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	<title>OCOMPRIMIDO.COM &#187; aborto</title>
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	<description>Sua dose diária de contra-informação</description>
	<lastBuildDate>Mon, 30 Jan 2012 12:49:26 +0000</lastBuildDate>
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		<title>Sem cuidar do aborto inseguro, combater morte materna é miragem</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Jan 2012 17:46:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dose diária]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
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		<description><![CDATA[por Fátima Oliveira, Jornal OTEMPO. Via VioMundo. No atual governo, o Brasil patina quando instado a referendar sua laicidade e a agenda republicana; e o faz às custas dos corpos das brasileiras, não fugindo à regra fundamentalista de santificar a maternidade e de satanizar as mulheres. Ai, meus sais! Estamos numa encruzilhada. Há satanização maior do que, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/themes/retromania/retromania/images/CHAMADA-dosediaria.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">por <strong>Fátima Oliveira</strong>, <strong><a href="http://www.otempo.com.br/otempo/colunas/?IdColunaEdicao=17414">Jornal OTEMPO</a>.</strong> Via<strong> <a title="viomundo" href="http://www.viomundo.com.br/denuncias/fatima-oliveira-sem-cuidar-do-aborto-inseguro-combater-a-morte-materna-e-miragem.html" target="_blank">VioMundo</a>.</strong></p>
<p style="text-align: justify;">No atual governo, o Brasil patina quando instado a referendar sua laicidade e a agenda republicana; e o faz às custas dos corpos das brasileiras, não fugindo à regra fundamentalista de santificar a maternidade e de satanizar as mulheres. Ai, meus sais!</p>
<p style="text-align: justify;">Estamos numa encruzilhada. Há satanização maior do que, sem revogar a<strong> <a href="http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/atencao_humanizada.pdf">Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento</a> (</strong>2004), ao emitir uma Medida Provisória (MP) que diz ser linha auxiliar do combate à morte materna, omitir a atenção ao aborto inseguro, não mencionar a palavra aborto nem usar a terminologia direitos reprodutivos?</p>
<p style="text-align: justify;">Desconfio de quem desconhece o aborto inseguro como causa importante de óbitos maternos no Brasil. A MP 557 viola o direito à privacidade (cadastro nacional de grávidas); e sua exposição de motivos desconhece o inteiro teor e a extensão dos compromissos do Brasil no âmbito da ONU, não restritos às Metas do Milênio (Cúpula do Milênio, Nova York, 6 a 8.9.2000) nem por elas anulados.</p>
<p style="text-align: justify;">Haverá uma MP para cada Meta do Milênio: 1. Erradicar a pobreza e a fome; 2. Atingir o ensino básico universal; 3. Promover a igualdade entre os sexos e a autonomia das mulheres; 4. Reduzir a mortalidade infantil; 5. Melhorar a saúde materna; 6. Combater o HIV/Aids, a malária e outras doenças; 7. Garantir a sustentabilidade ambiental; e 8. Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento?</p>
<p style="text-align: justify;">Fora o auxílio-transporte para o pré-natal e a reafirmação do direito a acompanhante no trabalho de parto, no parto e no pós-parto imediato, o restante da MP 557 é dispensável e o Ministério da Saúde sabe bem que sim. No essencial, registra o “lá vem o Brasil descendo a ladeira do conservadorismo” ao conferir personalidade civil ao nascituro, desrespeitando a Constituição Federal de 1988. Ou a MP foi para isso?</p>
<p style="text-align: justify;">Sou testemunha ocular, e tenho cópia, da fala do embaixador do Brasil no Chile, Gelson Fonseca Júnior, chefe da delegação brasileira na Reunião da Mesa Diretora Ampliada do Comitê Especial de População e Desenvolvimento (10 e 11.3.2004, Santiago do Chile), que afirmou [e a autora concorda plenamente] que, sem cuidar do aborto inseguro, combater a morte materna seria uma miragem. O Brasil ali entendia que as Metas do Milênio eram uma pauta minimalista e a confissão de um fracasso: os governos não deram conta de cumprir o disposto nas Plataformas de Ação das Conferências da ONU da década de 1990 e “jogaram a toalha”, elegendo oito prioridades.</p>
<p style="text-align: justify;">Disse o embaixador Gelson Fonseca Júnior:</p>
<p style="text-align: justify;">“O meu país reafirma a Plataforma de Ação do Cairo (1994) e as definições do Cairo +5 (1999); referenda os direitos e os serviços de saúde reprodutiva, e o direito de adolescentes a informações e acesso, com privacidade e confidencialidade, a serviços de saúde reprodutiva; reafirma o acesso à prevenção do HIV e ao tratamento da Aids como direitos humanos; enfatiza o combate à morte materna e a atenção aos múltiplos fatores que a causam, destacando o parágrafo 63 do Cairo +5 (atenção ao aborto inseguro); e explicita que, se não se respeitar e implantar o definido em Cairo, as Metas do Milênio serão inalcançáveis!”.</p>
<p style="text-align: justify;">E finalizou seu discurso ovacionado ao dizer:</p>
<p style="text-align: justify;">“Problemas comuns exigem estratégias concertadas. Minha delegação reitera total apoio ao Consenso do Cairo e se soma à maioria dos países que endossa a declaração que deverá resultar da presente reunião. Esta é uma reunião de alta significação política e esperamos que tenha a sua expressão na dita declaração”.</p>
<p style="text-align: justify;">É pra jogar no lixo? Arrogância tem limites.</p>
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		<title>Porque o aborto deve ser permitido no Brasil</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Sep 2011 21:06:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[homeopatia]]></category>
		<category><![CDATA[aborto]]></category>
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		<description><![CDATA[E na dose homeopática desta semana apresentamos, via VírusPlanetário, um vídeo do Centro Feminista de Estudos e Assessoria – CFEMEA. É uma animação rápida que mostra as caracteristicas socioeconômicas das mulheres que praticam aborto clandestino e que estão sujeitas a complicações na saúde porque não há apoio da saúde pública e a prática criminalizada. O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/themes/retromania/retromania/images/CHAMADA-homeopatia.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/2011/09/porque-o-aborto-deve-ser-permitido-no-brasil/"><img src="http://img.youtube.com/vi/PMdVzBOx-z4/default.jpg" width="130" height="97" border=0></a></p>
<p style="text-align: justify;">E na dose homeopática desta semana apresentamos, via <a title="virusplanetario" href="http://virusplanetario.net/2011/09/27/porque-o-aborto-deve-ser-permitido-no-brasil/" target="_blank">VírusPlanetário</a>, um vídeo do Centro Feminista de Estudos e Assessoria – CFEMEA. É uma animação rápida que mostra as caracteristicas socioeconômicas das mulheres que praticam aborto clandestino e que estão sujeitas a complicações na saúde porque não há apoio da saúde pública e a prática criminalizada.</p>
<p style="text-align: justify;">O aborto clandestino é a causa de 602 internações POR DIA no Brasil, por causa de infecções e é a TERCEIRA causa de morte materna.</p>
<p style="text-align: justify;">1 em cada 7 mulheres no Brasil já fez aborto.</p>
<p style="text-align: justify;">Os setores ultra-conservadores e a igreja católica, em especial, estão promovendo absurdos contra as mulheres no Congresso Nacional, como uma espécia de BOLSA ESTUPRO para manter a gravidez de quem foi estuprada. Também querem criar um cadastro obrigatório de todas as mulheres que engravidam, para controlar se vão fazer aborto.</p>
<p style="text-align: justify;"><em>Notadocomprimido: Já acompanhei um aborto ao vivo e conversei com diversas mulheres, de diferentes classes sociais e idades, que já praticaram. As motivações variam muito, mas a grande questão é: o corpo é da mulher. Ela decide. Para ler a reportagem que eu produzi, <a title="aborto" href="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/2011/03/8-de-marco-nao-ha-igualdade-de-genero-sem-o-aborto/" target="_blank">clique aqui</a>.</em></p>
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		<title>8 de março: não há igualdade de gênero sem o aborto</title>
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		<pubDate>Tue, 08 Mar 2011 21:35:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Thigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Dose diária]]></category>
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		<description><![CDATA[O Dia Internacional da Mulher foi estabelecido pela ONU no dia 8 de março graças à grande e trágica mobilização de trabalhadoras norte-americanas, nesse dia, em 1857, operárias têxteis de uma fábrica de Nova York entraram em greve, ocupando a fábrica, reivindicando a diminuição da jornada de trabalho de até mais de 16 para 10 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/themes/retromania/retromania/images/CHAMADA-dosediaria.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: justify;">O Dia Internacional da Mulher foi estabelecido  pela ONU no dia 8 de  março graças à grande e trágica mobilização de  trabalhadoras  norte-americanas, nesse dia, em 1857, operárias têxteis de  uma fábrica  de Nova York entraram em greve, ocupando a fábrica,  reivindicando a  diminuição da jornada de trabalho <span style="text-decoration: underline;">de até mais de 16 para  10 horas</span>.  Elas, que recebiam menos de um terço dos homens, foram  fechadas na  fábrica, onde ocorreu um incêndio e 130 delas morreram  queimadas.</p>
<p style="text-align: justify;">Desde então, é inegável que, vindo de uma situação tão  degradante, a  mulher conquistou direitos, espaços, voz. O século XX foi  praticamente  o primeiro em que ela passou a ser protagonista da  história, obtendo  certos espaços institucionais, mas principalmente se  firmando na  produção artística e cultural.</p>
<p style="text-align: justify;">(&#8230;)</p>
<p style="text-align: justify;">Texto escrito por<strong> Emir Sader</strong>, sociólogo e  cientista, mestre em filosofia política  e doutor em ciência política  pela USP – Universidade de São Paulo. Este texto foi editado. Para ler a versão completa por favor visite <a title="viomundo" href="http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/emir-sader-nao-havera-igualdade-de-direitos-sem-o-direito-ao-aborto.html" target="_blank">Viomundo</a>.</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><em>Notadocomprimido: Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, estou postando aqui no blog uma matéria inédita que produzi para o Jornal Laboratório <strong>Campus</strong> da Universidade de Brasília. Trata-se de um texto sobre o aborto. Por se tratar de um meio de comunicação público, escrevi com a intenção não de promover a minha opinião sobre o assunto, mas sim de levar aos leitores um pouco de reflexão sobre o tema. Sugiro também a leitura completa do texto do prof. Emir Sader (acima). Boa leitura</em>!</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span style="font-size: large;"><strong>Elas decidem</strong></span></p>
<p style="text-align: left;">Três histórias sobre aborto</p>
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: right;">Por Thiago Vilela</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">“Ter um filho nunca me passou pela cabeça”, afirma Sara. A jovem brasileira mora na Europa. Sempre disse que morreria sem ter um filho “e separaria se meu marido quisesse um”. Soninha é estudante da Universidade de Brasília (UnB). Nunca soube se queria ter filhos no futuro: “Como eu criaria meus filhos nesse mundo terrível?”. Thaís tem um filho, trabalha como funcionária pública e não pretende engravidar novamente.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Segundo pesquisa realizada em 2010 por pesquisadores da UnB e do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero (Anis), a frase de Sara é repetida centenas de vezes diariamente. No Brasil, uma em cada cinco mulheres já realizou um aborto.</p>
<p style="text-align: justify;">Soninha sente enjoo pela manhã, durante a aula e à noite. E também no dia seguinte. Receosa, compra o teste de farmácia. Temerosa, vai ao ginecologista. Incrédula, pega o resultado do ultrassom. Está grávida.</p>
<p style="text-align: justify;">Sara sabe que sua menstruação está atrasada. Não vem há quase dois meses. Falta coragem para enfrentar a realidade. Após exatas oito semanas, compra o teste de gravidez. Positivo.</p>
<p style="text-align: justify;">Thaís conhece os sintomas. E já havia abortado uma vez. Mãe católica e pai militar, ela prefere guardar segredo da família. Na Ceilândia, compra os remédios.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Pelo <a title="decreto-lei" href="http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm" target="_blank">Código Penal Brasileiro de 1940</a>, provocar aborto pode resultar em pena de um a três anos de detenção. É uma das leis mais restritivas do planeta. No mundo, o aborto é permitido** em 56 países, que juntos representam 40% da população mundial.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">“Eu não queria preocupá-los.” Soninha guarda segredo dos pais. “Eu fiquei com medo deles não me apoiarem, quererem que eu tivesse o filho. Eu não estou preparada para isso.” Apenas o namorado e duas amigas sabem. Sozinha, encontra um site na internet que importa remédios de outros países. Cruza os dedos para que dê certo.</p>
<p style="text-align: justify;">Sara conta para os pais. “Minha mãe estava desconfiada, por causa da tontura e dos enjoos. E eu precisava da ajuda deles. Eles levaram numa boa. Meu pai me levou ao ginecologista e me acompanhou durante todo o procedimento.” De férias na Inglaterra, o aborto acontece lá mesmo, onde é legalizado desde 1967.</p>
<p style="text-align: justify;">O sentimento é de medo. “Acho que o mais difícil é conseguir ajuda. Me senti muito sozinha. Parecia que ninguém nunca fez aborto, e eu senti medo de dar errado.” Mas Soninha está segura de sua decisão. Depois de duas semanas, o remédio chega pelo correio. O procedimento irá durar 48 horas.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Chegando ao hospital, Sara se depara com dezenas de jovens esperando atendimento. “Conheci meninas da minha idade que já haviam abortado, lá isso não é tabu. O aborto é legal e o procedimento é bem comum, inglesas também ficam grávidas cedo.” Sara está com mais de oito semanas de gravidez, impossibilitando o uso de medicamentos abortivos. Decide pela cirurgia. Irá durar no máximo uma hora.</p>
<p style="text-align: justify;">De posse dos remédios, Thaís repete o procedimento. Na manhã seguinte, os enjoos continuam. O teste confirma: continua grávida. Ela aumenta a dose do medicamento. Funciona.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de semanas grávida, Soninha finalmente acorda de uma noite sofrível: “As cólicas eram muito fortes”. O primeiro comprimido foi tomado à noite, quando começaram as dores e o sangramento. Com analgésicos e compressas quentes, o namorado e a amiga tentavam diminuir o sofrimento. Conforme orientação recebida via email, 24 horas depois ela toma o medicamento que faltava. Os sintomas se intensificam ainda mais.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">“O aborto é uma experiência muito forte. Em relação ao meu corpo, foi um alívio. Grávida, eu me sentia muito mal, parecia outra pessoa. Gritava com meu namorado, sentia enjoo o tempo todo. Foi muito bom voltar a me sentir eu mesma.”</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Sara entra na sala de operações. “Deitei numa cama e me deram anestesia geral. Acordei meia hora depois, ainda um pouco tonta.” É levada de maca para uma sala de repouso. “Depois de 20 minutos descansando, ganhei um sanduíche e fui para casa normalmente.”</p>
<p style="text-align: justify;">Thaís não está mais grávida, mas o feto continua em seu corpo. Decide ir ao hospital fazer uma curetagem. O procedimento é simples, porém arriscado e doloroso. “O médico raspa o útero da mulher com a cureta, uma ferramenta que parece uma colher de pedreiro”, revela uma amiga.</p>
<p style="text-align: justify;">Depois de dois dias, ela começa a ter febre. Descobre que está com uma infecção generalizada. Depois de passar por três hospitais diferentes, ela é internada no dia do aniversário de seu filho. A mesma amiga recorda: “Poucas pessoas sabiam e não se podia falar sobre isso. Ficou um clima muito estranho. As pessoas começaram a levantar hipóteses e a criar histórias”.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;">Passada a cirurgia, Sara se sentia bem. “Voltei a uma vida normal rapidamente e na minha casa nunca mais se falou no assunto.” Soninha conseguiu tirar um significado positivo de tudo que aconteceu. “Eu parei para pensar muito mais no que eu queria para a minha vida.” Depois de uma semana sentindo muita dor, Thaís faleceu***.</p>
<p style="text-align: justify;">&nbsp;</p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #993366;">Importante:  Todos os nomes citados neste texto são fictícios. As histórias são  absolutamente reais. Acompanhei pessoalmente o aborto de Soninha e  conversei diretamente com Sara. Para contar a história de Thaís  entrevistei duas de suas amigas mais próximas.</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #993366;">**  Nesses países, o aborto é permitido sem nenhuma restrição até a 12ª  semana gestacional. O Brasil está incluído em um grupo de 68 países que  reúnem 26% da população mundial, nos quais a prática só é admitida em  circunstâncias específicas. Os dados são do Center for Reproductive  Rights, organização norte-americana voltada para o tema (</span><a title="site" href="http://reproductiverights.org/" target="_blank"><span style="color: #993366;">http://reproductiverights.org/</span></a><span style="color: #993366;">).</span></p>
<p style="text-align: justify;"><span style="color: #993366;"> ***  Thaís morreu após cinco dias de internação (sete dias depois de ter  ingerido os medicamentos abortivos). Como a família não fez uma  autópsia, não há meios para comprovar se há ligação entre os eventos.  Segundo médico consultado pelos amigos mais próximos, é bastante  provável que tenha havido contaminação no procedimento de curetagem. No  Brasil os médicos não respeitam a lei e tratam mal mulheres que chegam  ao hospital por terem realizado aborto (ou, o que é ainda pior, que  tenham os sintomas parecidos). Para mais informações sobre este assunto  leia o texto da </span><a title="meu aborto" href="http://www.viomundo.com.br/blog-da-mulher/ruth-alexandre-meu-aborto-e-a-criminalizacao.html" target="_blank"><span style="color: #993366;">Conceição Lemos</span></a><span style="color: #993366;">.</span></p>
<div id="attachment_2012" class="wp-caption aligncenter" style="width: 385px"><img class="size-full wp-image-2012" title="cartaz-aborto-legal" src="http://ocomprimido.tdvproducoes.com/wp-content/uploads/2011/03/cartaz-aborto-legal.jpg" alt="" width="375" height="500" /><p class="wp-caption-text">Você conhece a legislação brasileira?</p></div>
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