
Por Davi Carvalho de Mello
A HP, gigante do ramo de computadores e tecnologia, foi presenteada nesse mês de dezembro com um vídeo gravado por um consumidor insatisfeito. O americano afro-descendente Desi Cryer, ao testar a nova câmera HP, possuidora de um sistema de reconhecimento de faces, reparou que o dispositivo não o identificou. Situação diferente ocorreu com sua amiga Wanda, que é branca, na qual a o aparelho acompanhou corretamente cada movimento da moça.
Desi, para expressar sua indignação e a falha da empresa, publicou um vídeo no Youtube dizendo que “os computadores HP são racistas”. O vídeo demonstra, com tom de ironia, toda a situação ocorrida.
Em resposta, a HP publicou em seu blog oficial o funcionamento do sistema.
O sistema seria baseado em algoritmos que medem a diferença de contraste entre olhos, bochechas e ponta do nariz. Entretanto, em situações de pouca luz, o sistema teria dificuldade em reconhecer o contraste. A empresa também forneceu um link que orienta os consumidores a configurarem melhor os aparelhos, além de agradecer a todos que comentaram e trouxeram o problema à atenção da companhia.
O mais impressionante foi a velocidade com que o problema ficou conhecido pelo público, pois, em duas semanas, o vídeo publicado por Cryer atingiu mais de 1 milhão de exibições, expondo a HP de maneira muito rápida, mas de maneira negativa. Muitas empresas procuram e conseguem, através de virais (o que é isso?) na internet, divulgar suas marcas de forma rápida e eficiente. Mas o efeito desejado pode inverter-se, como é o caso do vídeo de Cryer, demonstrando que o poder de divulgação não está restrito apenas às grandes empresas, pois, na internet, os usuários são capazes de criar conteúdo extremamente influente, expondo situações e marcas, de forma tanto positiva quanto negativa.