
Calma, calma, ainda fico aqui na Europa até janeiro (2012). Ok, tudo bem que eu vou para Moscou em Novembro, mas é só por uma semana. Não é disso que eu estou falando.
Este texto é para falar um pouco de um sentimento que venho sentindo desde que cheguei aqui neste intercâmbio e que ainda não tinha conseguido me expressar até agora.
Europa is over. E quando eu digo isso me refiro ao Estado de Bem-Estar Social. É incrível como hoje, se olharmos a luta da esquerda européia, não se reivindica mais do que a não-retirada de direitos. A população engoliu, pouco a pouco, desde a queda da URSS, que, afinal de contas, saúde pública, educação de qualidade, seguro-desemprego e transporte decente não são direitos que o Estado deve prover.
Há uns dois meses, no ápice das revoltas pela educação gratuita e de qualidade no Chile (aqui), postaram um comentário no site humorístico 9gag explicando os motivos daquela revolta. Pode parecer bobagem, mas para um estudante qualquer, entre 18 e 20 anos, se preocupar em ir num site que não tem nada haver com o assunto mas que é um grande canal entre os jovens, para explicar porque ele e seus amigos estavam se revoltando nas ruas do país, é porque a desinformação na mídia nacional e internacional estava muito grande. E ele tinha tanta percepção disso que fez aquele post. E qual foi a reação da maioria dos usuários do site, em geral europeus? De que educação pública não deveria ser fornecida pelo Estado. De que era desperdício de dinheiro.
É essa geração, com esse tipo de ideologia, que está crescendo nos escombros de uma geração que teve de tudo um pouco assegurado por uma política estatal desenhada para fazer frente ao socialismo real soviético. Estão com uma venda nos olhos e não a percebem. E não a percebem porque, ainda com a crise econômica, a qualidade de vida continua muito alta para o padrão sulamericano, por exemplo. Por enquanto. Por enquanto. E para cada vez menos gente.
Segue texto do Frei Betto que consegue exprimir um pouco mais a fundo o ponto que gostaria de atingir. Ele é um dos poucos religiosos a quem admiro e acompanho o trabalho. Até a próxima!
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Lembram-se da Europa resplandecente dos últimos 20 anos, do luxo das avenidas Champs-Élysées, em Paris, ou da Knightsbridge, em Londres? Lembram-se do consumismo exagerado, dos eventos da moda em Milão, das feiras de Barcelona e da sofisticação dos carros alemães?
Tudo isso continua lá, mas já não é a mesma coisa. As cidades européias são, hoje, caldeirões de etnias. A miséria empurrou milhões de africanos para o velho continente em busca de sobrevivência; o Muro de Berlim, ao cair, abriu caminho para os jovens do Leste europeu buscarem, no Oeste, melhores oportunidades de trabalho; as crises no Oriente Médio favorecem hordas de novos imigrantes.
A crise do capitalismo, iniciada em 2008, atinge fundo a Europa Ocidental. Irlanda, Portugal e Grécia, países desenvolvidos em plena fase de subdesenvolvimento, estendem seus pires aos bancos estrangeiros e se abrigam sob o implacável guarda-chuva do FMI.
O trem descarrilou. A locomotiva – os EUA – emperrou, não consegue retomar sua produtividade e atola-se no crescimento do desemprego. Os vagões europeus, como a Itália, tombam sob o peso de dívidas astronômicas. A festa acabou.
Previa-se que a economia global cresceria, nos próximos dois anos, de 4,3% a 4,5%. Agora o FMI adverte: preparem-se, apertem os cintos, pois não passará de 4%. Saudades de 2010, quando cresceu 5,1%.
O mundo virou de cabeça pra baixo. Europa e EUA, juntos, não haverão de crescer, em 2012, mais de 1,9%. Já os países emergentes deverão avançar de 6,1% a 6,4%. Mas não será um crescimento homogêneo. A China, para inveja do resto do mundo, deverá avançar 9,5%. O Brasil, 3,8%.
Embora o FMI evite falar em recessão, já não teme admitir estagnação. O que significa proliferação do desemprego e de todos os efeitos nefastos que ele gera. Há hoje, nos 27 países da União Européia, 22,7 milhões de desempregados. Os EUA deverão crescer apenas 1% e, em 2012, 0,9%. Muitos brasileiros, que foram para lá em busca de vida melhor, estão de volta.
Frente à crise de um sistema econômico que aprendeu a acumular dinheiro, mas não a produzir justiça, o FMI, que padece de crônica falta de imaginação, tira da cartola a receita de sempre: ajuste fiscal, o que significa cortar gastos do governo, aumentar impostos, reduzir o crédito etc. Nada de subsídios, de aumentos de salários, de investimentos que não sejam estritamente necessários.
Resultado: o capital volátil, a montanha de dinheiro que circula pelo planeta em busca de multiplicação especulativa, deverá vir de armas e bagagens para os países emergentes. Portanto, estes que se cuidem para evitar o superaquecimento de suas economias. E, por favor, clama o FMI, não reduzam muito os juros, para não prejudicar o sistema financeiro e os rendimentos do cassino da especulação.
O fato é que a zona do euro entrou em pânico. A ponto de os governos, sem risco de serem acusados de comunismo, se prepararem para taxar as grandes fortunas. Muitos países se perguntam se não cometeram uma monumental burrada ao abrir mão de suas moedas nacionais para aderir ao euro. Olham com inveja para o Reino Unido e a Suíça, que preservam suas moedas.
A Grécia, endividada até o pescoço, o que fará? Tudo indica que a sua melhor saída será decretar moratória (afetando diretamente bancos alemães e franceses) e pular fora do euro.
Quem cair fora do euro terá de abandonar a União Européia. E, portanto, ficar à margem do atual mercado unificado. Ora, quando os primeiros sintomas dessa deserção aparecerem, vai ser um deus nos acuda: corrida aos saques bancários, quebra de empresas, desemprego crônico, turbas de emigrantes em busca de, sabe Deus onde, um lugar ao sol.
Nos anos 80, a Europa decretou a morte do Estado de bem-estar social. Cada um por si e Deus por ninguém. O consumismo desenfreado criou a ilusão de prosperidade perene. Agora a bancarrota obriga governos e bancos a pôr as barbas de molho e repensar o atual modelo econômico mundial, baseado na ingênua e perversa crença da acumulação infinita.
Notadocomprimido: Podia ter falado isso lá em cima na introdução, mas enfim. A crise econômica de que tanto falam, no final das contas, não é nada mais do que um aumento no fosso da diferença entre os mais ricos e os mais pobres. Em outras palavras, a crise é péssima para a classe média e para os mais pobres. Mas é tão favorável aos mais ricos que uma saída dos governos tem sido taxar as grandes fortunas, que crescem absurdamente pagando, proporcionalmente, menos impostos.

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Olá pessoal!
Vocês estão até estranhando né? Mas, sim, é o segundo post em menos de 7 dias e mais do que isso, esta é uma postagem especial.
Juro para vocês que é muito difícil contar 10% do que foi o mochilão que eu fiz nos últimos 3 meses. Alemanha, República Tcheca, Áustria, Budapeste, Croácia, Itália e França. Isso sem falar da Espanha e do Marrocos, que eu visitei durante as aulas, e, claro, de Portugal.
Com o passar do tempo irei contando histórias mais detalhadas dos lugares, mas por enquanto fiz este vídeo, uma retrospectiva louca e aleatória com vídeos que eu produzi em vários lugares em que eu estive. A minha intenção é senão transmitir um pouco a vocês a “vibe” desse intercâmbio, recheado de momentos e de pessoas tão especiais.
Se quiserem saber mais, continuem acompanhando a série aqui no site.
Se quiserem conferir mais fotos de algum dos países que apareceram ou não no vídeo, visitem o álbum de fotos na minha página no facebook (clicando aqui) e, claro, não esqueçam de curtir a fan-page do OCOMPRIMIDO.
Até a próxima!


Campanhã, Porto. Indo para a Ribeira!
Assunto é o que não falta hoje. No dia 20 de setembro de 1835 iniciou-se a rebelião mais longa do período regencial, que ensangüentou o sul do Brasil. Sim, estou falando da Revolução Farroupilha! É até feriado no Rio Grande do Sul. Ainda no mesmo dia, em 1276 houve a eleição do Papa João XXI, único Papa Português da História. Ou poderíamos ainda conversar sobre aquele 20 de setembro de 331 a.C., quando Alexandre, o Grande, iniciou sua travessia ao Rio Tigre para enfrentar o Império Persa.
O problema é que o fato que predomina na minha mente todos os anos neste dia, afinal de contas, é um acontecimento banal acontecido há exatos 21 anos atrás: meu nascimento.
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Olá pessoal!
Bom, como eu prometi no facebook, irei dedicar esse post à questão da telefonia móvel pré-paga aqui em Portugal.
ATUALIZADO: Ignorem o próximo parágrafo. Agora a UP oferece o Plano TAG, da Optimus, aos seus estudantes Erasmus. Não há mensalidade obrigatória e você pode falar gratuitamente com outros TAGs. Me parece um plano bem interessante.
No dia da matrícula na Universidade do Porto, e acredito que este ano não vá ser diferente, vocês recebem um chip da operadora TMN. Com o plano MOCHE, que requer o pagamento de uma taxa fixa mensal, você poderá falar gratuitamente e enviar SMS para outros usuários MOCHE.
Acontece que o barato pode sair caro não é? Principalmente porque o preço dessa mensalidade tá subindo e subindo cada vez mais. Para vocês terem uma ideia, em fevereiro eu paguei apenas 5 EUROS pela mensalidade. Em março já era 7,5 euros e agora tá 12,5. Como pegar um plano desses?
Assim, aproveitando eu ter perdido o meu celular, quer dizer, aproveitando que vocês estão vindo para cá e fica difícil ter esse conhecimento prévio, irei falar um pouco de todas as principais operadoras e dos preços que elas estão praticando. Vocês vão ver que, pelo menos para os viciados em internet que nem eu, o telefone acaba nem sendo tão útil assim, você só se comunica por SMS ou facebook. Aqui em Porto é tudo muito perto e dá para programar muito bem o seu horário com o transporte público. Celular é mais para emergências.
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