A incapacitação do Haiti

por Ashley Smith, no Counterpunch

Um terremoto devastador, o pior em 200 anos, atingiu Porto Príncipe na terça-feira, destruindo a cidade e matando um número não definido de pessoas. O terremoto mediu 7 pontos na escala Richter e detonou mais de 30 tremores secundários, todos de magnitude 4.5, durante a noite ou na manhã de quarta-feira.

O terremoto destruiu casas construídas pobremente, hotéis, hospitais e mesmo os prédios políticos mais importantes da cidade, inclusive o palácio presidencial. O colapso de tantas estruturas causou uma nuvem gigantesca no céu, que flutuou sobre a cidade, causando uma chuva de poeira sobre as áreas devastadas.

De acordo com algumas estimativas, mais de 100 mil pessoas podem ter morrido em uma metrópole de 2 milhões de pessoas. Aqueles que sobreviveram estão morando nas ruas, com medo de retornar aos edifícios que permaneceram em pé.

Em todo o mundo, haitianos lutam para contatar suas famílias e amigos no país devastado. A maioria não conseguiu chegar a seus amados, uma vez que as linhas telefônicas no país cairam.

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A independência do BC (argentino)

Por Alfredo Zaiat, no Página 12

O conceito de independência do Banco Central se instalou no debate econômico como um valor que suplanta as instituições democráticas. É uma ideia que permite ocultar a influência que exerce o poder financeiro sobre as autoridades da entidade monetária. Se trata de uma concepção conservadora e corporativa do desenho da política econômica que a ortodoxia conseguiu impor ao senso comum da sociedade.

Tão contundente foi essa vitória que até dirigentes de centro-esquerda a defendem em peculiares construções discursivas. É misterioso esse triunfo cultural de considerar a independência do Banco Central como uma estratégia sensata. Dois antecedentes recentes ensinam que essa autonomia provoca fabulosos descalabros econômicos e sociais.

Essa independência, ou seja, ter a capacidade de instrumentalizar uma estrutura normativa de pouco controle dos bancos e favorável aos interesses dos banqueiros esteve em seu apogeu máximo no momento do desencadeamento de duas crises extraordinárias: o debacle de Wall Street com a crise do subprime e a quebra da Argentina, com o “corralito” e a pesificação assimétrica. Estes antecedentes deveriam causar o questionamento da “independência” do Banco Central.

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