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	<title>OCOMPRIMIDO.COM &#187; desenvolvimento</title>
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	<description>Sua dose diária de contra-informação</description>
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		<title>Governos Lula e Dilma: Um novo pacto de classes?</title>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 11:10:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dose diária]]></category>
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		<description><![CDATA[As gestões capitaneadas pelo PT conformam um novo pacto social. Tudo indica não se tratar de algo episódico, mas de uma mudança estrutural em relação ao cenário observado ao longo dos anos 1980 e 1990. O processo só encontra paralelo na aliança delineada por Getulio Vargas a partir de 1930. por Gilberto Maringoni, em Carta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/themes/retromania/retromania/images/CHAMADA-dosediaria.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">As gestões capitaneadas pelo PT conformam um  novo pacto social. Tudo   indica não se tratar de algo episódico, mas de  uma mudança estrutural   em relação ao cenário observado ao longo dos anos  1980 e 1990. O   processo só encontra paralelo na aliança delineada por  Getulio Vargas a   partir de 1930.<br />
<strong> </strong></p>
<p style="text-align: justify;"><strong>por Gilberto Maringoni</strong>, em <strong><a href="http://www.cartamaior.com.br/">Carta Maior<br />
</a></strong></p>
<p style="text-align: justify;">Qual o significado dos governos Lula e Dilma na  esfera da  representação política brasileira? Com sua heterogênea base de  apoio e  com uma ação destinada a beneficiar o capital financeiro e  parcelas  expressivas da pequena burguesia, dos trabalhadores e dos  setores  organizados sem ferir nenhum interesse das classes dominantes,  as  gestões capitaneadas pelo PT conformam um novo pacto social. Tudo   indica não se tratar de algo episódico, mas de uma mudança estrutural em   relação ao cenário observado ao longo dos anos 1980 e 1990. O processo   só encontra paralelo na aliança delineada por Getulio Vargas a partir  de  1930. Com essa amplíssima base social, não é à toa que a oposição de   direita tenha definhado nos últimos anos. Sem grandes contradições,   parte expressiva desta se bandeia para as asas da base governista, sem   que exista uma crise de representação da grande burguesia instalada no   país.</p>
<div id="texto-print">
<p style="text-align: justify;">1. Há um traço definidor da conjuntura atual: a virtual  falência dos  partidos de direita, PSDB, DEM e PPS. Sem conseguir  formular um  projeto próprio que os diferencie substancialmente dos  governos Lula e  Dilma, tais agremiações esfacelam-se em querelas  internas, golpes das  burocracias partidárias, disputa de espaços entre  caciques, debandada  geral e instabilidades insolúveis. Suas perspectivas  eleitorais para  2012 e 2014 minguam à medida que o tempo passa.</p>
<p style="text-align: justify;">2.  As tentativas recentes de se soldar novamente um polo de oposição   conservadora caíram no vazio. Primeiro foi um pronunciamento do  Senador  Aécio Neves (PSDB-MG), alardeado como divisor de águas, no  início de  abril. Para a Câmara Alta convergiram dirigentes de alta  graduação.  Aécio, orador regular, contou com o valioso empurrão da  mídia, com  destaque em todos os jornais e telejornais. Usou e abusou de  bordões,  como “não é mais possível”, “o país não aceita” e platitudes  tais.  Passados três ou quatro dias, ninguém mais tocava no assunto.</p>
<p style="text-align: justify;">3.  Semanas depois, foi a vez do ex-presidente Fernando Henrique  Cardoso  publicar extensa nota na revista Interesse Nacional, intitulada  “O papel da oposição”<strong> </strong>.   FHC, percebendo que o problema de seus aliados não está apenas na   cabeça das pessoas, buscou um novo chão para assentar suas idéias. Fez   um diagnóstico correto, em que pesem os ataques que vem sofrendo.</p>
<p style="text-align: justify;">4. O ex-Presidente afirmou o seguinte: <em>“Enquanto  o PSDB e seus  aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre  os  “movimentos sociais” ou o “povão”, isto é, sobre as massas carentes e   pouco informadas, falarão sozinhos. Isto porque o governo ‘aparelhou’,   cooptou com benesses e recursos as principais centrais sindicais e os   movimentos organizados da sociedade civil e dispõe de mecanismos de   concessão de benesses às massas carentes mais eficazes do que a palavra   dos oposicionistas, além da influência que exerce na mídia com as  verbas  publicitárias”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">5. E mais adiante, emendou: <em>“Existe toda  uma gama de classes  médias, de novas classes possuidoras (empresários de  novo tipo e mais  jovens), de profissionais das atividades  contemporâneas ligadas à TI  (tecnologia da informação) e ao  entretenimento, aos novos serviços  espalhados pelo Brasil afora, às  quais se soma o que vem sendo chamado  sem muita precisão de ‘classe C’  ou de nova classe média. A definição  de qual é o outro público a ser  alcançado pelas oposições e como fazer  para chegar até ele e ampliar a  audiência crítica é fundamental”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">6. Por fim, ele completa: <em>“A  imensa maioria destes grupos – sem  excluir as camadas de trabalhadores  urbanos já integrados ao mercado  capitalista – está ausente do jogo  político-partidário, mas não  desconectada das redes de internet,  Facebook, YouTube, Twitter, etc. É a  estes que as oposições devem  dirigir suas mensagens prioritariamente,  sobretudo no período entre as  eleições, quando os partidos falam para  si mesmo, no Congresso e nos  governos”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">7. FHC detectou um problema sem solução à vista  para os  conservadores, dos quais ele continua sendo o principal  formulador: a  base social da oposição de direita está se erodindo. Não  se trata  apenas de uma busca pelo “povão” ou de uma tentativa de se  encontrar  apoio entre os setores emergentes. É algo mais profundo e  estrutural.  Os partidos de direita perdem apoio entre as classes  dominantes, vale  dizer entre os setores do grande capital.</p>
<p style="text-align: justify;">8. Uma verificação prática dessa afirmação foi feita pelo jornal <em>O Estado de S. Paulo</em> de 6 de setembro de 2010, na reta final da corrida presidencial. Lá está escrito: <em>“O   Tribunal Superior Eleitoral divulgou neste domingo a arrecadação e os   gastos de campanha declarados pelos candidatos à Presidência. Dilma   Rousseff, do PT, foi a que mais arrecadou: R$ 39,5 milhões. A petista   juntou mais do que José Serra, do PSDB, e Marina, do PV, juntos. O   candidato tucano arrecadou R$ 26 milhões e a candidata verde R$ 12   milhões”.</em></p>
<p style="text-align: justify;">9. Em outras palavras, as diversas frações do  grande capital  apostaram a maior parte de suas fichas na campanha  petista em 2010.  Assim, do ponto de vista material e objetivo, a opção  de tais setores  era clara ao fim de oito anos da administração do  presidente Lula.</p>
<p style="text-align: justify;">10. No entanto, isso ainda não significava que a  representação  política do que se entende por grande burguesia em  atuação no Brasil  tivesse feito uma opção indiscutível pelo Partido dos  Trabalhadores  como ferramenta da representação político-institucional. A  maior  expressão de tal dúvida estava no comportamento dos meios de   comunicação no fim do primeiro e em todo o segundo mandato de Lula.   Estes demonstraram nítida preferência pelo candidato tucano José Serra.</p>
<p style="text-align: justify;">11.  Ao longo de oitos anos, o PT completou uma hábil movimentação  para  ganhar a confiança do topo do empresariado operante no Brasil.  Embora as  mudanças programáticas nessa direção já fossem perceptíveis  desde a  década anterior, a consolidação dessas diretrizes aconteceu com  a ação  concreta da administração pública.</p>
<p style="text-align: justify;">12. Começando seu primeiro  mandato com um duro ajuste fiscal e com a  reforma da Previdência, o  Presidente Lula exibiu na prática o programa  de governo que desejava  tocar dali em diante. Entretanto, ao contrário  do que muitos vocalizaram  à ocasião, o governo petista não era uma  mera continuidade de seu  antecessor, Fernando Henrique Cardoso.</p>
<p style="text-align: justify;">13. A gestão Cardoso  representou no Brasil a aplicação a ferro e  fogo das diretrizes do  Estado Mínimo, com uma agressiva política de  privatizações, de  liberalização da movimentação de capitais e do  desinvestimento na  expansão de atividades próprias do Estado, como os  serviços públicos, as  forças armadas e a diplomacia. Nesses anos, o  salário mínimo, como  consequência, chegou a um de seus mais baixos  patamares históricos, de  70 dólares mensais.</p>
<p style="text-align: justify;">14. A partir de 1999, após a quebra do real,  houve uma quase  institucionalização da política monetária de corte  ultraliberal, com a  sacramentação do Banco Central independente e do  tripé metas de  inflação, juros altos e câmbio flutuante. Nada disso foi  mudado na  gestão do ex-metalúrgico.</p>
<p style="text-align: justify;">15. Qual o giro operado por  Lula? Primeiro foi o de ganhar a  confiança dos chamados mercados,  através da manutenção da ortodoxia  monetária, especialmente ao longo de  seu primeiro mandato (2003-2007).  Depois foi mostrar ao grande capital  que o desenvolvimento do país  estava centrado em pelo menos duas bases:  expansão do mercado interno e  busca de novos mercados os países em  desenvolvimento. Nessas duas  vertentes, o dirigente petista teve amplo  sucesso.</p>
<p style="text-align: justify;">16. A diplomacia brasileira conseguiu atrair novos  parceiros, após  anos seguidos de déficits em nossa balança comercial ou  de resultados  medíocres (déficit de US$ 697 milhões em 2000, alcançando  um pico de  US$ 46 bilhões em 2006), resultantes de anos de  sobreapreciação cambial  (www.portalbrasil.net/economia_balancacomercial.htm )</p>
<p style="text-align: justify;">17.  Na fronteira interna, a estabilidade monetária, após as  turbulências de  1999-2002, possibilitou uma acelerado crescimento do  crédito tanto às  empresas quanto às pessoas físicas. Esta última  modalidade resultou em  inédita expansão da indústria de bens de consumo  duráveis, em especial  da automobilística. Os números do Banco Central  são eloqüentes: de pouco  menos de 20% em julho de 2004, o total de  crédito ofertado na economia  chegou a 45,7% do PIB em junho de 2010. Os  empréstimos do BNDES, com  juros subsidiados (TJLP) de 6% ao ano,  saltaram de R$ 35,1 bilhões em  2003, para R$ 140 bilhões em 2010.</p>
<p style="text-align: justify;">18. Aliado a políticas de  valorização do salário mínimo – que teve  seu valor majorado em 70% em  termos reais ao longo dos dois governos  lulistas -, à expansão da  seguridade social e a políticas focadas de  transferência de renda, o  mercado interno sustentou expressivos índices  de crescimento e melhoria  na distribuição de renda entre os  assalariados. Apesar disso, a  distribuição funcional da renda – entre  capital e trabalho – manteve-se  quase inalterada. A participação dos  salários na renda nacional, que  conheceu um pico de 50% no final da  década de 1950 chegou a 35,2% em  1995 e caiu constantemente até o piso  de 30,8% em 2004, conhecendo uma  lenta recuperação, alcançando 34% em  2010, segundo dados do IPEA.</p>
<p style="text-align: justify;">19.  No entanto, a grande política de transferência de renda  continuou sendo  representada pelas altas taxas de juros, que nunca  baixaram de um  patamar real de 6% ao ano (isto é, descontada a  inflação). Em 2011, a  elevação da taxa selic para 12% resultará em uma  transferência de cerca  de R$ 235 bilhões dos cofres públicos para os  detentores de títulos da  dívida, o que equivale a pouco mais de 40% do  orçamento público federal.  Em uma frase, se os pobres ganharam no  governo Lula, é certo que os  ricos ganharam muito mais.</p>
<p style="text-align: justify;">20. Essa combinação – juros elevados,  expansão creditícia, salário  mínimo e políticas focadas – literalmente  “bombou” o crescimento  econômico brasileiro, sem alterar profundamente a  estrutura de classes  no país. Lula concretizou uma espécie “capitalismo  popular” que gerou  folga nas contas públicas para alavancar políticas  anticíclicas  eficazes durante a crise internacional de 2008-9.</p>
<p style="text-align: justify;">21.  Com medidas de teor keynesiano – pesados investimentos em   infraestrutura, elevação do poder de compra aos que têm propensão a   gastar – aliadas à manutenção de altas taxas de juros e subsídios ao   setor privado, o Estado brasileiro logrou impedir que a oferta de   crédito no mercado interno fosse interrompida durante o período mais   agudo da crise. Não apenas não houve penalização a nenhum setor do   capital, como este recebeu subsídios importantes para não ser capturado   pela maré montante das incertezas. Não houve aqui também uma  penalização  dos trabalhadores. Os níveis reais de salário e de emprego  se  mantiveram, com poucas oscilações.</p>
<p style="text-align: justify;">22. Frisa-se aqui o que está  subjacente a estas linhas: todas as  iniciativas de Lula em momento algum  o colocaram em rota de colisão com  as forças de mercado. Ao contrário.</p>
<p style="text-align: justify;">23.  O governo Dilma tem se mostrado mais realista que o próprio  governo  Lula em sua adesão aos mercados como eles são. Trata-se de um  passo à  frente, que consolida diretrizes anteriores e que, tudo indica,  repactua  as relações entre as classes sociais no Brasil. Trata-se de  algo  estrutural, como não se via no país desde o primeiro governo  Vargas  (1930-45).</p>
<p style="text-align: justify;">24. Getúlio Vargas conseguiu empreender um grande  acordo, mudando as  relações de produção e as relações sociais,  modernizando o parque  produtivo, utilizando a política fiscal para  investimentos em  infraestrutura que davam suporte à industrialização e  concedendo leis  trabalhistas ao crescente operariado urbano. Logrou  fazer isso sem  tocar na propriedade da terra e conformando sob suas  bases dois  partidos aparentemente antagônicos, o PSD (representante dos  grandes  latifundiários e industriais e o PTB, vocalizando os anseios dos   trabalhadores). Elemento fundamental para a concretização desse pacto,   que duraria até 1964, foi a dura repressão à esquerda comunista. Assim, o   pacto getulista teve duas vias, a política e a econômica, que se   materializou em novas relações entre as classes sociais.</p>
<p style="text-align: justify;">25. É  bem possível que estejamos assistindo a uma nova pactuação  desse tipo em  nosso país. O governo não é apenas petista (agremiação  que representa  as massas assalariadas em sua essência), mas também do  PMDB (amálgama  partidário a agrupar diversas facções do capital). As  bases foram  cimentadas por Lula, especialmente durante a crise de  poucos anos atrás e  conhecem sua arte final na gestão de Dilma  Rousseff. Suas bases –  repetimos – são altas taxas de juros a remunerar  o capital (além de  subsídios de várias ordens) e aumentos do salário  mínimo e políticas  sociais focadas para os trabalhadores.</p>
<p style="text-align: justify;">26. Uma diferença salta à  vista. Enquanto Getulio integrou os  trabalhadores ao modelo  desenvolvimentista através da concessão de  direitos trabalhistas, Lula  realiza movimentação semelhante através de  aumentos salariais, expansão  do crédito e iniciativas focadas, que  aumentam o poder de compra dos  pobres. Em síntese, a integração atual  se faz via mercado.</p>
<p style="text-align: justify;">27. No  caso de Dilma, a consolidação do acordo passa também pela  política. O  traço mais significativo nesse quesito foi talvez a visita  da Presidenta  à comemoração dos 90 anos da <em>Folha de S. Paulo</em>,  logo em seu  primeiro mês de mandato. Ali, a mandatária tratou de tecer  loas ao  conceito liberal de liberdade de imprensa – isto é, ao de  liberdade de  empresa – elidindo qualquer veleidade de controle social  da mídia, como  foi insistentemente debatido na Conferência Nacional de  Comunicação  (Confecom), em dezembro de 2009.</p>
<p style="text-align: justify;">28. Os sinais mais  significativos das tendências da nova gestão  foram o anúncio dos cortes  orçamentários de R$ 50 bilhões para que  fosse cumprida a inédita marca  de 3,3% do PIB de superávit primário, as  seguidas elevações das taxas  básicas de juros pelo Banco Central, o  giro da política externa em favor  de um maior alinhamento com os EUA,  as estreitas ligações do Ministério  da Cultura com entidades privadas, o  anúncio da privatização dos  aeroportos mais rentáveis do país, entre  outras iniciativas. Digna de  nota foi a adesão de Jorge Gerdau  Johanpeter, um dos maiores empresários  brasileiros e beneficiário das  privatizações dos anos 1990, ao governo,  com função no Palácio.</p>
<p style="text-align: justify;">29. Embora não haja uma radical mudança  em relação ao segundo  governo Lula, os primeiros meses da gestão Dilma  acentuam  características pró-mercado que ficaram em segundo plano de  2007 a  2010, especialmente no período da crise. Ao mesmo tempo, saem de  cena  aspectos que poderiam sedimentar uma política mais progressista e   democrática. Alguns casos são significativos.</p>
<p style="text-align: justify;">30. A política  externa de Lula, por exemplo, representou inegáveis  avanços democráticos  ao não se subordinar claramente à casa Branca.  Episódios dignos de nota  foram os comportamentos do Itamaraty durante o  golpe de Estado em  Honduras, as negociações com o Irã no que toca ao  seu programa nuclear e  o reconhecimento da necessidade de um Estado  palestino. Pautado pela  ampliação de parcerias comerciais, o Brasil  fortaleceu o Mercosul,  investiu fortemente na criação da Unasul,  organização continental sem a  presença dos EUA e não se somou à direita  brasileira em contenciosos com  a Bolívia e Paraguai nas disputas  energéticas. A diplomacia capitaneada  por Celso Amorim ganhou com isso a  antipatia frontal dos grandes meios  de comunicação.</p>
<p style="text-align: justify;">31. Outra alteração notável se verifica na  questão da regulação da  mídia. No apagar das luzes da administração  anterior, o ministro da  Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência  da República), Franklin  Martins, esboçou um projeto para o setor. Até  agora não se sabe que  destino terá a proposta.</p>
<p style="text-align: justify;">32. Aliás, no  quesito Comunicação, apesar de críticas vocalizadas  pelo Presidente Lula  durante o segundo mandato, poucos foram os  avanços. As diretrizes da I  Confecom até agora não entraram no debate  institucional. A esse respeito  vale ler o texto “Política de  Comunicações: o balanço dos governos Lula” , de Venício Lima,  ex-professor da UnB e especialista no tema. Em uma longa avaliação, Lima  afirma: <em>“Não houve qualquer alteração fundamental no quadro de concentração da propriedade da mídia no Brasil entre 2003 e 2010”</em>.</p>
<p style="text-align: justify;">33.  A esta altura, vale perguntar: qual é o projeto do governo?  Seguramente  não é mais um projeto projeto democrático e popular,  denominação que  caiu em desuso nos últimos anos, apesar de ter marcado o  desenvolvimento  do PT por mais de uma década.</p>
<p style="text-align: justify;">34. O programa do segundo mandato  foi inspirado no projeto  “Esperança e mudança”, do PMDB, lançado em  1982 e que contou com a  colaboração dos chamados desenvolvimentistas da  época, como Carlos  Lessa, Luciano Coutinho, Maria da Conceição Tavares,  José Serra, Luis  Carlos Mendonça de Barros, entre outros. Caudatário das  teses da  Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), aquele texto  tinha um  viés fortemente nacionalista e estatizante, definindo, por  exemplo,  todas as riquezas do subsolo à esfera estatal, além de se  pautar por  temas como prioridade às empresas nacionais, reforma agrária,  combate à  financeirização da economia, entre outros tópicos. Era um  programa  avançado, que balizou o partido na elaboração da Constituição  de 1988 e  que se pautava pela existência de uma burguesia nacional, tese   polêmica na ciência política.</p>
<p style="text-align: justify;">35. O projeto empreendido pelo PT  no governo é muito menos ousado e  tímido e foi conhecendo nuances  através do tempo. Mas no segundo  mandato de Lula podem-se reconhecer  várias diretrizes do velho PMDB,  muito mais do que formulações emanadas  dos encontros e congressos  petistas.</p>
<p style="text-align: justify;">36. No entanto, o  alargamento pragmático do petismo tornou tanto seu  próprio programa  quanto o receituário do PMDB de três décadas atrás  apenas vagas  lembranças. Há uma elasticidade no ideário governista  pronto para  acolher a todos. Uma matriz dessa natureza não é elaborada  para realizar  mudanças, mas para deixar a essência da estrutura social e  política do  país mais ou menos como está.</p>
<p style="text-align: justify;">37. Vale um parêntesis. Quem  empurrou o transformismo mais longe  nesses tempos não foi o PT. Foi  outro partido da base, o PCdoB. A  adaptação do que seria um partido  comunista à vida como ela, com sua  adesão à administração municipal da  cidade de São Paulo levou o  presidente da sigla, Renato Rabelo, a dizer o  seguinte em entrevista  recente:  “Não estamos indo para o lado do Kassab. O Kassab é que está  vindo para o lado de cá” (). A realpolitik faz milagres…</p>
<p style="text-align: justify;">38.  Alguns setores próximos ao governo argumentam que a oposição  está se  dissolvendo por não ter entendido as mudanças ocorridas no país  com os  governos Lula e Dilma. A tese ainda está para ser provada. Mas o  certo é  que tais setores estão migrando para a base do governo  justamente por  terem entendido o significado dos governos Lula e Dilma.  Ou seja,  entendem que a adesão é possível pela grande convergência de  pontos de  vista. O que parece estar se dissolvendo são as fronteiras  políticas  entre governo e oposição conservadora, que possibilita a  entrada  acelerada da velha direita na base oficial.</p>
<p style="text-align: justify;">39. A erosão  oposicionista tem um certo tom farsesco. Vários  dirigentes abandonam  suas hostes originais para buscarem abrigo na base  do governo. É o caso  exemplar do prefeito de São Paulo, Gilberto  Kassab, e da líder ruralista  Katia Abreu.</p>
<p style="text-align: justify;">40. Mudou o natal ou mudaram eles? Mudou o governo  ou mudaram eles?  Ao que tudo indica e ao contrário dos prognósticos de  Renato Rabelo,  Kassab continua a fazer em São Paulo a mesma  administração elitista,  voltada para os setores mais ricos da cidade e  Katia Abreu não abriu  mão de sua defesa do latifúndio e de sua ojeriza  pelo MST. Como quem  tem dinheiro não o queima, Kassab e Abreu buscam  abrigo entre aqueles  que podem também representar seus interesses.</p>
<p style="text-align: justify;">41.  De certa maneira, o mote lançado por Gilberto Kassab para seu  PSD  parece ter contaminado o ideário político nacional: não é de  esquerda,  nem de direita e nem de centro. Ou seja, porta aberta para  todos os que  buscam negar peremptoriamente que tem lado nas disputas  políticas da  sociedade. Não por acaso, quase sempre são de direita.</p>
<p style="text-align: justify;">42. O novo  pacto de classes gestado em Brasília e que conforma  setores  aparentemente antagônicos pode ter vida longa. Cabe tentar  vislumbrar  seus limites e possibilidades. Ou seja, que tipo de mudanças  tal  coalizão pode realizar no país?</p>
</div>
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		<title>Catalão: um verdadeiro canteiro de obras</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Dec 2009 23:31:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[TARJA PRETA]]></category>
		<category><![CDATA[catalão]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Thiago Vilela Um crescimento que superou os 600%. Este foi o aumento registrado no Produto Interno Bruto (PIB) de Catalão entre 1999 e 2006. Os números, fornecidos pela prefeitura da cidade, são o reflexo de um desenvolvimento econômico acima da média do Brasil. No mesmo período, o PIB brasileiro cresceu cerca de 240%, enquanto o de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img title="dosediaria" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/themes/retromania/retromania/images/CHAMADA-tarjapreta.jpg" alt="" width="569" height="161" /></p>
<p>Por Thiago Vilela</p>
<p style="text-align: justify;">Um crescimento que superou os 600%. Este foi o aumento registrado no Produto Interno Bruto (PIB) de Catalão entre 1999 e 2006. Os números, fornecidos pela prefeitura da cidade, são o reflexo de um desenvolvimento econômico acima da média do Brasil. No mesmo período, o PIB brasileiro cresceu cerca de 240%, enquanto o de Goiás ficou em torno dos 320%.</p>
<p style="text-align: justify;">Em números absolutos, isso significa dizer que o PIB de Catalão subiu de R$ 408,4 mil para R$ 2,488 milhões. Enquanto o PIB brasileiro pulou de R$ 960,8 milhões para R$ 2,322 trilhões. O resultado é que Catalão hoje, com apenas 81 mil habitantes, tem a sexta maior economia do Centro-Oeste e a terceira de Goiás.</p>
<p style="text-align: justify;"><span id="more-787"></span></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border: 1px solid black; margin: 10px;" title="Foto: Thiago Vilela" src="http://www.fac.unb.br/revista20092/images/stories/thiago/mitubishi%20thiago%203.jpg" alt="mitubishi thiago 3" width="150" height="NaN" /><br />
O segredo do progresso é atribuído em grande parte à chegada da Mitsubishi em Catalão. “A vinda de grandes montadoras, como a Mitsubishi, trouxe muitos benefícios para a região e principalmente para o comércio local” &#8211; afirma Paulo César Souza, vendedor da Drogaria MEDJATO. A empresa foi instalada em 1998 e hoje já é responsável por três mil empregos diretos e por, aproximadamente, metade do Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) do município.</p>
<p><strong>Por que eu?</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Empresas do porte da Mitsubishi não escolhem instalar sua fábrica em determinada cidade por acaso. Historicamente, o estado de Goiás desenvolve uma política de significativos incentivos fiscais. Uma estratégia adotada pelos governantes para atrair para o Centro-Oeste as empresas do badalado eixo Sul-Sudeste, onde se concentra a maioria da riqueza do Brasil. E Catalão seguiu à risca essa política.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border: 1px solid black; margin: 10px;" title="Foto: Thiago Vilela" src="http://www.fac.unb.br/revista20092/images/stories/thiago/mitubishi%20thiago%202.jpg" alt="mitubishi thiago 2" width="150" height="NaN" />“A Mitsubishi Motors do Brasil é a única montadora com o capital 100% brasileiro”, divulga a fábrica da Mitsubishi em seu site. É verdade. Só em 2010, serão gastos mais de R$4 bilhões em incentivos fiscais para as grandes empresas, quase 25% do orçamento do município.</p>
<p style="text-align: justify;">Além disso, “no caso da Mitsubishi, o município doou o terreno, fez a terraplanagem, ofereceu incentivos fiscais e o governo federal, por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), financiou a juros baixíssimos toda a construção da fábrica”, relata Marcelo Rodrigues Mendonça, professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e membro da Associação Piratininga Vivo.</p>
<p style="text-align: justify;">A localização da cidade também influenciou positivamente na escolha. Situada no sul do estado, Catalão está próxima do Triângulo Mineiro e praticamente equidistante dos principais portos e capitais do país, facilitando, e muito, a distribuição do que é produzido na região.</p>
<p><strong>Você conhece alguém que trabalha na Mitsubishi? Ah sim, você trabalha lá&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Desde o início deste recente processo de industrialização, os governantes incentivam a integração das empresas com a cidade. Uma das medidas é o investimento em qualificação profissional. Os cursos profissionalizantes, oferecidos por instituições como Senac, Senar e SESI, contam com o apoio financeiro da Prefeitura, preocupada com a formação de mão-de-obra especializada.</p>
<p style="text-align: justify;">Ano passado, por meio de acordos com o governo federal, foi inaugurado um Centro de Educação Profissional (CEP). Para o Deputado Estadual Jardel Sebba, a ideia é que os moradores da região tenham uma participação cada vez maior das grandes empresas: “Qualificando nossos jovens, vamos poder parar de importar mão-de-obra. Nesse sentido, os próximos cursos a serem criados estarão em conformidade com as demandas industriais, com participação direta das empresas”.</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo dados do Ministério da Educação, entre 2006 e 2009 aproximadamente 90% dos jovens alunos que fizeram o curso profissionalizante do CEP conseguiram emprego. O fato pode parecer normal, mas não é. No Brasil, quando uma grande empresa vai para uma cidade pequena costuma importar a grande maioria do quadro de funcionários de cidades maiores ou do exterior. Diferentemente, na Mitsubishi, mais de 70% do quadro de funcionários é da região, um dado que configura exceção à regra.</p>
<p style="text-align: justify;">Um bom exemplo de como as coisas geralmente acontecem é a se passou na fábrica da Companhia Brasileira de Bebidas (AMBEV), situada na região metropolitana de Belo Horizonte. Segundo dados da Campus Repórter edição 3, “a maioria (dos empregados) é formada de contratados por empresa de terceirização, com sede em outras cidades (&#8230;) e quase a totalidade do quadro de gerência e supervisão é de (&#8230;) cidades como Belo Horizonte, Betim e Itaúna”.</p>
<p><strong>Nem tão bem-vindos assim&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignright" style="border: 1px solid black; margin: 10px;" title="Foto: Thiago Vilela" src="http://www.fac.unb.br/revista20092/images/stories/thiago/mitubishi%20thiago%204.jpg" alt="mitubishi thiago 4" width="NaN" height="225" />Assim como em Belo Horizonte, “alguns dos cargos mais importantes destas empresas são ocupados por pessoas de fora, inclusive do exterior. A maioria fica nos hotéis da cidade, mas alguns possuem casa na região”, relata Giovane de Souza, gerente de vendas da Concessionária da Mitsubishi da cidade.</p>
<p style="text-align: justify;">Para o professor da Universidade Federal de Goiás Marcelo Rodrigues, esse processo ocasiona vários problemas para a cidade: “Um dos efeitos mais notórios é o encarecimento do custo de vida, como é o caso dos aluguéis de imóveis”.</p>
<p style="text-align: justify;">Fernanda Belizária, corretora de imóveis há 4 anos, confirma: “nos últimos 10 anos a procura por imóveis realmente subiu muito e, consequentemente, aumentaram também os valores para venda e aluguéis aqui, superando, hoje os preços de Uberlândia, Anápolis e até mesmo da capital”.</p>
<p><strong>Salário? Não, desconto!</strong></p>
<p style="text-align: justify;">Um dos problemas gerados com essa recente ‘profissionalização’ da cidade é a falta de um sindicato organizado. Criado em 2004, após muita briga e confusão, o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Catalão (SIMECAT) conseguiu, no último dia 24 de novembro, reduzir a jornada de trabalho e aumentar o piso salarial da categoria (<a href="http://portalcatalao.com.br/portal/noticias/?f095f875d3604ce60b2683d623c0d751=Tm90aWNpYXNWZXI=&amp;b80bb7740288fda1f201890375a60c8f=MDAwMDAwODExNA" target="_blank">continue lendo&#8230;</a>)</p>
<p style="text-align: justify;">Como medida para maquiar os baixos salários, a Mitsubishi criou uma série de ‘vantagens’ para os trabalhadores, tais como: auxílio creche, aulas de ginástica laboral, seguro de vida subsidiado e empréstimo consignado com juros menores que o mercado; além de convênios firmados entre a Mitsubishi e outras empresas da região.</p>
<p style="text-align: justify;">“O que mais me incentivou a ir trabalhar na fábrica foram os benefícios. O salário é menor do que eu ganharia aqui fora, no comércio, mas o plano de saúde, o vale-compra, o valecard e os descontos que a gente ganha em açougue, farmácia, essas lojas assim, compensam. E também é um dinheiro fixo, é mais seguro”, garante Antônio Hilton, trabalhador na área de logística da Mitsubishi há um mês.</p>
<p style="text-align: justify;"><img class="alignleft" style="border: 1px solid black; margin: 10px;" title="Foto: Thiago Vilela" src="http://www.fac.unb.br/revista20092/images/stories/thiago/mitubishi%20thiago%201.jpg" alt="mitubishi thiago 1" width="NaN" height="225" />Como explica Paulo César Souza, vendedor de uma das farmácias conveniadas: “O ValeCard é um cartão que oferece descontos na compra de medicamentos. O desconto varia entre 20 e 30%, e o trabalhador só paga no próximo mês. Por causa desse convênio, as vendas aumentaram muito nos últimos tempos”.</p>
<p style="text-align: justify;">O caso da Fosfértil ilustra bem a situação em Catalão. Em 2004, ocorreu um acidente numa barragem da empresa e uma grande área foi inundada, causando inúmeros danos ambientais. A partir deste acontecimento, a empresa começou a apoiar projetos culturais e projetos sociais. “Até mesmo o dinheiro das multas que foram pagas pela empresa, usado pela prefeitura em projetos sociais, foi relacionado com a empresa no sentido de auto-promoção”, relata Marcelo Rodrigues da UFG.</p>
<p style="text-align: justify;">Internacionalmente, essa tática já é conhecida: “As empresas gastam milhões em relações públicas e passamos a acreditar que elas têm personalidade, que são boas ou más, que são instituições criadas para atingir fins públicos. Elas não são. Na prática, elas estão dando passos muito pequenos e não vão sacrificar o retorno aos acionistas em prol de um bem social”, revela Robert B. Reich, ex-secretário do Trabalho de Bill Clinton em entrevista para a revista Exame em 2007.</p>
<p><strong>Perspectivas</strong></p>
<p style="text-align: justify;">A tendência, para os próximos anos, é aumentar cada vez mais a participação e o número de grandes empresas na região. A própria Mitsubishi, no último ano, transferiu parte de sua produção para a cidade – deixando de ser apenas montadora e tornando-se também fábrica. Outras montadoras, de olho no crescente mercado na América Latina, planejam fazer o mesmo.</p>
<p style="text-align: justify;">Isso trará mais desenvolvimento? Mais problemas? Soluções? Dúvidas? Se a cidade quer continuar oferecendo qualidade de vida aos seus cidadãos, estudar os erros e acertos deste processo de industrialização é a primeira tarefa.</p>
<p style="text-align: justify;">-</p>
<p style="text-align: justify;">Fiz esta reportagem para a Disciplina &#8220;<a href="http://www.fac.unb.br/revista20092/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=27:thiago-vilela&amp;catid=8:economia&amp;Itemid=9" target="_blank">Técnicas de Jornalismo</a>&#8220;, da Universidade de Brasília. Visitei a cidade, pesquisei dados em livros, jornais e na internet, entrevistei a população, as autoridades, os trabalhadores e o patrão. Acho que consegui mostrar os vários lados envolvidos nessa história e quem ganha e quem perde com isso tudo. Não sei qual é a solução para a cidade, mas, como disse no final da matéria, continuaremos estudando e apontando os erros e acertos do processo de industrialização brasileiro. Até lá!</p>
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