
No começo do ano circulou pela internet uma série de anúncios em forma de histórias em quadrinhos produzida pela MTV da Alemanha com o tema “Sexo não é acidente”, e incentivando a prática do sexo seguro com o uso do preservativo. Agora, com essa mesma temática, foram lançados spots para TV no estilo de desenhos animados dos anos 80. Assistam abaixo.


Se você ainda não conheceu, pode ter certeza de que nos próximos dias você conhecerá Movimento Gota d’ Agua, seja através do twitter, facebook ou até pelas famosas correntes de email. O Movimento é uma iniciativa de alguns indivíduos em prol, dentre outras coisas, da defesa ambiental, e sua primeira ação é discutir a construção da Usina de Belo Monte pelo Governo Federal.
Até aí, qualquer grupo de indivíduos é livre para montar uma ONG, ou simplesmente organizar um grupo de pessoas, e promover ações para informar e tentar convencer as pessoas de sua opinião. Este próprio site, por exemplo, se encaixa nesta categoria.
Todo o problema surgiu pela participação de atores famosos, como Maitê Proença e Marcos Palmeira, no vídeo da campanha. Basicamente, são apresentados, de maneira simples e didática (por vezes até caricaturais e superficiais demais), argumentos contrários à obra.
Para mais informações sobre a campanha, assista ao vídeo no vimeo: clique aqui.
.
E daí?
E daí que parte da esquerda está acusando os famosos de serem hipócritas, e sugerem que eles estão defendendo os interesses da Rede Globo. Invocam, por exemplo, que eles deveriam também estar denunciando outros problemas, como o vazamento de óleo da Chevron na bacia de Campos (leia+), notícia que está sendo mal divulgada pela mídia.
E daí, agora digo eu, que são coisas TOTALMENTE diferentes.
Matheus Pichonelli, da Carta Capital, tirou as palavras da minha boca na sua última publicação. Sugiro fortemente que dêem uma passada lá: clique aqui.
-
A questão é: Não dá para partir do pressuposto de que, uma vez “atores globais”, estas pessoas estão defendendo os interesses de sua emissora. Será que ninguém lembra do vídeo “Lula Lá”, gravado por atores globais para fortalecer a campanha do Lula à presidência em 1989? Eles estavam defendendo os interesses de qual emissora mesmo? Quem a Globo estava apoiando? Ninguém se lembra?
http://www.youtube.com/watch?v=kZF1f4eH3eA
Sim, devemos ter um olhar crítico, mas isso é tudo que não está acontecendo no momento. Essa história de que “se a Globo defende eu sou contra, e vice-versa” é não entender a realidade como ela é.
.
Como funciona uma emissora privada
Qualquer emissora privada de televisão, em qualquer lugar do mundo, defende os interesses das empresas que a sustentam. Senão, até aí é simples entender, acaba o financiamento.
Mas defender os interesses empresariais não é, nem pode ser, um fim em si mesmo. Se todos aqueles que defendem indubitavelmente “Globo NÃO” derem uma lida no livro Padrões de Manipulação na grande imprensa, do grande jornalista e petista Perseu Abramo, irão entender a que me refiro.
Pensemos juntos. Uma emissora pode trabalhar com jornalismo sujo o tempo todo? E que tal se a programação da Globo fosse formada apenas de VideoShow, filmes hollywoodianos e novelas?
Ah sim, eles não fazem isso porque a Constituição não permite. Será?
Quem acreditaria numa emissora que mente 100% do tempo e omite todas as informações que são contrárias aos seus interesses? Quem confiaria numa emissora que passa programação de baixo nível (pegadinhas, pornografia ou qualquer entretenimento alienante) durante todo o dia?
Ficaria demasiado fácil para a população criar uma repulsa à emissora, porque eles veriam com os próprios olhos como a realidade está sendo mascarada, e ficaria fácil demais relacionar quais empresas eles estão defendendo.
Como bem disse o prof. Perseu, as emissoras aprenderam que elas precisam oferecer jornalismo de qualidade durante grande parte do tempo e, claro, programas de entretenimento, mas de baixo e de alto nível (não vou entrar aqui numa discussão profunda sobre o queé entretenimento de baixo ou alto nível porque não é esta a questão). Logo na primeira página, senão me engano (li esse livro há uns 3 anos), ele ressalta algo como: “a publicidade brasileira é a mais competente do mundo. Azar o nosso”.
Quando acontecem manifestações em locais isolados ou acidentes que não interessariam divulgar, como o tal vazamento da Chevron, ela pode simplesmente ignorar. Sim, porque isto não retira dela toda a credibilidade que já foi conquistada.
Casos como a Folha, que estampou a primeira página com uma notícia falsa sobre a presidente (leia mais), para depois publicar uma notinha de rodapé informando os leitores sobre o erro, são perfeitos para se entender este sistema. Casos como esses diminuem a credibilidade destas emissoras, mas sempre haverá aquela pessoa que argumentará: “Ah ela errou essa vez, mas você não lembra daquele outro caso, daquela denúncia? E aquele programa? Adoro Profissão Repórter e o Programa do Jô. A tv aberta ainda tem salvação…”.
É o que está fazendo a grande mídia norte-americana sobre o Movimento #OCCUPY. É o que faz a mídia brasileira em relação aos professores que estão há mais de 100 dias em greve.
É assim que a mídia trabalha.
.
Outro lado
Agora voltando ao assunto do tópico. Os atores que trabalham nas emissoras de televisão são meros empregados, peças de um sistema onde, muitas vezes por disposição do contrato de trabalho, são impedidos de manifestar suas próprias opiniões.
Não estou dizendo que todos que trabalham na Globo são revolucionários comunistas aguardando o momento certo para executar a revolução. Estou dizendo que são pessoas como todas nós, que vivem num sistema em contradição e fazem, ou não, o que podem para levar a vida e defender o que acreditam.
Como bem disse Pichonelli lá na Carta Capital, o principal eles conseguiram, colocaram a cara à tapa e vão disseminar a discussão sobre a construção da usina por todo o Brasil.
Se você quiser se aprofundar ainda mais sobre o assunto, não se informe na grande imprensa, procure a mídia independente e os lados envolvidos na história. O documentário À Margem do Xingu, por exemplo, é fantástico e mostra um outro lado da história.
Notadocomprimido: Sou contrário à construção da usina. Achei o vídeo fraco, mas é exatamente o que, na minha opinião, ele se propôs: despertar a curiosidade dos brasileiros sobre a questão. Pesquisem, comentem, discutam, não só sobre Belo Monte mas sobre todos os assuntos de interesse nacional. Para isso conquistamos a democracia: participar – ainda que dentro do possível.

A grande maioria dos passageiros de transporte público sempre foi incomodada pela falta de educação de poucos. Desde casos de assédio sexual a desrespeito com idosos, lidar diariamente com um transporte público de massa não é fácil.
Mas será culpa unicamente do usuário ou, por exemplo, da SuperVia, que trabalha com vagões lotados para maximizar o lucro e cria condições para que aumente a frequência destas barbaridades?
Não que seja intenção dela que estas atrocidades aconteçam. Seu objetivo é unicamente diminuir os custos para maximizar, bem, você sabe.
Será que, por exemplo, em países onde o transporte público é mais avançado e os usuários não tem que passar por tantas dificuldades (longo tempo de espera e veículos lotados, só para citar duas) há tantos abusos por parte da população contra si própria?
E agora eu vou um pouco mais longe… e quanto aos abusos da própria Concessionária?
Eu sei que eu a isentei de culpa há dois parágrafos atrás, mas a mesma SuperVia que agora cobra “Educação” de seus passageiros, há menos de 3 anos atrás, devido à superlotação dos trens, utilizava CHICOTES para que fossem fechadas as portas dos vagões.
Não, não é um filme do Eisenstein. E não é denúncia de site de esquerda. Saiu no globo (SuperVia é multada por chicotadas nos passageiros).

Gado?
Desculpe-me se pareço insensível à causa dos fones de ouvido. Sim, uma pessoa que escuta música no último volume num transporte público lotado não está nem aí para o restante dos passageiros e deveria ser chamada a atenção. Assim como um fumante ou qualquer outra atividade que pertube o bom convívio do restante do vagão.
O meu ponto é: e a concessionária que chicoteia seus passageiros e permite trens lotados acima da capacidade dos próprios vagões, não merece nem uma chamadinha de atenção?
PS: É muito mais “cool” fazer um cartazinho promovendo o uso de fones de ouvido e bombar nas redes sociais do que realmente oferecer um serviço público de qualidade. Sim, isso é um engodo para tirar de você a atenção sobre outros problemas. Continue cobrando mais e mais qualidade. É possível.


Você concorda com o latifúndio e a desigualdade social?
“Poucos no Brasil tem muita terra. E muitos, milhares de pessoas, tem muito pouco”. É o que afirma Ariovaldo Umbelino, professor da Universidade de São Paulo. Transformar essa realidade é um dos objetivos do Plebiscito Nacional pelo limite da propriedade da terra, que vai até o dia 7 de setembro em todo o país.
A votação é parte da Campanha Nacional pelo limite da propriedade da terra, promovida pelo Fórum Nacional de Reforma Agrária, que conta com o apoio de movimentos sociais, entidades religiosas, sindicatos e outras organizações.
Para o Padre Nelito Dornelles, representante da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), “o plebiscito é uma ferramenta de diálogo com a sociedade. É uma parte importante da campanha, uma maneira didática de conscientizar a população”.
Desigualdade evidente
Willian Clementino, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura, defende a agricultura familiar, “Agronegócio não gera emprego. Se você pegar o último censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), agricultura familiar tem muito mais capacidade de gerar emprego”. “Nosso principal programa de FOME ZERO é a Reforma Agrária”, afirma.
Estudos desenvolvidos pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, em parceria com outros ministérios, revela que enquanto na agricultura empresarial, em média, emprega-se 1 trabalhador para cada 100 hectares cultivados, na familiar a relação é de apenas 10 hectares por trabalhador.
“Se tomarmos um indicador clássico, o índice de GINI, sabemos que em 1972 o Brasil possuía 0,854. O índice vai de 0 a 1, e quanto mais próximo de 1 maior a concentração de terra e de renda. Em 2006, último ano em que houve a pesquisa, o índice do GINI brasileiro continuava 0,854. 30 anos se passaram e a estrutura agrária continua absolutamenta mesma”, afirmou o professor Ariovaldo.


Plínio de Arruda, em debate com estudantes da UnB. Foto: Mariana Costa
“Nós vamos inovar nessa campanha. Vamos ser a mocidade dela. Candidato jovem, campanha jovem”, brinca Plínio de Arruda Sampaio, pré-candidato a presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Em encontro com estudantes da Universidade de Brasília (UnB) nesta quarta-feira (25/08), o candidato conversou sobre o uso do twitter e temas gerais como a redução da jornada de trabalho.
A sabatina começou às 18horas, diante de um público de aproximadamente 150 pessoas. Plínio começou destacando que sua candidatura “é um contra-ponto à mesmice”. Para o candidato, o brasileiro estaria “anestesiado” com os avanços sociais do governo Lula, “Esta pessoa, que saiu das classes C e D nos últimos anos e agora, por exemplo, tá levando uma geladeira pra casa, ela não tem muita consciência do que representa a escola absolutamente sucateada do filho dela. No Brasil, metade dos jovens são analfabetos total ou funcional. Ela não percebe que para conseguir um exame médico no SUS ela precisa 4, 6 meses. Que a violência está aumentando. Então o que a gente vive é uma realidade muito enganosa”.
“A nossa candidatura vai fazer uma tarefa dificílima, quase impossível, que é dizer o seguinte: olha pessoal, tá bom desse jeito, ninguém tem nada contra isso, mas tem que ver o outro lado”, completou.