
por Rafael Ferreira, do blog do Rafael. Texto editado (acesse o site original para ler a matéria completa).

Para quem está fora do assunto e pretende entender o que está posto, segue o link da reportagem da Secretaria de Comunicação da UnB:
http://www.unb.br/noticias/unbagencia/unbagencia.php?id=6417
.
DA CONCEPÇÃO
Por quê se faz uma calourada? O objetivo da calourada não pode deixar de ser o da integração e passar a ser o de ganhar dinheiro. Vejam bem: não disse que não se possa ganhar dinheiro! Apenas mudei a ordem dos fatores e, ao contrário das ciências exatas, aqui a ordem dos fatores altera o produto. Se bem que parece mais algum novo ditado do tipo “a ordem dos produtos altera o produto”, para quem não consegue ver nada além de dinheiro à sua frente.
Quando o objetivo é ganhar dinheiro, qualquer que seja a parte que vai lucrar, a integração, a recepção, a festa de boas vindas, tudo o que se pensa em termos epistemológicos de acolhimento à calouros(as) cai por terra. A contra argumentação disso JAMAIS vai ser a de que calourada é sim pra ganhar dinheiro. Isso nunca irão dizer abertamente. O que irão dizer é: podemos fazer integração e ganhar dinheiro. Ótimo, concordo, mas não é o que está posto. Não se pode utilizar de uma justificativa de uma calourada de integração para promover uma calourada da terceirização, vale lembrar, uma das únicas, senão a única da UnB. Se antes os empresários já se contentavam em vender seus produtos para um público universitário altamente consumista, agora descobriram o caminho das pedras: podem eles lucrar bem mais com a venda de ingressos e outros bens, fora o currículo de ter organizado a calourada de uma das principais universidades do país!
.
A fórmula da calourada deste ano é simples: eu ganho, vocês ganham, todo mundo ganha e vamos fazer uma festa bem bonita para todo mundo, com bastante participação de todos e o melhor, sem riscos para os centros acadêmicos (CAs)! Ora, utilizando-se do terrorismo de que não há risco para os CAs, influenciado principalmente pela lambança feita na calourada de 14/05/2011, que gerou um prejuízo imenso, agora a argumentação é o seguinte: “no mínimo, no mínimo, todo mundo se diverte e não vai perder nada”.
.
Não há risco para os CAs? Não vão perder nada? E por um acaso é o dinheiro o bem mais precioso que um CA pode perder?
Bem, a calourada de 2010 gerou R$ 4.100,00 de lucro para cada Centro Acadêmico. Foram os CAs que organizaram, que escolheram quem iria tocar, até que ponto iriam colocar o alambrado, o valor do ingresso, as bandas locais etc. Numa festa terceirizada, alguém acha que está pagando para uma pessoa trabalhar para o DCE? Por quê uma empresa, que por um lado assume todos os riscos da festa e, por outro, lucrará 55% da empreitada (é um bom adjetivo), deixaria que o DCE (quiçá os CAs) decidirem o que é melhor para a festa? É claro que isso não irá acontecer. Completando a conta: 20% do lucro ficará com o DCE, 20% para os CAs (são 33 ao que consta na reportagem da SECOM/UnB) e 5% para a UnB, que deve ser uma espécie de FAI (Fundo de Apoio Institucional), agora que a calourada virou uma empresa júnior.
.
Vamos colocar em termos práticos:
CENTRO ACADÊMICO, AQUI ESTÁ O SEU “RISCO”: VIRAR UMA PIADA NACIONAL!
Para quem cada um dos 33 CAs ganhe metade (eu disse metade) do que lucrou na calourada 2010, ou seja, R$ 2.050,00, a festa tem que ter um lucro de R$ 338. 250,00. Dos R$ 338.250,00, assim ficaria a repartição:
Vaca Entretenimento: R$ 186.037,50
DCE: R$ 67.650,00
33 CAs: R$ 67.650,00 (R$ 2.050,00 para cada CA)
UnB (também é filha de Deus): R$ 16.912,50
.
Ou seja, somente se a calourada der R$ 676.500,00 de lucro, portanto mais de meio milhão de reais, você receberá o mesmo que na calourada de 2010 – mas tudo isso sem entrar com nada, que maravilha. Mais três calouradas e não precisa nem inscrever a Vaca Entretenimentos no Big Brother Brasil, pois vai ganhar mais sem nem precisar mostrar o bumbum, que maravilha!
.
Então parece que agora o terrorismo do “sem risco algum pra você meu chapa!” começa a fazer sentido. Uma empresa externa à universidade, que não tem compromisso em comprar um sofá, uma TV, de promover uma integração entre estudantes do curso, vai receber R$ 186.037,50. Você, Centro Acadêmico, pobre mortal, não vai ter risco nenhum, mas sim a garantia de receber R$ 2.050,00 sem fazer nada, quando em 2010 recebeu R$ 4.100,00 para assumir riscos.
Caros(as) colegas da UnB, vamos responder com sinceridade nesse momento. Se fosse para ter uma calourada como a de 14/05/2011, em que cada CA arcou com R$ 750,00 e perdeu esse dinheiro, mas deliberou sobre toda a construção da festa, não seria melhor?
Umas vezes tiveram lucro, em outras prejuízo, mas a calourada sempre foi organizada por estudantes para estudantes. Mesmo em prejuízos maiores do que aqueles de 2010, quando os CAs perderam R$ 750,00, não se pensava em atribuir uma tarefa que é de competência do DCE com CAs para outrem, isso não se resolve assim. Que diabos de “risco” é esse que além de terceirizar a maior festa de entrada de calouros(as) na universidade coloca 55% do lucro nas mãos de uma empresa enquanto os CAs vão se humilhar para pegar uma sobra de 20% da farta mesa?
.
MORAL DA HISTÓRIA
Se o ingresso da calourada for R$ 10,00, o que seria muito barato, R$ 5,5 vai para a Vaca Entretenimento, R$ 2,00 pro DCE, R$ 0,5 pra UnB (reitoria) e R$ 0,06 centavos para cada CA. Com um ingresso vendido a R$ 10,00, eu disse UM ingresso, uma empresa ganha mais do que um estudante Grupo 1 utiliza para almoçar e jantar durante toda uma semana (R$ 0,50), enquanto que um Centro Acadêmico, organização coletiva e interna à universidade, ganha R$ 0,06 (dá pra rifar uma balinha 7 Belo).

Ou a perseguição dos veg(etari)anos nas redes sociais e porque devemos estar contentes com isso.
por Robson, do blog Consciência, editado por Thiago Vilela.
.

Estamos presenciando atualmente, nas redes sociais, vlogs e blogs humorísticos brasileiros, um movimento ofensivo contra o vegetarianismo e o veganismo: o “alfacismo”. Ela segue um padrão Rafinha Bastos de “humor”, divulgando ora pôsteres reacionários sobre produtos à base de gado e comer alface, ora vídeos xingadores, cativando os internautas onívoros que antipatizam com a possibilidade de ser persuadidos a pararem de comer carne.
Nos últimos meses a mania vem crescendo ineditamente. Os principais motes vêm sendo videoclipes amadores, cujas músicas possuem letras chulas dirigindo ofensas aos veg(etari)anos e defensores dos Direitos Animais em geral e fazendo apologia ao consumo conscientemente inconsciente de carne, e imagens fazendo gracinhas relacionadas a alfaces e divulgando que muitos produtos são feitos com ingredientes de origem bovina.
Até o momento essa modinha tem sido algo relativamente centralizado e pouco criativo, com uma variedade pequena de conteúdo alfacista reproduzindo-se e atraindo muitas visitas. No que se refere às imagens, dois memes têm sido viralmente reproduzidos: o pôster “Esta alface morreu só para que você pudesse ser vegetariano. Tenha compaixão, coma pedras” e o cartaz “Produtos à base de gado/Sua vida é uma ilusão, seu vegetariano chato!” (versão light da que chamava “vegan chato do car…”). Já os vídeos que encabeçam a mania são os clipes “Carnívoro Song” e o “Vegan, minha comida caga na sua”, ambos de um mesmo autor.
Essas “atrações”, embora transmitam pouco ou nenhum argumento (o único conteúdo que ainda dá para levar a sério é o “Produtos à base de gado”*), vêm sendo utilizados como se fossem livros sagrados para os mais reaças. Se o colega vegetariano do onívoro começa uma discussão sobre consumo de carne X ética, o creófilo mostra na lata o pôster “Produtos à base de gado” para convencer o vegetariano de sua “hipocrisia”. Ou então tira do bolso a piadinha de comer pedras para não matar alfaces, acreditando erroneamente que o vegetarianismo evita o consumo de qualquer ser vivo.
É previsível que esse movimento alfacista cresça, e muito, nos próximos meses ou anos, mas felizmente esse não é um motivo de desânimo ou uma evidência de retrocesso da conscientização semeada pelos defensores dos Direitos Animais. Pelo contrário, é um ótimo sinal. Indica que o vegetarianismo e o veganismo estão crescendo muito e praticamente já não podem mais ser ignorados pelos onívoros, nem estão mais relegados à marginalidade e pouca significância numérica em que estavam no passado.
Não comer animais e suas secreções é um assunto que chama cada vez mais a atenção da mídia, seja tratado com aparente imparcialidade, seja difamado por manipulação. O vegetarianismo e o veganismo entram em pauta em quase todos os fóruns de discussão e em muitas rodas de conversa. E a tendência é propagar-se mais e mais pela sociedade.
Assim sendo, os que rejeitam visceralmente a ideia de parar de comer carne e desfrutar do paladar dessa mescla de músculo, gordura e tempero já não podem mais fingir que nós vegs não existimos. Como não podem mais nos ignorar, lançam-se no reacionarismo, única opção que lhes resta para recusarem o vegetarianismo, tratando este com rejeição raivosa.
Isso já era esperado, uma vez que os Direitos Animais confrontam os interesses e prazeres de muita gente e desafia as crenças e tradições hegemônicas. Assim como os homofóbicos contra a ascensão do movimento LGBT, os misógino-machistas contra o progresso e aprofundamento do feminismo e o os cristãos intolerantes contra o crescimento do ateísmo e do movimento neoateísta, os alfacistas apareceriam e cresceriam em notoriedade de qualquer jeito.
E o melhor de tudo é que, por mais que atrapalhem e tentem impedir os progressistas de promover os avanços nos direitos dos historicamente dominados, os conservadores não conseguem deter por muito tempo as mudanças que orientam as sociedades no rumo à igualdade. Não é nada diferente disso a onda alfacista, a qual, mesmo que se torne séria num futuro próximo, não consegue sequer equilibrar razão e emoção ou produzir argumentos desprovidos de apelos ad hominem, falácias ou incorreções científicas.
Ao invés de nos desanimar, a crescente mania do alfacismo deve nos dar forças, por ser um indicativo de que nossa luta pelos direitos dos animais não humanos está obtendo progressos exponenciais e é superior ao nervosismo alfacista, e também por nos fazer corrigir ou descartar argumentos falhos. Se dogmatismo –- vide o uso de poucas imagens como “verdades inquestionáveis” -–, ofensas anti-intelectuais ou travestidas de cientificidade e falácias são tudo o que o reacionarismo antivegetariano tem para oferecer, é muito difícil que vá ao menos arranhar a luta pelo respeito aos animais.

o texto a seguir é uma denúncia enviada pelo leitor Rafael Ferreira, Pedagogo, Mestrando em Educação pela Universidade de Brasília e graduando em Serviço Social pela mesma universidade.
.
A algum tempo, tanto eu como muitas outras pessoas esperam por justiça. Esperam para ver alguma atitude mais firme contra um criminoso racista que ameaça mulheres, negros, homossexuais, faz apologia à pedofilia e que tem como um de seus alvos a comunidade acadêmica da Universidade de Brasília. Enfim esse dia chegou, com a prisão de Marcelo Valle Silveira Mello.
.

Marcelo é conhecido de longa data na UnB. Infelizmente, não pelo seu conhecimento em informática, que poderia utilizar em favor do crescimento do país, mas pelo seu ódio à todos(as) que não comungam de suas ideias, de seus crimes.
Em 05/08/2005, na única oportunidade em que o encontrei pessoalmente – excluindo-se as oitivas no MPDFT e na Comissão Disciplinar da UnB –, ele tentou me agredir. Estranhamente, mesmo sem ter me chamado para conversar, a UnB já tinha escolhido o seu lado na história: era eu o culpado, o suposto agressor, e cabia a mim me defender desse racista, homofóbico e pedófilo dentro e fora da UnB, e por muito pouco o processo aberto por racismo em que o MPDFT logrou êxito na segunda instância não se transforma em um processo de uma suposta agressão ao Marcelo.
Ora, logo a UnB, que se diz vanguarda na defesa dos direitos humanos, pecou. Lembro-me bem que nesse dia, 05/08/2005, eu estava andando no gramado entre o ICC Norte e a Biblioteca da UnB e fui surpreendido por um Fiat Uno da segurança da UnB, que entrou no gramado, deu um “cavalo de pau” na minha frente e me deu “voz de prisão”. Três seguranças armados com cassetetes me colocaram no carro, forçadamente, e me levaram para o posto policial da UnB. Lá fiquei aguardando o Marcelo Valle chegar. Passaram-se dois minutos e ele chegou, no banco dianteiro de uma Kombi, somente com um motorista. Começava aí o racismo institucional da UnB!
Bem, o fato é que essa confusão gerou um processo que não foi de “suposta agressão física de Marcelo Valle à Rafael Ayan” e sim o contrário. A forma de se escolher o réu é clara e tem duas explicações viáveis, não excludentes:
1- Quem é o negro e quem é o branco da história.
2- Quem participava do movimento estudantil e não era visto com bons olhos pela reitoria, principalmente em tratando-se de um estudante e servidor.
A partir de agora, organizarei uma série de posts sobre como se deu a perseguição contra mim, num processo administrativo iniciado na UnB que em muito ajudou na defesa de Marcelo de que eu o tinha agredido, desviando o foco do racismo. Eu me defendi sozinho da acusação de agressão física de Marcelo, tanto dentro da UnB como fora, no processo em que eu fui arrolado como testemunha de acusação e quase viro o réu.
Por quase sete anos guardei esses documentos comigo, pois tinha certeza que se os publicasse antes não iria surtir efeito algum, iriam achar que era uma briguinha pessoal, como ponderou a juíza que inocentou Marcelo Valle na primeira instância. Hoje, com o país todo sabendo quem é Marcelo Valle e sua conta de 500 mil reais, sabe-se lá se não era para a compra de armamentos para uma matança em série na UnB, chegou o momento de mostrar como a UnB tem parte da culpa de ter alimentado a visão de impunidade de Marcelo. Não divulgo isso para prejudicar a imagem da UnB, mas porque por muito tempo eu fui tido como alguém que agrediu um estudante, e venci essa acusação nos tribunais sem apoio alguma da UnB. Aliás, a UnB, em alguns momentos, como verão a frente, parecia querer me expulsar, ao passo que Marcelo tinha um tratamento de rei. Para terem ideia, ele não saiu da UnB por uma decisão política da reitoria, que poderia com base no regulamento da universidade – o mesmo que utilizaram para tentar me enquadrar – ter expulsado Marcelo por representar perigo à comunidade acadêmica.
Então, é salutar dizer que jamais, repito, jamais as gestões Lauro Mohry (2005), Timothy Mulholland (nov/2005 – abr/2008), Roberto Aguiar (abr/2008 – nov/2008) e José Geraldo de Souza Júnior (nov/2008 – atual) me ofereceram qualquer tipo de apoio nessa questão. Não fossem as ameaças de Marcelo ao aniquilamento de estudantes da UnB, ficasse ele “somente” com os ataques aos negros, mulheres, homossexuais e apologia à pedofilia, a UnB continuaria em sua inércia achando que não se passava de alguém querendo aparecer.
Para mais informações sobre o caso, acesse o blog do Rafael: clique aqui.