Plínio de Arruda, em debate com estudantes da UnB. Foto: Mariana Costa
“Nós vamos inovar nessa campanha. Vamos ser a mocidade dela. Candidato jovem, campanha jovem”, brinca Plínio de Arruda Sampaio, pré-candidato a presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Em encontro com estudantes da Universidade de Brasília (UnB) nesta quarta-feira (25/08), o candidato conversou sobre o uso do twitter e temas gerais como a redução da jornada de trabalho.
A sabatina começou às 18horas, diante de um público de aproximadamente 150 pessoas. Plínio começou destacando que sua candidatura “é um contra-ponto à mesmice”. Para o candidato, o brasileiro estaria “anestesiado” com os avanços sociais do governo Lula, “Esta pessoa, que saiu das classes C e D nos últimos anos e agora, por exemplo, tá levando uma geladeira pra casa, ela não tem muita consciência do que representa a escola absolutamente sucateada do filho dela. No Brasil, metade dos jovens são analfabetos total ou funcional. Ela não percebe que para conseguir um exame médico no SUS ela precisa 4, 6 meses. Que a violência está aumentando. Então o que a gente vive é uma realidade muito enganosa”.
“A nossa candidatura vai fazer uma tarefa dificílima, quase impossível, que é dizer o seguinte: olha pessoal, tá bom desse jeito, ninguém tem nada contra isso, mas tem que ver o outro lado”, completou.
Acho que em nenhum outro lugar do planeta o candidato da direita pretende, vejam só, se passar por um candidato “de esquerda”. Não que a velha tática do ‘lobo em pele de cordeiro’ seja alguma novidade na política. Mas nessa eleição isto está mais do que evidenciado: e é vergonhoso para a ala conservadora.
José Serra, agora conhecido como “Zé” (numa tentativa simplesmente deplorável de se aproximar do eleitor de baixa renda), chegou ao cúmulo. Assistam ao último horário eleitoral:
Logo de cara, Serra, digo, seu Zé, é apresentado como político experiente, assim como Lula. Pe-pe-peraí! Lula não é aquele outro, de um tal de PT? Vejam, não estou dizendo que, por ser oposição, a campanha devesse necessariamente ser agressiva. Mas o que o candidato pretende é se vender como ‘candidato da continuidade’. Dilma, do PT, pelo contrário, é mostrada como candidata inexperiente e, portanto, ‘candidata da mudança’ (?!). O PSDB acredita que a Dilma tem a aprovação do eleitorado somente porque é associada ao Lula. Logo, se associarem o Serra ao “cara”, a popularidade também será transferida. Eles estão certos, né? Errado!
O povo não é idiota. Enquanto a campanha tucana pressumir o contrário, continuará a deriva. Até a Folha de São Paulo publicou editorial escandalizado com os rumos da campanha. Serra agora quer ser visto como candidato “que enfrenta os grandes laboratórios para diminuir o preço dos remédios”. Cadê o PSDB que defende o Estado Mínimo e a privatização de Estatais? E a liberdade de livre-comércio? Aumento do Bolsa-Família? Argh!
Simplesmente não há candidato para os conservadores. Ou melhor, há – mas ele tem vergonha de assumir isso. Enquanto a Dilma tenta parecer o máximo possível ‘menos de esquerda’, conquistando eleitores nas camadas mais altas, seu Zé está perdendo todo apoio político que possui para tentar conquistar um eleitorado que ele simplesmente não vai conseguir atingir. Como ficou evidenciado na última pesquisa de intenção de voto, os eleitores que Marina vem conquistando não são PT, como se esperava – mas do PSDB. Porque para o eleitor conservador não há outra saída, ou assume a hipocrisia do ‘chefe’ ou vota no ‘capitalismo-sustentável’.
Eu estaria realmente feliz se todos os candidatos à presidência fossem realmente socialistas ou de esquerda/centro-esquerda, e estivéssemos discutindo apenas qual a melhor maneira de seguirmos rumo ao socialismo. Mas não é isso que está acontecendo. Serra e Dilma, infelizmente, representam praticamente o mesmo modelo econômico, mas são dois projetos diferentes para o Brasil. Num eventual governo Dilma, a tendência é que a esquerda cresça e ocupe mais espaços. Ainda que longe do ideal, espera-se maior diálogo com os movimentos sociais e mais investimentos em áreas como saúde, educação e cultura. O grande perigo será o avanço do PMDB – deve-se tomar muito cuidado em relação aos cargos que o partido irá reivindicar. Maior diálogo e investimentos, obviamente, em comparação a um eventual governo PSDB. Será um governo “democrático”, tão ou mais do que o governo Lula – com os mesmos problemas e contradições.
Sobre um possível governo do seu Zé, bem, acho que todos já sabemos o que aconteceria: clique aqui.
* A candidata Rosalda, do Rio Grande do Norte, simplesmente escondeu que Serra apóia sua candidatura. Ou melhor, “omitiu”. Tucanos do país inteiro, um por um, estão fazendo a mesma coisa: abandonando o barco. Veja a história completa no Cloaca News. Não acredita? Confira a página oficial da candidata.
depois de duas semanas ausente, estou de volta aqui no Blog. Nesse tempo ausente participei do Enecom (Encontro Nacional de Estudantes de Comunicação) e participei da Comissão Eleitoral nas Eleições para o DCE (Diretório Central dos Estudantes de Comunicação) da Universidade de Brasília. A chapa vencedora, falando nisso, foi a chapa ‘Amanhã Vai ser Maior’. Bom, mas isso é tema para outro post, confiram aqui os resultados da eleição.
Estou aqui para comentar a participação de Plínio de Arruda, candidato do PSOL à presidência da República, no Jornal Nacional. Não sou filiado a nenhum partido político, e acredito que isso, de certa maneira, me permita uma maior liberdade em relação para esse tipo de conversa. Ou, no mínimo, um pouco mais de credibilidade – ainda que discorde deste argumento.
Não vou negar os avanços que tivemos no governo Lula. Discordo em parte, por exemplo, quando o Plínio fala que votar em qualquer um dos três candidatos (Dilma, Serra ou Marina) seria a mesma coisa. A grande questão é que, para um socialista, não basta que todas as pessoas recebam comida e água ou que tenham um emprego numa fábrica. Não basta desenvolver o país. É esse o ponto que a maioria das pessoas não se dá conta, e exatamente onde eu concordo com o Plínio. Ressalto que acabar com a fome também é necessário, e concordo que esse é um problema que deve receber prioridade total – a vida deve estar acima de tudo. Entendo também o argumento petista de que esta seria “a primeira etapa” da revolução, de que a longo prazo seria mais fácil caminhar rumo ao socialismo. Entendo, mas não concordo que seja isso o que está acontecendo.
Na questão do Plano Nacional de Direitos Humanos, por exemplo, o presidente voltou atrás do que tinha sido aprovado em Conferência. Quando o PT inscreveu seu plano de governo no TRE e a mídia noticiou ‘pontos polêmicos’, eles foram lá e voltaram atrás. E essa é a atitude em todas as áreas. Se alguém tenta fazer algo diferente, se busca implantar uma ’sementinha’ que seja, o governo volta atrás para não contrariar a ‘opinião pública’. Ser taxado de comunista, revolucionário ou de esquerdista, afinal, é ruim?
Um governo socialista, dentro do capitalismo, deve elevar a consciência das massas, mostrar à população as contradições desta sociedade e debater caminhos para superá-las. Não estou falando que isso é fácil, só o que é fácil mesmo é falar, mas se o governo não faz isso, e o governo Lula não está conseguindo, não estamos caminhando a horizonte nenhum. Se for parar para analisar, Dilma é a candidata do povão e dos empresários. Serra é o candidato da classe-média ignorante e racista. Não existe debate político. É neste ponto que uma candidatura socialista não pode se perder: tão importante quanto ganhar a eleição, é conquistar corações e mentes para a causa socialista. Não queremos ser eleitos para sermos os melhores entre os piores (políticos).Um partido socialista deve pedir o voto do eleitor, mas para mudar o sistema político, não para mantê-lo.
Analisando os partidos políticos, decidi que nas eleições deste ano Presidente é Plínio 50!OCOMPRIMIDO.COM votará no candidato do PSOL à Presidência da República. O Partido Socialismo e Liberdade é o único que está presente nas lutas sociais do dia-a-dia, sempre defendendo o lado do trabalhador e mantendo a calma para agir da melhor maneira possível. Não temos medo de sermos taxados de revolucionários, somos, sim, de esquerda. Queremos, sim, a derrubada deste sistema político e econômico, em favor dos mais pobres e da justiça social.
Como disse o Plínio na entrevista da Globo, “no Brasil existem pessoas que recebem 400x mais do que outras. Isso é um escândalo!”. Isso deve acabar.
PS: Não mudaremos, de maneira alguma, nossa cobertura política em favor deste ou aquele candidato. Temos lado, sim, mas isto não nos impede de vermos e denunciar os problemas – relacionados ou não ao Plínio ou ao PSOL.
PS_2: Se houver segundo turno, votarei Dilma, mas consciente!