Para quem crê em pesquisa

Se você é dos que acreditam nas pesquisas eleitorais dos institutos que denunciei que estariam planejando manipulá-las (Datafolha, Sensus e Ibope), pode ficar triste ou contente no que tange a eleição presidencial, sendo, respectivamente, petista ou tucano.
Comentário do leitor Alberto Porém Jr. mostra a continuidade do processo que denunciei aqui no fim de julho, para quem pensa como eu, ou uma forte degringolada da pré-candidatura da ministra Dilma Rousseff, para quem crê nessas pesquisas. Vejam:

Recebi pelo twitter: ‘Informam alguns colunistas e analistas políticos que estaria correndo nos bastidores uma pesquisa atribuída ao Ibope que teria avaliado as intenções de voto no que diz respeito à corrida presidencial e constatado uma queda acentuada de Dilma Rousseff. (…) Seguem, abaixo, os números. O cenário seria: Serra, 42%; Ciro, 14%; Dilma, 13%; Heloísa Helena, 7%; Marina Silva, 3%.

Esta pesquisa estaria apontando uma queda de Dilma de 18% para 13%. O que representaria uma perda de quase um terço.
Aparentemente, a pesquisa estaria circulando através das mãos de membros do PMDB, que estariam alarmados e conversando sobre a possibilidade de aliança com o PT de olho nestes números’.

Alberto Porém Jr. | Lucas do Rio Verde / MT | Consultor

Bem, se vocês quiserem a minha opinião, vejo o seguinte cenário: acho que estão forçando a barra nas pesquisas e que está dando certo. Assim, irão cada vez mais fundo, criando o bom e velho efeito manada.

E o governo Lula e o PT ajudam, com divisões internas, com estrelismo dos Mercadantes e Suplicys da vida, com a recusa do presidente Lula de denunciar que a mídia está a serviço de Serra etc.

Não houve ‘recuo’ de Lula na ‘urgência’ do pré-sal.

Ontem (quarta-feira), o país foi bombardeado com a notícia de que ”Lula recuou na urgência do pré-sal“. Como sempre, portais de internet, blogs corporativos e telejornais anteciparam as manchetes de hoje nos jornalões, sobre o tal “recuo” do presidente. Traduzindo a intrincada linguagem mídiática, trata-se da questão do pedido de urgência do governo na votação pelo Congresso do novo marco regulatório sobre a forma como serão exploradas as reservas petrolíferas do litoral Sul-Sudeste do país.

A ânsia de vender “mais uma derrota” do governo à sociedade numa imprensa onde esse governo não ganha nunca, leva esses meios de comunicação aliados à oposição tucano-pefelista a contarem qualquer história sem fundamento achando que podem sufocar os fatos.

Vamos, pois, aos fatos.

Fato 1 – Sem o regime de urgência pedido pelo governo ao Congresso, a matéria só seria votada no ano que vem, em plena campanha eleitoral, o que significa que a discussão seria contaminada por interesses eleitorais, o pior dos ambientes para se discutir um assunto de tal importância.
Fato 2 – O que a mídia chama de “recuo de Lula”, foi, na verdade, produto de negociação da bancada do governo na Câmara dos Deputados com a bancada da oposição, de forma que esta parasse de obstruir os trabalhos.
Fato 3 – Se o marco regulatório do pré-sal deixasse de ter prazo para ser votado, haveria, sim, recuo do governo – ou “de Lula”, como quer a mídia. Todavia, o prazo para votação da matéria foi aumentado de 45 para 60 dias.
O que a oposição queria era jogar a votação do marco regulatório para o ano que vem, de forma que o calor da disputa e o esvaziamento do Congresso ensejassem que a discussão ficasse para o próximo governo, em 2011, que mídia e oposição esperam que seja de José Serra, de forma que permanecesse o atual sistema de concessão.

Como se sabe, o sistema de concessão, adotado por FHC em 1997, permitiria ao capital estrangeiro e às grandes corporações nacionais se apropriarem da riqueza no litoral Sul-Sudeste do país, dando uma banana para a sociedade, para a Saúde, para a Educação etc.

Com a votação, até novembro, do marco regulatório do pré-sal, no próximo ano o Brasil já começará a colher os frutos da extração dessas riquezas, extração que, inclusive, já está engatinhando. Por isso, mais uma vez a mídia mente ao país ao dizer que “Lula recuou”. Não houve recuo algum.

Por Eduardo Guimarães, da Cidadania.com

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