Honduras é aqui

Quem assistiu pela Telesur a cobertura da tentativa do presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya de regressar ao seu país no último domingo, em algum momento das inevitáveis reflexões a que se entregou posteriormente deve ter pensado se tudo aquilo não poderia acontecer por aqui.

 

Antes do golpe em Honduras, vinha conversando com jornalistas, sociólogos, politólogos em geral, e todos foram unânimes em rechaçar hipótese que propus de que no Brasil poderia acontecer o que aconteceu no país centro-americano.

Todos falaram da esmagadora pressão internacional que seria desencadeada. A pergunta é: seria uma pressão maior ou menor do que aquela que a Comunidade Internacional está fazendo sobre o regime golpista de Honduras?

Se for a mesma – e não sei o que mais os organismos multilaterais e a comunidade das nações poderiam fazer para pressionar os golpistas –, pelo menos até o momento acho que quem quiser dar golpe de Estado mantém bons motivos para se animar com a idéia.

Nas próximas semanas veremos quanto a pressão internacional pura e simples pode fazer para induzir os golpistas hondurenhos a desistirem desse projeto insano que desencadearam. Segundo declarações recentes do chanceler Celso Amorim, é questão de semanas para que os golpistas percebam que estão sem saída.

É só o que há para falar desse assunto de Honduras, no momento. O resto é exercício de futurologia.

Sendo assim, concentremo-nos no tema do post, que versa sobre a possibilidade de acontecer no Brasil alguma coisa similar ao que aconteceu em Honduras.

A chave de tudo são as Forças Armadas. Em países nos quais elas são legalistas, a chance de ocorrer quarteladas como a que aconteceu em Honduras, é pequena. São países como Bolívia, Venezuela e Equador. Os países do norte da América do Sul têm forças armadas legalistas.

Mas há países nos quais os militares ainda acalentam o mesmo discurso dos anos 1960 / 1970. Aliás, quase todo 31 de março militares de alta patente proferem discursos agressivos contra Lula, o comandante-em-chefe das Forças Armadas, e nada lhes acontece.

No Congresso, temos um energúmeno chamado Jair Bolsonaro que vive tripudiando da impotência das leis brasileiras de punirem os assassinos do regime militar.

A mídia age como agia há mais de quarenta anos, endossando golpes de Estado contra governantes de esquerda (como fez quando tentaram depor Hugo Chávez) ou atenuando golpes de Estado criminosos contra governantes com tal ideologia como estão fazendo agora em relação a Honduras.

Alguém viu em algum grande jornal, tevê ou portal de internet as imagens que se viu no domingo na Telesur daquela maré humana engolfando as avenidas de Tegucigalpa? Pelo contrário: vê-se apenas as manifestações orquestradas e organizadas pelo regime golpista de Honduras.

A contagem dos mortos pelos soldados golpistas no domingo no aeroporto de Toncontin, em Tegucigalpa, foi transmitida pela mídia de acordo com os números veiculados pelos golpistas. Quando eles só admitiam um morto, a mídia só admitia um. Depois passaram a admitir dois e a mídia subiu o número.

Durante a emboscada dos militares àquela massa humana em Tegucigalpa, os golpistas negaram que houvesse mortos e a mídia também negava. É como no Brasil. A mídia divulga sempre a versão da oposição tucano-pefelista.

Como em Honduras, os militares estão sempre pairando sobre a cabeça de Lula. Ele que ouse não ser conciliador… Cobram dele que reaja à mídia, mas, pelo visto, ele sabe tão bem quanto eu que por aqui tampouco é bom irritar os militares, por mais que sejam subordinados ao presidente da República de turno, a qualquer presidente da República.

Então, meus caros, vocês podem ir pondo as barbas de molho…

A manipulação midiática de imagens e fatos, o discurso de completo apoio às “razões” dos golpistas que se vê em grandes grupos de mídia ou mesmo o apoio envergonhado dessa mídia ao golpe e sua tentativa de justificar os golpistas com a mentira de que Zelaya estava propondo plebiscito que lhe permitiria se reeleger, tudo isso mostra como o golpe em Honduras deu água na boca dessa gente.

A direita brasileira está sempre ameaçando o país com o golpismo. Sempre o mesmo discursinho de este ou aquele presidente estar querendo um novo mandato para justificar discursos golpistas. Mas só condenam um governante que quer esticar seu mandato quando ele é de esquerda.

O presidente conservador da Colômbia, Alvaro Uribe, está tentando fazer o mesmo de que acusam Zelaya de ter feito e não tem Esgoto, Miriam Leitão ou Clóvis Rossi que o condene. Folha, Globo, Veja, Estadão, enfim, todos os membros midiáticos da oposição de direita defenderam que FHC pudesse mudar a Constituição para se reeleger.

Já não é nem questão de saber se conseguirão evitar que Honduras ressuscite o fantasma do golpismo, a questão é que este está sempre na pauta reacionária, na pauta da grande mídia, na pauta dos Jardins e da Barra da Tijuca, porque Honduras também é aqui. A única diferença é que o Brasil é uma república bananeira grande.

Para quem me acha exagerado

Para quem acha que sou exagerado quando digo que a direita brasileira é totalmente entusiasta do golpismo mais deslavado, que leia esta matéria do G1(Globo) e compare o número de manifestantes que o texto diz que havia ontem em Tegucigalpa com as imagens no programa da telesur(abaixo).

You need to a flashplayer enabled browser to view this YouTube video

Matéria escrita por Eduardo Guimarães, do blog Cidadania.com

  1. Honduras: povo continua na rua; militares intensificam repressão

Place your comment

Please fill your data and comment below.
Name
Email
Website
Your comment