Você venceu (e o Gilmar perdeu): tv câmara devolve o link do programa censurado

Por Luis Carlos Azenha, do site Viomundo

Foi uma pequena vitória, mas não deixa de ser uma vitória. A TV Câmara devolveu o link do programa Comitê de Imprensa, com os jornalistas Jailton de Carvalho e Leandro Fortes.

Estou certo de que isso aconteceu por causa da mobilização de internautas. É só olhar o vídeo que subi no You Tube com a entrevista: a primeira parte já foi assistida por mais de 8 mil pessoas!

Vários de vocês escreveram para deputados e senadores protestando. Viu só, como dá resultado?

Aproveitando o embalo vocês também podem pedir:

– Que eles não usem dinheiro público para promover a defesa de interesses privados, no processo desmoralizando autoridades e instituições públicas como a Polícia Federal e a ABIN.

– Que eles deixem de nos assaltar diariamente, com as tais “diretorias” e outras safadezas bancadas com dinheiro do contribuinte.

– Que se apure quem foi que promoveu censura à informação em nome do interesse privado do presidente do STF, Gilmar Mendes, que deveria ser o primeiro a zelar pela Constituição. Se comprovado o envolvimento de Gilmar na censura, o episódio não poderia servir de base para que se peça o impeachment dele como juiz do STF? E que se peça o impeachment, também, de quem aceitou fazer o servicinho sujo. Estou certo de que nós não vamos perder nada.

Vocês notaram como a mídia corporativa se calou completamente sobre o episódio? Depois dizem que defendem a liberdade de imprensa e de expressão…

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Antes estava assim, como mostrou Paulo Henrique Amorim. Agora ficou assim:

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http://www.viomundo.com.br/denuncias/voce-venceu-e-o-gilmar-perdeu-tv-camara-devolve-o-link-do-programa-com-jailton-e-leandro/

Gilmar Mendes pede a retirada do ar de programa da tv Câmara

Carta aberta aos jornalistas do Brasil – Leandro Fortes

No dia 11 de março de 2009, fui convidado pelo jornalista Paulo José Cunha, da TV Câmara, para participar do programa intitulado Comitê de Imprensa, um espaço reconhecidamente plural de discussão da imprensa dentro do Congresso Nacional. A meu lado estava, também convidado, o jornalista Jailton de Carvalho, da sucursal de Brasília de O Globo. O tema do programa, naquele dia, era a reportagem da revista Veja, do fim de semana anterior, com as supostas e “aterradoras” revelações contidas no notebook apreendido pela Polícia Federal na casa do delegado Protógenes Queiroz, referentes à Operação Satiagraha.

Eu, assim como Jailton, já havia participado outras vezes do Comitê de Imprensa, sempre a convite, para tratar de assuntos os mais diversos relativos ao comportamento e à rotina da imprensa em Brasília. Vale dizer que Jailton e eu somos repórteres veteranos na cobertura de assuntos de Polícia Federal, em todo o país. Razão pela qual, inclusive, o jornalista Paulo José Cunha nos convidou a participar do programa.

Nesta carta, contudo, falo somente por mim.

Durante a gravação, aliás, em ambiente muito bem humorado e de absoluta liberdade de expressão, como cabe a um encontro entre velhos amigos jornalistas, discutimos abertamente questões relativas à Operação Satiagraha, à CPI das Escutas Telefônicas Ilegais, às ações contra Protógenes Queiroz e, é claro, ao grampo telefônico – de áudio nunca revelado – envolvendo o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Em particular, discordei da tese de contaminação da Satiagraha por conta da participação de agentes da Abin e citei o fato de estar sendo processado por Gilmar Mendes por ter denunciado, nas páginas da revista CartaCapital, os muitos negócios nebulosos que envolvem o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), de propriedade do ministro, farto de contratos sem licitação firmados com órgãos públicos e construído com recursos do Banco do Brasil sobre um terreno comprado ao governo do Distrito Federal, à época do governador Joaquim Roriz, com 80% de desconto.

Terminada a gravação, o programa foi colocado no ar, dentro de uma grade de programação pré-agendada, ao mesmo tempo em que foi disponibilizado na internet, na página eletrônica da TV Câmara. Lá, qualquer cidadão pode acessar e ver os debates, como cabe a um serviço público e democrático ligado ao Parlamento brasileiro. O debate daquele dia, realmente, rendeu audiência, tanto que acabou sendo reproduzido em muitos sites da blogosfera.

Qual foi minha surpresa ao ser informado por alguns colegas, na quarta-feira passada, dia 18 de março, exatamente quando completei 43 anos (23 dos quais dedicados ao jornalismo), que o link para o programa havia sido retirado da internet, sem que me fosse dada nenhuma explicação. Aliás, nem a mim, nem aos contribuintes e cidadãos brasileiros. Apurar o evento, contudo, não foi muito difícil: irritado com o teor do programa, o ministro Gilmar Mendes telefonou ao presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, do PMDB de São Paulo, e pediu a retirada do conteúdo da página da internet e a suspensão da veiculação na grade da TV Câmara. O pedido de Mendes foi prontamente atendido.

Sem levar em conta o ridículo da situação (o programa já havia sido veiculado seis vezes pela TV Câmara, além de visto e baixado por milhares de internautas), esse episódio revela um estado de coisas que transcende, a meu ver, a discussão pura e simples dos limites de atuação do ministro Gilmar Mendes. Diante desta submissão inexplicável do presidente da Câmara dos Deputados e, por extensão, do Poder Legislativo, às vontades do presidente do STF, cabe a todos nós, jornalistas, refletir sobre os nossos próprios limites. Na semana passada, diante de um questionamento feito por um jornalista do Acre sobre a posição contrária do ministro em relação ao MST, Mendes voltou-se furioso para o repórter e disparou: “Tome cuidado ao fazer esse tipo de pergunta”. Como assim? Que perguntas podem ser feitas ao ministro Gilmar Mendes?

Até onde, nós, jornalistas, vamos deixar essa situação chegar sem nos pronunciarmos, em termos coletivos, sobre esse crescente cerco às liberdades individuais e de imprensa patrocinados pelo chefe do Poder Judiciário? Onde estão a Fenaj, e ABI e os sindicatos?

Apelo, portanto, que as entidades de classe dos jornalistas, em todo o país, tomem uma posição clara sobre essa situação e, como primeiro movimento, cobrem da Câmara dos Deputados e da TV Câmara uma satisfação sobre esse inusitado ato de censura que fere os direitos de expressão de jornalistas e, tão grave quanto, de acesso a informação pública, por parte dos cidadãos.

As eventuais disputas editoriais, acirradas aqui e ali, entre os veículos de comunicação brasileiros não pode servir de obstáculo para a exposição pública de nossa indignação conjunta contra essa atitude execrável levada a cabo dentro do Congresso Nacional, com a aquiescência do presidente da Câmara dos Deputados e da diretoria da TV Câmara que, acredito, seja formada por jornalistas.

Sem mais, faço valer aqui minha posição de total defesa do direito de informar e ser informado sem a ingerência de forças do obscurantismo político brasileiro, apoiadas por quem deveria, por dever de ofício, nos defender.

Leandro Fortes
Jornalista

Brasília, 19 de março de 2009

Clique aqui para ver, na TV Viomundo, o programa que Gilmar Mendes não quer que você veja.

Fronteiras da corrupção

Por Eduardo Guimarães, do blog Cidadania.com

Julho de 2008, aeroporto internacional Simón Bolívar, cidade de Maiquetía, Venezuela. Depois de quase 10 horas de viagem desde São Paulo – viajei por uma companhia aérea panamenha, com escala em Panamá City, onde esperei quatro horas pela conexão para a Venezuela –, espero em pé na fila da imigração por quase uma hora.

Depois de legalizar minha entrada no país, só me resta a tarefa excruciante de passar minha bagagem pelo controle aduaneiro do aeroporto. Excruciante porque viajo sempre com uma bagagem volumosa, pois levo mostruário de meus produtos e catálogos, e o volume e o peso da bagagem sempre despertam atenção nas aduanas dos países que visito.

Algumas pessoas à minha frente na fila separam-me de um homem que cabe perfeitamente no estereótipo do “muambeiro”. Obeso, baixo, com um bigodinho que parece ter sido riscado,  entre seu nariz e boca, com um delineador de olhos feminino. Para completar, um Ray-Ban espelhado do modelo “caçador”.

A bagagem do homem condiz com sua aparência – é volumosa e pesada.

Como a fila anda lentamente, tenho tempo de assistir a cena do começo ao fim.

A bagagem do homem passa pela esteira de raio-x do controle aduaneiro do aeroporto e o funcionário faz um sinal para o fiscal da aduana venezuelana, que vem pedir ao “muambeiro” para que abra suas malas.

Para minha sorte, o conteúdo da bagagem do homem chama tanto a atenção que outros fiscais vão ver o que está acontecendo e consigo entrar no país sem passar pela cansativa fiscalização aduaneira, que remexe objetos pessoais, amassa roupas etc.

Quando já me dirijo à saída, passo pelo “muambeiro” e vejo o conteúdo de suas malas – só eletroeletrônicos, obviamente que destinados ao comércio. Deixo a área de desembarque, mas opto por ficar do lado de fora vendo, pelo vidro, o desfecho do caso. 

As malas do homem ficam próximas às máquinas de raio-x, sobre uma bancada, e ele acompanha um dos fiscais ao escritório da aduana. Imagino que irão autuá-lo, multá-lo por tentar entrar com mercadorias no país sem pagar impostos. Sei que o procedimento é demorado, porque já fui vítima dele em vários países por conta das bagagens que levo em minhas viagens de negócios.

Decido esperar alguns poucos minutos para saber se o “muambeiro” será autuado ou se dará um “jeitinho”. Como ele não fica nem dez minutos no escritório da autoridade aduaneira, fica claro que ele corrompeu os fiscais. Sobretudo quando vai à bancada onde estão suas malas e as tira de lá, colocando-as no carrinho e saindo tranquilamente pela porta de desembarque que eu acabara de cruzar.

“Pelo menos isso não acontece no Brasil”, penso eu.

Em seguida, vou trocar dólares por bolívares antes de começar minha peregrinação em busca de um táxi confiável – alguns táxis, nos aeroportos venezuelanos, e sobretudo no de Maiquetía, são dirigidos por bandidos que assaltam os passageiros.

Como vocês sabem, na Venezuela há controle do câmbio. As casas de câmbio dos aeroportos ou de qualquer parte só compram dólares, não vendem, porque é preciso autorização do governo para tanto, o que se tornou um pesadelo para a elite venezuelana, que, antes de Chávez, fazia a festa em termos de operações ilegais com remessas de divisas para fora do país.

Para trocar dólares por moeda local num porto ou aeroporto da Venezuela, você tem duas alternativas: trocá-las pelo câmbio oficial nas casas de câmbio autorizadas pelo governo ou com os cambistas, que trabalham em conluio, por exemplo, com as locadoras de veículos. Nos balcões dessas locadoras no aeroporto de Maiquetía, você diz à balconista que quer fazer câmbio e consegue vender a moeda americana pelo câmbio negro, que naquele país é ilegal.

Há uma tremenda corrupção ao menos nos aeroportos venezuelanos. Eu vi, ninguém me contou. Só vi coisa igual em Angola e no Paraguai.

A recente lei aprovada pelo Congresso venezuelano de controle dos portos e aeroportos é mais uma das medidas moralizadoras das instituições venezuelanas que estão por trás da grande grita da elite local contra o governo.  Além disso, não me parece que o governo central de um país controlar quem – e, acima de tudo, o quê – entra e sai daquele país, seja algum absurdo.

Absurdo é um governador de Estado dizer que irá resistir a uma lei federal claramente moralizadora de uma situação completamente escabrosa de corrupção escancarada nas fronteiras nacionais. Hugo Chávez está certíssimo ao mandar as forças armadas ocuparem portos e aeroportos e até prenderem governadores que se oponham à lei, pois certamente foram eles que facilitaram tudo que relatei.