azar o nosso”.

Quando acontecem manifestações em locais isolados ou acidentes que não interessariam divulgar, como o tal vazamento da Chevron, ela pode simplesmente ignorar. Sim, porque isto não retira dela toda a credibilidade que já foi conquistada.

Casos como a Folha, que estampou a primeira página com uma notícia falsa sobre a presidente (leia mais), para depois publicar uma notinha de rodapé informando os leitores sobre o erro, são perfeitos para se entender este sistema. Casos como esses diminuem a credibilidade destas emissoras, mas sempre haverá aquela pessoa que argumentará: “Ah ela errou essa vez, mas você não lembra daquele outro caso, daquela denúncia? E aquele programa? Adoro Profissão Repórter e o Programa do Jô. A tv aberta ainda tem salvação…”.

É o que está fazendo a grande mídia norte-americana sobre o Movimento #OCCUPY. É o que faz a mídia brasileira em relação aos professores que estão há mais de 100 dias em greve.

É assim que a mídia trabalha.

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Outro lado

Agora voltando ao assunto do tópico. Os atores que trabalham nas emissoras de televisão são meros empregados, peças de um sistema onde, muitas vezes por disposição do contrato de trabalho, são impedidos de manifestar suas próprias opiniões.

Não estou dizendo que todos que trabalham na Globo são revolucionários comunistas aguardando o momento certo para executar a revolução. Estou dizendo que são pessoas como todas nós, que vivem num sistema em contradição e fazem, ou não, o que podem para levar a vida e defender o que acreditam.

Como bem disse Pichonelli lá na Carta Capital, o principal eles conseguiram, colocaram a cara à tapa e vão disseminar a discussão sobre a construção da usina por todo o Brasil.

Se você quiser se aprofundar ainda mais sobre o assunto, não se informe na grande imprensa, procure a mídia independente e os lados envolvidos na história. O documentário À Margem do Xingu, por exemplo, é fantástico e mostra um outro lado da história.

Notadocomprimido: Sou contrário à construção da usina. Achei o vídeo fraco, mas é exatamente o que, na minha opinião, ele se propôs: despertar a curiosidade dos brasileiros sobre a questão. Pesquisem, comentem, discutam, não só sobre Belo Monte mas sobre todos os assuntos de interesse nacional. Para isso conquistamos a democracia: participar – ainda que dentro do possível.

MST: As respostas que o Globo preferiu não aproveitar


Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?

Da Página do MST

O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.

Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.

A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.

A repórter até então interessada não entrou mais em contato. E a reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.

Por que será?

Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST que não saíram em O Globo.

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?

Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações — privataria — e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos — tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.

Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.

Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal — ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato — também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?

O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.

Por que não vemos indignação contra a corrupção?

Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.

Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.

As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay…e por que não contra a corrupção?

Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.

Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes — como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul — mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.

A sensação é de impunidade?

Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve com a devolução do dinheiro roubado…

O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(…) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”

Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.

São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF –- por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF — que acabam naturalizando a impunidade junto a população.

SBT: “Amor e Revolução” ou Sexo e Humor?

por Urariano Motta, em Direto da Redação. Via Viomundo.

Eu havia prometido não escrever nada sobre a telenovela “Amor e Revolução” enquanto o poeta  e ex-preso político Alípio Freire não me antecedesse. Isso porque ele foi um dos primeiros a perceber em que o folhetim do SBT ia dar. Mas não pude mais me conter, depois de ler isto na Folha de São Paulo:

“Silvio Santos reclama de ibope baixo e novela troca drama por humor

O dono do SBT, Silvio Santos, reclamou do baixo desempenho da novela ‘Amor e Revolução’ em reunião nesta terça-feira, no Complexo Anhanguera. Silvio fez a queixa diretamente ao autor da novela, Tiago Santiago, que se prontificou a efetuar várias mudanças.

A despeito da repercussão e polêmica que a novela desencadeou na internet, ‘Amor e Revolução’não passa de cinco pontos de média na Grande São Paulo. Cada ponto equivale a 58 mil domicílios assistindo à história, que se passa na ditadura militar.

Dentro de duas semanas a novela sofrerá uma guinada de 180 graus. Diálogos sobre política, personagens discursando para criar contextualização histórica, assuntos referentes a militares serão praticamente abolidos da história. Em seu lugar haverá mais cenas de humor, amor e outros relacionamentos.

Procurado pela reportagem nesta tarde, Santiago não quis comentar sobre a ‘bronca’ de Silvio Santos, mas confirmou que a novela terá algumas mudanças de rumo. ‘Nós de fato vimos várias pesquisas, e as pessoas à noite querem rir, se emocionar. Vamos acabar com o tema político mesmo’, admitiu Santiago, que acrescentou: ‘Nunca mais vou fazer novela sobre política’ “.

Comento rápido: talvez Sílvio Santos não tenha percebido, mas há muito “Amor e Revolução” faz humor involuntário. De militares que andam de farda na intimidade de suas casas, passando por presos torturados que metem bronca nos torturadores, sempre com uma língua fluente que nem toma conhecimento dos choques elétricos que levou, a novela tem mostrado na televisão uma ignorância de tempo, lugar e vidas de tal maneira, que até parece galhofa.

Escrever em folhetim de televisão sobre a história tem sido  um fiasco, desde a minissérie JK na TV Globo. Se em JK os laços que prendiam Juscelino Kubitschek à realidade eram laços de fita, de chapéus, cenários e músicas de época, em “Amor e Revolução” a realidade são guerrilheiros e militares caricatos, que falam frases de cartilha, didáticas. Como as de um personagem que explicou num capítulo, por exemplo: “Dops. Dops é o nome com que é conhecido o Departamento de Ordem Política e Social. D-O-P-S: Dópis”…

Salvava a novela até então, como uma cereja em um bolo amargo, os depoimentos. Depois das palhaçadas grosseiras do Ratinho antes, depois de penar a ver cenas, diálogos que os circos da periferia fazem com melhor arte, vinham os depoimentos reais, verdadeiros, de militantes que sobreviveram à tortura. Até então, podia-se dizer: pulem  a novela, vejam o depoimento. De fato, houve alguns deles que se aproximaram do sublime. Assim era. Mas a ressalva não durou muito.

Ou "Sexo e humor" para os mais íntimos

Todo o prometido pela produção da telenovela, de que “para dar credibilidade à história e acontecimentos narrados na novela, seria exibido no fim de cada capítulo um depoimento de um guerrilheiro, artista, familia de desaparecidos que participou desse momento tão importante para a democracia no Brasil”, veio por água abaixo com os depoimentos de torturadores, de militares criminosos ainda sem julgamento no Brasil, mais adiante.

Dizer o que mais agora?

“O autor decidiu ainda que as personagens de Luciana Vendramini e Gisele Tigre (Marcela e Mariana) terminarão juntas –talvez com direito a casamento– e que haverá mais cenas ‘lésbico-eróticas’ entre elas”, completa a notícia.

Aquela ilusão de  que “Amor e Revolução” retomasse a história que não foi conhecida, porque ao povo seria dada a oportunidade de saber o drama e valor de uma geração violentada, cai por terra.  Quem tiver dúvida, anote a última: nos bastidores do SBT, a novela ganhou o apelido de “Sessão Privê”, ou de sexo na tevê. Quem leu os próximos capítulos fala que virão cenas fortes e apelativas. Ou seja, nem amor nem revolução, ao fim.

Em Pneumotórax, Manuel Bandeira escreveu que, para um tuberculoso no começo do século vinte, o melhor a fazer era  tocar um tango argentino. Para nós, que acreditamos no poder da arte, em 2011 podemos concluir: o melhor a fazer é voltar à liberdade da literatura. Ela saberá dizer o que as telenovelas não podem, por limitação de gênero, veículo, ibope  e grana.

Nota docomprimido: Eu já havia alertado aqui sobre as limitações que a novela sofreria por conta do próprio formato, mas que a minha esperança era que ela abordasse temas de  interesse público. Ainda que de forma limitada, isso levaria as pessoas a debaterem alguns problemas importantes do nosso país. Mas não, parece que, para algumas pessoas, a fórmula de sucesso deve se limitar a cenas de humor e/ou cenas com apelo lésbico-erótico. Talvez por isso as novelas do SBT e a televisão como um todo estão perdendo audiência. Um meio de comunicação público deve servir ao público e não se condicionar às audiências. Os efeitos a longo prazo elas já estão começando a sentir.

Wikileaks e o impacto da publicação de conteúdos

Caso Wikileaks

O presente estudo tem como objetivo avaliar o impacto da publicação de conteúdos relacionados com o Wikileaks a nível de audiências, no jornal português Expresso, e nos jornais brasileiros O Globo e a Folha de São Paulo.

Título: Caso Wikileaks – o impacto da publicação de conteúdos
Autores: Thiago Vilela, Ana Margarida Silva, Ana Sobrinho, António Abreu, Camila Volpi, Lúcia Sousa, Mariana Pinho, Patrícia Fernandes e Salomé Fonseca.

O formato de apresentação é via website:

http://tdvproducoes.com/casowikileaks/index.html

 

PS: Caso utilize esta pesquisa como referência em algum trabalho, por favor deixe um comentário. Obrigado!