Há semanas que a mídia vem enchendo a paciência do país com uma discussão inútil e politicamente burra sobre um assunto que interessa a um grupo de pessoas em número insuficiente para lotar um estádio de futebol. Refiro-me à questão da tributação da caderneta de poupança.
A discussão é inútil porque o governo federal fez apenas o que tinha que fazer ao tributar as cadernetas de poupança nas aplicações superiores a 50 mil reais, ou seja, propôs que o Congresso aprove uma lei que impeça que grandes aplicadores do mercado financeiro soneguem legalmente imposto de renda ao transferirem para a poupança o dinheiro que estava aplicado em outros papéis que, com a queda da taxa Selic, começam a perder rentabilidade.
E essa gritaria toda é politicamente burra porque a tributação da caderneta de poupança, se aprovada pelo Legislativo, atingirá apenas 0,99% dos que investem nesse tipo de aplicação – sim, vocês leram direito, atingirá menos de 1% das cadernetas. Os dados foram divulgados na última quarta-feira pelo Ministério da Fazenda e pelo Banco Central e se referem a dezembro de 2008.
O que mais impressiona é que, apesar desse número ridiculamente pequeno de poupadores ter movimentado todos os grandes meios de comunicação e feito até o PPS ir à tevê mentir sobre a medida que o governo federal adotaria, esse conjunto de poupadores “prejudicados” detém 40,8% de todos os depósitos das cadernetas.
Conforme os dados apresentados pelo MF e pelo BC, as contas com saldo entre R$ 50 mil e R$ 100 mil somam 600 mil contas e correspondem a 0,66% do total. Nessa categoria, estão depositados 15,1% de todo o dinheiro da poupança, o equivalente a R$ 40,8 bilhões.
Com saldo total entre R$ 100 mil e R$ 1 milhão, estão outras 290 mil cadernetas ou 0,33% de todas as contas existentes. Esse grupo de poupadores mantinha, em dezembro de 2008, R$ 54,6 bilhões nas contas ou 20,2% dos depósitos.
Por fim, os poupadores com mais de R$ 1 milhão. Estes, não passam de 3.822 pessoas físicas. Esse grupo representa 0,01% de todos os poupadores. Apesar da participação inexpressiva, porém, o grupo é dono de R$ 14,9 bilhões, o equivalente a 5,5% de todos os depósitos.
Notem bem que não estamos falando de 1% de brasileiros que serão atingidos pela medida do governo, mas daqueles que têm dinheiro poupado no banco, o que torna esse grupo quase invisível entre o conjunto da população do país, estatisticamente falando.
Os dados acima revelam ainda mais. Mostram o nível de desigualdade que há neste país. Um por cento, meus amigos. Unzinho por cento dos poupadores detém 40% de todo o dinheiro aplicado em cadernetas de poupança. Essa é a medida da desigualdade de renda no Brasil. E é por esse um por cento que os comunistas arrependidos Roberto Freire e Raul Jungman mentiram daquele jeito.
Provavelmente, nem esses meliantes sabiam desses dados quando inventaram a mentira de que Lula iria confiscar a poupança – e foi isso que disseram ao alardearem que o presidente iria “mexer na poupança como fez o Collor”. Se soubessem que o prejuízo eleitoral que queriam causar ao governo teria alcance tão pequeno, se desse certo, não teriam se dado ao trabalho – e à vergonha – de contarem mentira tão descarada.
Por Eduardo Guimarães, do Cidadania.com
Decorar, decorar, decorar. Passar noites e mais noites estudando assuntos que, convenhamos, o mais cedo possível serão esquecidos. Essa é a lógica do atual vestibular. Toda a matéria ensinada no Ensino Médio, na maioria das Escolas, são voltadas para a preparação do estudante para uma prova – e não para a formação de um cidadão. Isso sem falar dos cursinhos pré-vestibular, e toda a lógica de concorrência e competição entre os jovens.
Dentro deste contexto, surge o decreto governamental do Novo Enem. Um dos pontos positivos dessa nova avaliação é a mudança da forma como o conteúdo é cobrado. A prova, teoricamente, não exige mais memorização – mas sim conhecimento e interpretação de textos, gráficos, etc. Dessa forma, pretende-se que todos os estudantes tenham condições iguais de competir com os demais. Infelizmente, as coisas não são tão simples.
Em primeiro lugar, isso não acaba com a lógica de competição entre os estudantes, porque o número de vagas continua limitado aos que forem melhores na prova. Mesmo que a famosa ‘decoreba’ realmente desapareça, quem tiver disponibilidade para passar horas e mais horas estudando e dinheiro para pagar os melhores professores continuará em vantagem. A atual exclusão dos estudantes de menor renda continuará.
Outro aspecto importante de se discutir é a possibilidade do estudante escolher até 5 universidades para se candidatar. Não há dúvida de que, com essa ‘Mobilidade’, aumenta a possibilidade de aprovação, já que o estudante concorre a várias instituições diferentes. Mas há a questão da Assistência Estudantil.
Digamos que um estudante pobre do Acre seja aprovado para a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Ele terá condições para estudar lá? Terá onde morar? Terá o que comer? Na prática, só quem tem dinheiro poderá participar dessa mobilidade. Além disso, e se acontecer uma ‘invasão’ de estudantes do rio de janeiro na Universidade Federal do Acre? Isso é facilitar o acesso? E pra onde vão os estudantes locais?
Todas essas contradições precisam ser discutidas. Algumas Universidades, como a Universidade de Brasília, decidiram adiar a adesão ao novo sistema. Outras aceitaram em menos de um mês. Em ambos os casos, nada foi discutido com a Comunidade Acadêmica.
Ano que vem acontecerá a Conferência Nacional de Educação. Este deveria ser um espaço privilegiado para esse tipo de discussão, que poderia ser pautado em todas as etapas, estaduais e municipais. Mas ao invés disso, uma das mudanças mais importantes no sistema de Educação Brasileiro dos último anos é realizado via decreto.
O balanço final é positivo? Negativo? No fim das contas, o ‘novo’ vestibular continua sendo excludente, tanto quanto o antigo. Uma Educação Gratuita e de Qualidade e um Ensino Superior acessível para todos os brasileiros é a mudança de que a população brasileira realmente precisa. E só com muita participação popular conseguiremos avançar.
Texto por Thiago Dutra Vilela, atual administrador do site e estudante de Comunicação Social da Universidade de Brasília – depois de estudar muito para o vestibular.
O dilúvio no Nordeste revelou, como notou o jornalista Vitor Hugo Soares, aqui, a miséria da região atingida, especialmente da capitania hereditária da família Sarney.
Um colega jornalista, que acaba de voltar de lá, se disse assustado com uma certa cleptocracia que atua no Maranhão sob a proteção de uma espécie de guarda pretoriana.
Podemos dizer, sem medo de errar, que essa cleptocracia ganhou vida com os acordos políticos que a levaram ao poder na coalizão que elegeu Lula em 2002.
Sim, sim, compreendo que no Brasil quem não fizer alianças não sobrevive. Fico imaginando as alianças que o grande estrategista de “certa” esquerda, José Dirceu, anda aprontando nos bastidores. Ele quer eleger Dilma, com certeza, especialmente amarrada em alianças que preservem o poder dele, José Dirceu, nos bastidores. Bastidores. Nossa “cleptodemocracia”, como bem definiu o juiz Fausto De Sanctis, é uma cleptodemocracia de bastidores.
Voltemos ao governo Lula. Terão sido oito anos de poder em 2010. Tempo mais do que suficiente para, querendo, desmontar a armadilha que obrigou o presidente a fazer os acordos espúrios de 2002. Não foi isso o que se viu. A lógica permaneceu absolutamente a mesma: a opção por fazer acordos de bastidores. Não houve reforma política. Não houve iniciativa séria, a não ser aos 44 minutos do segundo tempo, para equilibrar o poder das oligarquias regionais, centrado no controle dos meios de comunicação.
Sim, eu sei que o governo Lula nunca pretendeu ser mais do que reformista. Sei que fazer o que fez, num país conservador como o Brasil, não foi moleza.
Meu ponto é que ele se vê, por circunstâncias políticas com as quais colaborou, refém de alguns dos setores mais atrasados do país, representados por Sarney et caterva.
Os tucanos, hipócritas, agora se dizem defensores do Bolsa Família desde criancinhas. Leia aqui.
A mídia faz o trabalho de demonizar o Congresso, na esteira do qual José Serra virá com um discurso moralizador, de entrada fortíssima na classe média, especialmente quando do outro lado estão… Sarney e o mordomo de filme de terror, aliados do governo Lula.
Isso está cada vez mais parecido com o acordo de Punto Fijo, através do qual a AD e o Copei se revezaram no governo da Venezuela. O roto e o rasgado. A cleptodemocracia.
PS: E a solidariedade com os atingidos pelas enchentes no Nordeste? Onde é que andam as campanhas? Sobrou alguma solidariedade depois das enchentes de Santa Catarina? Ou é mais fácil ser solidário com os brancos de olhos azuis? Por que a gripe suína, que não matou ninguém no Brasil, merece mais cobertura que mais de 40 mortos pelas enchente no Nordeste?
Por Luiz Carlos Azenha, do Viomundo