

Plínio de Arruda, em debate com estudantes da UnB. Foto: Mariana Costa
“Nós vamos inovar nessa campanha. Vamos ser a mocidade dela. Candidato jovem, campanha jovem”, brinca Plínio de Arruda Sampaio, pré-candidato a presidência da República pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Em encontro com estudantes da Universidade de Brasília (UnB) nesta quarta-feira (25/08), o candidato conversou sobre o uso do twitter e temas gerais como a redução da jornada de trabalho.
A sabatina começou às 18horas, diante de um público de aproximadamente 150 pessoas. Plínio começou destacando que sua candidatura “é um contra-ponto à mesmice”. Para o candidato, o brasileiro estaria “anestesiado” com os avanços sociais do governo Lula, “Esta pessoa, que saiu das classes C e D nos últimos anos e agora, por exemplo, tá levando uma geladeira pra casa, ela não tem muita consciência do que representa a escola absolutamente sucateada do filho dela. No Brasil, metade dos jovens são analfabetos total ou funcional. Ela não percebe que para conseguir um exame médico no SUS ela precisa 4, 6 meses. Que a violência está aumentando. Então o que a gente vive é uma realidade muito enganosa”.
“A nossa candidatura vai fazer uma tarefa dificílima, quase impossível, que é dizer o seguinte: olha pessoal, tá bom desse jeito, ninguém tem nada contra isso, mas tem que ver o outro lado”, completou.
OCOMPRIMIDO realizou duas perguntas ao candidato:
1. Quais são as principais dificuldades da mídia alternativa e o que podemos fazer para superá-las?
2. Como aumentar o salário mínimo para R$2000 e reduzir a jornada de trabalho sem gerar um surto inflacionário no país?
“Levante a mão quem tuíta”
“Ora, mas vocês são uns velhos, atrasados, estão vivendo no século passado, estão por fora!”, divertiu-se o candidato ao constatar que somente metade da platéia havia levantado a mão. “O twitter é fundamental, e eu dou uma importância imensa, porque eu mando para você uma mensagem e você responde ali, na hora. Você nao é influenciado por ninguém. É o que você pensa que chegou. Não tem censura, filtro nenhum. Bateu, voltou. Isso é extremamente importante para mim como homem público. Todos precisamos ter twitter para democratizar a informação”.
“A maior dificuldade hoje é o monopólio. Nós temos 7 meios de comunicação de massa que controlam tudo. Então precisamos quebrar esse monopólio, democratizar, apoiar os pequenos jornais. A palavra chave para isso, hoje, é o twitter, é a internet”, afirmou.
“É preciso que o homem tenha uma hora para ouvir música, jogar conversa fora”
Sobre a jornada de trabalho, Plínio defendeu que existe uma capacidade industrial ociosa no Brasil, e que a redução não geraria inflação. Além do motivo econômico, entretanto, ainda existiria uma razão ideológica para defender o projeto, “Nós existimos para viver, explorar os potenciais da nossa existência. A alegria da vida está em realizar aquilo que nos dá prazer. Não somos escravos do capital. Se com isso (a diminuição da jornada) não teremos o padrão de consumo dos Estados Unidos, que os americanos se divirtam com esse padrão”.

"Não iremos fazer concessão nenhuma para ganhar voto". Foto: Mariana Costa
Plínio defendeu a tributação das grandes fortunas de maneira progressiva, para que os mais ricos paguem mais impostos. Também defendeu que os bens de consumo sejam isentos de tributação, “Você compra esse vidrinho d’água aqui e você paga a mesma coisa que um Antônio Ermírio de Moraes ou do Eike Batista. Para o Eike Batista ou para o Ermírio de Moraes não tem nem vírgula com tanto zero para dizer o que isso representa. E para um homem que ganha salário mínimo, isso não é possível, ele não tem o dinheiro pra comprar. Porque se ele comprar é um percentual enorme da renda dele. Esse imposto nós vamos mexer, de maneira a isentar aqueles bens que são de consumo e encravar fortemente os outros”, afirmou.
“Existe um monopólio da informação”
Para o candidato do PSOL, o aumento de vagas no ensino superior não é simplesmente uma iniciativa do governo, “Qual o pensamento da burguesia? Nós precisamos aumentar o número de pessoas com formação superior. Porque se nós tivermos poucos universitários, eles vão exigir um preço muito elevado pelo seu trabalho. Então se universaliza a educação superior, mas rebaixando a sua qualidade”.
Segundo Plínio, “foram escolhidos alguns países, pelo Banco Mundial, para receber um auxílio e multiplicar o número de universitários que eu chamo de “meia-boca”. É o universitário que tem apenas uma especialização. O que sabe, por exemplo, um engenheiro de conteiner? Ele sabe otimizar o desenho de um conteiner. Mas e se pedir para ele otimizar a carga de um navio? Ele não sabe. Agora, e se o projeto precisar ter o navio, o conteiner e outra coisa? Quem vai organizar isso? Ah sim, esse é o profissional do primeiro mundo. Esse é o profissional formado em Harvard, Cornell, formado na Sorbonne, formado nas grandes universidades”, explica.
“Não estou propondo um liberou-geral”
Questionado sobre a legalização da maconha, Plínio explicou que o PSOL ainda não possui uma posição fechada sobre o assunto, mas que já conversou com especialistas de todo o Brasil. “Existem drogas culturais, como fumo, bebida. E existem drogas sintéticas, que são objeto de aplicação capitalista. Essas tem que combater com a polícia. E para poder combater essas com eficácia, é preciso não confundir, não podemos perseguir a juventude em algo que não tem nenhum efeito de dependência real, tem que liberar as demais”, afirmou.
Para o candidato, o problema não está na droga, e sim no usuário, que deve receber ajuda, “o problema da dependência não é a droga, é o problema interno da pessoa, da necessidade de fuga. Se ela fugir para o álcool, vira alcóolatra. Se ele fugir para a maconha e a droga não fizer nada, ele vai procurar uma droga mais pesada. Por isso a maconha é porta de entrada. Então o problema é a maconha? Não. É ele. O que precisa é um enorme sistema de atenção a quem manifesta sintomas de dependência”.
Em breve disponibilizaremos um arquivo de áudio completo com tudo que aconteceu na entrevista.
Até lá!