PIG vai à guerra

Por Eduardo Guimarães, do Cidadania.com

Caso ninguém tenha notado, o PIG (Partido da Imprensa Golpista) entrou em guerra com o governo Lula. Acabou aquela história de tentar disfarçar. Partiram para a censura e para a tomada de lado explícita, ainda que sempre com aquele tom “isento”.

Francamente, o sujeito tem que ser meio retardado para não dizer a si mesmo que os comentários dos “colonistas” (termo cunhado por Paulo Henrique Amorim para se referir aos colunistas políticos dos grandes jornais que compõem o PIG) sobre o embate governo versus oposição são de oposicionistas disfarçados.

Bem, quem não percebe o quanto é daninho para o país o poder que esses magnatas da comunicação pretendem ter, se não estiver sendo pago por eles só pode ser meio fraco das idéias mesmo.

De qualquer forma, o fato é que os grandes jornais e suas revistas e as tevês abertas comerciais partiram para uma espécie de tudo ou nada.

Comecemos pela Folha de São Paulo, por exemplo. Além de esse jornal – e de os outros dois diários gigantes (Globo e Estadão) – boicotar a pesquisa Vox Populi que mostra José Serra em queda livre nas intenções de voto, o jornalão me sai hoje com a coluna de Eliane Cantanhêde abaixo reproduzida.

Como vocês vêem, ela alude a uma estagnação de Dilma e a uma resistência do nível de intenção de voto de Serra que nem o próprio Datafolha demonstrou e que, diante do Vox Populi, tornaram-se impossíveis de se levar a sério.

Com toda certeza Eliane acha que seu leitorado é composto só de fanáticos que endossam qualquer bobagem que disser contanto que lhes acaricie as idiossincrasias políticas. Esquece que tem gente inteligente lendo jornal e analisando os fatos em busca da posição mais correta.

É o mesmo caso de o Globo de hoje. Noticia, na manchete, que acharam o motorista que levou Lina Vieira ao encontro que Dilma Rousseff nega que ocorreu, mas lendo a matéria você descobre que ele esteve várias vezes no Planalto e na própria Casa Civil e que não sabe se em um desses encontros houve a reunião com Dilma que Lina afirma que houve.

Veja a matéria abaixo. É a não-notícia sendo vendida em manchete como furo de reportagem.

Finalmente, o Estadão publica matéria na qual é noticiado que o presidente da Colômbia, Alvaro Uribe, fará um referendo para mudar a constituição do pais a fim de se candidatar ao terceiro mandato consecutivo. Em vez de fazer como fez com Chávez ou com Lula (este sob mera hipótese de fazer o mesmo que Uribe), criticando o colombiano com fúria, desmancha-se em elogios a ele chamando-o até de “herói”.

Em comum, Globo, Folha e Estadão mostram que perderam qualquer respeito pela inteligência de seus leitorados. Esses jornais, bem como tevês , rádios, revistas, tucanos e pefelistas aliados a eles, certamente acreditam que seus públicos são compostos de fanáticos de direita sequiosos por endossar qualquer barbaridade ou de meros descerebrados.

Essas empresas de comunicação podem estar certas quanto aos seus leitores, ouvintes ou telespectadores, ainda que eu ache difícil que sejam todos assim, mas certamente erram quando pensam que a maioria será incapaz de notar o que estão fazendo.

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Ato contra a crise reúne 10 mil em SP

Mais de 20 entidades sindicais, estudantis e populares reuniram 10 mil pessoas em ato em defesa da redução da jornada de trabalho e dos direitos dos trabalhadores, no contexto da crise econômica mundial, na Avenida Paulista, em São Paulo, na manhã desta sexta-feira (14/8). O ato começou em torno de 10h, terminando às 14h.

Os 1.000 integrante do MST, que estavam alojados no Estádio do Pacaembu, participaram da manifestação, que também defendeu a realização da Reforma Agrária. No começo da tarde, os Sem Terra começaram a voltar para o interior do estado de São Paulo, depois de nove dias de mobilização.

“O compromisso do MST é fazer a luta pela Reforma Agrária e em defesa dos direitos dos trabalhadores. Queremos debater com a sociedade um projeto popular para o Brasil e uma alternativa para o país, porque o atual modelo econômico não tem condições de resolver os problemas da classe trabalhadora”, afirmou o integrante da coordenação nacional do MST, João Paulo Rodrigues.

Segundo ele, os defensores da Reforma Agrária e amigos do MST devem intensificar a pressão sobre o governo federal e o Ministério da Fazenda, para garantir avanços na negociação da pauta de reivindicação apresentada em reunião interministerial nesta semana em Brasília.

O conjunto de entidades saudou a jornada de lutas do MST, que realizou protestos em 14 estados e no Distrito Federal para cobrar do governo federal a realização da Reforma Agrária e o fortalecimento dos assentamentos.

O MST exige o assentamento das 90 mil famílias acampadas, o descontingenciamento de R$ 800 milhões do orçamento do Incra e a atualização dos índices de produtividade, intocados desde 1975.

O Movimento cobra também investimentos para o fortalecimento dos assentamentos na áreas de habitação, infra-estrutura e produção agrícola, uma vez que 45 mil famílias foram assentadas apenas no papel.

“Precisamos que o Brasil faça uma Reforma Agrária de verdade, onde as famílias possam plantar e colher”, exigiu Wagner Gomes, da CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil).  “Essa manifestação é uma prova de que o povo brasileiro quer lutar, vai lutar e vai vencer”.

“As empresas utilizam a crise para manter a sua alta lucratividade”, denunciou o dirigente da Conlutas, Zé Maria, que defende a aprovação de uma medida provisória contra as demissões em massa. Segundo ele, desde o começo do ano já foram fechados 1 milhão de postos de trabalho.

“Só a unidade vai garantir que os trabalhadores não paguem pela crise”, disse o novo presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Augusto Chagas.

“Estamos na luta por uma mudança radical da política econômica”, afirmou o dirigente da Intersindical, Édson Carneiro, conhecido como Índio.

“A solução para os trabalhadores é o caminho das ruas para garantir uma nova lei do petróleo”, acredita o coordenador-geral da FUP (Federação Única dos Petroleiros), João Antonio Moraes. Na próxima semana, o governo federal deve apresentar um projeto para um novo marco regulatório para a exploração do petróleo. Como forma de pressão para avanços nessa área, os petroleiros e os movimentos sociais devem apresentar um projeto alternativo no Congresso Nacional.

Jornada de trabalho

Uma das preocupações das centrais sindicais é a pressão dos empresários contra a redução da jornada de trabalho. No dia 25 de agosto, acontece um debate em comissão geral na Câmara dos Deputados, para discutir a aprovação da PEC 231/95, que reduz a jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução de salário e com acréscimo de 75% sobre as horas extras.

A proposta já foi aprovada na comissão especial, no dia 30 de junho. Agora, precisa ser votada em dois turnos pelo plenário. Para ser aprovada, precisa obter no mínimo 308 votos favoráveis dos deputados.

“A classe dominante está se articulando contra a redução da jornada de trabalho”, afirmou o deputado federal Vicentinho (PT). Segundo ele, apenas com lutas será possível garantir a aprovação das 40 horas de trabalho semanais.

“Ou aprova a redução da jornada de trabalho ou os parlamentares não voltam para Brasília em 2011″, prometeu o deputado federal Paulo Pereira da Silva, que pretende fazer uma campanha para denunciar os deputados e senadores que votarem contra o projeto.

Retirado do site VioMundo

FREI BETTO: Mobilizações Populares

Nas três Américas, apenas Brasil e Argentina jamais fizeram reforma agrária. O detalhe é que somos um país de dimensões continentais

Desde 10 de agosto, mais de 3 mil trabalhadores sem-terra se encontram acampados em Brasília para, de novo, alertar o governo federal sobre uma questão que, outrora, foi considerada prioritária pelo PT: a reforma agrária.

O mundo gira, a Lusitana roda, e hoje muita coisa parece virada de cabeça para baixo: quem fazia oposição a Sarney o defende; quem gritava “fora Collor” o elogia; quem exigia reforma agrária exalta o agronegócio. E, apesar das políticas sociais, 31 milhões de brasileiros (as) continuam a sobreviver na miséria. E a violência dissemina o medo por nossas cidades.

A manifestação dos sem-terra reivindica do governo muito pouco, sobretudo se comparado aos incentivos oficiais concedidos a empresas que degradam a Amazônia e usineiros, que, em latifúndios, mantêm trabalhadores em regime de semiescravidão.

É urgente assentar mais de 100 mil famílias sem-terra acampadas pelo país afora, sobrevivendo em barracas de plástico preto à beira de estradas. E cuidar das 40 mil famílias assentadas virtualmente, apenas no papel, pois aguardam, há tempo, recursos para investir em habitação, infraestrutura e produção. Nos últimos seis anos foram financiadas apenas 40 mil casas no meio rural. Também as escolas rurais necessitam, urgente, de recursos.

O Brasil não tem futuro sem mudar sua estrutura fundiária. Nas três Américas, apenas Brasil e Argentina jamais fizeram reforma agrária. O detalhe é que somos um país de dimensões continentais, com 600 milhões de hectares cultiváveis.

Dois problemas crônicos encontrariam solução se nosso país não tivesse tanta terra ociosa, como se constata ao viajar por nossas estradas ou sobrevoar nosso território: o desemprego e a violência urbana. Os países desenvolvidos, como os EUA e a Europa Ocidental, com territórios bem menores que o nosso, conseguem obter alta produtividade no campo, sem que haja latifúndio. Há, sim, grande incentivo à agricultura familiar.

O governo federal deve à nação a atualização dos índices de produtividade das propriedades rurais, intocados desde 1975. Por exigência constitucional, tais índices deveriam ser revistos a cada 10 anos. Eles são utilizados para classificar como produtivo ou improdutivo um imóvel rural e agilizar, com transparência, a desapropriação das terras para efeito de reforma agrária.

O Ministério do Planejamento deve às famílias sem terra o descontingenciamento de R$ 800 milhões do orçamento do Incra previsto no orçamento deste ano. Esse recurso permitirá a obtenção de terras e aplicação no passivo dos assentamentos.

Durante o período de acampamento, que se encerra no dia 21, estão previstos também debates sobre conjuntura agrária, clima e meio ambiente, energia, Previdência Social, juventude, comunicação, gênero e raça, além de atividades culturais e ato em comemoração aos 25 anos do MST.

Está marcada para amanhã a jornada nacional de lutas contra a crise, uma mobilização de trabalhadores e desempregados, em todo o país, para assegurar manutenção do emprego, melhores salários, ampliação dos direitos, redução das taxas de juros e investimentos em políticas sociais.

Dia 19, movimentos sociais, estudantis e sindicais se reunirão, em Brasília, em defesa do petróleo, para reivindicar novo marco regulatório para a produção energética do país.

E no dia 7 de setembro, em todo o Brasil, o 15º Grito dos Excluídos, promovido por várias entidades, inclusive a CNBB, terá como tema “Vida em primeiro lugar – a força da transformação está na organização popular”.

A manifestação, que imprime caráter cívico à data da independência do Brasil, tem por objetivo arrancar a população do imobilismo e ressaltar a importância de se fortalecerem os movimentos sociais para consolidar nossa democracia e conquistar soberania.

A democracia não pode se restringir a eleições periódicas, que, por enquanto, permitem inclusive a candidatura de corruptos e réus de processos comuns. À democracia política é preciso aliar a econômica, de modo a reduzir a desigualdade social que envergonha o Brasil. Só assim conquistaremos o direito de ser um povo feliz.

Texto escrito por Frei Betto, escritor, autor de “A mosca azul – reflexão sobre o poder” (Rocco), entre outros livros.

Retirado do site VioMundo