Pesquisadores da UnB desenvolvem novo tratamento para câncer

Bentes comemora os resultados da pesquisa. Foto: Guilherme Pera

Pesquisa realizada pelo Instituto de Biologia (IB) da Universidade de Brasília (UnB) está desenvolvendo novos tratamentos para o câncer. O projeto começou em janeiro do ano passado, e os investimentos já superam sete milhões de reais.

Ricardo Bentes, professor do IB e um dos responsáveis pela pesquisa, explica que a meta é criar uma medicação menos invasiva: “Hoje existem três tratamentos para o câncer: quimioterapia, radioterapia e cirurgia. Apesar da eficiência, os efeitos colaterais são muito grandes”, explica.

O projeto é uma parceria entre a UnB, Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ) e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Com participação de 40 pesquisadores de várias universidades federais brasileiras.

Atualmente, um novo tratamento contra o câncer de pele está em teste. Chamado de “Terapia Fotodinâmica”, o medicamente já foi utilizado em pacientes do Hospital Regional da Asa Norte (HRAN) e os resultados superaram as expectativas: “Mais de 100 pacientes já foram testados, e a eficiência foi praticamente total. Algumas pessoas precisaram de duas aplicações, mas o câncer foi tratado sem nenhum efeito colateral”, explica o professor.

O procedimento consiste em quatro etapas, e dura menos de um dia.

  1. O paciente chega ao Hospital (pode ser um ambulatório) e é diagnosticado;
  2. Os médicos aplicam o fármaco (uma espécie de pomada) sobre as áreas da pele atingidas pelo câncer. O remédio promove a aglutinação das células cancerígenas.
  3. Depois de três horas, os médicos incidem uma luz ultravioleta no local, gerando uma reação química e criando radicais livres, tóxicos. Todas as células cancerígenas são mortas;
  4. O paciente permanece algumas horas em estado de observação e é liberado.

Entrentato, Bentes explica que essa solução não pode ser usada em todos os pacientes: “Cada caso é um caso. Às vezes teremos que trabalhar com mais de um tratamento, complementar nosso trabalho com quimioterapia, por exemplo, depende do estágio do câncer e do paciente”.

Apesar da grande expectativa, o remédio não estará nas prateleiras tão cedo, “Ainda faltam várias etapas de testes, para avaliar todos os tipos de riscos do medicamento. Depois ainda precisaremos encontrar uma empresa para produzí-lo. Ainda deve demorar cerca de 10 anos para o remédio virar um produto e estar disponível no mercado”.

Para 2011, a equipe pretende iniciar testes para o tratar do câncer de boca utilizando o mesmo método. O medicamento já foi testado em animais e os resultados foram positivos.

Por Thiago Vilela, postado originalmente no Campus Online

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