A terça-feira 21 de outubro foi um dia histórico para os bolivianos. No início da tarde o Congresso Nacional chegou a um acordo para a convocação do referendo aprobatório da nova Constituição, o que foi comemorado com muita música e festa pelos cerca de 50 mil mineiros, camponeses, trabalhadores fabris e outros tantos que marcharam 200km desde Oruro até La Paz.
Imaginem uma coluna humana de 8km de comprimento, em marcha organizada rumo à porta do Congresso Nacional. Esse foi o tamanho do problema da burguesia de Santa Cruz. Na segunda-feira, dia 20, o povo cercou o Congresso e decidiu que dali não sairia até que o referendo fosse aprovado. Dormiram nas proximidades, comiam pouco e de pé. Muitos dos que vieram das terras baixas do oriente tiveram ensolação e febre porque não estão acostumados com o sol da montanha. Mas não arredaram pé.
Centenas de policiais mantiveram os manifestantes a apenas 8 metros da principal entrada do parlamento. Mas duvido que centenas de policiais conseguissem segurar a fúria de milhares. Por diversas vezes Evo Morales Ayma pegou o microfone para pedir paciência aos movimentos sociais. Dentro do Congresso os parlamentares trabalharam dia e noite. Sábado e domingo incluídos, sendo que nesses dias as sessões foram até 2 da madrugada.
O acordo firmado entre os quatro partidos (MAS, Podemos, UN e MNR) manteve muitos avanços no texto constitucional, como o reconhecimento pleno dos direitos dos povos originários, a justiça comunitária, a proibição de se privatizar recursos públicos básicos como água e energia e a garantia dos recursos naturais para o povo boliviano através do Estado.
Para o governo o que falou mais alto foi a possibilidade de uma reeleição de Evo Morales. Para a direita foi garantida a posse das terras, mesmo os grandes latifúndios, sendo que não serão permitidas novas aquisições que excedam 5 mil hectares e todas passaram a ter que cumprir sua função social.
Nesta terça-feira, 21 de outubro, vi bolivianos chorando de emoção. Vi bolivianos cantando e dançando. Vi bolivianos acenando com réplicas da Constituição. Vi bolivianos promoverem uma festa cívica, que transcorreu com toda a tranqüilidade e que agora terá um novo capítulo no dia do referendo, dia 25 de janeiro de 2009.




























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