Archive for October, 2009

Ricos pedem mais impostos na Alemanha

Por essa (veja na BBC) nossa imprensa partidarizada e nossa classe-média alienada, não esperavam. Bomba no mundo econômico, subvertendo tudo o que a maioria dos afetados do planeta (escpecialmente os “sem noção” do Higienópolis paulistano) sempre ouviu falar sobre economia, capitalismo, trabalhismo e impostos.

Um grupo de ricaços alemães fez um pedido formal à Chanceler Angela Merkell pedindo que o governo AUMENTE OS IMPOSTOS dos que têm mais dinheiro. Eles entendem que se o governo arrecadar mais, poderá investir em programas sociais. E assim, pessoas que estão excluídas do consumo, poderão voltar a gastar dinheiro, fazendo novamente a roda da economia girar.

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Casa Branca enfrenta a FOX NEWS

Casa Branca versus Fox News: É guerra.

“Chefe de comunicações de Obama diz que já não podem confiar em jornalistas para moderar debates públicos”.

A batalha entre a Casa Branca e a rede Fox News alcançou um novo pico no domingo, quando Anita Dunn, Diretora de Comunicações de Obama, numa cadeia nacional, declarou que a rede Fox News é organização partidarizada, que funciona como apêndice do Partido Republicano.

“A rede Fox News opera, praticamente, ou como o setor de pesquisas ou como o setor de comunicações do Partido Republicano” – disse Dunn à CNN. E acrescentou: “não precisamos fingir que [a Fox] seria empresa comercial de comunicações do mesmo tipo que a CNN.” Dunn também aproveitou as páginas do The New York Times, a cujos repórteres declarou em entrevista do domingo, que “a rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico.”

Na fala mais importante, pela CNN, Dunn afirmou que o presidente Obama agora considera a rede Fox como opositor partidário, mais do que como organização jornalística. “Qundo o presidente fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita” – ela explicou. – “O presidente já sabe que estará como num debate com o partido da oposição”.

É grande avanço em relação ao modo como o “establishment” democrata encara a rede Fox. E demorou para acontecer.

De fato, os democratas de alto e baixo escalões sempre viram a rede Fox News como força obviamente hostil. Mas os democratas eleitos resistiram muito, sem decidir se aceitavam ou se combatiam aquela rede.

A verdade é que o “establishment” democrata chegou a aceitar a ideia de dar à rede Fox o privilégio de hospedar e moderar um debate durante as primárias presidenciais – mas o movimento considerado “de autolimitação” foi abortado, depois que uma coalizão de blogueiros e ativistas progressistas objetou.

Com o desenrolar da campanha, o pessoal de Obama foi subindo o tom dos comentários e várias vezes a rede Fox enfrentou dura barreira de arame farpado eletrificada pelos discursos de delegados e, às vezes, do próprio candidato. (Como esquecer Robert Gibbs, quando virou a mesa, em debate com Sean Hannity, da Fox, em outubro passado?)

Quando acabou a campanha, a equipe de Obama discutiu muito sobre como reagir à rede Fox, de dentro da Casa Branca. Foi preciso surfar (e algumas vezes esconder das câmeras) uma onda de obamistas ressentidos com a Fox. E o padrão sempre foi que o presidente é mantido acima das brigas ‘midiáticas’.

A nova atitude de Dunn é parte de nova estratégia, mais ampla, recentemente ‘telegrafada’ na revista Time, para chamar mentiras de “mentiras” e tratar a rede Fox como espaço para debates muito duros com a oposição – como partido de oposição, portanto, não como discussão jornalística. Gibbs diz que a nova estratégia dará certo, porque ele, sinceramente… bem… Gibbs gosta de jogo rápido: “O único modo de arrancar os caras de uma base, é mandar uma bola rápida. Aí, eles se mexem.”

Continue lendo: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/time-a-casa-branca-enfrenta-a-midia/

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A Política por trás da escolha de Obama

por Luiz Carlos Azenha

O prêmio Nobel da Paz é um prêmio eminentemente político. Os outros, não. Os de física ou medicina obedecem acima de tudo a critérios científicos.

Podemos discutir até amanhã se Barack Obama merece ou não o prêmio.

Mas não podemos descartar o contexto em que a escolha aconteceu.

Obama fez mudanças tênues na política externa americana, até agora. Houve, com certeza, alguma distensão. Inevitável. Obama não teria mais como tensionar o mundo, mesmo que quisesse, diante de dois escoadouros de dinheiro público como são o Iraque e o Afeganistão e uma crise econômica que abalou profundamente os Estados Unidos.

O fato concreto é que, em nove meses de mandato, Obama foi obrigado a apagar um enorme incêndio, resultado das políticas desastrosas de George W. Bush. Hoje, é como se Bush nem tivesse existido. É como se as políticas de Bush, propagandeadas mundo afora pelos neocons, não tivessem enterrado os Estados Unidos num tremendo pântano econômico, político e militar.

Como eu já escrevi aqui, cravar uma cruz no coração dos neocons não é tarefa fácil. Em primeiro lugar, porque os neocons não obedecem às mesmas regras políticas às quais se sujeitam os meros mortais. Eles podem apanhar continuamente dos fatos que não se fazem de rogados. Continuam lutando a mesma guerra e usando os mesmos argumentos milenaristas — se não for do jeito que eu penso, o mundo vai acabar.

Apenas para ilustrar, uso como exemplo o caso das cotas raciais no Brasil. Se fossem adotadas, argumentam os que se opõem a elas, haveria uma guerra civil no Brasil. Porém, as cotas foram adotadas e o mundo não acabou. Pelo contrário, em várias universidades públicas brasileiras as cotas foram bem sucedidas.

Mas os neocons não trabalham com a razão. Trabalham com a emoção dos ouvintes, telespectadores e leitores. Eles não estão em busca do convencimento tradicional. Buscam tropas de choque que compensem sua falta de votos ou de argumentos.

A serpente representativa do PMDB na capa da Veja, o rosto “diabólico” de João Pedro Stedile na capa da Veja, a ficha falsa da candidata-terrorista na capa da Folha de S. Paulo – tudo isso faz parte da imagética dos neocons. É o uso do pânico como instrumento da luta política.

Nos Estados Unidos, neste exato momento, os neocons estão concentrados em tentar repetir o que fizeram com Bill Clinton, no início dos anos 90, quando o governador do Arkansas mal tinha assumido a Casa Branca. Impor ao presidente Barack Obama uma derrota doméstica na questão da reforma do sistema de saúde.

No caso de Clinton, a reforma do sistema de saúde desenvolvida pela primeira-dama Hillary foi derrotada no Congresso. Bill Clinton “caiu para dentro”. Quase duas décadas depois, contando com maioria nas duas casas do Congresso, Obama tenta fazer o que Bill Clinton não conseguiu. Tem ao lado dele a maioria da opinião pública.

Tudo indica que algum tipo de reforma será aprovada pelo Congresso antes do fim de 2009. Porém, o que interessa aos neocons é derrotar a “opção pública”, que tornaria o governo dos Estados Unidos concorrente das grandes empresas que vendem seguros de saúde no país. É o que tenho repetido aqui no blog, sempre que escrevo sobre os neocons: a batalha ideológica na verdade encobre a defesa de interesses econômicos muito específicos.

O que ajuda a explicar as teorias aparentemente malucas atiradas contra Obama: de que ele seria “nazista”, ou “fascista”, ou nem teria nascido nos Estados Unidos. Àqueles que combatem Barack Obama não importa se essas acusações são factíveis ou não, se tem ou não sustentação na realidade. Lembre-se, estamos no campo da emoção, não da razão.

Os neocons se lixam para os fatos. Se houver uma pessoa disposta a acreditar que Obama tem parentesco com belzebu o presidente americano será acusado disso.

Alijados do poder pelo voto, eles agora tratam de travar uma guerra de guerrilha nos meandros da burocracia americana, onde deixaram muitos seguidores: contra o fechamento de Guantanamo, contra a retirada das tropas do Iraque, pelo aumento das tropas no Afeganistão, contra a distensão com Cuba, em defesa do governo golpista de Honduras, por um ataque militar contra o Irã.

Barack Obama, nesse contexto, é como John Kennedy, que assumiu o poder em plena guerra fria e morreu por ter dito não ao uso de aviões americanos contra as tropas cubanas que repeliram a invasão patrocinada pela CIA na baía dos Porcos. Disse não, também, à escalada militar dos Estados Unidos no Vietnã, com o despacho de tropas de combate.

Por isso, estou entre os que dão boas vindas à escolha de Obama para o Nobel da Paz. Prematuro, sim. Mas ele precisa de todo o capital político que conseguir angariar para derrotar os neocons. Será bom para ele, agora. E, para nós, um pouco mais adiante.

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TV BRASIL: 80% dos que assistem aprovam

da Empresa Brasil de Comunicação – EBC

Com menos de dois anos de existência, a TV Brasil já é conhecida por um terço da população brasileira, ou 34%, dos quais 15% já assistiram ao canal e 10% o assistem regulamente. A programação é considerada ótima por 22% dos telespectadores e boa por 58%, totalizando 80% de aprovação. Entre os que costumam assistir a TV Brasil em casa, 42% sintonizam o canal por antena parabólica. Os resultados são de pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Datafolha a pedido da Empresa Brasil de Comunicação – EBC.

Foram realizadas 5.192 entrevistas em todo o Brasil, com abordagem pessoal em pontos de fluxo populacional, distribuídas em 146 municípios em todas as regiões, entre brasileiros de todas as classes econômicas, com 16 anos ou mais. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%. A pesquisa foi realizada entre os dias 18 e 22 de agosto de 2009. Antes, portanto, do lançamento da nova programação da emissora, na segunda quinzena de setembro.

Em consulta espontânea sobre os canais mais frequentemente assistidos, a TV Brasil foi mencionada por 1% dos entrevistados, juntamente com outros canais abertos e fechados menos conhecidos. Na consulta estimulada (pesquisador menciona o nome do canal), 15% dos entrevistados disseram já ter assistido ao canal alguma vez e 10% declararam assisti-lo atualmente.

Aprovação da programação
Entre os telespectadores que costumam ver a TV Brasil, a programação foi considerada ótima por 22%, boa por 58%, regular por 20% e ruim ou péssima por 1% . A aprovação de 80% (soma de ótimo e bom) corresponde à nota 4, numa escala variável de 1 a 5.

Três programas destacaram-se na preferência destes telespectadores: Programa de Cinema (filmes), com 34% , o telejornal Repórter Brasil-Noite, com 31% e o programa Leda Nagle-Sem Censura, com 26%. São preferidos ainda os Documentários (24%), Repórter Brasil-Manhã (20%), Programas Musicais (19%) e os Programas Infantis (17%). A programação infantil apresenta as maiores medidas de audiência e Share da TV Brasil, segundo medida do IBOPE. A pesquisa Datafolha, entretanto, ouviu brasileiros com 16 anos e mais, o que sem duvida se reflete na avaliação dos programas infantis.

A força da parabólica
Entre os 10% de telespectadores que disseram assistir à TV Brasil atualmente, 85% sintonizam o canal em casa. Destes, 42% recebem o sinal através de antena parabólica, 36% através da TV aberta ( antena VHF ou UHF) e 22% através de TV por assinatura. Ou seja, tal a maior audiência da TV Brasil está nas cidades do interior, entre os que vêm TV pela chamada Banda C.

Os que não costumam assistir à TV Brasil apontaram como causa principal as dificuldades de sintonização (42%), seguida do desconhecimento (27%), do desinteresse (23%) e da falta de tempo (19%).

Perfil dos telespectadores
A maioria dos telespectadores que assistem à TV Brasil, 79%, pertence às classes econômicas B (32%) e C (47%), é do sexo masculino (57%), tem idade média de 39 anos, grau de escolaridade médio (46%), aos quais se somam 17% com nível superior. Este telespectador, em termos de renda e escolaridade, ainda é elitizado em relação à população brasileira.

Mais da metade dos que assistem à TV Pública vive em cidades do interior (58%), onde é forte a penetração da parabólica, e 45% vivem na região Sudeste. A Região Sul apresenta o menor índice de conhecimento sobre a existência da emissora (17%) e nela o hábito de assisti-la é indicativamente menor, de 6%, inferior à média nacional de 10%. O hábito é indicativamente maior nas regiões Norte/Centro-Oeste, onde 12% declaram assistir à TV Brasil regularmente, e é de 11% nas regiões Sudeste e Nordeste.

A diretoria da Empresa Brasil de Comunicação considerou os resultados altamente satisfatórios, considerando-se o fato de a criação da emissora ainda ser recente, o desconhecimento, que ainda é grande, sobre sua existência, e o fato de dispor de apenas quatro canais abertos (Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo e Maranhão), o que se agrava com o fato de o canal de São Paulo ser o 69, na banda UHF.

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A lua de mel chegou ao fim

Nos dez meses desde que George W. Bush saiu de cena, o governo Obama retratou as tarefas que enfrenta como uma série de desafios decorrentes basicamente de uma péssima herança presidencial. Da economia à saúde, da Rússia à Coreia do Norte e ao Irã, palavras como “resgate”, “reforma”, “redefinição” e “reengajamento” se destinam a salientar que o problema foi criado no plantão de outra pessoa. Isto é particularmente verdadeiro na arena geopolítica, um dos poucos lugares em que um presidente tem ampla margem de manobra para agir independentemente do Congresso.

Para a maioria dos presidentes, o prazo de vencimento dessa abordagem retórica é, aproximadamente, de dois anos – o período entre a posse e a primeira eleição de meio de mandato. Depois disso, a regra geralmente é “quebrou, comprou”. Mas, para Barack Obama, os acontecimentos conspiraram para encurtar muito essa lua de mel.

Antes do fim do seu primeiro ano no cargo, parece que Obama deverá enfrentar decisões do tipo “quebrou, comprou” sobre as ameaças nucleares representadas por Coreia do Norte e Irã, e a guerra no Afeganistão, baseando o sucesso dessas empreitadas diplomáticas e militares nos ombros do presidente.

O Afeganistão, com seu potencial para esgotar os recursos nacionais e devastar o capital político de Obama, situa-se no topo desses desafios e a política de Obama para o país está em um ponto de virada. O novo presidente cumpriu as promessas de campanha de acrescentar soldados (cerca de 20 mil) à “boa guerra”, enquanto se move para definir uma data de saída do Iraque. Mas as eleições de setembro no Afeganistão foram um golpe para a caracterização da guerra feita por Obama. A ONU e outros observadores relataram fraudes maciças em benefício do presidente afegão, Hamid Karzai, minando a meta de longo prazo de construir um governo central com credibilidade em Cabul, capaz de, finalmente, assumir a luta contra o Taleban.

Pouco depois da votação, um memorando que vazou para o jornal The Washington Post detalhava um pedido de mais 30 mil soldados, feito pelo comandante escolhido por Obama para o Afeganistão, general Stanley McChrystal. O vazamento estimulou os críticos da guerra, especialmente os liberais do próprio partido de Obama, a exigir uma retirada.

Essa continua sendo uma posição minoritária, mas a guerra perdeu um apoio significativo entre o público americano e a incerteza sobre onde se situa Washington em relação à questão só pode apressar as decisões da Otan e de outros aliados americanos mobilizados no Afeganistão de remover suas próprias forças.

Além de representar um risco para a presidência de Obama se as baixas e o apoio público caminharem em direções claramente opostas, um revés sério para os Estados Unidos no Afeganistão a esta altura reforçaria a narrativa que pinta a potência americana em forte declínio e possivelmente revigoraria os adversários a testarem áreas da situação global amplamente sustentadas pelos EUA desde o fim da Guerra Fria.

Os quebra-cabeças nucleares no Irã e na Coreia do Norte demonstram que alguns paí-ses já estão testando a influência de Washington. A equipe de Obama usou esses casos de proliferação para pôr à prova a teoria de que a política do governo anterior de manter esses países “vilões” a distância, afinal, foi improdutiva. Mas os primeiros gestos na direção de ambos os regimes foram rejeitados.

O verão trouxe sinais que alimentaram o otimismo da Casa Branca sobre o tema. O navio norte-coreano que estaria transportando armas proibidas para Mianmar – um possível ponto de passagem para o Irã, como especularam autoridades da inteligência – foi rastreado e, afinal, forçado a recuar. Pouco depois, o levante pós-eleitoral no Irã, depois da polêmica reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, ofereceu uma rara visão das profundas fissuras existentes na oposição da república islâmica.

Mas nenhum dos países agiu com restrição, de qualquer forma, nem as iniciativas diplomáticas de Obama produziram frutos evidentes. A Coreia do Norte realizou uma segunda rodada de testes nucleares em maio e passou o verão rejeitando as iniciativas para retomar as negociações multinacionais. O primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, vai à Coreia do Norte na próxima semana, em um último esforço para reiniciá-las.

Enquanto isso, o Irã sugeriu uma disposição de manter conversações com os EUA, mas igualmente insiste que as questões nucleares ficarão de fora (e que Israel deveria ser eliminado da face da terra). Na última semana, quando a Assembleia-Geral da ONU foi inaugurada em Nova York, surgiram novamente especulações sobre a frequente determinação de Israel em usar a força militar, se necessário, para evitar que o Irã desenvolva uma arma nuclear. O Irã realizou uma série de testes de mísseis deliberadamente públicos.

Por Nouriel Roubini, da CartaCapital

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