FazendoMedia: A mídia e o Golpe em Honduras

Blog Fazendo Media – Marcelo Salles

Honduras: ‘Um dos principais apoios do golpe foram os meios de comunicação.

A arquiteta Gioconda Perla assumiu, há um ano, o cargo de Cônsul-Geral de Honduras no Rio de Janeiro. Integrante do Partido Liberal, o mesmo do presidente Manuel Zelaya, ela afirma que o golpe de 28 de junho foi uma surpresa. “Pensávamos que isso era uma coisa do passado. É como resgatar um morto do túmulo, com toda a podridão e tudo o que isso implica”, diz.

A diplomata recebeu a carta de demissão, via fax, no dia 16 de julho, assinada por Roberto Micheletti, que se auto-intitulou presidente. Seu salário foi cortado, assim como a verba de representação. Apesar disso, Gioconda seguiu trabalhando, pois não reconhece a legitimidade do governo de fato. Nesta entrevista, realizada num café próximo ao Consulado, ela comenta algumas das causas do golpe (mudança na lei de petróleo e aumento do salário mínimo) e garante que, hoje, existe uma ditadura em seu país. Mas, apesar de tudo, está confiante no retorno do presidente Zelaya, em face do enorme apoio manifestado pela comunidade internacional. Por fim, a diplomata faz uma declaração reveladora: não foi procurada por nenhuma das corporações de mídia para dar sua versão dos fatos.

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Qual o papel, no golpe, dos meios de comunicação comerciais hondurenhos?
Eu penso que vários donos dos meios e os meios em si foram um dos principais apoios que o golpe encontrou. Nós estávamos na expectativa no domingo 28, mas não passaram nada sobre o plebiscito. As notícias falavam de programa de saúde, mas jamais, em Honduras, quando há uma votação ou acontece uma coisa como essa… é todo o dia, todo o dia se fala nisso. Se passaram várias horas e nós não escutamos absolutamente nada. De repente, como às onze da manhã, saiu uma só notícia de que havia ocorrido o golpe e não ouvimos mais nada o dia inteiro. É claro que usamos os telefones e a internet para averiguar, porque inclusive as pessoas dentro de Honduras não se davam conta de que o presidente fora seqüestrado pela manhã. Soubemos mais adiante que uma das principais rádios que nós hondurenhos estamos acostumados a ouvir, uma rádio típica, foi explodida com uma bomba e sabotaram seus transmissores; sei que a rádio não pôde transmitir.

Tem um jornalista, Johnny Lagos, que disse que existe uma lista de pessoas, comunicadores populares, inclusive ele, marcadas para morrer. A Amarc, a Associação de Rádios Comunitárias, enviou um correspondente para Honduras e as informações que eles têm enviado é que rádios comunitárias também estão sendo fechadas. Qual era a relação do Zelaya com o movimento de rádios comunitárias e mídias alternativas e populares? A relação dele era sempre muito boa, ele se relacionava com as rádios e com todos os meios e também ele foi o primeiro presidente a instaurar uma rádio estatal.

Esses meios estão sendo perseguidos agora?
Sim, tanto que uma das coisas que mais me impressionou, além de tudo isso, é o fato de que o conhecidíssimo caricaturista Allan McDonald foi seqüestrado no mesmo dia em que foi seqüestrado o presidente. Ele foi seqüestrado com a sua filha de dois ou três anos. Para que vocês vejam: um caricaturista não tem a liberdade de fazer um discurso político. Essa é a situação.

Para ler a íntegra, vá ao Fazendo Media

Striptease midiático

Por Eduardo Guimarães, do Cidadania.com.

Confesso a vocês que, em meio século de vida, nunca vi coisa igual à guerra das tevês que ora beneficia o país. E sei que não faltarão os que dirão “feio” o barraco midiático estabelecido entre Globo e Record a partir da última terça-feira, mas, para este blogueiro, nunca se viu coisa mais útil na tevê.

Nesta quinta-feira à noite, o novo round veio de forma mais elaborada, lenta, revestido de alguma coisa que me fez lembrar de sensualidade, provavelmente pelo cair das vestes que se viu não apenas das duas emissoras, mas de todos os impérios de mídia do país.

Era como se Globo e Record, através dos minutos incontáveis de suas matérias de ataque uma à outra, fossem deixando, lânguidas, que os véus translúcidos que resguardam suas vergonhas caíssem um a um.

As duas emissoras começaram a se atacar exatamente ao mesmo tempo – tão logo terminou o horário eleitoral do PTC. A Record manteve os ataques por mais tempo do que a Globo.

Ambas arrastaram seu bate-boca ao Congresso nacional, mostrando que a briga realmente é de cachorro grande e de como foi na política que esses impérios de comunicação nasceram, cresceram e como chafurdam nela até hoje, mais do que nunca.

A Globo escalou seu time de parlamentares oposicionistas de sempre (Arthur Virgílio, Rodrigo Maia etc.) e o indefectível petista Eduardo Matarazzo Suplicy. Defenderam investigações logo depois do acordão que fizeram para pôr fim a elas no Senado, a Casa do Telhado de Vidro.

A Record respondeu com outro time de parlamentares maior e bem mais agressivo do que os que se apresentaram no Jornal Nacional para pedir “apuração” das denúncias contra a Igreja Universal. Os parlamentares da emissora de Edir Macedo citaram a Globo nominalmente sem parar, falando sobre os malefícios do monopólio da emissora carioca.

De resto, a Globo requentou informações de terça-feira sobre a denúncia do Ministério Público de São Paulo contra a Universal e a Record promoveu uma lacrimejante defesa do “dízimo” através de fiéis que teriam enriquecido valendo-se daquela prática cristã (dízimo), a qual a Record também lembrou ser comum em outras igrejas, como a católica.

No fim das contas, a nudez midiática revelou o que jamais os impérios de comunicação exibiram sobre si e revelou o quanto tinham a esconder. Acredito que o que mais chamou a atenção naquela nudez indecente foi o envolvimento da televisão com políticos, a mesma televisão que boa parte do público sempre acreditou apolítica.

Foi o striptease mais bem feito a que assisti, apesar de não ter assistido a tantos assim e de os outros a que assisti terem sido com stripers mais bonitas.