Congresso norte-americano declara que pizza é um vegetal

Esta, sem dúvida, é a definição de “reportagem sob prescrição médica”…

Li a notícia lá no The Journal, depois confirmei na Associated Press e alguns outros sites.

Isto parece um vegetal para você?

COMO ASSIM??, você deve estar se perguntando.

A questão é a seguinte: a administração Obama está tentando tornar a alimentação escolar mais saudável. Não preciso nem colocar aqui nenhum link com estatísticas sobre a obesidade estadunidense. É um problema sério no país e a merenda escolar, obviamente, é parte deste problema.

Pelo que eu entendi, a partir de agora a merenda escolar subsidiada pelo governo é obrigada a incluir uma certa quantidade de legumes. Dessa forma, o Departamento de Agricultura plano teria empurrado a indústria da pizza, pelo menos parcialmente, para fora do negócio da merenda escolar.

Vejam bem, ninguém está impedindo ninguém de comer pizza. Está impedindo que a merenda SUBSIDIADA com dinheiro público seja, nutricionalmente, de má qualidade. Ponto final.

As indústrias, digo, o Congresso, entretanto, não pensa assim.

Na votação anual de gastos para o Departamento de Agricultura, ocorrida na última quinta (17), os legisladores chegaram à brilhante conclusão:

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The amount of tomato paste in pizza sauce means that pizzas can be counted as a vegetable.

Algo como: a quantidade de molho de tomate numa pizza é de tal quantidade que, a pizza, pode também ser considerada um vegetal.

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Não, não é sacanagem. É lucro.

A MSNBC relatou que os políticos foram fortemente pressionados pela indústria de alimentos congelados, que não queria ver um fluxo de receita importante cortado – dada a freqüência com que a pizza é encontrada nas cantinas escolares dos EUA. Fora, obviamente, os legisladores que tem negócios nesta indústria e não queriam perder dinheiro.

A indústria dos produtores de batatas, do sal, e alguns políticos conservadores, como sempre fazem, argumentaram que o “governo federal não pode dizer às crianças o que comer”.

QUEM, cara-pálida, está OBRIGANDO alguém a comer alguma coisa aqui, a não ser VOCÊS?

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Desde quinta, qualquer coisa que contenha duas colheres de sopa de molho de tomate pode ser rotulado como um vegetal.

Da próxima vez que derrubar molho de tomate na sua roupa, muito cuidado. Provavelmente você será obrigado a fazer fotossíntese, caso contrário, estará desrespeitando lei federal. Até a próxima!

Notadocomprimido: Só para constar, nem mesmo o tomate é vegetal, é fruta…

Apple: Think different?

Via Esquerda.NET

“O homem que mudou as nossas vidas”. Foi este o lema mais usado pela mídia tradicional para definir o co-fundador da Apple Computers, Steven Paul Jobs, quando este faleceu, de câncer, em 5 de Outubro de 2011. Para ilustrar esta afirmação, o que mais se citava eram as últimas criações da Apple – o tablet iPad, o telemóvel iPhone e o leitor de mp3 iPod, gadgets topo de gama que em geral só podem ser comprados por pessoas de alto poder aquisitivo. O exagero ficava, assim, patente. Se é duvidoso que o iPad tenha mudado a vida dos seus utilizadores – mas admissível, e não faltarão entusiastas a dizer que sim –, o tablet da Apple, que custa, na sua versão de 32 Gb com 3-G, 699 euros, dificilmente terá mudado a vida de toda a gente, sequer dos utilizadores de computadores pessoais ou da Internet.

Steve Jobs podia ter alguns aspectos de visionário, mas com as limitações do capitalismo e do objectivo do lucro. Foto de Zadi Diaz

Curiosamente, pouco foi citada uma das maiores contribuições de Steve Jobs para o mundo da informática – a interface gráfica que usa a metáfora do “desktop”, a mesa de trabalho, com pastas que organizam ficheiros e atalhos para lançar aplicações, com a qual o utilizador interage através de um teclado e um rato. Steve Jobs não inventou esta interface – o rato foi criado pela xerox, a primeira interface gráfica funcionou num computador xerox Alto concebido em 1973, e uma interface gráfica mais parecida com a actual rodava num Xerox 8010 Information System, criado em 1981. Mas estes computadores eram workstations caríssimas, completamente fora do alcance do utilizador comum. Foi, assim, Jobs que teve o mérito de pôr uma interface gráfica elegante a funcionar pela primeira vez em computadores de custo mais baixo – os Apple Macintosh 128K de 1984, que rapidamente entusiasmaram os primeiros utilizadores de computadores pessoais e criaram um padrão que mais tarde viria a ser descaradamente copiado pelo Windows da Microsoft.

Jobs era um CEO muito competente, é certo, teve grandes ideias, como a de desenvolver a computação gráfica no cinema de animação, criar o mercado da música digital, com o iTunes – numa época em que as discográficas não conseguiam imaginar nada mais brilhante do que tentar mandar para a cadeia todos os adolescentes que copiavam música e a partilhavam na Net –, usar com maestria a excelência do design para vender os seus computadores, lançar a interface baseada nos ecrãs tácteis. Tudo excelentes ideias, algumas das quais tornaram a Apple, que chegou a estar à beira da falência, na segunda maior empresa dos EUA.

Mas a dinâmica e o entusiasmo de Jobs eram viradom para esse objectivo – fazer crescer a sua empresa, ganhar dinheiro; se isso mudasse a vida das pessoas, melhor, mas só se isso fosse lucrativo e rendesse dividendos para os accionistas da empresa da maçã. Precisemos, portanto: Steve Jobs podia ter alguns aspectos de visionário, mas com as limitações do capitalismo e do objectivo do lucro. Podia ser diferente?

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O caso do oligopólio automotivo

O governo anunciou que a elevação, em 30%, do imposto sobre produtos industrializados (IPI), incidentes sobre a importação de veículos automotores, se estenderá até dezembro de 2012. Nesse período, ainda segundo o anúncio, o governo pretende elaborar e anunciar uma nova política para a indústria automobilística. O foco principal desse conjunto de medidas estaria relacionado à proteção e geração de empregos.

Em sentido contrário, reiteramos nossa opinião de que a elevação daquele imposto protege apenas o oligopólio automotivo multinacional e só protege os empregos no discurso, não de fato. E adiantamos que qualquer revisão da política industrial automotiva que não tenha como meta clara e principal a quebra do oligopólio existente e o estabelecimento de uma concorrência ou competição real entre as fabricantes não levará em conta os interesses nacionais brasileiros, nem o propósito de gerar milhões de novos empregos.

Nesse sentido, a elevação do IPI é um mau precedente, não só porque foi editada numa conjuntura de crise sistêmica internacional, em que a preocupação deveria estar voltada para a redução de impostos e preços, mas principalmente porque contribui para a manutenção ou elevação dos preços administrados praticados pelas empresas estrangeiras do oligopólio automobilístico.

Basta reparar que 54% de todas as importações de veículos para o Brasil, provenientes da Argentina e do México, continuarão livres do pagamento do IPI. Em outras palavras, as montadoras multinacionais, com plataformas de fabricação nesses países, continuarão importando veículos e componentes completos de custos mais baixos, vendendo-os no mercado interno brasileiro por preços mais elevados, não modificando em nada o quadro atual.

Já os veículos e componentes importados da Coréia do Sul, Alemanha e Japão, que representam 35% das importações do setor, provavelmente também se verão livres do imposto. Várias de suas empresas possuem plantas de montagem no Brasil e podem incluir tais importações nos 35% de conteúdo externo. Ou podem se aproveitar de instalações que tenham na Argentina, Uruguai ou México para exportar para o Brasil livre daquele imposto.

Mesmo os chineses, cuja participação é de apenas 4% nas importações do setor, mas trouxeram pânico ao oligopólio por ofertar veículos de preços muito mais baixos, também podem adotar o procedimento de instalar montadoras na Argentina, Uruguai e México, que oferecem incentivos para isso. Com isso, continuarão exportando para o Brasil a partir dessas plataformas, só que a preços mais elevados.

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Agronegócio é ineficaz

"Deserto verde"

A Comissão Pastoral da Terra (CPT), Regional Mato Grosso do Sul, no intuito de dar maior visibilidade à luta dos pequenos produtores e à agricultura familiar camponesa, vem resgatando e divulgando importantes dados estatísticos que colocam em xeque justificativas de produtividade e geração de emprego do agronegócio, que não coincidem com a realidade. De acordo com a entidade, no Mato Grosso do Sul (MS), se faz uma apologia ao agronegócio alicerçado no grande capital financeiro.

A profusão da propaganda, segundo a CPT/MS, tem como objetivo convencer a população acerca de sua superioridade econômica e, portanto, da necessidade do Estado continuar protegendo o setor em detrimento da luta camponesa pela reforma agrária, pela produção agroecológica, bem como a luta dos povos indígenas pela restituição de seus territórios tradicionais.

Um destes estudos foi o realizado pela doutora Rosemeire Aparecida de Almeida, da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS), tendo como referência os censos agropecuários do IBGE de 1995/96 e 2006. A investigação teve como foco a análise das transformações na agropecuária, no último período censitário, a partir de duas escalas comparativas: a primeira refere-se ao Estado em si, a segunda é a análise comparativa entre amostras regionais, neste caso a região Leste de Mato Grosso do Sul e Norte Central paranaense. O estudo comparativo destas amostrais regionais se justifica pela reconhecida diferença agrária de Mato Grosso do Sul e do Paraná.

O primeiro conjunto de análises revela que em Mato Grosso do Sul, segundo o Censo 2006, a concentração da terra continua sendo realidade, pois as classes de áreas de menos de 50 hectares representam 58,83% dos estabelecimentos e detêm apenas 2,09% daterra, já os estabelecimentos acima de 1000 ha representam 10,18%, mas possuem 76,93% do território.

Uso da Terra: a força da agricultura familiar

Outra observação importante na escala estadual diz respeito ao aumentosignificativo na produção de aves no Censo 2006. Ressalta-se que 71,51% desta produção vêm da pequena unidade (até 200ha). O mesmo ocorre com a produção de suínos que cresceu 69,87%, sendo a pequena unidade responsável por 70% desta produção. Em relação ao leite a pequena unidade teve um aumento na produção de 41,01% em relação ao Censo 1995/96, enquanto a média e a grande unidade reduziram sua produção de leite. Este aumento na produção de leite está nas classes de área de menos de 50 hectares, que representam em grande medida o tamanho das parcelas dos lotes da Reforma Agrária.

Estas classes de área de menos de 50ha, que detém apenas 2,09% da área total, produzem 46,48% do leite no Estado, utilizando parco financiamento.

Segundo os dados fornecidos para a CPT/MS, os pequenos stabelecimentos do Mato Grosso do Sul que produzem arroz e feijão, foram mais eficientes que as propriedades da agricultura de exportação, de acordo com os dados dos dois últimos censos agropecuários (1995/96 e 2006).

Por exemplo, a soja teve um acréscimo de produtividade de apenas 6,77% de quilos por hectare em 2006, comparado aos dados do Censo de 1995/96. Já o arroz registrou um aumento de produtividade de 67,77% em 2006, comparado com os dados do Censo de 1995/96, e o feijão também aumentou a produtividade em 51,19% em relação ao mesmo período. Portanto, apesar destes produtos da agriculturafamiliar ter sofrido uma redução de área colhida em 2006, o volume da produção foi superior ao de 1995/96. A pesquisa ressalta, por exemplo, que a classe de área responsável pela produção de feijão é a pequena unidade com até 200 ha.

Este estrato responde por 64,07% do total da produção. “Apesar de pequeno, estes estabelecimentos têm conseguido se apropriar dos avanços tecnológicos e melhorar sua eficiência produtiva” explica a doutora Rosemeire para a Radioagência NP.

Geração de Empregos no Campo: as pequenas unidades empregam mais

A referida pesquisa mostra que a geração de ocupações nos menores estratos de área é também significativa, pois, segundo o Censo 2006/MS, o aumento no número de pessoal ocupado ocorreu nas classes de área de menos de 50 ha, ela sozinha representa 44,18% do total do pessoal ocupado no Estado (93.311). Cruzando as ocupações com o tamanho da terra, a classe de área de menos de 50 ha gera uma ocupação a cada 6,7 ha, enquanto a classe de área acima de 1000ha gera uma ocupação a cada 411,56ha.

Valor da produção e Financiamento: o mito do agronegócio

Quando o assunto é financiamento, a pesquisa aponta uma interessante contradição no MS. Os 1.231 estabelecimentos com mais de 1.000ha acessaram 78,97% do valor total dos financiamentos em 2006 e responderam por 51,17% do valor total da produção agropecuária em 2006. Os 4.269 estabelecimentos das classes de área de menos de 50 hectares acessaram 2,45% dos financiamentos em 2006 e responderam por 12,19% do valor total da produção agropecuária.

Ou seja, proporcionalmente a pequena unidade (menos 50 ha) é quase dez vezes mais eficiente do que a grande unidade, porque acessou R$ 45.606.000 (2,45%) de recursos públicos e respondeu por R$ 434.460.000 (12,19%) do valor de produção agropecuária. Enquanto que a grande unidade que acessou R$ 1.472.448.000,00 (78,97%) respondeu por 1.823.344.000,00 (51,17%). É mais um dado do IBGE a confirmar a eficiência da pequena unidade de produção.

Retirado do site do MST.

Notadocomprimido: Releia o último parágrafo do texto. Agora releia a parte sobre geração de empregos. A quem interessa mesmo a manutenção do agronegócio? Dica: não é a população.