Para acompanhar as recentes discussões sobre a obrigatoriedade ou não do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, o Campus Online entrevistou dois jornalistas com opiniões diferentes. Nesta entrevista você poderá conhecer os argumentos de Fernando Rodrigues, repórter de política da Folha de S. Paulo e vice-presidente da Abraji, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, que se diz contra a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão mas que julga muito importante a existência das escolas de jornalismo.
Campus Online: Por que você é contra a exigência do diploma de jornalismo para exercer a profissão?
Fernando Rodrigues: Eu sou contra a obrigatoriedade do diploma porque na prática representa um cerceamento da liberdade de expressão e de opinião. E por isso não é bom para a construção de um país que queira e que deseja ter uma democracia sólida, que respeita todos os direitos. E eu também sou contra a obrigatoriedade da exigência do diploma para o exercício da imensa maioria das profissões, tanto de advogado quanto de outras. Exceto uma ou outra específica cujo exercício coloque muito explicitamente em risco a vida das pessoas. Por exemplo: medicina ou o responsável por cálculos estruturais da construção de um edifício, como engenheiro, calculista. Agora, para a imensa maioria das profissões, advogado inclusive, eu acho que não deveria ser obrigatório para o exercício da profissão. Inclusive acho que em alguns casos a pessoa que é acusada de alguma coisa tem muito mais capacidade de se defender perante um júri ou um tribunal do que um advogado contratado. É evidentemente uma anomalia atrasada essa exigência de todos os brasileiros, em quase todas as situações, há pequenas exceções, terem que contratar um advogado para se defender. É um absurdo isso.
CO: Você concorda com o argumento de que a exigência do diploma seria uma reserva de mercado?
Nesta segunda, os protestos se estenderam a várias cidades do interior do país. De São Pedro Sula, o ativista Alex Ramos informou que crescem as manifestações. Simpatizantes de Zelaya tomaram as estradas que ligam a fronteira da Guatemala com San Pedro Sula, e a maioria das lojas e algumas indústrias da região estão fechadas.
Em outras cidades do país, como El Progreso, também foram registrados bloqueios de estradas e mobilizações. Nas ruas, a população avalia que o clima é tenso.
O movimento na capital – cada vez mais forte – tenta, em vão, dialogar com os militares que se encontram nos arredores da casa presidencial, pedindo que não traiam a sua pátria, contou a colaboradora da Telesur, Adriana Sívori. De acordo com ela, os efetivos militares tentam repelir os integrantes do protesto com a utilização de força.
Eles tentam abrir espaço nas avenidas próximas ao palácio governamental, bloqueadas pelos contrários ao golpe. Dois grupos com 400 efetivos se encontram destacados para a repressão próximos à casa presidencial, em tanques e com armas de guerra e bombas lacrimogênicas, que chegaram a ser utilizadas, durante confronto com os manifestantes. ”Não ao golpe de Estado”, diziam os hondurenhos.
Com a colaboração da polícia, os efetivos do grupo ‘cobra’ das Forças Armadas vão tomando posição nas ruas onde se mantêm os protestos. Imagens transmitidas pela Telesur, mostram helicópteros sobrevoando a área e manifestantes sendo presos. Até o momento, foram informadas as detenções de sete pessoas, entre as quais, três dirigentes sindicais do Srviço de Energia Elétrica da nação.
Um manifestante hondurenho morreu atropelado por um caminhão militar, nas imediações da empresa de telecomunicação Hondutel, perto da zona de protestos. Segundo declarou o dirigente da federação Unitária de Trabalhadores, Juan Barahona, ele foi fortemente lesionado após o impacto com o veículo e morreu logo depois.
O incidente ocorreu no primeiro dia da resistência convocada pela Frente de Resistência Popular, da qual participam centrais sindicais, organizações campesinas e estudantes. Para amanhã, foi convocada uma greve geral. A iniciativa está sendo organizada pelas centrais sindicais.
Por Vermelho.org
Assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) fez bem aos negócios de Gilmar Mendes. Desde que passou a ocupar o posto, sua escola, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) expandiu o número de contratos com órgãos públicos. Todos sem licitação. Em 2007, quando Mendes ainda era só ministro do STF, o IDP faturou 216,3 mil reais com esses convênios. No ano passado, a quantia subiu para 577,8 mil. E no primeiro semestre de 2009, o Tesouro já empenhou 597,8 mil para pagar os cursos oferecidos pelo instituto.
Até a Polícia Federal, que, segundo o ministro, abriga “gângsteres”, virou cliente. Foram 17,4 mil reais para pagar cursos a dois delegados. O estranho é que o contrato, também sem licitação, não tem uma identificação clara no Siafi, o sistema eletrônico que lista as ordens de despesa do governo.
No corpo docente do IDP, como se sabe, figuram, entre outros, procuradores da República, auditores fiscais e ministros dos tribunais superiores, inclusive do STF, como Eros Grau e Carlos Ayres Britto, Nelson Jobim (Defesa), Jorge Hage (Controladoria-Geral da União), Mangabeira Unger (Planejamento Estratégico) e José Antonio Toffoli (Advocacia-Geral da União) são alguns dos representantes do Executivo nos quadros do instituto. Sem ligar para o conflito, o IDP costuma ministrar cursos nestes tribunais e repartições.
da Redação da Carta Capital