
A cidade de Murcia, na Espanha, lançou a campanha “Mejor en Tranvía” em que oferece passe gratuito e vitalício para transporte público do sistema VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) aos cidadãos que estiverem dispostos a abandonar seus carros.
Além de promover o sistema VLT, a campanha, que funciona desde maio, visa a redução dos congestionamentos e a poluição do ar na cidade. A população atual é de 440 mil pessoas, sendo que a maior parte delas depende exclusivamente de veículos particulares. O passe é só o primeiro passo para reduzir o número de motoristas. A cidade já recolheu alguns veículos livres de dívidas e em funcionamento e agora irá desmontá-los.
Notícia retirada da EXAME.
E na dose homeopática dessa semana gostaria que vocês fizessem uma pequena, digamos, comparação. Enquanto sociedades em diferentes partes do mundo estão procurando diminuir o uso de carros, para melhorar a livre circulação de pessoas pela cidade, diminuir o uso de recursos naturais e aumentar a qualidade de vida… o que nós estamos fazendo no nosso país?

por Paulo Nogueira Batista Jr., em O Globo , via Projeto Nacional
Escrevo, leitor, sem ter conseguido digerir todos os aspectos da mais recente cúpula europeia. O assunto é extraordinariamente complexo, como se sabe.
Não há dúvida de que a dimensão da crise na área do euro está forçando as lideranças europeias a tomar decisões duras. Resta saber, entretanto, se elas serão suficientes.
Preocupa a possibilidade de que esteja faltando foco às iniciativas europeias. Não estaria havendo ênfase excessiva na dimensão fiscal da crise? Prevalece a visão alemã de que a raiz da crise está na falta de disciplina fiscal no Sul da Europa. A palavra de ordem passou as ser: regras fiscais mais rígidas, com sanções quase automáticas e cessão de soberania fiscal. Grande parte das decisões ontem anunciadas consiste de medidas nessa área. Consolidação fiscal e reformas estruturais constituiriam a chave para superar a crise.
Duvidoso. Não parece claro que a irresponsabilidade fiscal tenha sido a principal causa da crise atual na área do euro. Essa tese só é claramente verdadeira no caso da Grécia, que antes de 2008 teve déficits públicos muitos elevados. Na maioria dos países vulneráveis, o aumento do déficit e da dívida do setor público foi, em boa medida, efeito e não causa da crise financeira iniciada em 2007-2008.
A fragilização das finanças públicas na área do euro, desde 2008, reflete três fatores principais, cuja importância relativa varia de país para país: a) os efeitos da recessão sobre as contas públicas; b) as medidas de estímulo fiscal; e c) o custo do socorro às instituições financeiras.
Em outras palavras, a crise financeira metamorfoseou-se em crise fiscal. Sistemas financeiros superdimensionados, operando com grande liberdade, sem estar submetidos a adequada regulação e supervisão, são causas tão ou mais importantes da crise do que a falta de rigor fiscal no Sul da Europa.
A livre circulação de capitais, intermediados por sistemas financeiros inchados, gerou um ciclo de forte expansão do crédito na periferia europeia. O crédito externo estimulou um boom especulativo, financiou elevados déficits em conta corrente e mascarou os problemas de competitividade.
E, no entanto, essa dimensão da crise não parece atrair suficiente atenção. Pede-se com frequência reformas estruturais – dos mercados de trabalho e dos mercados de produtos – mas raramente se menciona a necessidade de reformas estruturais do sistema financeiro – o setor da economia que parece estar na origem da crise atual. As reformas financeiras propostas desde 2008-2009, embora insuficientes, enfrentam a resistência feroz dos poderosos lobbies financeiros (a turma da bufunfa não brinca em serviço).
Seja como for, reformas – financeiras, fiscais, trabalhistas – não apagam incêndio. E aqui surge outra dúvida cruel: onde está o Banco Central Europeu? Nas duas semanas que antecederam a cúpula europeia, os mercados estavam embalados pela perspectiva de que o BCE entraria maciçamente nos mercados de títulos secundários – se houvesse aceitação pelos outros europeus das regras fiscais teutônicas.
Na quinta-feira, logo antes da reunião dos líderes europeus, o presidente do BCE, Mario Draghi, jogou água na fervura. Perguntado se o BCE responderia com aumentos expressivos das suas compras de títulos públicos em resposta a um acordo fiscal entre os líderes europeus, Draghi respondeu “não”. Diante da insistência da imprensa, acrescentou: “Eu desejo tudo o de melhor aos nossos líderes, e o BCE está aqui. Isso não significa que o BCE responderá, aliás.”
Em matéria de dinheiro novo, a grande novidade da cúpula foi o anúncio, ainda sem detalhes, de que os membros da área do euro e outros países da União Europeia irão considerar, e confirmar dentro de pouco mais de uma semana, contribuições adicionais ao FMI no montante de até 200 bilhões de euros (US$270 bilhões). Os líderes europeus declararam também que esperam “contribuições paralelas da comunidade internacional”.
A discussão se desloca agora para o FMI.
Paulo Nogueira Batista Jr. é economista e diretor-executivo representando o Brasil e mais oito países no Fundo Monetário Internacional (FMI). O economista expressou opiniões pessoais, que não devem ser atribuídas ao FMI ou aos países que representa na diretoria da instituição.


Bruxelas quer que países como Portugal alterem as leis laborais no sentido de uma crescente flexibilização e liberalização.
O documento, que será discutido na reunião dos ministros das Finanças que terá lugar esta terça-feira em Bruxelas, defende que a taxa seguida deverá ser a média ponderada do desemprego nos últimos três anos. Se o resultado for superior a 10%, inicia-se um processo de sanções, mas só depois de ser concedido um prazo para os países em causa seguirem as recomendações da Comissão e tentarem diminuir a taxa de desemprego.
O desemprego é um dos indicadores a ser considerado. O défice público, limitado aos 3% do PIB, e a dívida pública, que não pode ultrapassar os 60% do produto do país, já faziam parte dos tratados europeus. Também o preço das casas e o endividamento privado passarão a ser indicadores considerados para, supostamente, evitar os desequilíbrios financeiros e macroeconómicos entre os membros da União Europeia
Esta proposta da Comissão Europeia surge no momento em que o desemprego, na sequência da crise financeira internacional e das políticas de austeridade permanente preconizadas pela mesma Comissão Europeia, atinge níveis históricos um pouco por toda a Europa. A taxa a partir da qual os países serão considerados incumpridores, de resto, fica abaixo da média do desemprego na União Europeia, que se encontra actualmente nos 10,2%. A taxa de desemprego na Espanha é superior a 20%, a maior da União Europeia, e o El Mundo calcula que o país poderá ter que pagar uma multa superior a 1000 milhões de euros se esta medida for aprovada.
A ser aprovada, esta medida conferirá um peso acrescido e um carácter institucional às pressões que têm vindo a ser feitas pela Comissão para que vários países, incluindo Portugal, alterem as leis laborais no sentido de uma crescente flexibilização e liberalização.
Notadocomprimido: “flexibilizar” as leis laborais, nestes termos, significa piora na qualidade de vida da população e mais vantagens para as empresas. Os países devem se posicionar contrariamente à este absurdo e invocar, pelo contrário, a defesa do emprego e uma maior distrbuição de renda.

A assessoria de imprensa do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) confirmou a informação de que, a convite da Anistia Internacional, o parlamentar e pré-candidato à prefeitura do Rio de Janeiro nas próximas eleições deixará o país ainda nesta terça-feira.
Responsável pelo indiciamento de cerca de 220 pessoas ligadas a grupo paramilitares no período em que presidiu a CPI das Milícias na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), Freixo recebeu sete ameaças de morte em apenas um mês. A última delas na sexta-feira. Por motivos de segurança, o destino da viagem é mantido sob sigilo. Sabe-se apenas que é na Europa.
Em sua página na rede de microblogs Twitter, ele afirmou que o retiro é por tempo limitado e que a decisão não foi tomada por medo, mas sim devido a uma necessidade de que sejam feitos ajustes em seu esquema de segurança. Freixo fez ainda duras críticas ao poder público, que classificou como “inoperante e reativo, e lembrou o caso da juíza Patrícia Acioli, executada com 21 tiros no dia 11 de agosto, em Piratininga, Niterói.
“Sobre as ameaças, nunca recebi retorno das providências tomadas. Esse não é um problema meu, não é particular. Patrícia Acioli recebeu várias ameaças e nada foi feito. O poder público é reativo e inoperante. Eles não venceram e nem vão vencer, estarei de volta em breve”, disparou.
Matéria por Carlos Caroni, via Jornal do Brasil: http://www.jb.com.br/pais/noticias/2011/10/31/ameacado-de-morte-deputado-marcelo-freixo-deixara-o-pais-nesta-terca-feira/
Para saber mais sobre Marcelo Freixo: http://ocomprimido.tdvproducoes.com/2010/10/um-deputado-no-olho-do-furacao/

Calma, calma, ainda fico aqui na Europa até janeiro (2012). Ok, tudo bem que eu vou para Moscou em Novembro, mas é só por uma semana. Não é disso que eu estou falando.
Este texto é para falar um pouco de um sentimento que venho sentindo desde que cheguei aqui neste intercâmbio e que ainda não tinha conseguido me expressar até agora.
Europa is over. E quando eu digo isso me refiro ao Estado de Bem-Estar Social. É incrível como hoje, se olharmos a luta da esquerda européia, não se reivindica mais do que a não-retirada de direitos. A população engoliu, pouco a pouco, desde a queda da URSS, que, afinal de contas, saúde pública, educação de qualidade, seguro-desemprego e transporte decente não são direitos que o Estado deve prover.
Há uns dois meses, no ápice das revoltas pela educação gratuita e de qualidade no Chile (aqui), postaram um comentário no site humorístico 9gag explicando os motivos daquela revolta. Pode parecer bobagem, mas para um estudante qualquer, entre 18 e 20 anos, se preocupar em ir num site que não tem nada haver com o assunto mas que é um grande canal entre os jovens, para explicar porque ele e seus amigos estavam se revoltando nas ruas do país, é porque a desinformação na mídia nacional e internacional estava muito grande. E ele tinha tanta percepção disso que fez aquele post. E qual foi a reação da maioria dos usuários do site, em geral europeus? De que educação pública não deveria ser fornecida pelo Estado. De que era desperdício de dinheiro.
É essa geração, com esse tipo de ideologia, que está crescendo nos escombros de uma geração que teve de tudo um pouco assegurado por uma política estatal desenhada para fazer frente ao socialismo real soviético. Estão com uma venda nos olhos e não a percebem. E não a percebem porque, ainda com a crise econômica, a qualidade de vida continua muito alta para o padrão sulamericano, por exemplo. Por enquanto. Por enquanto. E para cada vez menos gente.
Segue texto do Frei Betto que consegue exprimir um pouco mais a fundo o ponto que gostaria de atingir. Ele é um dos poucos religiosos a quem admiro e acompanho o trabalho. Até a próxima!
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Lembram-se da Europa resplandecente dos últimos 20 anos, do luxo das avenidas Champs-Élysées, em Paris, ou da Knightsbridge, em Londres? Lembram-se do consumismo exagerado, dos eventos da moda em Milão, das feiras de Barcelona e da sofisticação dos carros alemães?
Tudo isso continua lá, mas já não é a mesma coisa. As cidades européias são, hoje, caldeirões de etnias. A miséria empurrou milhões de africanos para o velho continente em busca de sobrevivência; o Muro de Berlim, ao cair, abriu caminho para os jovens do Leste europeu buscarem, no Oeste, melhores oportunidades de trabalho; as crises no Oriente Médio favorecem hordas de novos imigrantes.
A crise do capitalismo, iniciada em 2008, atinge fundo a Europa Ocidental. Irlanda, Portugal e Grécia, países desenvolvidos em plena fase de subdesenvolvimento, estendem seus pires aos bancos estrangeiros e se abrigam sob o implacável guarda-chuva do FMI.
O trem descarrilou. A locomotiva – os EUA – emperrou, não consegue retomar sua produtividade e atola-se no crescimento do desemprego. Os vagões europeus, como a Itália, tombam sob o peso de dívidas astronômicas. A festa acabou.
Previa-se que a economia global cresceria, nos próximos dois anos, de 4,3% a 4,5%. Agora o FMI adverte: preparem-se, apertem os cintos, pois não passará de 4%. Saudades de 2010, quando cresceu 5,1%.
O mundo virou de cabeça pra baixo. Europa e EUA, juntos, não haverão de crescer, em 2012, mais de 1,9%. Já os países emergentes deverão avançar de 6,1% a 6,4%. Mas não será um crescimento homogêneo. A China, para inveja do resto do mundo, deverá avançar 9,5%. O Brasil, 3,8%.
Embora o FMI evite falar em recessão, já não teme admitir estagnação. O que significa proliferação do desemprego e de todos os efeitos nefastos que ele gera. Há hoje, nos 27 países da União Européia, 22,7 milhões de desempregados. Os EUA deverão crescer apenas 1% e, em 2012, 0,9%. Muitos brasileiros, que foram para lá em busca de vida melhor, estão de volta.
Frente à crise de um sistema econômico que aprendeu a acumular dinheiro, mas não a produzir justiça, o FMI, que padece de crônica falta de imaginação, tira da cartola a receita de sempre: ajuste fiscal, o que significa cortar gastos do governo, aumentar impostos, reduzir o crédito etc. Nada de subsídios, de aumentos de salários, de investimentos que não sejam estritamente necessários.
Resultado: o capital volátil, a montanha de dinheiro que circula pelo planeta em busca de multiplicação especulativa, deverá vir de armas e bagagens para os países emergentes. Portanto, estes que se cuidem para evitar o superaquecimento de suas economias. E, por favor, clama o FMI, não reduzam muito os juros, para não prejudicar o sistema financeiro e os rendimentos do cassino da especulação.
O fato é que a zona do euro entrou em pânico. A ponto de os governos, sem risco de serem acusados de comunismo, se prepararem para taxar as grandes fortunas. Muitos países se perguntam se não cometeram uma monumental burrada ao abrir mão de suas moedas nacionais para aderir ao euro. Olham com inveja para o Reino Unido e a Suíça, que preservam suas moedas.
A Grécia, endividada até o pescoço, o que fará? Tudo indica que a sua melhor saída será decretar moratória (afetando diretamente bancos alemães e franceses) e pular fora do euro.
Quem cair fora do euro terá de abandonar a União Européia. E, portanto, ficar à margem do atual mercado unificado. Ora, quando os primeiros sintomas dessa deserção aparecerem, vai ser um deus nos acuda: corrida aos saques bancários, quebra de empresas, desemprego crônico, turbas de emigrantes em busca de, sabe Deus onde, um lugar ao sol.
Nos anos 80, a Europa decretou a morte do Estado de bem-estar social. Cada um por si e Deus por ninguém. O consumismo desenfreado criou a ilusão de prosperidade perene. Agora a bancarrota obriga governos e bancos a pôr as barbas de molho e repensar o atual modelo econômico mundial, baseado na ingênua e perversa crença da acumulação infinita.
Notadocomprimido: Podia ter falado isso lá em cima na introdução, mas enfim. A crise econômica de que tanto falam, no final das contas, não é nada mais do que um aumento no fosso da diferença entre os mais ricos e os mais pobres. Em outras palavras, a crise é péssima para a classe média e para os mais pobres. Mas é tão favorável aos mais ricos que uma saída dos governos tem sido taxar as grandes fortunas, que crescem absurdamente pagando, proporcionalmente, menos impostos.