Banheiro para travestis?

"Terceiro banheiro": Vereadora argentina propõe banheiro para travestis

A proposta de criar um banheiro específico para travestis divide opiniões. A ideia é da vereadora Gimena Abonassar, 25, de San Martín (Argentina). Segundo a jovem, o grupo é vítima constante de violência e abusos por utilizarem os banheiros masculinos. Gimena propõe a instalação do terceiro banheiro nas discotecas e boates que este público frequenta, pois só assim eles estariam seguros.

Vice-presidente da Associação dos Travestis do Espírito Santo (Astraes), Alexia França discorda: um homem travestido de mulher deve frequentar o banheiro feminino. “Nós nos produzimos, mudamos nosso corpo colocando silicone e tomando hormônios, queremos e devemos ser tratadas como mulheres”, afirma.

A posição também é apoiada pelo secretário de Cidadania e Direitos Humanos de Vitória, Eliézer Tavares. “Até hoje não tivemos problemas com travestis usando o banheiro feminino, até porque os sanitários são individuais e fechados, diferentemente do masculino”, frisa.

A independência do BC (argentino)

Por Alfredo Zaiat, no Página 12

O conceito de independência do Banco Central se instalou no debate econômico como um valor que suplanta as instituições democráticas. É uma ideia que permite ocultar a influência que exerce o poder financeiro sobre as autoridades da entidade monetária. Se trata de uma concepção conservadora e corporativa do desenho da política econômica que a ortodoxia conseguiu impor ao senso comum da sociedade.

Tão contundente foi essa vitória que até dirigentes de centro-esquerda a defendem em peculiares construções discursivas. É misterioso esse triunfo cultural de considerar a independência do Banco Central como uma estratégia sensata. Dois antecedentes recentes ensinam que essa autonomia provoca fabulosos descalabros econômicos e sociais.

Essa independência, ou seja, ter a capacidade de instrumentalizar uma estrutura normativa de pouco controle dos bancos e favorável aos interesses dos banqueiros esteve em seu apogeu máximo no momento do desencadeamento de duas crises extraordinárias: o debacle de Wall Street com a crise do subprime e a quebra da Argentina, com o “corralito” e a pesificação assimétrica. Estes antecedentes deveriam causar o questionamento da “independência” do Banco Central.