Saúde privatizada ou como estão destruindo o SUS

Sistema Único de Saúde (SUS) foi criado pela Constituição Federal de 1988 para que toda a população brasileira tivesse acesso ao atendimento público de saúde.

Anteriormente, a assistência médica estava a cargo do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS), ficando restrita aos empregados que contribuíssem com a previdência social; os demais eram atendidos apenas em serviços filantrópicos.

Muitos reclamam da qualidade do serviço prestado pelo SUS, e podem fazê-lo com diversos motivos. Mas o que ninguém pode negar é a força ideológica desta medida. A partir de então, a saúde passou a ser definida como ”direito de todos e dever do Estado”. Ninguém pode, em teoria, deixar de ser atendido por qualquer motivo que seja.

E eu ressalto o “em teoria” porque, 23 anos depois dessa Revolução na saúde pública brasileira, estão tentando privatizá-la. E, mais do que isso, esperam que a população mobilize essa mudança. Entenda como.

Clique aqui para continuar lendo »

Assaltantes de lojinhas do mundo, uni-vos!


por Slavoj Zižek, London Review of Books, vol. 33, n, 16. Via Viomundo.

A repetição, segundo Hegel, tem papel crucial na história: se alguma coisa acontece uma única vez, pode ser descartada como acidente, algo que poderia ter sido evitado se a situação tivesse sido conduzida de modo diferente; mas quando um mesmo evento repete-se, é sinal de que está em curso um processo histórico mais profundo. Quando Napoleão foi derrotado em Leipzig em 1813, pareceu má sorte; quando foi derrotado outra vez em Waterloo, ficou claro que seu tempo acabara. Vale o mesmo para a continuada crise financeira. Setembro de 2008 foi apresentado como anomalia que podia ser corrigida com melhores regulações e controles; hoje se acumulam sinais de quebradeira nas finanças e já é evidente que estamos lidando com fenômeno estrutural.

Dizem e repetem e repetem que atravessamos uma crise da dívida e que todos temos de partilhar a carga e apertar os cintos. Todos, exceto os (muito) ricos. Aumentar impostos sobre muito ricos é tabu: se se fizer isso, diz o mesmo argumento, os ricos não terão incentivo para investir, haverá menos empregos e todos sofreremos mais. A única salvação, nesses tempos duros, é os pobres ficarem cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. O que devem fazer os pobres? O que podem fazer?

Embora os tumultos de rua na Grã-Bretanha tenham sido desencadeados pela morte de Mark Duggan, todos concordam que manifestam mal-estar mais profundo – mas que tipo de mal-estar? Como quando se queimaram carros nos subúrbios de Paris em 2005, os agitadores de rua na Grã-Bretanha não tinham mensagem alguma a comunicar. (Há aí claro contraste com as manifestações massivas de estudantes em novembro de 2010, que também geraram violência. Os estudantes deixaram bem claro que rejeitavam as propostas de reformas na educação superior.) Por isso é difícil pensar sobre os agitadores de rua britânicos em termos marxistas, como uma instância da emergência do sujeito revolucionário; encaixam-se muito mais facilmente na noção hegeliana de “ralé”, “escória” [orig. ‘rabble’], espaços marginais organizados, que manifestam o próprio descontentamento mediante explosões ‘irracionais’ de violência destrutiva – que Hegel chamava de “negatividade abstrata”.

Há uma velha história sobre um operário suspeito de roubo: todas as tardes, ao sair da fábrica, o carrinho-de-mão que ele empurra é cuidadosamente revistado. Os guardas nada encontram; o carrinho está sempre limpo. Até que a ficha cai: o operário roubava um carrinho-de-mão por dia. Os guardas não viam a mais visível verdade, exatamente como os jornalistas e especialistas e autoridades que comentaram os tumultos de rua. Dizem-nos que a desintegração dos regimes comunistas no início dos anos 1990s marcaram o fim da ideologia: o tempo dos projetos ideológicos em grande escala que culminaram em catástrofe totalitária está acabado; teríamos entrado numa nova era de política racional, pragmática. Se o lugar-comum de que vivemos numa era pós-ideológica é correto em algum sentido, pode-se ver nas recentes explosões de violência. Foi protesto de grau-zero, ação violenta sem demandas. Em sua tentativa desesperada para encontrar algum sentido nos tumultos, sociólogos e jornalistas deixaram passar sem qualquer registro o enigma que os tumultos nos impuseram.

Clique aqui para continuar lendo »

#VotoSerraPq

Por que votar em José Serra para presidente?

via B&D

A campanha #votoserrapq é uma iniciativa do Grupo Brasil e Desenvolvimento que busca escancarar discursos que permeiam a campanha do candidato José Serra sem que muitos percebam. Existem pessoas que, de fato, votam em um projeto político representado pela dupla dinâmica PSDB-DEM por saberem que eles governam para uma elite muito específica. Elite definida por cor, renda, orientação sexual e visão restrita de mundo.

A democracia, é bom lembrar, é o espaço do plural e diferente por excelência. Um projeto que claramente defende a cristalização definitiva de preconceitos sociais e o aprofundamento de desigualdades sociais pela contínua exploração de uma mão de obra barata e sub-cidadã merece ter seus planos escancarados.

Por isso, é através do humor que o grupo se posiciona, mostrando quão tragicômico é a situação do país na mão de quem não respeita pluralidade e diferenças tão comuns à sociedade complexa, não só no Brasil, mas em qualquer lugar do mundo. O programa conservador e elitista de José Serra tem como fundamentos claros essa restrição ao espaço público de decisões coletivas. Por mais incrível que pareça, existem pessoas que realmente votam Serra pelas razões que elencamos nos vídeos. Na maioria das vezes, tais argumentos são velados, mas não quer dizer que não existam. Como disse Hannah Arendt no seu livro “Crises da república”, nao podemos achar que a estrutura democrática, em si, resolve o problema da aceitação no mundo plural, é preciso lutar para aberturas institucionais constantes ao diferente. Afinal, como a autora expõe, não é só por golpe de estado que se alcança o totalitarismo.

Seguem os vídeos:

Propaganda Política 1


Aproveitando o período eleitoral, irei aproveitar o “contra-indicações” para falar sobre alguns políticos criativos em que você NÃO deve votar. Ou melhor, até pode, afinal de contas, vivemos numa palhaçada, digo, democracia.

O que a oposição quer

por Emir Sader, em seu blog

A definição do candidato e do seu vice não é o maior dos problemas que enfrenta a oposição no Brasil. Este problema aumenta de dimensão porque a oposição não definiu que plataforma pretende propor. Este elemento de fraqueza responde, em parte, pela queda reiterada do apoio a Serra nas pesquisas e pela subida de Dilma.

A oposição frenética que a caracterizou na crise que logrou gerar no governo de 2005 terminou retornando como um bumerangue contra ela, porque acreditou que aquela era a via para derrotar o governo. A linha era “fazer sangrar o governo, até derrubá-lo”. A discussão então era se tentá-lo via impeachment ou pelas eleições presidenciais de 2006.

A realidade concreta recolocou o problema em outros termos: as políticas sociais do governo garantiram sua legitimidade e deslocaram a oposição que, desnorteada, se dividiu entre seguir adiante com a linha de denuncismo e outra que, assimilando o prestígio do governo, afirma que manterá as políticas econômica e social do governo – alegando que teriam sido formuladas pelo governo FHC. No primeiro caso, se deram conta que não significa ganhar apoio popular – salvo de alguns setores da classe média, que já estão aderidos à oposição, incluídos nos 5% que rejeitam o governo -, no segundo, que representa aceitar elementos essenciais do governo atual, tendo dificuldade para diferenciar-se da candidata que representa centralmente a continuidade do governo atual.