Dylan Ratigan expõe toda a verdade sobre o sistema econômico dos EUA

Pra quem assistiu os documentários da série Zeitgeist, principalmente o Addendum, as palavras furiosas do comentarista da MSNBC Dylan Ratigan não são bem novidade, o interessante mesmo é que em meio a crise econômica americana, que por tabela afeta o mundo inteiro, parece ter acordado os 99% da população que não estão conseguindo engolir mais as ações devastadoras dos 1% compostos por banqueiros e políticos corruptos que dominam a economia mundial com um sistema monetário que nada mais é que um método moderno de escravização.

Via Sedentario&Hiperativo.

Ricos e pobres

Por Tiago Gillot, do Esquerda.NET

Num espaço de escassos dias, ficámos a saber que Alexandre Soares dos Santos quase duplicou a sua fortuna num único ano e que 1.500 trabalhadores do seu Pingo Doce precisam desesperadamente de ajuda para comer e viver. Entretanto, o novo Governo trata os pobres como reles pedintes e massacra os trabalhadores precários, mas oferece milhões aos amigos no negócio do BPN. Tudo com muita classe, no país das desigualdades e do privilégio dos poderosos.

Os ricos estão mais ricos, enquanto a pobreza aumenta e cada vez mais atinge gente que trabalha mas não ganha o suficiente para viver.

Acumulação e caridade. A fórmula é antiga e a oportunidade da crise apenas a torna mais evidente. O enriquecimento é a exigência dos privilegiados, que sabem que a distribuição de migalhas é uma estratégia eficaz e tem hoje uma janela de legitimidade pelo desespero da maioria. O Governo e o homem que detém a segunda maior fortuna do país têm a mesma intuição, porque têm também, no essencial, o mesmo objectivo: identificam a “emergência social”, sabem que ela precisa de paliativos e evitam a todo o custo falar nas suas causas.

O “Fundo de Emergência Social” da Jerónimo Martins vai “dar” senhas de alimentação e cheques para cuidados de saúde urgentes aos seus funcionários, cujos rendimentos deixaram de ser suficientes para viver; a decisão foi anunciada através duma “Carta Aberta”, mas a operação de marketing não fala dos baixos salários nem de qualquer intenção de os aumentar. O “Plano de Emergência Social” (PES) do Governo prevê, entre outras, a distribuição de refeições aos mais necessitados e a cedência de medicamentos em fim de prazo a quem já nem sequer tem rendimentos suficientes para garantir os cuidados de saúde mínimos; a decisão, já prevista e destacada no programa do Governo, foi anunciada pelo ministro Pedro Mota Soares, mas a operação de marketing oculta e não resolve o empobrecimento causado pela agressiva austeridade em curso.

É evidente que Alexandre Soares dos Santos poupa muito mais com anos de salários miseráveis (em Portugal e na Polónia) do que vai “gastar” no “apoio” que agora anuncia aos trabalhadores que empobreceram a enriquecê-lo. Já sabemos que os milionários em Portugal acostumaram-se a isto: negócios fáceis, lucros garantidos, pouca concorrência, vender caro o que compram barato, ofertas do Estado, autorização para explorar o trabalho e sufocar a economia. A burguesia portuguesa não é incompetente – está habituada e sabe que pode.

Os governos são o outro lado desta história. O actual executivo comporta-se como um carrasco de direitos e rendimentos em contra-relógio, porque sabe que não há graça que lhe valha mais do que escassos meses de ofensiva sobre o conjunto da população. Também por isso, precisava de apresentar alguma coisa que simule a ideia duma “consciência social do Governo”. O PES, como bem denunciou a CGTP, é menos que um paliativo – é sobretudo um acto de propaganda, que subtilmente culpa os pobres pela pobreza e desresponsabiliza a governação perante o aumento da miséria.

Percebe-se a tentativa do Governo. Sabem que a imagem duma coragem serena na dura tarefa de salvar o país, vítima dos seus cidadãos gastadores, não pode durar nem resistir à implementação do seu programa. Por um lado, a distribuição de privilégios a poucos contrastará cada vez mais com o sacrifício da maioria – sem outras considerações, basta uma comparação simples: o PES custará, pelas contas do Governo, 400 milhões de euros no primeiro ano; de uma assentada, foram oferecidos 510 milhões de euros ao BIC para ficar com o BPN, depois de milhares de milhões de euros gastos com os nossos impostos e ainda com o patrocínio do Estado no futuro despedimento de centenas de funcionários. Por outro lado, o propalado rigor será cada vez mais visivelmente selectivo – basta ver como Pedro Mota Soares quer cobrar cegamente as dívidas injustas à Segurança Social aos trabalhadores a falsos recibos verdes: os patrões mantêm-se impunemente a salvo depois de negarem contratos de trabalho, enquanto acumula a dívida total à Segurança Social (cerca de 7 mil milhões de euros, a maioria dos quais da responsabilidade das empresas e sem perspectiva de recuperação).

Parece o que é. Os ricos estão mais ricos, enquanto a pobreza aumenta e cada vez mais atinge gente que trabalha mas não ganha o suficiente para viver. Do lado de lá – os donos de Portugal, os seus governos e comentadores oficiais – vão dizer-nos que não há alternativa, ao mesmo tempo que tratam os mais pobres como arma: ora de propaganda, ora de arremesso. Quer distribuindo esmolas, quer tratando quem passa dificuldades como preguiçosos obrigados a trabalho gratuito, são dados passos para desvalorizar e desmantelar os instrumentos colectivos de redistribuição e solidariedade, precisamente quando aumentam as desigualdades. É a instalação de um perigoso populismo segregacionista, que exige toda a fibra, toda o combate social para o enfrentar.

Notadocomprimido: É mais ou menos o que eu falei no último texto. Os ricos, cada vez mais ricos. Pobres, cada vez mais pobres. Essa é a crise, ela nunca atinge igualmente todas as camadas sociais.

Portuga Diário #21: Adeus, Europa

Calma, calma, ainda fico aqui na Europa até janeiro (2012). Ok, tudo bem que eu vou para Moscou em Novembro, mas é só por uma semana. Não é disso que eu estou falando.

Este texto é para falar um pouco de um sentimento que venho sentindo desde que cheguei aqui neste intercâmbio e que ainda não tinha conseguido me expressar até agora.

Europa is over. E quando eu digo isso me refiro ao Estado de Bem-Estar Social. É incrível como hoje, se olharmos a luta da esquerda européia, não se reivindica mais do que a não-retirada de direitos. A população engoliu, pouco a pouco, desde a queda da URSS, que, afinal de contas, saúde pública, educação de qualidade, seguro-desemprego e transporte decente não são direitos que o Estado deve prover.

Há uns dois meses, no ápice das revoltas pela educação gratuita e de qualidade no Chile (aqui), postaram um comentário no site humorístico 9gag explicando os motivos daquela revolta. Pode parecer bobagem, mas para um estudante qualquer, entre 18 e 20 anos, se preocupar em ir num site que não tem nada haver com o assunto mas que é um grande canal entre os jovens, para explicar porque ele e seus amigos estavam se revoltando nas ruas do país, é porque a desinformação na mídia nacional e internacional estava muito grande. E ele tinha tanta percepção disso que fez aquele post. E qual foi a reação da maioria dos usuários do site, em geral europeus? De que educação pública não deveria ser fornecida pelo Estado. De que era desperdício de dinheiro.

É essa geração, com esse tipo de ideologia, que está crescendo nos escombros de uma geração que teve de tudo um pouco assegurado por uma política estatal desenhada para fazer frente ao socialismo real soviético. Estão com uma venda nos olhos e não a percebem. E não a percebem porque, ainda com a crise econômica, a qualidade de vida continua muito alta para o padrão sulamericano, por exemplo. Por enquanto. Por enquanto. E para cada vez menos gente.

Segue texto do Frei Betto que consegue exprimir um pouco mais a fundo o ponto que gostaria de atingir. Ele é um dos poucos religiosos a quem admiro e acompanho o trabalho. Até a próxima!

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Lembram-se da Europa resplandecente dos últimos 20 anos, do luxo das avenidas Champs-Élysées, em Paris, ou da Knightsbridge, em Londres? Lembram-se do consumismo exagerado, dos eventos da moda em Milão, das feiras de Barcelona e da sofisticação dos carros alemães?

Tudo isso continua lá, mas já não é a mesma coisa. As cidades européias são, hoje, caldeirões de etnias. A miséria empurrou milhões de africanos para o velho continente em busca de sobrevivência; o Muro de Berlim, ao cair, abriu caminho para os jovens do Leste europeu buscarem, no Oeste, melhores oportunidades de trabalho; as crises no Oriente Médio favorecem hordas de novos imigrantes.

A crise do capitalismo, iniciada em 2008, atinge fundo a Europa Ocidental. Irlanda, Portugal e Grécia, países desenvolvidos em plena fase de subdesenvolvimento, estendem seus pires aos bancos estrangeiros e se abrigam sob o implacável guarda-chuva do FMI.

O trem descarrilou. A locomotiva – os EUA – emperrou, não consegue retomar sua produtividade e atola-se no crescimento do desemprego. Os vagões europeus, como a Itália, tombam sob o peso de dívidas astronômicas. A festa acabou.

Previa-se que a economia global cresceria, nos próximos dois anos, de 4,3% a 4,5%. Agora o FMI adverte: preparem-se, apertem os cintos, pois não passará de 4%. Saudades de 2010, quando cresceu 5,1%.

O mundo virou de cabeça pra baixo. Europa e EUA, juntos, não haverão de crescer, em 2012, mais de 1,9%. Já os países emergentes deverão avançar de 6,1% a 6,4%. Mas não será um crescimento homogêneo. A China, para inveja do resto do mundo, deverá avançar 9,5%. O Brasil, 3,8%.

Embora o FMI evite falar em recessão, já não teme admitir estagnação. O que significa proliferação do desemprego e de todos os efeitos nefastos que ele gera. Há hoje, nos 27 países da União Européia, 22,7 milhões de desempregados. Os EUA deverão crescer apenas 1% e, em 2012, 0,9%. Muitos brasileiros, que foram para lá em busca de vida melhor, estão de volta.

Frente à crise de um sistema econômico que aprendeu a acumular dinheiro, mas não a produzir justiça, o FMI, que padece de crônica falta de imaginação, tira da cartola a receita de sempre: ajuste fiscal, o que significa cortar gastos do governo, aumentar impostos, reduzir o crédito etc. Nada de subsídios, de aumentos de salários, de investimentos que não sejam estritamente necessários.

Resultado: o capital volátil, a montanha de dinheiro que circula pelo planeta em busca de multiplicação especulativa, deverá vir de armas e bagagens para os países emergentes. Portanto, estes que se cuidem para evitar o superaquecimento de suas economias. E, por favor, clama o FMI, não reduzam muito os juros, para não prejudicar o sistema financeiro e os rendimentos do cassino da especulação.

O fato é que a zona do euro entrou em pânico. A ponto de os governos, sem risco de serem acusados de comunismo, se prepararem para taxar as grandes fortunas. Muitos países se perguntam se não cometeram uma monumental burrada ao abrir mão de suas moedas nacionais para aderir ao euro. Olham com inveja para o Reino Unido e a Suíça, que preservam suas moedas.

A Grécia, endividada até o pescoço, o que fará? Tudo indica que a sua melhor saída será decretar moratória (afetando diretamente bancos alemães e franceses) e pular fora do euro.

Quem cair fora do euro terá de abandonar a União Européia. E, portanto, ficar à margem do atual mercado unificado. Ora, quando os primeiros sintomas dessa deserção aparecerem, vai ser um deus nos acuda: corrida aos saques bancários, quebra de empresas, desemprego crônico, turbas de emigrantes em busca de, sabe Deus onde, um lugar ao sol.

Nos anos 80, a Europa decretou a morte do Estado de bem-estar social. Cada um por si e Deus por ninguém. O consumismo desenfreado criou a ilusão de prosperidade perene. Agora a bancarrota obriga governos e bancos a pôr as barbas de molho e repensar o atual modelo econômico mundial, baseado na ingênua e perversa crença da acumulação infinita.

Notadocomprimido: Podia ter falado isso lá em cima na introdução, mas enfim. A crise econômica de que tanto falam, no final das contas, não é nada mais do que um aumento no fosso da diferença entre os mais ricos e os mais pobres. Em outras palavras, a crise é péssima para a classe média e para os mais pobres. Mas é tão favorável aos mais ricos que uma saída dos governos tem sido taxar as grandes fortunas, que crescem absurdamente pagando, proporcionalmente, menos impostos.

Assaltantes de lojinhas do mundo, uni-vos!


por Slavoj Zižek, London Review of Books, vol. 33, n, 16. Via Viomundo.

A repetição, segundo Hegel, tem papel crucial na história: se alguma coisa acontece uma única vez, pode ser descartada como acidente, algo que poderia ter sido evitado se a situação tivesse sido conduzida de modo diferente; mas quando um mesmo evento repete-se, é sinal de que está em curso um processo histórico mais profundo. Quando Napoleão foi derrotado em Leipzig em 1813, pareceu má sorte; quando foi derrotado outra vez em Waterloo, ficou claro que seu tempo acabara. Vale o mesmo para a continuada crise financeira. Setembro de 2008 foi apresentado como anomalia que podia ser corrigida com melhores regulações e controles; hoje se acumulam sinais de quebradeira nas finanças e já é evidente que estamos lidando com fenômeno estrutural.

Dizem e repetem e repetem que atravessamos uma crise da dívida e que todos temos de partilhar a carga e apertar os cintos. Todos, exceto os (muito) ricos. Aumentar impostos sobre muito ricos é tabu: se se fizer isso, diz o mesmo argumento, os ricos não terão incentivo para investir, haverá menos empregos e todos sofreremos mais. A única salvação, nesses tempos duros, é os pobres ficarem cada vez mais pobres e os ricos cada vez mais ricos. O que devem fazer os pobres? O que podem fazer?

Embora os tumultos de rua na Grã-Bretanha tenham sido desencadeados pela morte de Mark Duggan, todos concordam que manifestam mal-estar mais profundo – mas que tipo de mal-estar? Como quando se queimaram carros nos subúrbios de Paris em 2005, os agitadores de rua na Grã-Bretanha não tinham mensagem alguma a comunicar. (Há aí claro contraste com as manifestações massivas de estudantes em novembro de 2010, que também geraram violência. Os estudantes deixaram bem claro que rejeitavam as propostas de reformas na educação superior.) Por isso é difícil pensar sobre os agitadores de rua britânicos em termos marxistas, como uma instância da emergência do sujeito revolucionário; encaixam-se muito mais facilmente na noção hegeliana de “ralé”, “escória” [orig. ‘rabble’], espaços marginais organizados, que manifestam o próprio descontentamento mediante explosões ‘irracionais’ de violência destrutiva – que Hegel chamava de “negatividade abstrata”.

Há uma velha história sobre um operário suspeito de roubo: todas as tardes, ao sair da fábrica, o carrinho-de-mão que ele empurra é cuidadosamente revistado. Os guardas nada encontram; o carrinho está sempre limpo. Até que a ficha cai: o operário roubava um carrinho-de-mão por dia. Os guardas não viam a mais visível verdade, exatamente como os jornalistas e especialistas e autoridades que comentaram os tumultos de rua. Dizem-nos que a desintegração dos regimes comunistas no início dos anos 1990s marcaram o fim da ideologia: o tempo dos projetos ideológicos em grande escala que culminaram em catástrofe totalitária está acabado; teríamos entrado numa nova era de política racional, pragmática. Se o lugar-comum de que vivemos numa era pós-ideológica é correto em algum sentido, pode-se ver nas recentes explosões de violência. Foi protesto de grau-zero, ação violenta sem demandas. Em sua tentativa desesperada para encontrar algum sentido nos tumultos, sociólogos e jornalistas deixaram passar sem qualquer registro o enigma que os tumultos nos impuseram.

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Boaventura: Portugal precisa de ajuda

Embora precise de ajuda, as medidas de austeridade e a intervenção do FMI em nada contribuirão para melhorar a sua credibilidade econômica. Portugal precisa de ajuda, mas não da ajuda que acaba de pedir à União Europeia e ao FMI.

A crise da dívida europeia desabou sobre Portugal de uma maneira violenta, e o país está a ser usado como estudo de caso do que  está mal no atual sistema financeiro internacional. Nos últimos meses, Portugal foi vítima do componente mais perverso do sistema  de avaliação de riscos: a notação por contágio -definir o risco financeiro atribuído a um país em função daquilo que se passa noutro. A perversidade consiste em criar dificuldades reais a um país a partir de um risco inventado, que só se torna real depois de  declarado.

É reconhecido por todos que o problema português não é financeiro, é econômico. Não está, por exemplo, no horizonte a falência  dos seus bancos de referência. O problema português é a competitividade da sua economia, por estar inserida numa moeda  excessivamente forte. Sendo assim, as medidas de austeridade e a intervenção do FMI em nada contribuirão para melhorar a credibilidade financeira e econômica do país.

Aliás, é isso o que já se passa com a Grécia. O que neste momento se está a definir como “solução” para a crise que o país atravessa  não fará mais que aprofundá-la. A um brasileiro ou a uma brasileira não soará estranho o itinerário.

A intervenção do FMI começará com declarações solenes de que a situação do país é muito mais grave do que se tem dito. As medidas impostas serão a  privatização do que resta do setor empresarial e financeiro do Estado, a máxima precarização do trabalho, o corte nos serviços e  subsídios públicos, o que pode levar, por exemplo, a que o preço dos transportes suba de um dia para o outro para o triplo, despedimentos na função pública, cortes nas pensões e nos salários (a começar pelos subsídios de férias e de Natal, um “privilégio”  que os jovens do FMI não entendem) e a transformação do Serviço Nacional de Saúde em residual.

Boaventura no 6° Fórum Mundial de Juízes. Porto Alegre, 2010.

Tudo se fará para obter o “seal of approval” do FMI, que restabelece a confiança dos credores no país. O objetivo não é que pague as dívidas (sabe-se que nunca as pagará), mas antes que vá pagando os juros e se mantenha refém do colete de forças para mostrar   ao mundo que o modelo funciona. Perante o agravamento previsível da crise, como buscar uma saída que restitua aos portugueses a dignidade de existir?

Não discuto aqui quem serão os agentes políticos democráticos que tomarão as medidas necessárias. As medidas são as seguintes:

1. Realizar uma auditoria da dívida externa que permita reduzi-la à sua proporção real, por exemplo, descontando todos os efeitos de  rating por contágio de que o país foi vítima nos últimos meses.
2. Resolver as necessidades financeiras de curto prazo contraindo  empréstimos, sem as condicionalidades do FMI, com países dispostos a acreditar na capacidade de recuperação do país, tais como a  China, o Brasil e Angola.
3. Tomar a iniciativa de promover um diálogo entre os países do sul da Europa, depois alargado a toda a União Europeia, no sentido de refundar o projeto europeu, pois o atual está morto.
4. Promover a criação de um mercado de integração regional transcontinental, tendo como base a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e como carros-chefes Brasil,  Angola e Portugal.

Usar, como recurso estratégico nessa integração, a requalificação da especialização industrial, em função do extraordinário avanço  do país nos últimos anos nos domínios da formação avançada e da investigação científica (hoje 1,7% do PIB e previsivelmente 3% em  2020).

Texto escrito por Boaventura de Sousa Santos. Sociólogo português, é diretor do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra  (Portugal). É autor, entre outros livros, de “Para uma Revolução Democrática da Justiça” (Cortez, 2007).