Estudantes ocupam Universidade em Nova York

Fundada em 1919 com o nome de “Nova Escola de Pesquisa Social” (seu nome foi modificado para “New School” em 1997), é uma Universidade que tem um legado extremamente rico. Criada por um historiador e um filósofo, foi um refúgio para intelectuais e artistas europeus durante os anos sombrios do século XX. Refugiados da Segunda Guerra Mundial, vítimas do Nazismo, a Universidade sempre teve um papel de destaque na solidariedade.

Também é reconhecida mundialmente por seus cursos de “Educação Continuada”, onde são oferecidos aos estudantes catálogos inconvencionais como “Freaks, a Cultura do Grotesco” ou “Mulheres e workout”.

Nos últimos tempos, a Instituição vinha perdendo seu caráter “progressista”, se transformando mais em “Empresa” do que em “Escola”. Mas no que depender de seus estudantes, os ventos irão mudar. Anteontem, dia 17 de dezembro, cerca de 75 estudantes fizeram uma barricada no refeitório e “oficialmente” ocuparam a Universidade.

No último dia 10 de Dezembro, a comunidade acadêmica já havia feito uma espécie de plebiscito onde ficou confirmada a falta de confiança com o atual reitor (ou simplesmente presidente, como é chamado nos EUA), Bob Kerrey. Embora a votação não possuía nenhum impacto “na prática”, com certeza a ocupação e todos seus desdobramentos são frutos desta votação.

Desde que se tornou presidente, Kerrey colidiu com o corpo docente. Além das queixas de que ele não tinha capacidade acadêmica para ocupar tal cargo, haviam inúmeras queixas quanto a sua posição política – em especial o seu apoio ao início à guerra do Iraque. Kerrey já foi senador e é veterano da guerra do Vietnam. Sob sua direção, a universidade passa por um período jamas visto de expansão, com planos para a maior expansão física já feita em sua história.

De acordo com o Blog da ocupação, o presidente já teria se comprometido a “anistiar” todos os participantes da ocupação e a garantir a participação dos estudantes em várias estâncias administrativas da Universidade, entre outras reivindicações (Saiba mais clicando aqui).

E assim, a Nova Escola continua na luta. Nas palavras dos ocupantes: Continuaremos a lutar não apenas por um lugar na constituição da nossa universidade, mas para ser a constituição de nossa universidade. Este não será nosso último ato!

Matéria no New York Times:
http://www.nytimes.com/2008/12/18/nyregion/18newschool.html?em

Blog da Ocupação:
http://newschoolinexileblog.blogspot.com/

Tragédia de Santa Catarina: A superficialidade da grande mídia

Que a grande mídia é superficial no trato de questões de interesse público e profundamente analítica e crítica em casos que defendam seus interesses políticos e particulares, é notório!

Mais uma vez isto ocorre no caso de Santa Catarina, como em outras desgraças desta natureza. A ênfase é quase absoluta na solidariedade para envio de alimentos aos desabrigados, mas insignificante em medidas que possam evitar que o fato se repita.

Por receberem gordas verbas publicitárias do Governo Federal, não deram a devida relevância a um fato, curiosamente divulgado pela Agência Brasil e TV Brasil, as quais merecem nossos mais efusivos elogios por este exemplo de independência ou de rebeldia, após a greve dos funcionários da empresa.

O governo Lula aplicou apenas 13 % da verba que se destinava a prevenção de tragédias, o que, certamente, permitiu maior amplitude do desastre, sendo responsável por uma parte considerável do desastre.

http://www.agenciabrasil.gov. br/noticias/2008/11/26/materia.2008-11-26.0005711092/view

Também não vi, nas várias matérias sobre o assunto, qualquer coisa sobre a responsabilidade do governador do estado em ter reduzido a área de proteção vegetal do solo.

http://guilhermefloriani.blogspot.com/2008/11/trajetria-da-imprevidncia_8691.html

Quanto à ocupação desordenada do solo, foi mencionada superficialmente, como sempre acontece.

http://www.oeco.com.br:80/reportagens/37-reportagens/20391-santa-catarina-tragedia-esperada

Mas, tendo em vista as freqüentes e constantes tragédias anteriores, em Santa Catarina e em outras cidades do país, o que não se vê por aqui é uma cobrança sistemática das autoridades, por parte dos meios de comunicação, da adoção de medidas que realmente impeçam ou, pelo menos atenuem os problemas das chuvas que se repetem, com maior ou menor intensidade, a cada ano.

A cumplicidade da grande mídia em ocultar os verdadeiros responsáveis por problemas desta natureza e por não denunciarem tamanho descaso pela vida humana, é o mesmo que impede o Ministério Público de processar estes criminosos.

Como diz o artigo indicado acima: Era uma tragédia esperada!… Como serão as próximas que aumentarão o interesse da população pelas notícias, proporcionando lucro com a desgraça alheia. Talvez por isto não queiram realmente fazer algo para pressionar as autoridades a resolverem definitivamente este problema…

Paradoxalemente, os mesmos bandidos do colarinho branco que contribuíram para a tragédia, aparecem, nestes momentos, como salvadores da pátria e solidários às suas próprias vítimas, encontrando a mais absoluta e ingênua repercussão de sua hipocrisia na imprensa escrita, falada e televisiva.

Mas ninguém vai preso por isto. A culpa é sempre da natureza!!!  E mais uma vez constatamos que o crime compensa.

Num país com 74 % de analfabetos e semianalfabetos, onde raros conseguem enxergar um milímetro à frente do nariz e os jornalistas diplomados ou não tem suas consciências vendidas aos seus patrões, tudo pode acontecer.

A ética e a qualidade da informação fazem parte da mesma lama que assassina, destroi e humilha a população, que também nada faz para merecer um tratamento melhor, tanto dos dos políticos e da mídia. Cada povo tem o governo, a mídia e a lama que merece…

Quem sabe as entidades de Direitos Humanos não poderiam pressionar  o MInistério Público para processar os verdadeiros culpados pela mãe de todas as calamidades, a nossa administração pública?

Quem sabe a opinião pública possa forçar os deputados a manterem os móveis antigos em seus apartamentos e comprarem 1,5 milhões de reais em novos para os órfãos catarinenses do Estado brasileiro?

http://noticias.bol.uol.com.br/brasil/2008/11/28/ult4728u21016.jhtm

(*) Por Heitor Reis, engenheiro civil, militante do movimento pela democratização da comunicação e em defesa dos Direitos Humanos, membro do Conselho Consultor da CMQV – Câmara Multidisciplinar de Qualidade de Vida (www.cmqv.org) e articulista. Nenhum direito autoral reservado: Esquerdos autorais (“Copyleft“). Contatos: (31) 3243 6286 – heitorreis@gmail. com