Canudos é aqui! (entre Salvador e Simões Filho, na Baía de Aratu).

"Nós não somos invasores não moço, quando eles chegaram acharam a gente..."

Bahia. Quilombo Rio do Macaco. Neste local, vive um grupo de mais de 50 famílias negras, descendentes de escravos que vivem ali há muito tempo. É um quilombo reconhecida pela Fundação Cultural Palmares como remanescente, ou seja, está legalizado e dentro da lei.

Não é o que pensa, entretanto, alguns representantes da mesma.

Parte da área onde a comunidade está instalada, segundo os moradores, há cerca de 200 anos, é disputada judicialmente pela Marinha, que pretende usar o local para ampliar as instalações da base naval.

Em outubro de 2010, a 10ª Vara Federal da Bahia determinou, por meio de liminar, a desocupação de 43 imóveis do quilombo. A área na qual eles estão localizados foi cercada e a entrada e saída dos moradores passou a ser monitorada. O acesso à comunidade é controlado pelo portão de entrada da Vila Militar, um condomínio de residências de sub-oficiais da Marinha.

Um ano depois, porém, a área foi oficialmente declarada comunidade quilombola, com publicação no Diário Oficial da União em 4 de outubro (2011), e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), do governo federal, solicitou que a Procuradoria Geral da União (PGU) interviesse no caso.

No início de novembro (2011), o Tribunal de Justiça da Bahia suspendeu a execução da liminar, que estava em fase de cumprimento coercitivo, e deu prazo de mais quatro meses, a partir de 4 de novembro, para negociações.

Nesse eterno vai e vem judiciário, oficiais da Marinha têm promovido atos de violência contra os moradores da comunidade, tentando pressionar os habitantes a deixar o local. Segundo a líder da comunidade, Rose Meire dos Santos Silva, de 33 anos, “Os militares ameaçam até crianças com as armas.”

Para Josias Pires, autor do documentário “Quilombo Rio do Macaco”, “A questão central neste momento é o INCRA fazer o relatório técnico para as providências de delimitação e demarcação da terra quilombola”. O grande problema, segundo o mesmo, é que a Marinha teria proibido o INCRA de entrar na área. A mesma denúncia é feita por várias outras entidades da região (clique aqui).

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Ou seja, enquanto a Justiça não resolve a questão, os militares estão abrindo caminho à força.

Para saber mais sobre o assunto e ajudar nessa questão, assista também ao documentário (10min) e divulgue-o nas suas redes sociais. Quanto mais gente informada, mais rapidamente esta injustiça será solucionada. Até lá!

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Fontes:
http://veja.abril.com.br/noticia/brasil/quilombolas-apelam-a-dilma-em-protesto-contra-marinha
http://blogbahianarede.wordpress.com/2011/12/30/moradores-do-quilombo-rio-do-macaco-denunciam-violacao-de-direitos/
https://www.facebook.com/profile.php?id=100000016789619

Capas sinceras

Como seriam as capas das principais revistas brasileiras se elas, bem, err, fossem 100% sinceras com o leitor?

Como todo produto, a intenção de uma revista é que alguém a compre. Ou pelo menos essa é a realidade para a assim chamada grande mídia brasileira. E aí vale apelar para estratégias de marketing, oferecer prêmios, inventar notícias ou deixar claro toda semana que sua editora não gosta do Lula.

Será que alguma das revistas abaixo seriam lidas sem esse tipo de apelo?

Continue vendo as capas de revista no blog original: clique aqui.

Blogueiros entrevistam Stedile via twitcam

O integrante da Coordenação Nacional do MST, João Pedro Stedile, concederá daqui a pouco (19/12, às 20h30) uma entrevista a um grupo de blogueiros progressistas, que será transmitida pela internet.

Participam os jornalistas Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Luiz Carlos Azenha e Conceição Lemes (ambos do Vi o Mundo), Renato Rovai (Blog do Rovai), Paulo Salvador (Revista do Brasil) e a blogueira Conceição Oliveira (do Blog da Maria Frô).

Stedile fará um balanço das lutas do MST e da classe trabalhadora em 2011, da lentidão da Reforma Agrária, dos impactos da expansão do agronegócio (com os recordes de uso de agrotóxicos e as mudanças do Código Florestal) e do primeiro ano de governo da presidenta Dilma Rousseff.

A entrevista, que acontecerá na sede do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região, será transmitada por esses blogs e pela Página do MST.

Clique aqui para acompanhar agora mesmo a transmissão.

Acompanhe também os comentários pelo twitter dos participantes e mande suas perguntas.

da Página do MST. Atualizado em 19/12/2011, às 20:08 (horário de Brasília).

A questão-chave sobre a guerra na Líbia

por DIANA JOHNSTONE, no Counterpunch. Via VioMundo.

Nos dias de hoje os guerreiros humanitários estão se gabando, graças à proclamada vitória na Líbia. A única superpotência do mundo, com o apoio moral, militar e mercenário dos amantes da democracia do emirado do Qatar e com os poderes imperialistas históricos da Grã Bretanha e da França, foi capaz de esmagar sem surpresa o governo estabelecido de um estado esparsamente habitado do norte da África em apenas sete meses. O país foi violentamente ‘liberado’ e deixado para quem quiser pegar. Quem vai ficar com qual pedaço, entre as milícias armadas, as tribos e os islamistas da jihad, não é do interesse da mídia ocidental ou dos humanitários mais do que era a Líbia antes da TV do Qatar, a Al Jazeera, despertar o zelo cruzadista em fevereiro, com reportagens não-documentadas sobre atrocidades iminentes*.

A Líbia pode mergulhar de volta na obscuridade enquanto os campeões ocidentais de sua destruição brilham sob os refletores. Para apimentar a auto-congratulação, eles dedicam alguma atenção aos pobres palhaços que se negaram a embarcar na mesma canoa.

Nos Estados Unidos, mas ainda mais na França, os que se opuseram ao partido da guerra foram poucos em número e foram ignorados. Mas não deixa de ser uma oportunidade para isolá-los ainda mais.

Em seu artigo, “Líbia e a esquerda: Benghazi e depois”, Michael Bérubé usa a ocasião para juntar os críticos da guerra sob o rótulo de “maniqueístas da esquerda” que, segundo ele, simplesmente respondem com oposição automática ao que fizerem os Estados Unidos. Ele e os de sua turma, por contraste, refletem profundamente e apresentam razões para bombardear a Líbia.

Ele começa dizendo:

“No fim de março de 2011, um massacre foi evitado — não qualquer tipo de massacre. Pois se Kadafi e suas forças conseguissem esmagar a rebelião líbia em seu quartel-general de Benghazi, os choques resultantes teriam reverberado muito além do leste da Líbia. Como Tom Malinowski da Human Rights Watch escreveu, ‘a vitória de Kadafi — junto com a queda de Mubarak no Egito — teria sinalizado para os governos autoritários da Síria à Arábia Saudita à China que se você negociar com manifestantes você perde, mas se você matá-los você ganha…’”.

“Os ataques liderados pela OTAN contra as forças de Kadafi, na verdade, fizeram mais que prevenir uma catástrofe humanitária na Líbia — embora deve-se reconhecer que apenas isso seria justificativa suficiente. Ajudaram a manter viva a Primavera Árabe…”

Mas tudo isso é perfeitamente hipotético.

Qualquer massacre que tenha sido evitado em março, outros massacres aconteceram em vez daquele, mais tarde.

Ou seja, se esmagar uma rebelião armada é massacre, uma rebelião armada vitoriosa também implica em massacre, e assim temos uma escolha entre massacres.

E, se as propostas de mediação da América Latina e da África tivessem sido consideradas, o massacre hipotético poderia ter sido evitado por outros meios, mesmo que a rebelião armada tivesse sido derrotada — uma hipótese que o partido pró-guerra se negou a considerar desde o início.

Mas ainda mais hipotética é a noção de que o fracasso da rebelião líbia teria danificado fatalmente a “Primavera Árabe”. Isso é especulação pura, sem qualquer fiapo de prova.

Os governos autoritários certamente não precisavam de uma lição para ensiná-los a lidar com manifestantes, o que em último caso depende dos meios políticos e militares à disposição deles. Mubarak perdeu não por ter negociado com os manifestantes, mas porque o Exército financiado pelos Estados Unidos decidiu abandoná-lo. Em Bahrain, a Arábia Saudita ajudou a matar manifestantes. De qualquer forma, os governantes autoritários árabes, inclusive o emir do Qatar, odiavam Kadafi, que tinha a mania de denunciar a hipocrisia deles em encontros internacionais. Eles ficaram felizes com a queda de Kadafi.

Esses argumentos pró-guerra estão na mesma classe das “armas de destruição em massa” do Iraque ou da ameaça de “genocídio” em Kosovo — perigos hipotéticos usados para justificar a guerra preventiva. “Guerra preventiva” é o que permite a um superpoder militar, tão poderoso que nunca precisou se defender de ataque estrangeiro, atacar outros países. Caso contrário, qual é a justificativa para se ter um exército se não podemos usá-lo?, como perguntou certa vez [a ex-secretária de Estado] Madeleine Albright.

Mais adiante em seu artigo, Bérubé cita seu colega guerreiro humanitário Ian Williams, que argumentou que a série de objeções à intervenção na Líbia “foge da questão crucial: o mundo deveria deixar civis líbios morrer nas mãos de um tirano?”. Ou, em outras palavras, a “pergunta-chave” é: “Quando um grupo de pessoas que está prestes a ser massacrado pede ajuda, o que você faz?”.

Com esta seleção de perguntas “cruciais” e “chaves”, explorando o sentimento de culpa, Bérubé e Williams varrem de lado todas as objeções legais, éticas e políticas ao ataque da OTAN na Líbia.

Mas nada autorizava estes senhores a decidir qual é a “questão-chave”. Na realidade, a “questão-chave” deles levantava uma série de outras questões.

Primeira delas: Qual grupo de pessoas? Elas estão mesmo perto de ser massacradas? Qual é a fonte desta informação? Teria havido exagero? Ou teria havido invenção pura e simples, com o objetivo de forçar poderes estrangeiros a intervir?

Um jovem cineasta francês, Julien Teil, fez uma entrevista marcante com o secretário-geral da Liga de Direitos Humanos da Líbia, Slimane Bouchuiguir, na qual ele admite candidamente que “não tinha provas” das alegações feitas perante a Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, que levaram à expulsão imediata do representante oficial da Líbia e, a partir disso, às resoluções da ONU autorizando o que viria a ser a troca de regime feita pela OTAN. Na verdade, nenhuma prova foi produzida do “bombardeio a civis líbios” denunciado pela Al Jazerra, o canal de TV financiado pelo emir do Qatar, que emergiu com uma grande fatia dos negócios de petróleo líbios depois da “guerra de libertação” da qual o Qatar participou.

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Trabalho escravo: Zara recusa acordo com Ministério Público

Bianca Pyl e Maurício Hashizume,
da Repórter Brasil

Mão-de-obra escrava na Zara. Foto: Bianca Pyl

Representantes da espanhola Inditex, dona da grife de moda Zara, estiveram reunidos nesta quarta-feira (30) com membros do Ministério Público do Trabalho (MPT) e se recusaram a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em decorrência dos casos de trabalho escravo de imigrantes encontrados na fabricação de peças de roupa da marca.

A minuta de acordo apresentada pelo MPT previa o pagamento de indenização por danos morais coletivos da ordem de R$ 20 milhões. Além disso, foram propostas diversas outras cláusulas complementares para cumprimento por parte da empresa. Entre elas, destacam-se aquelas relacionadas ao reforço no monitoramento da cadeia produtiva: inclusive com o reconhecimento da responsabilidade efetiva da Zara Brasil com relação a todo ciclo produtivo, o veto às subcontratações pelas fornecedoras com vistas ao cumprimento das encomendas feitas pela marca; além da intensificação das auditorias e da manutenção de um site abastecido com dados e informações sobre as mesmas para que os integrantes das Procuradorias Regionais do Trabalho (PRTs) possam acompanhar os procedimentos com mais facilidade e rapidez.

Também fazia parte da proposta inicial do MPT a realização de uma campanha de combate a trabalho escravo utilizando meios de comunicação de grande audiência (televisão e mídia impressa). A minuta foi repassada a executivos da Inditex (dona não só da Zara, mas de outras marcas, e tida como a mais valiosa companhia do setor têxtil no mundo) em 9 de novembro, após mais uma audiência pública que tratou do tema na Câmara Federal.

Nesta quarta (30), depois de uma reunião na capital paulista que durou cerca de duas horas, Félix Poza, diretor de responsabilidade social da Inditex, confirmou publicamente que a empresa não aceitou assinar o acordo porque alguns aspectos que foram propostos “não estavam bem definidos”. Ao ser questionado pela Repórter Brasil sobre quais eram esses aspectos e o que especificamente suscitava dúvidas, ele comentou que não foi estabelecida nenhuma destinação prévia acerca dos R$ 20 milhões de indenização. A decisão sobre a utilização dos recursos, porém, é uma prerrogativa do MPT.

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