
Greve dos Rodoviários: passe-livre geral e irrestrito
Enquanto nova lei do Passe-livre não é aprovada, estudantes podem aproveitar a greve dos rovodiários para ir à escola/faculdade.
Cerca de 150 mil estudantes utilizam o Passe-livre, que garante o acesso gratuito dos jovens ao transporte público em Brasília. A lei vale para estudantes dos Ensinos Fundamental, Médio e Superior, além dos alunos de cursos técnicos e profissionalizantes. Cada beneficiado tem o direito a até 54 passes mensais para fazer o itinerário casa-escola-casa.
Desde que a Lei foi sancionada (no início do ano), entretanto, usuários do sistema têm encontrado muitos transtornos. Para garantir o seu direito, o estudante deve se cadastrar na Fácil (empresa responsável por operacionalizar o sistema de bilhetagem eletrônica do DF) e comparecer mensalmente em um de seus Postos de Serviço, para recarregar o cartão eletrônico.
Várias crianças e jovens têm perdido aula em função da dificuldade nessa recarga. Além das filas quilométricas, nas últimas semanas o GDF não tem enviado dinheiro suficiente para a Fácil, impedindo os estudantes de recarregar. Inicialmente, a verba destinada para o programa era de R$ 50 milhões para este ano. Apenas de fevereiro a abril, já foram utilizados R$26 milhões. Até o final do ano, se os gastos continuarem dessa forma, o governo terá que desembolsar R$120 milhões, quase 2,5 vezes mais que o previsto.
Mais problemas
Na última terça-feira (08/06), o GDF enviou à Câmara Legislativa um novo Projeto do Passe Livre Estudantil. Na nova lei constam mudanças polêmicas, como a criação de um limitador social para a concessão benefício.
“Queremos a ampliação do direito, e não a exclusão. A nova proposta, do governador Rosso, transforma o direito em Assistencialismo. Se toda pessoa tem o direito de ir e vir, todos devem ter Passe Livre, porque senão o direito vai se transformar em valor de troca nas próximas eleições”, afirma Paique Duques Lima, membro do Movimento Passe Livre (MPL) e ex-estudante da UnB.
Com a nova proposta, os estudantes de escolas particulares com renda familiar superior a quatro salários mínimos – R$ 2.040 – perdem o benefício da passagem gratuita e voltam a pagar um terço do valor integral. Os alunos da rede pública continuam a andar de ônibus ou de metrô sem pagar.
Greve dos Rodoviários: apoio inesperado
Se depender dos Rodoviários da cidade, com ou sem Passe-Livre os estudantes continuarão tendo sua gratuidade garantida. Na verdade, no que depender deles, toda a população terá este direito garantido. Em assembleia realizada no início da tarde deste domingo (13/6), em que participaram cerca de 4,5 mil pessoas (segundo dados do próprio Sindicato), os rodoviários decidiram não cobrar passagens dos ônibus amanhã e durante os próximos dias.
Uma greve geral estava marcada para começar amanhã (14/6), mas a categoria decidiu tomar um caminho diferente: circular com catracas liberadas em vez de paralisar as atividades. Dessa maneira, o ônus da greve não vai para à população – e sim para os empresários.
A manifestação tem como principais reivindicações 20% de reajuste salarial, plano de saúde, licença maternidade e fim da obrigatoriedade da jornada extra.
Segundo dados do Sindicato, quase a totalidade dos rodoviários cumprem jornada extra, trabalhando até 12 horas seguidas.
“A greve é mais do que justa para a categoria. Os funcionários estão ficando cada vez mais pobres e as empresas cada vez mais ricas. Elas não respeitam os direitos trabalhistas e os acordos firmados anteriormente com os trabalhadores” afirma Adão Costa, cobrador de ônibus.
Estudantes também realizam protestos
Desde o dia 09 de junho o Movimento Passe Livre, formado por estudantes secundaristas e universitários, têm organizado várias manifestações para informar a população dos problemas que vem acontecendo e pressionar o governo a aprovar uma lei que garanta o Passe Livre geral e irrestrito.

O último ato aconteceu nesta sexta-feira (11/06), às 18horas, na rodoviária do Plano Piloto. Cerca de 100 estudantes, em sua maioria do Ensino Médio, distribuiram panfletos explicativos e entonaram palavras de ordem para os trabalhadores que aguardavam o transporte público.
“Essa manifestação é muito importante. Tanto imposto que a gente paga e não tem nada em troca. Os estudantes estão mais do que certos. Se a gente não abrir a boca e der um grito, ninguém olha pra gente”, disse Thaís Oliveira, trabalhadora terceirizada.
Depois de percorrer toda a rodoviária, os manifestantes decidiram parar o trânsito do Eixo Monumental, no sentido da Esplanada para a Rodoferroviária, e a via em frente ao Conjunto Nacional.
Rubens Graciano, que ficou parado no trânsito aproximadamente 10min por causa da manifestação, não gostou: “Essa manifestação é uma palhaçada! Esses estudantes deviam estar trabalhando pra pagar a passagem, como todo mundo faz.” Alguns motoristas, apressados, invadiram a calçada e quase atropelaram alguns estudantes. Edmilson dos Santos, entretanto, também ficou parado no trânsito mas não reclamou: “A manifestação é válida. Eles estão certos em se manifestar, porque vai chamar a atenção de quem não sabe o que está acontecendo.”
O protesto terminou na escada da plataforma superior da Rodoviária, por volta das 20:30. Adão Costa, cobrador, comemorou: “Parabéns para os estudantes pela manifestação. Além do Governo ser totalmente corrupto e ineficaz, agora eles fazem a lei e querem mudar. A lei tem uma função social muito grande, os meus próprios filhos (ele mora no Gama) já ficaram sem ir para a escola por falta de dinheiro.
Apesar do apoio dos usuários de ônibus, algumas pessoas não acreditam que o protesto possa mudar a situação: “Tenho acompanhado pela TV as notícias, e acho que os estudantes estão certos em se manifestar dessa maneira. Mas acho difícil que mude alguma coisa”, relata Dulce Pereira, cozinheira.
Por Thiago Dutra Vilela, do OCOMPRIMIDO.COM
Notadocomprimido: o site apóia a iniciativa dos rodoviários! Uma manifestação desse tipo vai contar com muito mais apoio da população e aumentar a conscientização das pessoas sobre o assunto. Uma greve geral prejudicaria a população – esse tipo de protesto vai diretamente no BOLSO dos patrões. Quero acompanhar o desenrolar dessa história. Sobre o passe-livre, a situação está complicada. Temos que continuar fazendo manifestações e chamando cada vez mais gente, acho que a sociedade ainda não se deu conta da importância dessa questão. Porque os pais dos estudantes que estão perdendo seus direitos não vão nas manifestações?