
Feliz Ano Novo pessoal!
É, dei uma sumida aqui no blog. Fui para Madrid passar o Natal, viajei para Barcelona reencontrar velhos amigos e passar a virada do ano, mas já estou de volta. Como foram as suas festas de final de ano?
Agora é o tempo chave. O intercâmbio está terminando, ainda não contei da minha viagem pra rússia, tenho centenas de trabalhos e responsabilidades para terminar esta semana e ainda tenho que comprar presente pra todo mundo e fazer 1 ano de europa caber em duas malas de 20 quilos.
Mas ok, antes de tudo isso, só gostaria de avisar que o meu relato sobre a viagem a Moscou não foi esquecido. Acontece que ele foi aprovado pelo Conselho Editorial da nossa parceira Revista Vírus Planetário, o que significa que estará disponível, impresso, na próxima edição da revista. Darei mais informações em breve!
Voltando ao post. Como primeiro texto do ano, gostaria de aproveitar a onda e ter uma conversa séria sobre algo que atinge a todos nós. Uma questão que se atira sobre nós quando estamos deitados, sem sono na cama, ou ainda numa mesa de bar com amigos. Um conceito que muitos já tentarem definir, e que, no final das contas, é bem simples:
Liberdade.

E de volta à “realidade”.

Uma senhora pede dinheiro no ponto de ônibus.
Mendigos e prostitutas são facilmente encontrados nas ruas de Moscou. Principalmente no metrô.
Os aposentados, em geral, ganham o equivalente a cerca de R$ 40 por mês. Os filhos e netos esforçam-se para sustentá-los.
A expectativa de vida da população é de 61 anos. Na década de 60, os russos já haviam conseguido ultrapassar a expectativa de vida norte-americana.
Nos bairros mais luxuosos, ou no centro da cidade, vêem-se limousines a cada esquina. E outros carros, caindo aos pedaços.
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Não que eu esperasse, de fato, visitar a URSS. E também não posso falar que fui pego de surpresa, porque eu já havia me informado bastante sobre a atual situação da rússia.
Mas… né? Bate aquela tristeza.
No próximo post eu falo sobre as desventuras e sobre como Moscou é linda.
Este fica como protesto… Até lá!

Moscooooou tá chegandooooo!!
Oi pessoal, tudo bem?
Bom, faz tempo que eu não escrevo aqui no Diário, então vou dar uma atualizada geral e falar sobre os últimos acontecimentos. Este mês (outubro) foi bem agitado, comecei na faculdade as disciplinas que estava esperando desde o semestre passado (Práticas de Desenho, Animação II e Webdesign II), conheci a Baker Street e encontrei com a Lis em Londres, o Murilo e o Malta (amigos da UnB) vieram me visitar no Porto e vi neve pela primeira vez na Serra da Estrela, em Portugal.
O curtinha aqui em cima foi produzido pelo Márcio e retrata um pouco da nossa viagem ao ponto mais alto de Portugal. Foi simples e rápido, acordamos (eu, Márcio e Mônica, digo, Camila) decididos a ir em Guimarães. Fomos à estação, perdemos o último trem e, lógico, só havia uma alternativa: Porque não alugar um carro, cair na estrada e ver neve?
Saindo de Porto, em menos de 3 horas você está em Belmonte. A Serra da Estrela em si, na verdade, é todo o complexo de montanhas e cidadezinhas lindas. Visitamos o Castelo onde nasceu Pedro Álvares Cabral, fomos ao Museu do Descobrimento, vimos neve no ponto mais alto de portugal continental e, para quem viu o vídeo já deve ter entendido, o lugar onde ficamos hospedados foi um capítulo à parte. Incrível.
O legal do turismo em Portugal é o preço. A diária do carro saiu por 21 euros. O hostel, aquela casa inteira do vídeo, e só para a gente, saiu 17 euros por pessoa. E a comida é barata. Você conhece lugares incríveis e com total liberdade sem gastar muito mais do que 100 reais. Veja mais fotos no meu álbum no facebook.
Sobre as disciplinas. Sempre gostei muito de desenhar, de trabalhar com animação, de mexer com websites, mas na universidade pública você acaba focando muito na teoria, na reflexão e no conhecimento – não no ensino técnico. Eu, sinceramente, acho isso positivo. Mexer no Photoshop você pega um dia e aprende. O resto é só ler apostila. O que você tem que aprender numa universidade pública é mesmo refletir, por exemplo, sobre a edição si. Estudar o produto, e não o processo.
Bom, mas apesar disto tudo eu sempre tive muita curiosidade em pegar matérias práticas, porque sempre estudei muito esta área técnica e me sentia apto a atuar como um verdadeiro profissional. Doce ilusão.

Calma, calma, ainda fico aqui na Europa até janeiro (2012). Ok, tudo bem que eu vou para Moscou em Novembro, mas é só por uma semana. Não é disso que eu estou falando.
Este texto é para falar um pouco de um sentimento que venho sentindo desde que cheguei aqui neste intercâmbio e que ainda não tinha conseguido me expressar até agora.
Europa is over. E quando eu digo isso me refiro ao Estado de Bem-Estar Social. É incrível como hoje, se olharmos a luta da esquerda européia, não se reivindica mais do que a não-retirada de direitos. A população engoliu, pouco a pouco, desde a queda da URSS, que, afinal de contas, saúde pública, educação de qualidade, seguro-desemprego e transporte decente não são direitos que o Estado deve prover.
Há uns dois meses, no ápice das revoltas pela educação gratuita e de qualidade no Chile (aqui), postaram um comentário no site humorístico 9gag explicando os motivos daquela revolta. Pode parecer bobagem, mas para um estudante qualquer, entre 18 e 20 anos, se preocupar em ir num site que não tem nada haver com o assunto mas que é um grande canal entre os jovens, para explicar porque ele e seus amigos estavam se revoltando nas ruas do país, é porque a desinformação na mídia nacional e internacional estava muito grande. E ele tinha tanta percepção disso que fez aquele post. E qual foi a reação da maioria dos usuários do site, em geral europeus? De que educação pública não deveria ser fornecida pelo Estado. De que era desperdício de dinheiro.
É essa geração, com esse tipo de ideologia, que está crescendo nos escombros de uma geração que teve de tudo um pouco assegurado por uma política estatal desenhada para fazer frente ao socialismo real soviético. Estão com uma venda nos olhos e não a percebem. E não a percebem porque, ainda com a crise econômica, a qualidade de vida continua muito alta para o padrão sulamericano, por exemplo. Por enquanto. Por enquanto. E para cada vez menos gente.
Segue texto do Frei Betto que consegue exprimir um pouco mais a fundo o ponto que gostaria de atingir. Ele é um dos poucos religiosos a quem admiro e acompanho o trabalho. Até a próxima!
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Lembram-se da Europa resplandecente dos últimos 20 anos, do luxo das avenidas Champs-Élysées, em Paris, ou da Knightsbridge, em Londres? Lembram-se do consumismo exagerado, dos eventos da moda em Milão, das feiras de Barcelona e da sofisticação dos carros alemães?
Tudo isso continua lá, mas já não é a mesma coisa. As cidades européias são, hoje, caldeirões de etnias. A miséria empurrou milhões de africanos para o velho continente em busca de sobrevivência; o Muro de Berlim, ao cair, abriu caminho para os jovens do Leste europeu buscarem, no Oeste, melhores oportunidades de trabalho; as crises no Oriente Médio favorecem hordas de novos imigrantes.
A crise do capitalismo, iniciada em 2008, atinge fundo a Europa Ocidental. Irlanda, Portugal e Grécia, países desenvolvidos em plena fase de subdesenvolvimento, estendem seus pires aos bancos estrangeiros e se abrigam sob o implacável guarda-chuva do FMI.
O trem descarrilou. A locomotiva – os EUA – emperrou, não consegue retomar sua produtividade e atola-se no crescimento do desemprego. Os vagões europeus, como a Itália, tombam sob o peso de dívidas astronômicas. A festa acabou.
Previa-se que a economia global cresceria, nos próximos dois anos, de 4,3% a 4,5%. Agora o FMI adverte: preparem-se, apertem os cintos, pois não passará de 4%. Saudades de 2010, quando cresceu 5,1%.
O mundo virou de cabeça pra baixo. Europa e EUA, juntos, não haverão de crescer, em 2012, mais de 1,9%. Já os países emergentes deverão avançar de 6,1% a 6,4%. Mas não será um crescimento homogêneo. A China, para inveja do resto do mundo, deverá avançar 9,5%. O Brasil, 3,8%.
Embora o FMI evite falar em recessão, já não teme admitir estagnação. O que significa proliferação do desemprego e de todos os efeitos nefastos que ele gera. Há hoje, nos 27 países da União Européia, 22,7 milhões de desempregados. Os EUA deverão crescer apenas 1% e, em 2012, 0,9%. Muitos brasileiros, que foram para lá em busca de vida melhor, estão de volta.
Frente à crise de um sistema econômico que aprendeu a acumular dinheiro, mas não a produzir justiça, o FMI, que padece de crônica falta de imaginação, tira da cartola a receita de sempre: ajuste fiscal, o que significa cortar gastos do governo, aumentar impostos, reduzir o crédito etc. Nada de subsídios, de aumentos de salários, de investimentos que não sejam estritamente necessários.
Resultado: o capital volátil, a montanha de dinheiro que circula pelo planeta em busca de multiplicação especulativa, deverá vir de armas e bagagens para os países emergentes. Portanto, estes que se cuidem para evitar o superaquecimento de suas economias. E, por favor, clama o FMI, não reduzam muito os juros, para não prejudicar o sistema financeiro e os rendimentos do cassino da especulação.
O fato é que a zona do euro entrou em pânico. A ponto de os governos, sem risco de serem acusados de comunismo, se prepararem para taxar as grandes fortunas. Muitos países se perguntam se não cometeram uma monumental burrada ao abrir mão de suas moedas nacionais para aderir ao euro. Olham com inveja para o Reino Unido e a Suíça, que preservam suas moedas.
A Grécia, endividada até o pescoço, o que fará? Tudo indica que a sua melhor saída será decretar moratória (afetando diretamente bancos alemães e franceses) e pular fora do euro.
Quem cair fora do euro terá de abandonar a União Européia. E, portanto, ficar à margem do atual mercado unificado. Ora, quando os primeiros sintomas dessa deserção aparecerem, vai ser um deus nos acuda: corrida aos saques bancários, quebra de empresas, desemprego crônico, turbas de emigrantes em busca de, sabe Deus onde, um lugar ao sol.
Nos anos 80, a Europa decretou a morte do Estado de bem-estar social. Cada um por si e Deus por ninguém. O consumismo desenfreado criou a ilusão de prosperidade perene. Agora a bancarrota obriga governos e bancos a pôr as barbas de molho e repensar o atual modelo econômico mundial, baseado na ingênua e perversa crença da acumulação infinita.
Notadocomprimido: Podia ter falado isso lá em cima na introdução, mas enfim. A crise econômica de que tanto falam, no final das contas, não é nada mais do que um aumento no fosso da diferença entre os mais ricos e os mais pobres. Em outras palavras, a crise é péssima para a classe média e para os mais pobres. Mas é tão favorável aos mais ricos que uma saída dos governos tem sido taxar as grandes fortunas, que crescem absurdamente pagando, proporcionalmente, menos impostos.